Terapia política. Introspecção psicossocial. Análise simbólica.

20 dezembro 2009

[1079] A república do brasão

Basta ver que, após os calores do PREC, tudo voltou à "normalidade" em Portugal. As elites que não são elites, são meras oligarquias feitas de abrasonados (uns mais virtuais do que outros), continuam no poder ou bem junto dele, independentemente deste ser exercido em Monarquia ou República, em ditadura ou democracia, em corporativismo ou capitalismo.
(Núncio, comentário a "Somos ingovernáveis?", Henrique Raposo, Expresso on line, 20-12-2009)

[1078] As palavras dos outros (66): as palhaçadas que nos envergonham

«O palhaço escuta as conversas dos outros e diz que está a ser escutado. (...)
O palhaço porta-se como um labrego no Parlamento, como um boçal nos conselhos de administração e é grosseiro nas entrevistas. O palhaço está nas escolas a ensinar palhaçadas. E nos tribunais. Também. (...)
O palhaço faz mal orçamentos. E depois rectifica-os. E diz que não dá dinheiro para desvarios. E depois dá. Porque o mandaram dar. E o palhaço cumpre. E o palhaço nacionaliza bancos e fica com o dinheiro dos depositantes. Mas deixa depositantes na rua. Sem dinheiro. A fazerem figura de palhaços pobres. O palhaço rouba. Dinheiro público. (...)
O palhaço é inimputável. Porque não lhe tem acontecido nada desde que conseguiu uma passagem administrativa ou aprendeu o inglês dos técnicos e se tornou político. Este é o país do palhaço. Nós é que estamos a mais. E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar. A escolha é simples.
Ou nós, ou o palhaço.»
(Mário Crespo, "O palhaço", JN online, 14-12-2009)

[1077] Serviço público (31): “Dê uma tampa à indiferença”

A Associação de Encarregados de Educação dos Alunos da Escola Secundária Rainha D. Leonor, em colaboração com o Rotary Club de Sintra, está a desenvolver um projecto de solidariedade social em que a instituição beneficiária é o Centro Social e Paroquial de São João de Brito, que se situa na área daquela escola (Bairro de Alvalade, Lisboa).
O projecto consiste na recolha de tampas de plástico que, posteriormente, são remetidas a uma empresa de reciclagem. Por cada tonelada recolhida é possível adquirir uma cadeira de rodas. O objectivo é oferecer uma cadeira de rodas àquele Centro até ao final do corrente ano lectivo; por isso, é necessária a colaboração de todos para concretizar este objectivo.
O Rotary Club de Sintra deu início a este projecto em 2005 e, até ao momento, já entregou 270 cadeiras de rodas a diversas instituições e particulares do município de Sintra.
Não fique indiferente, colabore com este projecto!

19 dezembro 2009

[1076] Magic, this Christmas and always

(cartão virtual recebido do leitor gcobarros, a quem agradeço, sentido,
e que dedico a todos os leitores)

[1075] Luv

«O mundo já caminhou o suficiente (no Ocidente, claro), para entender que as crianças precisam de adultos que as amem. (...) O amor, qualquer amor, ilumina. Os que se amam devem ter o direito à partilha e à herança um do outro. Devem ter o direito a acompanhar-se na saúde e na doença, em casa e no hospital, até ao último suspiro. As pessoas que pretendem negar a outras pessoas o direito ao casamento, fundamentando essa recusa no tipo de práticas sexuais dos outros, estão certamente a precisar de tratamento psiquiátrico. Porque só pensam em sexo e em poder, e há outras coisas na vida muito mais importantes. A começar pelo amor.»
(Inês Pedrosa, Expresso, 5-12-2009: cortesia do leitor gcobarros)

