Terapia política. Introspecção psicossocial. Análise simbólica.

23 fevereiro 2013

[1403] Janela indiscreta (17): o que está ali atrás daquela norma?

Tanto quanto saiba, o limite legal à renovação de mandatos (ou figuras afins, como a comissão de serviço) para exercício de um cargo público só tem estado previsto, em Portugal, no caso do Presidente da República. Não está previsto para presidente da Assembleia da República, primeiro-ministro, ministro, secretário de Estado, deputado, director-geral, presidente ou administrador de empresa pública, presidente ou vogal de instituto público, presidente de governo regional ou de junta metropolitana. E não está em nome de regras democráticas como a liberdade de candidatura e de ser eleito e o direito (genérico) ao exercício de funções públicas.
Está agora previsto também, sendo o segundo caso, para os presidentes de câmara e de junta de freguesia. Nem vou perder tempo com a discussão exegética sobre a lei, a sua letra e o seu espírito. Só me interessa o seguinte: deve a lei limitar aquela liberdade e impedir o exercício daquele direito no caso concreto dos autarcas, distinguindo-o de outros cargos? Que riscos maiores para a democracia e o Estado de direito acarreta a renovação sucessiva de mandatos autárquicos do que de mandatos regionais ou nacionais?

[1402] Confessionário (9): quem são, afinal, os cidadãos de segunda?

Se eu chamar gatuno ao meu vizinho, arrisco-me a ser responsabilizado civil e/ou criminalmente.
Mas se eu chamar gatuno a um ministro, ganho 15 minutos de fama e sou considerado um herói.
Este não é o meu país nem esta é a minha democracia, onde os representantes do meu vizinho, eleitos por ele e para ele, são menos cidadãos do que ele...

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