Terapia política. Introspecção psicossocial. Análise simbólica.

31 outubro 2013

[1416] Late evening: humor negro

"A reforma é como o horizonte: uma linha imaginária que vai recuando à medida que tu avanças."
(autor desconhecido; por e-mail de um leitor)

21 setembro 2013

[1415] Notas avulsas sobre uma campanha triste

Erros linguísticos nos cartazes, fotografias amadoras, candidatos descabelados, pobreza comunicacional, fraude à lei, artimanhas despudoradas, testas-de-ferro, conluios de irmandades, equívocos legislativos, que mais se poderia pedir a uma eleição sem regras num país em crise? 

[1414] As palavras dos outros (115): o valor da palavra

"Andebol - Benfica reclama contra árbitro que assume ser portista" (Sapo Desporto, 20-09-2013).
Não, senhor jornalista, o Benfica - de quem não sou advogado de defesa, muito menos da sua Direcção - reclamou de árbitro que assume ser anti-benfiquista e que se diverte com expressões desse sentimento numa rede social, pública por natureza.
Seria como um juiz do Tribunal Constitucional se divertisse a invectivar ou ridicularizar, nos seus tempos livres, membros do Governo ou do Parlamento (autores das leis que aprecia). Ou se um juiz titular do processo sobre o BPN se desse ao direito, fora dessas vestes, de exprimir juízos depreciativos sobre os administradores do Banco ou os depositantes lesados.
Não é assim tão claro? Custa tanto ser rigoroso e isento? A factualidade é uma palavra vã?

10 setembro 2013

[1413] Pintura do mundo: a tal felicidade


(aguarela)

[1412] A felicidade (não) está ali ao virar da esquina...

Portugal encontra-se em 85.º lugar (em 156 países avaliados) no índice do 2.º Relatório Mundial da Felicidade, da Assembleia-Geral da ONU, com base na média de resultados de 2010 a 2012. Atrás de, por exemplo, Irlanda, Grécia e Chipre; El Salvador, Guatelama e Colômbia; Cazaquistão, Turquemenistão e Uzbequistão; Líbia, Nigéria e Argélia.
Será que ouvimos demasiado fado ou só seremos felizes quando D. Sebastião regressar?

25 junho 2013

[1411] Os pontos das pastas (V): 2.ª avaliação, dois anos depois

Avançamos para a segunda avaliação do XIX Governo Constitucional, em funções há mais tempo do que se antecipava na primeira avaliação [1399] e já com uma remodelação do elenco ministerial (1). Os critérios e as ponderações são as que sempre usamos:
- (2) competência técnica (0-7 valores);
- (3) capacidade de execução (0-6 val.);
- (4) discurso político (0-4 val.); e
- (5) poder comunicacional (0-3 val.).
Por competência técnica entendemos o conhecimento que o ministro revelou ter da área tutelada e a aptidão para analisar e discutir os assuntos. A capacidade de execução aprecia o poder de concretização das políticas desenhadas e dos objectivos definidos. Os outros critérios respeitam a duas qualidades que se reputam essenciais num ministro: a densidade e consistência do discurso político (isto é, a coerência entre a "cartilha" e a praxis) e a capacidade de comunicação com os eleitores/cidadãos.
A pontuação total (6) corresponde à soma dos pontos obtidos nos quatro critérios, na escala habitual (0-20 valores).
*
(1) Ministros   / (2) Compet. / (3) Execução / (4) Discurso / (5) Comun. / (6) Total / (7) Obs.
Paulo Macedo .......5.5 ............... 5.0 .............2.5 .......... 1.0 ......... 14.0
Aguiar Branco ...... 4.0 ............... 4.5 ............ 2.5 .......... 2.0 ......... 13.0
Paulo Portas ........ 4.0 ............... 3.0 ............ 2.5 .......... 2.0 ........  11.5        
Nuno Crato ......... 5.0 ............... 3.0 ............ 2.0 .......... 1.0 ......... 11.0       (+)
Álvaro S. Pereira .. 4.0 ............... 3.5 ............ 1.5 .......... 1.5 ......... 10.5     
Paula T. da Cruz ... 4.5 ............... 2.5 ...........  1.5 .......... 1.5 ......... 10.0       (-) (R)
Assunção Cristas ... 3.5 .............. 3.0 ............ 2.0 .......... 1.5 .......... 10.0
Miguel P. Maduro... 3.5 .............. 2.5 ............ 2.5 .......... 1.5 .......... 10.0      (+)
P. Passos Coelho ... 3.0 ............... 3.5 ............ 2.5 .......... 1.0 ......... 10.0       
Mota Soares ........ 3.0 .............. 3.0 ............ 1.5 .......... 1.5  .......... 9.0       (-) (R)
Marques Guedes..... 4.0 .............. 3.0 ............ 1.0 .......... 1.0 .......... 9.0        
Vítor Gaspar ....... 4.0 ...............3.0 ............ 1.0 ........... 0.5 ......... 8.5        (R)
Miguel Macedo ..... 3.0 .............. .3.5 ............ 1.0 .......... 1.0........... 8.5       (R)
*
O campo das Observações (7) regista a perspectiva, positiva (+) ou negativa (-), para a próxima avaliação ("R" significa "remodelável").
Em resumo, mais um ministro, outras quatro avaliações negativas, duas na continuidade  (M. Soares e M. Macedo) e duas novas (inevitável Gaspar e o estreante M. Guedes). Paulo Macedo e Aguiar Branco a destacarem-se e a maioria do governo no sofrível (9 / 11). Confirmou-se a saída de Relvas, a revisão em  baixa de M. Macedo e Portas e a revisão em alta do Álvaro. Gaspar resiste à falta de "mundo real" até quando? Justiça e Segurança Social remodeláveis.