[1074] O interesse público, definido pelos públicos partidários

«Tenho sentido que olha para a lei com a isenção e imparcialidade de um juiz que a tem de aplicar. Contudo, [você] é advogado do IEFP. É certo que o IEFP prossegue o interesse público, mas [você] prossegue outro objectivo, a saber: empregar os seus conhecimentos a favor do IEFP, numa óbvia perspectiva de parcialidade e de pouca isenção em abono do seu cliente. Tudo o que fizer ao contrário deste princípio prejudica a sua carreira.»
(ex-directora dos Recursos Humanos da Direcção Regional do Norte do IEFP, sobre um jurista que assegurava o contencioso junto dos tribunais, Público on line, 14-12-2009: cortesia do leitor bferry. Destaque nosso)
*
Como se fosse possível assegurar a defesa de qualquer organismo público sem atender primacialmente ao interesse público, que garante a protecção da comunidade, dos contribuintes e dos cidadãos!
É esse o grande equívoco da Administração Pública de hoje, pós-PRACE, pós-SIADAP, pós-QUAR, pós-outsourcing:
1. já não há utentes de serviços públicos, mas sim clientes de serviços, simplesmente;
2. não há um, mas centenas de "interesses públicos", consoante a definição concreta feita pelo Governo, pela tutela, pela direcção, pelo director de serviços;
3. os "trabalhadores que exercem funções públicas" (ex-servidores do Estado, ex-funcionários públicos) já não têm um estatuto privativo, que lhes exige o cumprimento de uma missão própria e o cumprimento de um código deontológico particular; são trabalhadores comuns que, por acaso e temporariamente, exercem umas funções de natureza cada vez menos pública... desde que sejam a "voz do dono"!

08 dezembro 2009

[1073] Olha que o pai bate-te!

«O Parlamento anda num frenesim imparável. (...) cada deputado que se ergue tem uma vontade indomável de fazer leis, rever códigos, mudar o país e mandar no governo. Pelo caminho, abrem-se comissões de inquérito - agora para investigar o computador Magalhães (...).
Quem deve fazer as leis? O governo, claro, seja directamente ou através do Parlamento. Ora bem, o Parlamento inclui os partidos da oposição que podem e devem ter iniciativa legislativa, mas esta súbita vontade rebarbativa de propor e mudar deve ser feita sempre - sempre, mesmo - na base de acordos negociados com o partido do governo. Forçar leis e modificações com impacto social e orçamental à margem do que pretende o primeiro-ministro é não apenas batota, é um risco enorme para o país.»
(André Macedo, "Onde andas, Cavaco?", i online, 8-12-2009)
*
Editoral cheio de imprecisões, algumas inaceitáveis, como a de estranhar que os deputados tenham "uma vontade indomável de fazer leis, rever códigos". Não é para isso que eles lá estão?!
Outro disparate (que vai ser lido por milhares de eleitores, uns ignorantes, outros crédulos): "Quem deve fazer as leis? O governo, claro, seja directamente ou através do Parlamento." Jorge Miranda, o pai da nossa Constituição, deve estar à beira de uma apoplexia.
André Macedo, que já li várias vezes, é um socrático mal disfarçado. Está no seu direito. Mas não disfarce. Assuma-se. As declarações de interesse (tão comuns em jornais de referência mundial) servem para isso mesmo. Finalmente, o mesmo artigo contém, paradoxalmente, uma frase assassina que dá uma machadada fatal na credibilidade do anterior governo (o mais longo e com mais condições de governabilidade da III República): "um país a caminho da bancarrota (...)" com "diagnóstico sombrio: as contas públicas estão uma miséria e não vale a pena ter sonhos irrealistas".
Com amigos destes, quem precisa de inimigos?

[1072] Não penso, logo não existo.

