Terapia política. Introspecção psicossocial. Análise simbólica.

31 dezembro 2008

[742] Feliz Ano Novo!


Felix sit annus novus! Feliz año nuevo! Feliz aninovo! Urte berri on! Bon any nou! Bonne année! Buon anno! Happy New Year! Frohes neues Jahr! Gelukkige nuwejaar! Asgwas amegas! عام سعيد (aam saiid)! שנה טובה (shana tova)! A gut yohr! Yeni yiliniz kutlu olsun! Sala we ya nû pîroz be! Nav varsh ki subhkamna! Kia hari te tau hou! Xin nian kuai le! Akemashite omedetô! С Новым Годом (S novim godom)! Shnorhavor nor tari! Tashi delek! Tinan foon di’ak! Felicxan novan jaron!

(créditos da imagem: Jorge Teixeira, designer e fotógrafo)

30 dezembro 2008

[741] E o melhor gestor de futebol é...

- só jogadores dos "três grandes" clubes fazem parte da lista;
- metade é portista;
- a inclusão de Quaresma, Lucho e Lisandro não surpreende;
- Postiga (suplente) e Hélton (guarda-redes) surpreendem, sobretudo o primeiro;
- a lista contém três jogadores do Sporting (Liedson, Polga e Moutinho) e apenas dois do SLB (Nuno Gomes e Katsouranis);
- Lisandro, o melhor marcador da Liga (24 golos), ganhou menos 754.735,88 euros do que Quaresma e menos 660.227,75 euros do que Nuno Gomes (13.º melhor marcador, com 7 golos);
- o SLB gastou mais 427.159,28 euros pela média dos dois mais bem pagos (1.683.951,73 euros, metade dos 3.367.903,46 auferidos pelos dois) do que o Sporting pela média dos seu três mais bem pagos (1.256.791,75, um terço dos 3.77o.375,24 auferidos pelos três), sendo que Liedson foi o 4.º melhor marcador (11 golos);
- o FCP foi campeão, o SCP foi vice-campeão, vencedor da Taça de Portugal e finalista vencido da Taça da Liga e o SLB ficou em 4.º lugar, não se classificando para a Liga dos Campeões.

[740] Não quero saber, resolva!

Um homem que se deslocava num balão de ar quente, a dada altura, compreendeu que se encontrava perdido. Decidiu então reduzir a altitude. Já próximo do solo avistou uma mulher e interpelou-a nestes termos:
- Peço desculpa de a importunar, mas será que a senhora poderia ajudar-me? Estou perdido. Prometi a um amigo que me encontraria com ele há uma hora atrás, mas a verdade é que não sei onde estou.
A mulher em baixo respondeu-lhe:
- O senhor encontra-se num balão de ar quente que paira no ar a cerca de 8 metros acima do solo. A sua posição situa-se entre os 40 e 41 graus de latitude Norte e entre os 59 e 60 graus de longitude Oeste.
- A senhora é, de certeza, funcionária pública - disse o balonista.
- De facto, sou! Como é que adivinhou? - perguntou a mulher, atónita.
- Bom - disse o balonista - tudo o que me disse é muito formal, burocrático e com pouco sentido prático. Até pode ser tecnicamente correcto, mas não resolve o meu problema. A verdade é que não sei o que fazer com a informação que me deu e continuo a não ter mínima ideia onde me encontro. Continuo perdido. Para ser franco, não me ajudou em nada. Só contribuiu para atrasar mais a minha viagem.
A mulher, irritada, respondeu:
- O senhor deve ser ministro.
- Na verdade, sou - disse o balonista, incomodado - mas como é que descobriu?
- Muito fácil - disse a mulher - o senhor não sabe onde está nem para onde vai. Atingiu a posição onde se encontra com uma grande dose de ar quente. Fez uma promessa e não tem a mínima ideia de como a vai cumprir. Espera e pretende que pessoas que estão abaixo de si resolvam o seu problema. A realidade é que está exactamente na mesma posição em que se achava antes de me encontrar, mas agora, vá-se lá saber porquê, isso é culpa minha!
(adaptado de uma anedota que corre na internet)

[739] Nótulas sobre uma crise constitucional

Tendo o PR a razão jurídica e constitucional do seu lado desde o início, surpreende que um homem experiente e prudente como Cavaco Silva seja tão ingénuo e quase amador na abordagem a esta questão. Em política não há amigos. Há órgãos, legitimidades, poderes, competências que se exercem no tempo e pela forma adequados.
Nunca seria o PR o derrotado. Como ele referiu, e bem, a questão não afecta o actual Presidente, mas os que se lhe seguirão. E mais do que pôr em causa o PR, ficam prejudicados os equilíbrios constitucionais. Não é por acaso que o sistema político não é o parlmentar...
Veremos nos próximos dias e meses a quem interessou esticar a corda!
(Núncio/Portugal Real, comentários a «Ricardo Costa: "Foi a mensagem mais violenta que um Presidente fez nos últimos anos"», Expresso online, 29-12-2008)
*
Post scriptum: mais uma vez Ramalho Eanes a mostrar de que é feito. Nem uma palavra se ouviu dos dois Presidentes que lhe sucederam. Numa questão desta natureza, não só era legítimo como da mais elementar solidariedade que todos os ex-PR se pronunciassem em favor da posição de Cavaco Silva, que é a da defesa do órgão.

29 dezembro 2008

[738] Na quadra natalícia, a Bíblia revisitada

Por três vezes o Parlamento (e o partido maioritário) negou a evidência. Não cantou o galo, mas falou o Presidente da República. Tal como na cena bíblica (Mateus, 26:69-74), alguém traíu porque está com medo de ser (politicamente) morto.
*
E.T. (...) havia um tempo em que a palavra era a moeda de homens bons. E os homens bons de hoje (sim, ainda existem alguns...) não deixaram de acreditar, ingenuamente, na honestidade intelectual dos seus interlocutores, sobretudo se forem titulares de órgãos do Estado.
Mas como acreditar na palavra de gente que se forma em universidades de duvidosa reputação, titulares de diplomas emitidos ao domingo?
(Núncio, comentário a "Estatuto dos Açores", Homem ao Mar, 30-12-2008)