[1410] Confessionário (11): I want to scream and shout and let it out

Professores, magistrados, procuradores, médicos e militares são, para além dos políticos e banqueiros, também responsáveis pela degradação da situação económica, financeira e social. Estes pela responsabilidade nunca assumida e pela incompetência demonstrada; aqueles por acharem que não há limites às regalias corporativas. Uns e outros por endossarem a factura aos alunos, autores, pacientes, civis, eleitores, depositantes.

05 maio 2013

[1408] Confessionário (10): arrufos ou traições?

Imaginem um casal que, após dias de difícil negociação e ponderação, toma finalmente uma decisão relativa ao governo da casa. 
No dia e na hora combinados, o marido comunica-a, em nome dos dois, a toda a família.
Dois dias depois, a mulher pede outra reunião de família para informar dos pontos em que discorda e das diligências que vai fazer para alterar parte da decisão que tomou com o seu marido...

[1407] Janela indiscreta (18): sem declaração de interesses

O que têm em comum os mais ferozes críticos do actual Governo (Manuela Ferreira Leite, Bagão Félix, Mário Soares, Pinto Balsemão)? 
Menos euros no bolso (pensões, subvenções públicas, lucros).

04 maio 2013

[1406] Citações do mundo (38): um mundo sem filosofia

«One response to the collapse of philosophical system building in the nineteenth century was the rise of ideologies—aggressively anti-philosophical systems of thought, taking the form of various “positive” or descriptive sciences of man. Comte, Marx, Freud, and the pioneer figures of anthropology, sociology, and linguistics immediately come to mind.»
(Susan Sontag Styles of radical will. New York: Farrar, Straus and Giroux, 1969. Cit. aqui)

23 fevereiro 2013

[1403] Janela indiscreta (17): o que está ali atrás daquela norma?

Tanto quanto saiba, o limite legal à renovação de mandatos (ou figuras afins, como a comissão de serviço) para exercício de um cargo público só tem estado previsto, em Portugal, no caso do Presidente da República. Não está previsto para presidente da Assembleia da República, primeiro-ministro, ministro, secretário de Estado, deputado, director-geral, presidente ou administrador de empresa pública, presidente ou vogal de instituto público, presidente de governo regional ou de junta metropolitana. E não está em nome de regras democráticas como a liberdade de candidatura e de ser eleito e o direito (genérico) ao exercício de funções públicas.
Está agora previsto também, sendo o segundo caso, para os presidentes de câmara e de junta de freguesia. Nem vou perder tempo com a discussão exegética sobre a lei, a sua letra e o seu espírito. Só me interessa o seguinte: deve a lei limitar aquela liberdade e impedir o exercício daquele direito no caso concreto dos autarcas, distinguindo-o de outros cargos? Que riscos maiores para a democracia e o Estado de direito acarreta a renovação sucessiva de mandatos autárquicos do que de mandatos regionais ou nacionais?

[1402] Confessionário (9): quem são, afinal, os cidadãos de segunda?

Se eu chamar gatuno ao meu vizinho, arrisco-me a ser responsabilizado civil e/ou criminalmente.
Mas se eu chamar gatuno a um ministro, ganho 15 minutos de fama e sou considerado um herói.
Este não é o meu país nem esta é a minha democracia, onde os representantes do meu vizinho, eleitos por ele e para ele, são menos cidadãos do que ele...

20 janeiro 2013

[1401] As palavras dos outros (112): amoralidade global

"We used to be the land of opportunity, now we're the land of opportunists".
(Kris, comentário deixado em "World's happiest countries", 15-1-2013)
*
É sobre os EUA, mas poderia ser sobre um qualquer outro país, bem perto de si...

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