Penso, e a realidade infelizmente não me desmente, que está (quase) tudo apático [em Portugal], a caminho da irrelevância meramente turística ou desportiva (ou nem isso, sequer).
No mundo dito ocidental, Deus foi substituído pelo ateísmo científico (de muito pouca credibilidade e há inúmeros factos que a comprova). [Por exemplo, as evidências científicas sobre a coincineração. Terão sido produzidas pelas mesmas comissões de sábios científicos que, durante anos, falsificaram dados climáticos?] Dizem que o poder nunca fica vazio. Será a cientocracia a sucessora da teocracia?
A estabilidade mundial joga-se no confronto da cientocracia com a forte islamização do outro mundo "não ocidental". Em vez de estarmos vigilantes, em nome das liberdades e da democracia, andamos a brincar aos pedreiros e aos bilderbergens...
(Núncio, idem)

[1071] L'état c'est moi!

Anda por aí, não sei se por ignorância ou má fé ou um pouco de cada uma, uma confusão sobre o papel de cada órgão político em Portugal.
Ao Governo, órgão executivo, cabe governar, em execução do seu programa político e da legislação nacional (interna ou comunitária).
À Assembleia da República, órgão de representação democrática por excelência, cabe produzir essa legislação sobre quase todas as matérias. Na verdade, só não pode legislar sobre a organização e funcionamento do Governo. Em especial, cabe-lhe aprovar o Orçamento e criar Impostos que o Governo aplicará na sua governação.
É o Governo que emana e depende da AR e não o inverso. E, ao contrário do que se apregoa, não é apenas por a composição parlamentar, nesta legislatura, ser mais equilibrada que a governação é mais exigente. É também por em Portugal não haver uma valorização do Parlamento e uma qualificação dos deputados que, em legislaturas de maioria absoluta monopartidária, são meros fantoches nas mãos do Primeiro-Ministro. Estivessem os governos em Portugal habituados a lidar com um Parlamento forte, respeitável, soberano e nada do que ocorre na actual legislatura seria surpreendente!
(Núncio, idem)

[1070] N. Sr.ª da Conceição, padroeira de Portugal, perdoai-nos!

De todos os males do mundo não será o Governo de JS culpado. Só dos males que tem inflingido a Portugal desde 2005.
Para isso, basta, numa avaliação muito sucinta, que a percepção da corrupção em Portugal tenha aumentado significativamente, a ponto de descermos, em três anos, vários lugares no índice da Transparency International. Qualquer alegado sucesso tecnológico perto desta evidência é patético!

[1069] Notas esparsas em dia santo

Cada vez mais me surpreendo com o desvalor que os cidadãos eleitores e contribuintes atribuem à Ética e Moral. Afinal, o circo romano ainda não morreu...
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De gente que "faz obra" está Portugal farto. Essa obra não tem desenvolvido o país, mas talvez os senhores "10 Por Cento" estejam mais gratificados.
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Faz[em] bem [os seus apoiantes] em aguardar o julgamento de Vara para se pronunciar[em] com mais propriedade. Não deveria[m] também aguardar o de Preto e Oliveira Costa? Não me recordo de haverem sido já condenados...
Por outro lado, penso que [os que aguardam as sentenças de processos judiciais] labora[m] num equívoco. A nós, cidadãos eleitores, é-nos pedido que façamos um escrutínio político e ético. Julgar da prática de crimes é para os juízes...
(Núncio, comentários a "Orçamento confirmativo", Expresso on line, 4-12-2009)
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Em democracia, são os governos que são avaliados, no momento próprio. E é o Governo que deve explicações à Assembleia da República e aos cidadãos, contribuintes e eleitores.
Passar a legislatura a atacar a líder do PSD [ou um director de jornal] para não ter de avaliar o líder do PS e do Governo é, por si só, o maior sinal de desconforto dos apoiantes do partido do Governo. Quando estamos a ganhar a guerra, vangloria-se o general vencedor, não se perde tempo com o "inimigo"...
(Núncio, comentários a «PS acusa PSD de seguir via "radical e extremista"», Expresso on line, 6-12-2009)

[1068] A liberdade "respeitosa"

Humor não tem côr. Apreender a pena do cartoonista é matar a democracia. O que está a ser feito, de qualquer forma, um pouco por todo o mundo... Ali por causa de Maomé, aqui e acolá por causa do Grande Líder!

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