[737] Frente fria com trovoada

O novo Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores, ao contrário do que António José Teixeira acaba de insinuar, na SIC Notícias, com aquele jeito singelo e (só aparentemente) equidistante, é matéria da maior importância que justifica duas (ou mais) comunicações ao país. Mal estaríamos se o Presidente da República deixasse as questões complexas, políticas e constitucionais, para a opacidade dos gabinetes e só trouxesse simplicidades e amenidades para as mensagens públicas.
Ricardo Costa, ao contrário, foi mais clarividente e imparcial na SIC. Curiosamente, a mesma estação; dois comentários concorrenciais e quase antagónicos.
Trovoada no continente provocada pelos ventos dos Açores. Haverá sismo político? E qual o epicentro?
*
Post scriptum:
Não se trata de matéria opinativa. A Assembleia da República não é um órgão consultivo, que dá opiniões ou pareceres. Ali se elaboram, ou deveriam elaborar, leis boas e justas. Conhece algum constitucionalista reputado que defenda que as duas normas em causa não ferem a CRP? Até Vital Moreira, do PS, já disse tudo sobre o assunto!
(Núncio, comentário a "A opinião dos outros", Homem ao Mar, 30-12-2008)

[736] Charada de final de ano

P: Estás a participar numa corrida. Consegues ultrapassar o segundo concorrente. Em que lugar ficas?
P: E se ultrapassares o último, em que lugar estás ?
*
P: O pai da Maria tem cinco filhas:
a Naná, a Nené, a Nini, a Nonó. Qual é o nome da quinta filha?
*
Podem deixar os palpites na caixa dos comentários.

25 dezembro 2008

[735] A crise revisitada

«Afinal o mundo nada aprendeu com a crise de 1929, apenas vista hoje como mera curiosidade do passado.»
*
Concordo com o leitor. Não se aprendeu nada nem se aprende. Se repararmos, a segunda metade do séc. XX é uma época revivalista, com todas as teorias e doutrinadores "neo". Os neoliberais, os neocon, os pós-modernistas, o Bush Jr, o novos populistas, os renovadores comunistas... E sempre que se recauchuta uma tese ou um movimento, ele surge mais assanhado, mais violento!
O homem não é um ser racional, é um ser de hábitos.
(Núncio/Portugal Real, idem)

22 dezembro 2008

[734] Força, PM! Estamos consigo! Vá em frente!

Devemos ter (e é, muitas vezes, um acto cívico) convicções políticas. Podemos até ter (e a democracia vive disso) militância partidária ou participação associativa. Mas não podemos, de todo, ser intelectualmente desonestos. Muito menos um jornal chamado de referência!
MFL não será a líder mais entusiasmante do espectro partidário. Nem será sequer o candidato mais evidente a primeiro-ministro. Mas nada justifica a campanha destrutiva, de que esta secção é exemplo reiterado, que está em curso. Curiosamente alimentada, em parte, por muitos dos que defendiam que só a credibilidade e honestidade de MFL poderiam impedir a falência do PSD. Lembram-se?
Se repararem, MFL - que não governa - está sistematicamente em "baixa". Ora porque calou, ora porque falou. Para uma certa imprensa, nada do que diz ou faz é acertado. Nada! Como se de quem governa se pudesse dizer coisa muito diferente...
A ironia (pelos vistos, a imprensa nem sequer distingue uma figura de estilo) é que nenhum outro líder teria apreciação positiva, por isso nem vale a pena o PSD (ou outro partido da oposição) mudar. Para a imprensa, está tudo bem como está.
(Núncio/Portugal Real, "Basta": comentário a «Altos e baixos - de Mário Soares a Manuela Ferreira Leite», de João Garcia, Expresso online, 22-12-2008)
*
Adenda:
Não posso acreditar que o eleitorado, pelo menos o atento e esclarecido, se convença que alguém que foi consultora do Banco de Portugal, líder da bancada parlamentar, secretária de Estado do Tesouro, ministra da Educação, ministra das Finanças, deputada, conselheira de Estado e sei lá mais o quê só diga disparates e tonterias!
Note-se que diria o mesmo de figuras de outros partidos e movimentos e que, estranhamente ou não, também têm "baixa cotação" na imprensa. Por exemplo, não admiro particularmente Paulo Portas (CDS/PP), Manuel Maria Carrilho (PS), Boaventura Sousa Santos (BE) ou Vital Moreira (PS). Mas não cometo a injustiça de achar que são uns tontos ou que só dizem disparates. Pelo contrário, acho, sobretudo nos 2.º e 4.º exemplos, que são estudiosos e dedicados. Apenas não me convencem, nada mais...
(Núncio/Portugal Real, "Basta": resposta a comentário de leitor)

21 dezembro 2008

[733] Muito obrigado pela sua atenção

A contemporaneidade é marcada pela globalização e pela virtualidade. Uma e outra estão a reduzir o indivíduo a um número e a um "nickname".
Nas relações pessoais, as comunicações electrónicas tendem a substituir o telefone, que já havia substituído a carta.
Nas relações profissionais, o telex e o fax já eram. Com a possibilidade de digitalizar documentos e autenticar as assinaturas, quase tudo pode ser transmitido electronicamente. Quase tudo... menos os afectos e a simpatia.
Não responder a uma mensagem electrónica é como desligar o telefone a uma pessoa ou não retribuir o cumprimento de alguém na rua... O mundo virtual também é feito de pessoas, do outro lado está alguém de carne e osso que nos procurou, que veio conversar connosco, que precisa de nós.
Por isso, as regras de cortesia e boa educação são tão válidas na internet como lá fora.
(comentário do blogger inspirado em caso real: adaptado da resposta dada a um "silêncio")

20 dezembro 2008

[732] Eu estou aqui!

Paulo Portas sempre detestou Cavaco (basta reler o Independente). Apoiá-lo em 2006 foi uma inevitabilidade, porque apoiar (por acção ou omissão) Alegre ou Soares seria demais. Mas haveria de surgir a oportunidade de demarcar-se.
E surgiu: ontem, ao somar os seus 11 deputados aos do PS, PCP, BE e Verdes (e a dois do PSD), o CDS/PP lembrou ao PR que "o outro pequeno partido" que o apoiou não hesitará, sempre que quiser e puder, em fazer estragos à estratégia presidencial. Permitindo a maioria qualificada (dois terços) na (re)aprovação do projecto de Estatuto Político dos Açores, o sinal é evidente. E não é a favor da autonomia regional!
Convém posicionar-se para, se possível, voltar ao poder em Outubro de 2009...

[731] Popular mas não populista

«Nós somos o grande partido popular da esquerda democrática e moderna em Portugal»
(José Sócrates, "Polémica socialista - Sócrates responde a Alegre que Governo «honra história do PS»", Sol online, 17-12-2008)
*
«Populismo quer dizer demagogia infrene, exploração das emoções, primarismo ideológico, culto quase messiânico do líder, cumplicidade activa com a comunicação social tablóide, espectacularização da política, atenção exclusiva ao curto prazo, desprezo pelas regras institucionais
(Augusto Santos Silva, "Hoje é dia de recordar o que é o populismo", Fundação Respublica)
*
Post scritpum: «SÓCRATES. Explica confronto com Cavaco (no Estatuto dos Açores) pela necessidade de acalmar o PS. Fraco argumento. E muito fraco líder que o invoca.» (Marcelo Rebelo de Sousa, "Alçada, Pedro Leitão e Açores", 7-12-2008)

[730] Serviço público (15): não beba com a boca...

... beba com cabeça!

18 dezembro 2008

[729] Qué pasa, Quique?

O "novo" Benfica de Joe Berardo, Rui Costa e Quique Flores arrisca-se a ficar velho depressa... Pelo menos, não conquistará mais troféus do que no passado recente, que se queria morto e enterrado.
Este ano, já foram duas competições à vida, uma delas (a que terminou hoje, prematuramente) após quatro jogos inexplicavelmente pobres.
É paradoxal a situação do clube: parece ter-se (re)estruturado, parece haver mais competência e organização (administrativa, financeira), mas não se vêem resultados nenhuns! Em várias modalidades desportivas (como o hóquei), o nível é mesmo preocupante...
Mas nem tudo é deprimente para os adeptos do SLB. A IFFHS (Federação Internacional da História e Estatísticas do Futebol) é responsável, desde 1-1-1991, por classificar todos os clubes das seis federações internacionais de futebol, com base nos seus resultados nas provas internas e internacionais.
Ora, a classificação actual (de 1-1-1991 a 31-12-2007) abrange justamente o período menos brilhante da história do Benfica (sobretudo de 1994 a 2004) e, ainda assim, o SLB ocupa um honroso 32.º lugar, entre 199 clubes, à frente do Marselha, do PSV, do Anderlecht, do Vélez Sarsfield, do Santos e... do Galatasaray e do Olympiakos. E muito à frente dos eternos rivais (96.º)!
*
Adenda: Sei que alguns desprezam o título de "maior clube do mundo", mas ele traduz mais do que uma mera certificação do número de sócios e adeptos, que até seria o menos relevante.
O Benfica é, talvez, a instituição que mais se confunde com o país e com a diáspora. Daí a sua força cá dentro e lá fora.Por isso, 10 anos de poucas conquistas e de muitas preocupações não beliscaram a sua grandeza. Porque o Benfica é Portugal!
(Núncio, comentário a "O sistema!...", 4R-Quarta República, 14-12-2008)

[728] Tem a certeza que é jornalista?

Um mês depois, quando já se sabe que MFL usou, embora de forma inábil, uma ironia, a jornalista insiste e recorda-nos, eleitores desatentos ou manipuláveis, «que a 18 de Novembro Ferreira Leite perguntou se “não seria bom haver seis meses sem democracia” para “pôr tudo em ordem”».
Nem a estupidez nem a má-fé têm campo no jornalismo de qualidade, isento e ético.

15 dezembro 2008

[727] Baixo, muito baixo

Nestes tempos de insuportável burocracia e tecnocracia, com as rajadas de vento neoliberal a empurrar os mais frágeis para a desresponsabilização individual e a desvaloração ética e política, admiro (cada vez mais) as pessoas de convicções fortes, que fazem uso da sua liberdade de expressão e opinião, que lutam por valores, ideias, projectos, que não se resignam e, sobretudo, que fogem à idolatria e ao culto da personalidade.
Infelizmente, não é o caso deste comentário a que agora respondo. Mesmo a lealdade decorrente de qualquer militância partidária (que faz falta ao regime) tem limites. Os da honestidade intelectual e da coerência.
(Núncio, comentário a "Disparate", do leitor Bandaranaik, em "Altos e baixos", Expresso online, 8-12-2008)

14 dezembro 2008

[726] Portugal é mais do que futebol (25)

[725] Dê-me um canudo, sff. O amarelo, se não se importa. Fica melhor na minha sala.

Qualificações sim, mas não necessariamente académicas. Dessas até há excesso (no primeiro nível de estudos superiores; faltam apenas mais mestres e doutores e nem sequer em todas as áreas científicas).
Portugal precisa URGENTEMENTE de qualificações profissionais, técnicas e administrativas. Já repararam que há ofícios a desaparecer completamente e os que restam estão muitas vezes entregues a amadores (quando não incompetentes)?
Por outro lado, sempre me admirei que qualquer pessoa possa abrir um café ou um restaurante, sem qualquer enquadramento profissional nem requisitos para além dos comerciais (alvarás, etc.). O atendimento do público, sobretudo na restauração, é das coisas mais exigentes na actividade económica. É preciso educação, urbanidade, fluência nalguma língua estrangeira (turismo oblige), higiene, etc.
Para quando mais técnicos e menos doutores?
(Núncio, em comentário a "Mais qualificações garantem mais emprego", Expresso online, 14-12-2008)

[724] Citações do mundo: ecopolítica

«Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão.»
(Eça de Queiroz)

13 dezembro 2008

[723] Jogo desigual

O mundo gira entre cimeiras caras e inúteis e reuniões secretas e luxuosas. Acima de nós, uma realidade virtual, financeira e especulativa. Debaixo de tudo isto, quase sub-humano, o dia-a-dia de silêncio e tanta gente. As contas bancárias das elites estão garantidas. Quem garante a dignidade dos outros 90%?
(Núncio, comentário a "Insegurança alimentar - mundo perde luta contra a fome", Expresso online, 13-12-2008)

[722] Isso não interessa nada, vê mas é o défice!

Discordo da sua resposta [do leitor Carlos Ferreira]. Considero-a até sintomática dos tempos que correm. É justamente por se desvalorizar ou relativizar a arbitrariedade, a injustiça, a arrogância que o Direito e a Ética estão com tão baixa cotação no mercado político e social.
É absolutamente irrelevante saber se há casos idênticos nesta ou noutras Administrações Públicas. Cada caso deve ser tratado com rigor, isenção e sentido de justiça. Nunca há igualdade na ilegalidade ou na inconstitucionalidade. Não é por haver outros (infelizes) casos semelhantes a este que vamos deixar de nos indignar e sancionar os seus autores. Ler os clássicos ajudaria muito a elevar a competência e civilidade deste povo. A justiça é a atribuição do justo concreto, daquilo que é de cada um. Não há justiça colectiva nem igualdade na injustiça!
(Núncio, comentário a «JSD acusa Câmara de "atentado à liberdade de expressão"», Expresso online, 12-12-2008)

10 dezembro 2008

09 dezembro 2008

[718] Vêem-se gregos!

Primeiro na França. Agora na Grécia. A situação social é explosiva na Europa. Falta pão. Sobra deseperança.
E não digam que a União Europeia é o seguro de vida do regime. As seguradoras faliram...

[717] As palavras dos outros (25): três troncos podres

«Não avisada, nada sensata e pouco perspicaz, a equipa [ministerial] tomou todos os professores por foras-da-lei e toca a mover-lhes uma guerra sem quartel. Covardemente, aliciou os pais e o país contra o inimigo, mas, quando a batalha parecia ganha, eis que começam a surgir brechas nas forças de assalto. Quando percebem as ideias diabólicas dos generais, o melhor das forças, muda-se para o outro lado da barricada. O resto já se sabe.
Desgraçadamente, perdeu-se outra oportunidade de reformar o ensino público e teremos de trabalhar muito para reconstruir tudo o que uma equipa de celerados teimou em destruir.»
(Carlos Ponte, comentário a "Políticas educativas", in Jacarandá, de António Barreto, 25-11-2008)

08 dezembro 2008

[716] Fraternidade clara

Por razões de serviço, estive fora do país alguns dias. No hotel onde pernoitei, numa das salas de reuniões, decorria um encontro de maçons. Educados no trato, elegantes nos seus aventais lustrosos, iguais aos restantes hóspedes, livres para se apresentarem nos corredores e quartos de banho do hotel.
Eu, que tinha justamente chamado a atenção para a obscuridade da condição de maçon em Portugal ([710] A pedra da verdade), não poderia ter tido, dias depois, mais certeza no que dizia.
Não é a Maçonaria ou a Opus Dei ou o Bildenberg que são obscuros. É a portugalidade...

30 novembro 2008

[715] Os povos têm os políticos que merecem...

«Nestes tempos de alguma militância anti-americana, sobretudo nas "elites" europeias, é quase irónico ver que é do outro lado do oceano que continuam, contra tudo e contra todos, a surgir políticos com algum talento e Estadismo.
E é quase deprimente ter de ouvir a Esquerda e a Direita europeias a dissertarem banalidades, enredadas numa burocracia e tecnocracia infindáveis, mescladas com corrupção q.b.
Mas será que merecemos isto?»
(Núncio, "Complexos e preconceitos", em comentário a "Uma lição de democracia", (A)Variações, 5-11-2008)

[714] Coabita comigo ou demito-te!

Fechamos também, para dar lugar a outras, a consulta sobre as coabitações de regime que tivemos em Portugal na III República. Votaram 74 leitores e estes foram os resultados, nada esclarecedores, em razão da forte dispersão:
1. Cavaco/Sócrates 28%
2. Sampaio/Durão 26%
3. Nenhuma 20%
4. Soares/Cavaco 12%
5. Eanes/Soares 10%
6. Todas 4%
Nota-se que, ressalvada a tendência (natural) para votar naquilo que está mais fresco na memória, nenhuma das quatro coabitações entusiasmou os (e)leitores e que - talvez até ao contrário de alguma opinião publicada - as duas coabitações de que Mário Soares fez parte não são especialmente apreciadas. Porque será?

[713] Portugal é mais do que futebol (24)

29 novembro 2008

[712] O futuro é incerto...

Fechando também a consulta sobre a figura portuguesa que marcará a primeira metade deste século, verificamos que não há uma escolha clara, traduzindo a dificuldade em forjar um líder, que, aliás, se constata logo pelo número mais baixo de votantes (79) e pela dispersão de votos.
Eis os resultados apurados que, como temos lembrado, não são cientificamente fiáveis, por a amostra poder não ser representativa do universo (cidadãos portugueses maiores de idade):
1. Cristiano Ronaldo 15%
2. José Mourinho 15%
3. José Sócrates 15%
4. Núncio 14%
5. Mariza 13%
6. Cavaco Silva 10%
7. Vanessa Fernandes 4%
8. D. Afonso de Bragança 3%
9. Maria do Carmo Fonseca 3%
10. Miguel Câncio Martins 3%
11. Álvaro Parente 2%
12. Michelle Brito 1%
Para além da gentileza dos leitores para com o blogger, destaque para a posição de Mariza e a expectativa que ainda existe em Cavaco Silva e José Sócrates. Dada a glorificação do futebol, não é inesperada a pontuação dos dois primeiros.

[711] O português do século XX

À beira do 368.º aniversário da restauração da independência nacional, encerramos hoje mais uma das consultas que fizemos, durante largos meses.
Confirmando a opinião que se vem consolidando no país, embora sem a vantagem de outras sondagens, Salazar foi a figura nacional do século passado, para quem se deitou no divã.
De um total de 139 votantes, foram estes os resultados apurados:
1. Salazar 22%
2. Fernando Pessoa 20%
3. Mário Soares 15%
4. Eusébio 10%
5. Rosa Mota 7%
6. Amália 6%
7. Cavaco Silva 6%
8. Afonso Costa 4%
9. D. Carlos 3%
10. Humberto Delgado 3%
11. Helena Vieira da Silva 2%
12. Salgueiro Maia 2%
Surpreendente o 2.º lugar do poeta e o prestígio de que ainda goza o futebolista. Inesperada a baixa votação do opositor de Salazar e a quase irrelevância do símbolo da Revolução.

[710] A pedra da verdade

(Maurice Caillet, médico francês, que pertenceu à Maçonaria francesa durante 15 anos, hoje convertido ao Cristianismo)
*
Quantos membros compõem a Maçonaria portuguesa? Quais se revelam enquanto tal? Que fazem? Quantos têm aderido e quantos foram-se desvinculando?

26 novembro 2008

[709] Uma mulher sem quota

«A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou no debate sobre o Orçamento de Estado no Parlamento Federal, em Berlim, que a Alemanha está perante "um trajecto difícil" devido à crise financeira, e que 2009 será "um ano de más notícias".»
(Expresso on line, 26-11-2008)
*
Enquanto por cá, no País das Maravilhas, se vendem ilusões e se ataca quem diz a verdade, nesse Estado subdesenvolvido e periférico que é a Alemanha prepara-se o futuro sem metáforas...
(Disclaimer: neste comentário utilizou-se a figura da ironia. Pede-se à comunicação social o favor de não utilizar este post para debater, logo ao serão, durante três horas, o nível de desenvolvimento alemão.)

22 novembro 2008

[707] It's not Magalhães, stupid!

2.º inquérito à qualidade de vida dos europeus
(os 27 da UE e a Noruega, Croácia, Turquia e Macedónia).
*
Para além dos sofríveis, nalguns casos preocupantes, resultados de Portugal nos vários índices de felicidade, satisfação com a vida, rendimento médio do agregado familiar, pobreza e saúde mental, acho que - em vez de desperdiçarem um serão inteiro a lucubrar nas ironias (felizes ou infelizes) de Ferreira Leite ou nos estados de alma de Manuel Alegre - as judites de sousa, fátimas campos ferreira ou manuelas moura guedes das televisões nacionais deveriam estar a debater o paupérrimo índice de confiança dos portugueses nas instituições políticas e nas pessoas em geral e os persistentes níveis de subdesenvolvimento em áreas sociais, culturais e económicas.

03 novembro 2008

[701] Late night humour: novo produto para exportação

Magalhães móvel: o veículo automóvel mais económico do mercado,
pronto a ser comercializado por Portugal para todo o mundo
(por email: cortesia do leitor Jota DT)

29 outubro 2008

[695] As palavras dos outros (23): tenham juízo e estudem!

"É extravagante [a linha Lisboa-Porto em TGV]?
É de loucura. É um desperdício. Em compensação, há outros investimentos que são fundamentais. Por exemplo, em barragens. Há um programa grande de construção de barragens. São fundamentais. Pouca coisa se pode fazer de tão útil para o país como isso. O PSD, em meu entender, deveria fazer algum trabalhinho de casa para saber quais os investimentos que acha que se devem fazer e os que não se devem fazer. Como partido de oposição terão razão nalgumas coisas, mas têm que estudar um bocadinho. Não basta dizer coisas."
(Silva Lopes, ex-governador do Banco de Portugal e ex-ministro das Finanças, Expresso on line, 28-10-2008)

[694] Late night: a idade do seu cérebro

FLASH FABRICA: teste japonês

1. Clique no link
2. Quando abrir a página, tecle 'start'
3. Aguarde pelo 3, 2, 1
4. Tente memorizar a posição dos números e vá clicando nos círculos, sempre do menor para o maior número, começando pelo ZERO, se ele estiver presente
5. No final do jogo, o computador vai dizer-lhe a idade do seu cérebro

[693] Serviço público (14): petição por Lisboa

17 outubro 2008

[691] Sondagem: os resultados

Após meses disponível, encerra-se hoje a sondagem (sem validade científica por desconhecimento dos perfis estatísticos dos leitores votantes e da sua representatividade) sobre o currículo profissional e académico do primeiro-ministro em exercício, tendo 49 leitores considerado as dúvidas que subsistem:
- politicamente relevantes (49%);
- tardias, mas pertinentes (22,5%);
- ataques pessoais (22,5%);
- eticamente inaceitáveis (6%);
- erros jornalísticos (0%).
As restantes consultas continuam, por enquanto, em linha.

[690] Serviço público (12): petição pelas PME

01 outubro 2008

[688] Portugal é mais do que futebol (19)

[687] Porqué no te callas?

«Sim, os manuéis pinhos deste mundo viveram em prosperidade (e continuam a viver, pois a crise não é para as elites nem para as sociedades secretas...). Mas os idosos, a classe média, os reformados, as minorias étnicas, os infectados por epidemias, os órfãos, esses nem sabem o significado da palavra!»
(Portugal Real / Núncio, comentário a "Durante dez a quinze anos, vivemos num mundo de prosperidade, pois bem, esse mundo acabou", Expresso on line, 30-9-2008)

27 setembro 2008

[683] Citações do mundo: prémio Mário Soares

"A posse é o túmulo do desejo."
(autor desconhecido)

[682] Citações do mundo: prémio Paulo Portas

«O desejo é o pai do acto.»
(Wilbur Smith, in «Warlock»)

[681] Citações do mundo: prémio José Sócrates

«O facto de reconheceres o meu rosto não significa que me conheças.»
(Deepak Chopra, in «O caminho do Mago»)

[680] A verdade compensa?

«Diz um anúncio a um programa televisivo, de nível rasteiro, que a verdade compensa. Veremos se é o caso no próximo ano, no âmbito político-eleitoral.
Podemos não gostar da figura de MFL, do seu discurso seco e curto, dos longos silêncios e das intervenções cirúrgicas, da visão algo pessimista, mas o que não podemos dizer é que MFL é "igual aos outros". Raramente vi, e não sou tão jovem assim, um político tão cruelmente sincero, tão verdadeiramente desconcertante.
Independentemente da ideologia professada e das políticas públicas defendidas, há ali frontalidade, coerência e honestidade intelectual. Só isso faria com que a verdade compensasse. Mas não creio... "Me engana que eu gosto" ainda é a máxima do eleitor!»
(Portugal Real / Núncio, comentário a «PSD: Ferreira Leite acusa PS de "originalidade" de "governar por anúncios"», Expresso on line, 27-9-2008)

[679] Citações do mundo: prémio Manuela Ferreira Leite

"Ao quebrar o silêncio, a linguagem realiza o que o silêncio pretendia e não conseguiu obter."
(Merleau-Ponty)

26 setembro 2008

[678] Poesia do mundo: não tenham medo!

Ah o medo vai ter tudo
tudo
(Penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)
O medo vai ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos
(Alexandre O'Neill)

[677] Friday evening: o valor do homem e da mulher

"Se o homem soubesse o valor que tem a mulher andaria de joelhos à sua procura."
*
Falta uma vírgula na frase. Onde deverá ser colocada? A palavra ao leitor.
A sua colocação irá mostrar o valor que atribui à mulher ou ao homem.
(sugestão da leitora )

21 setembro 2008

[676] Os políticos detestam os juízes

«Normalmente, os que atacam a "incompetência" dos juízes são os que aplaudem a "competência" dos políticos.
Esquecem-se que, raramente, as suas vidas são mais prejudicadas pelos primeiros do que pelos segundos...»
(Portugal Real/Núncio, comentário a "O sistema remuneratório dos juízes vem de 1992", dito por Noronha do Nascimento, Expresso online, 16-9-2008)

17 setembro 2008

[675] Um livro por um sonho...

A Livraria Buchholz, lugar de referência do nosso (pequeno) universo cultural, encontra-se em situação de pré-falência.
A Buchholz é uma livraria com história. Foi fundada em 1943 pelo livreiro alemão Karl Buchholz,que deixou Berlim depois da sua galeria de arte e livraria terem sido destruídas pelos bombardeamentos. A actividade de Buchholz era incompatível com o regime de Berlim, nomeadamente a venda de autores considerados proscritos, como Thomas Mann. No entanto, a relação de Buchholz com o regime era algo dúbia pois tanto compactuava em manobras de propaganda alemã como salvava da fogueira obras de Picasso e Braque, condenadas pela fúria nazi.
No início, a livraria estava situada na Av. da Liberdade e só em 1965 se instalou na R. Duque de Palmela. O interior foi projectado pelo próprio livreiro ao estilo das livrarias da sua terra natal. O espaço estende-se por três andares unidos por uma escada de caracol, com recantos e sofás que proporcionam uma intimidade dos leitores com os livros. A madeira das escadas, chão e estantes torna o espaço acolhedor e agradável.
Durante os anos 60, a tertúlia artística lisboeta - entre eles, Escada, Noronha da Costa, Eduardo Nery e Malangatana - passou pela cave da Buchholz, que funcionou como galeria até 1974. Hoje, a galeria continua a ser uma referência cultural com um público fiel que preza o espaço de convívio que a livraria sugere.
A selecção dos títulos é vasta e inclui várias áreas: artes, ciência, humanidades, literatura portuguesa e estrangeira, livros técnicos e infantis; na cave funciona uma secção de música clássica e etnográfica. Apesar de não ser especializada em nenhuma área, a secção dedicada à ciência política é frequentada por muitos políticos da nossa praça. A Buchholz acolhe ainda eventos especiais como lançamentos de livros, sessões de leitura, e o 'Domingo Especial' que são os saldos anuais da livraria, uma vez por ano, no último domingo de Novembro. Na Buchholz on-line pode percorrer as estantes da livraria sem sair de casa e ainda encomendar livros nacionais e alguns estrangeiros.
Agradece-se a todos quantos a frequentaram que a voltem a visitar, de vez em quando.
Morada: Lisboa, R. Duque de Palmela, 4. Tlf: 213170580. Sítio electrónico: http://www.buchholz.pt
(apelo que circula por email: cortesia do leitor gouveia)

06 setembro 2008

[669] A mudança conservadora ou o patriotismo progressista?

As eleições norte-americanas

[668] Adágios modernos: o estado dos portugueses

"Quem aguarda longamente, atinge o estado de exaustão." (Quem espera desespera)

[667] Atendimento personalizado

(cortesia do leitor reprobo)

[666] Não há computadores grátis!

«The government of Portugal has announced plans to launch a new education technology program called the Magellan Initiative, which aims to bring low-cost mobile computers to half a million young students. The laptops, which are being developed in collaboration with Intel, will be based on the company's Classmate PC reference design. (...)
The deal is a major victory for Intel's Classmate PC concept which has been battling for mindshare against the One Laptop Per Child (OLPC) group, a nonprofit organization that emerged from the MIT media labs. (...)
Intel is also helping Portugal launch a new web-based interactive learning system called Intel skoool that is designed to provide resources for teaching math and science (but obviously not spelling). The web site was launched last November and continues to grow.»
[Ryan Paul, "Portugal's 500K Classmate PC order a nail in OLPC coffin" (A encomenda de Portugal de 500 mil computadores Classmate espeta um prego no caixão da OLPC), Arstechnica, 30-7-2008]: via http://www.zerodeconduta.blogs.sapo.pt/ (cortesia do leitor reprobo)

28 agosto 2008

[665] Do pai tirano ao democrata paternalista...

«Será que vou morrer vendo um povo que só chora e pede desculpas ?
Será que vou morrer num país que se estatela de bunda no chão, enquanto os políticos roubam descaradamente e as CPIs não dão em nada e a tropa de choque do governo lá se encontra para blindá-lo e protegê-lo?
Será que vou morrer num país que se contenta com o assistencialismo e o paternalismo oficiais, um povo que vende seu voto por bolsa-família ("Bolsa Farelo") e por receber um botijão de gás de esmola por mês?»
(James Pizarro, professsor universitários aposentado, Brasil: recebido por email)

09 agosto 2008

[661] O estado económico da Nação

«No seu cinquentenário (13 de Julho de 2008), nem todos se esqueceram da famosa Carta de D. António Ferreira Gomes a Salazar, que o bispo do Porto pagou com um exílio de dez anos. Nela, exigia-se a liberdade de pluralismo partidário e sindical e de greve. E lembrava-se "dois problemas fundamentais" em ordem à paz: 1. "Os frutos do trabalho comum devem ser divididos com equidade e justiça social entre os membros da comunidade"; 2. Os indivíduos e as classes "nunca estarão satisfeitos enquanto não experimentarem que são colaboradores efectivos, que têm a sua justa quota-parte na condução da vida colectiva, isto é, que são sujeito e não objecto da vida económica, social e política". O equilíbrio financeiro "é óptimo", mas "nunca deve deixar de estar ao serviço do Homem".»
(Pe. Anselmo Borges, "Apontamentos sobre religião e o estado da Nação", DN, 9-8-2008)

[660] Poesia negra

"matar é fácil
dificil é dar pão
neste socialismo cabrão"
(leitor anónimo, Palavrossavrvs rex, comentário a "Duas balas, meu Brasil", 8-8-2008)

05 agosto 2008

[659] Silly opinion-making

Que o Verão seja a "silly season" é inevitável, olhando para o calendário e a necessidade de retemperar forças fisicas e intelectuais, já tão diminuídas por natureza nalguns casos.
Que a maior parte dos comentadores seja "silly" já não me parece tão natural, mas deve ser da poluição das praias... É que é absolutamente "silly" aproveitar a (desajeitada) forma para atacar uma comunicação da maior importância para o regime político-constitucional.
Se o PR tivesse vindo falar das últimas contratações do Glorioso teria tido certamente mais aplausos!
(Núncio, comentário a "Pois, mas isso acha toda a gente!", Câmara de Comuns)

26 julho 2008

[654] A decência do Estado

Kadhafi, Eduardo dos Santos, Chávez: nem a mais fria real politik justifica estas amizades... Mesmo a raison d'État tem dignidade!

[653] O estado do Estado

«Sempre achei que o estado da arte futebolística interessaria a uns quantos... para que não se repare no estado das outras "artes"!»
(Núncio, comentário a "O meu parecer", Atenta Inquietude, 25-7-2008)

[652] O dirigente, o árbitro, a prostituta e o amante dela

«Infelizmente, a cumplicidade da comunicação social a promover figuras e figurinhas do "jet set" e do basfond nacional e a enxovalhar personalidades académicas e culturais tem sido devastadora. Uma das maiores autoridades portuguesas em Direito Administrativo a ser "escrutinada", com a benevolência da imprensa, por gente desqualificada que só vive do futebol e para o futebol... Ao que isto chegou! Já há vinte anos a saudosa Ivone Silva cantava "Este país é um colosso; está tudo grosso!
(Núncio, ibidem)

[651] Importa-se de repetir?

«Leio e releio ["políticamente (no campo nem tanto...) o Benfica move-se muito bem..., aliás o Benfica sempre esteve protegido pelo regime"]. Belisco-me. Abro muito os olhos na esperança de ver a luz irradiada das suas linhas. Já não bastava defender que o Benfica (e o Sporting e o Belenenses, em menor escala) era o clube do Estado Novo, agora também ficamos a saber que é igualmente o clube do actual regime.
Ou seja, o clube que, há vinte anos, vem somando vitórias é vítima de um qualquer ataque soez e o clube que pouco ou nada ganha nesse período é protegido. Por quem? Com que resultados? Já não há paciência!»
(Núncio, comentário a «Apito Final - SAD do FC Porto acusa Freitas do Amaral de "parcialidade"», Expresso on line, 26-7-2008)

[650] Dá-me o meu subsídio, já!

«Cá fora, no terreno, o único elemento que ainda nos separa da barbárie e da anarquia mantém na Quinta da Fonte uma guarda de 24 horas por dia com metralhadoras e coletes à prova de bala. Provavelmente, enquanto arriscam a vida neste parque temático de incongruências socio-políticas, os defensores do que nos resta de ordem pensam que ganham menos que um desses agregados familiares de profissionais da extorsão e que o ordenado da PSP deste mês de Julho se vai ressentir outra vez da subida da Euribor.»
(Mário Crespo, "Limpeza étnica", Opinião, JN, 21-7-2008)
*
Não se confunda, Mário Crespo. O que prejudica as contas públicas não é o plasma dos subdsidiados, é as férias de juízes e professores. O que afecta a imagem das instituições não é as férias dos deputados, mas a qualidade do logotipo. O que valoriza o ensino não é a sua qualidade, mas as estatísticas.

20 julho 2008

[647] Diz-me qual o teu discurso, dir-te-ei qual o nível do teu povo...

Há um défice cultural e teorético muito grande. Os governantes e parlamentares sabem pouco ou nada de ciência política, de história das ideias, de filosofia, de ética ou de epistemologia.
Mas para estes eleitores, está muito bem assim. Na boa tradição romana, basta oratória e demagogia.
(Núncio, ibidem)

[646] Bota aqui o teu boto

Este maniqueísmo partidário é um dos sinais mais evidentes da pobreza intelectual que marca o estado da arte eleitoral em Portugal. Esta visão acrítica e boçal da política, este insulto permanente na rua e no Parlamento, denegrindo pessoas e instituições, não faz senão afastar gente decente.
Afinal, parece que a má moeda é que está a circular...
(Núncio, comentário a «Secretário-geral do PS encerra Congresso Nacional da JS», Público online, 20-7-2008)

[645] A palavra dos eleitores: aquele fala tão bem, não fala?

Mas os leitores ainda vão na conversa do dom de palavra, da retórica, da boa imagem? Querem ser paternalizados pela comunicação social e condicionados pelos técnicos de marketing político? Não há ninguém que consiga perceber que os eleitores não são jurados do concurso Miss Mundo nem do Mr. Gay?
(Núncio, comentário a «Manuela Ferreira Leite contra a "política assistencial" de subsídios aos jovens», Público on line, 20-7-2008)

19 julho 2008

[644] ... mas, às vezes, não parece!

[643] Portugal é mais do que futebol (9)

[642] Serviço público: acreditar nas crianças

Isabel Trindade, da associação "Acreditar", solicita ajuda para um novo projecto no IPO, com as crianças, chamando a atenção, com criatividade, para o reaproveitamento dos materiais a custo zero: esculturas feitas com as cápsulas usadas da Nespresso!
Quem tiver máquinas da Nespresso não deve deitar para o lixo as cápsulas de café usadas porque eles irão utilizar essas cápsulas, limpá-las, desinfectá-las. Vão fazer umas escultura e umas telas. A ideia é reciclar as cápsulas dos cafés e fazer telas e esculturas comelas,dependendo claro do número que consigamos arranjar. Tentem não amolgar as cápsulas porque depois é mais fácil trabalhá-las nas nossas "obras de arte".
Também poderão contribuir com algumas telas (de qualquer tamanho).
Juntem as cápsulas depois de fazer os cafés e entreguem-nas à Isabel no IPO ou enviem para:
"ACREDITAR"
A/C Filipa Carvalho
Rua Prof. Lima Basto, 73
1070-210 LISBOA.
Telefone: 217 22 11 50. Fax: 217 22 11 51.

18 julho 2008

[641] Cala-te e segue-me!

«Obrigado pelo seu comentário. É bom poder discordar. É liberdade de pensamento e de expressão!
No entanto, há aqui um grande equívoco. Em momento nenhum da minha reflexão me referi a MFL ou JS.
A mim interessa-me pouco a côr e o corte dos fatos. Nem o nome de modelos ou estilistas. Não visto roupa de marca nem viro casacas. Não sigo ninguém cega e acriticamente. Nem a mim próprio.
Voto na ética. No carácter. No sentido de Estado. No altruísmo de governar para uma Nação. Sem grupos de interesse nem sociedades secretas por detrás.»
(Núncio, "Menezes ataca Ferreira Leite", Expresso on line)

[640] Portugal é mais do que futebol (8)

[639] O que é preciso é animar a malta...

«Que palavras tão sábias as do poeta!
Seriedade, honestidade intelectual, reserva, estadismo? Nah, isso é coisa de velhos e de retrógados.
A política "moderna" e os políticos do "século XXI" querem-se animados, bem-falantes, populares, bem vestidos e penteados. A formação académica e moral é irrelevante porque não estamos aqui para julgar ninguém. O que conta são os resultados e, por isso, os fins justificam os meios...
Na fotografia só tem lugar gente bonita e jovem. Mundividência e consistência política foram substituídas por cosmopolitanismo e pragmatismo.
Esta terra não é para velhos. Nem feios. Nem íntegros.»
(Núncio, comentário a "Menezes ataca Ferreira Leite", Expresso on line, 18-7-2008)

16 julho 2008

[638] B de burros

«É preciso saber como chegámos até aqui. Eleitores e eleitos.
O debate político está ao nível do grau zero. A ética escondeu-se, envergonhada. O centro do poder político deslocou-se do Parlamento para o BCP, a Mota-Engil, Bilderberg. O povo entretem-se com os "Morangos com Açúcar" e a infeliz Maddie. No intervalo, insulta quem ainda, com as últimas forças, tenta abanar o sistema. Não vale a pena, o vento sopra para Leste...»
(Núncio, ibidem)

15 julho 2008

[637] A cores ou a preto e branco

«(...) continuem a pesar na balança quem engordou mais nestes 30 anos, se o PS se o PSD, enquanto os nossos concidadãos emagrecem... e sem precisarem de ir ao nutricionista!
Enquanto celebram a III República, cada um com as cores que lhe convém (mais um esforço e chegam à I República), a palete do futuro só tem cinzento...»
(Núncio, comentário a "Riscos do investimento", Expresso on line, 14-7-2008)

[636] Portugal é mais do que futebol (7)

[635] Mundo global, mundo celular...

*
Aguarda-se o lançamento das conferências anuais dos índios surdos, dos gays mudos chineses, das virgens da Tasmânia, dos polícias claustrofóbicos ...

12 julho 2008

[631] Portugal é mais do que futebol (4)

[630] Tudo bons rapazes!

«O que as pessoas não sabem é que a falsa noção de democracia é suposto ser isso mesmo - um truque. A esquerda e a direita são propriedade dos bilderbergers, não só em Portugal como em todos os países. Barroso é um bilderberger, assim como Sampaio, Lopes, Sócrates, etc. Na Alemanha, tanto Merkel como Schroeder, estavam presentes na conferência deste ano. Da Espanha, Rato, presidente do FMI e ex-ministro das Finanças de Aznar, esteve presente em Rottach-Egern, este ano. O conselheiro económico-chave de Zapatero, Miguel de Sebastian, também lá esteve. Blair é um bilderberger, assim como Kenneth Clarke, um dos membros-chave dos conservadores britânicos e, supostamente, um dos seus maiores inimigos.»
(Daniel Estulin, "Durão Barroso será o nosso homem na Europa", Semanário on line, 2-1-2006: cortesia do leitor reprobo)

[629] A democracia global: pais, padrinhos ou padrastos?

«A comprehensive transatlantic pact clearing the way for the unprecedented supply of private data on European citizens to the American authorities is to be promoted by France in support of the US-driven campaign to combat terrorism and transnational crime.
«The controversial proposed pact, a "framework agreement" on common data protection principles, is likely to enable the Americans to access the credit card histories, banking details and travel habits of Europeans, although senior officials in Brussels deny US reports that the Americans will also be able to snoop on the internet browsing records of Europeans.»
(Ian Traynor, "New pact would give EU citizens' data to US", The Guardian on line, 30-6-2008)

[628] Políticos infantis ou inimputáveis?

(cortesia do leitor reprobo)

10 julho 2008

[626] As palavras dos outros (22): arte total

«Ms. [Louise] Bourgeois, 96, has been prolific. For her art is not a job; it is a life. It is what you do when you get up in the morning, and what you continue to do all day, through headaches and phone calls, breakups and breakdowns, silences and celebrations. It is what you keep doing after dark, and when you can’t sleep at night.»
(Holland Cotter, Art Review - "Raw Materials of a Life, Revealed by Sculpture", NY Times on line, 27-06-2008)

06 julho 2008

[624] Um conselho sem justiça

Para perceber tudo o que se passou, basta responder a esta pergunta: estando todos os elementos presentes (quorum) e havendo tanto processo urgente para apreciar na ordem de trabalhos (tabela), porque é que Gonçalves Pereira encerrou a reunião abrupta e precocemente?
Quando, como e por quem desejaria ele ver apreciados os referidos recursos e deliberar?

04 julho 2008

[623] Os novos "pasionarios"

«A adjectivação utilizada pelo Sr. deputado Alberto Martins, denuncia, infelizmente, um retrógado sentimento anticlerical, próprio de tempos jacobinos de antanho. Não sou militante, nem simpatizante do PSD - sou militante do PS -, mas não posso deixar de repudiar uma argumentação débil e frágil, imprópria de um político experiente. (...) As fracturas que defendem, vão, elas sim, fracturando a sociedade até ao estado geral de insanidade e desagregação a que todos assistimos. (...) até parece que é obrigatório as pessoas casarem-se. De facto, não deixa de ser curioso, que são precisamente aqueles que defendem a fragilização do casamento e a sua irrelevância, que defendem com unhas e dentes os casamentos entre pessoas do mesmo sexo...»
(Pedro Nuno Pimenta Braz, Santarém, em comentário a "PS acusa Ferreira Leite de ter posição sobre casamento “ultramontana”", Público on line, 4-7-2008)

02 julho 2008

[622] It's the people, stupid!

«O conceito que aqui interessa chama-se capital humano – mas não um capital humano entendido apenas numa perspectiva de apreensão de conhecimentos. Cientistas sociais nos Estados Unidos e noutros lugares têm falado do capital humano como uma síntese de várias formas de capital. Existe o capital social que mede a capacidade para o associativismo, para o trabalho em equipa e em rede. Existe o capital cultural que depende dos hábitos e comportamentos que aprendemos cedo na família e na escola e sem o qual não se formam cidadãos responsáveis e trabalhadores. Existe o capital moral que compreende os valores fundamentais que interiorizamos na nossa relação com a sociedade.
Há estudos sobre isto. Portugal precisa de políticas inovadoras que aumentem essas e outras formas de capital humano.»
(Pedro Lomba, "E se falássemos de capital humano?", Diário Económico on line)
*
Andam para aí uns stressados à espera desesperadamente do programa de governo de MFL. Em vez de um programa de choques (fiscal, tecnológico), que tal um programa de xeque? Xeque-mate à incompetência política, à desqualificação técnica e à desmotivação social.

[621] Eles são falaciosos. E nós?

«Que os políticos sejam palavrosos, demagógicos, intelectualmente desonestos, já estamos (infelizmente) habituados.
Cabe-nos, cidadãos, leitores, eleitores, ser rigorosos, sérios, livres e independentes.
Nos últimos (quase) 13 anos (desde Novembro de 1995), o PS governou durante 10, sempre sozinho (sem contar com o apoio pontual do CDS) e o PSD governou durante 3, em coligação com o PP. Remeter para o passado é remeter para esses cinco governos. Todos eles.
Responsabilizar, quer seja competente ou incompetente, alguém que só esteve dois anos no Governo (de Abril de 2002 a Junho de 2004) é não só desonesto como injusto.»
(Núncio, em comentário a "O país está totalmente hipotecado", Expresso on line)

29 junho 2008

[620] Late Sunday morning: criatividade de bolso

Qual é a mais correcta definição de Globalização?
A morte da Princesa Diana.
Porquê?
Então, uma princesa inglesa com um namorado egípcio, tem um acidente num túnel francês, num carro alemão com motor holandês, conduzido por um belga, embriagado com whisky escocês, que era seguido por paparazzis italianos, em motas japonesas.
A princesa foi tratada por um médico americano, que usou medicamentos brasileiros.
Este email é enviado por um português, usando tecnologia americana (Microsoft) e, provavelmente, o leitor está num computador indistinto com chips feitos em Taiwan e um monitor coreano montado por trabalhadores do Bangladesh, numa fábrica de Singapura, transportado em camiões conduzidos por indianos, empacotados por mexicanos e, finalmente, vendido por judeus, através de um centro de distribuição espanhol.
(por email: cortesia do leitor Bruno Barata)

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