Trazer a sociedade civil para a res publica é, em geral, bom. Cientistas, sociólogos, desportistas, médicos, actores... Se tiverem pensamento próprio e a coragem de passar do pensamento à acção, melhor!
Mas há riscos, o maior é o de serem esmagados pelo peso do poder! No final do dia, nem ganhou a governação, nem ganhou a sociedade civil...
Terapia política. Introspecção psicossocial. Análise simbólica.
Mostrar mensagens com a etiqueta política. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta política. Mostrar todas as mensagens
13 dezembro 2015
10 agosto 2015
[1437] Os pontos das pastas (VII): fim de legislatura ou fim de ciclo?
Em período estival, quase no início da campanha eleitoral, fazemos a última avaliação do (1) XIX Governo Constitucional, em funções há quatro anos, três deles em execução de um programa de assistência económico-financeira, após resgate internacional solicitado pelo XVIII Governo Constitucional. Trata-se, a final, de um balanço, sobretudo para os ministros que se mantiveram no governo durante toda a legislatura.
Os critérios e as ponderações são as de sempre:
(2) competência técnica (de 0 a 7 valores),
(3) capacidade de execução do programa (de 0 a 6),
(4) densidade do discurso político (de 0 a 4) e
(5) poder comunicacional (de 0 a 3).
Os critérios e as ponderações são as de sempre:
(2) competência técnica (de 0 a 7 valores),
(3) capacidade de execução do programa (de 0 a 6),
(4) densidade do discurso político (de 0 a 4) e
(5) poder comunicacional (de 0 a 3).
A pontuação total (6) corresponde à soma dos pontos obtidos nos quatro critérios, na escala habitual (0-20 valores= 7+6+4+3).
*
(1) Ministros / (2) Compet. / (3) Execução / (4) Discurso / (5) Comun. / (6) Total / (7) Obs.
Paulo Macedo ....... 6.0 .............. 4.5 .............. 2.0 ........... 2.0 ............ 14.5
Aguiar Branco ....... 4.0 .............. 5.5 .............. 2.5 ........... 1.5 ............ 13.5 G
Aguiar Branco ....... 4.0 .............. 5.5 .............. 2.5 ........... 1.5 ............ 13.5 G
Maria Luís A. ........ 5.0 .............. 4.5 .............. 1.5 ........... 2.0 ............ 13.0 (++) G
J. Moreira da Silva.. 5.5 .............. 4.5 .............. 1.5 ........... 1.0 ............ 12.5 G
Miguel P. Maduro... 4.5 .............. 4.5 .............. 1.5 ........... 1.0 ............. 11.5
P. Passos Coelho ... 3.5 .............. 4.5 .............. 2.0 ........... 1.5 ............. 11.5 (+) G
Assunção Cristas ... 4.5 .............. 3.5 .............. 1.0 ........... 2.0 ............. 11.0 (+) G
Paulo Portas ........ 4.5 ............... 2.5 ............ 1.0 ............ 2.5 ............ 10.5 G
Pires de Lima....... 3.5 ............... 3.5 ............. 1.5 ........... 2.0 ............. 10.5 (-)
Nuno Crato ......... 5.0 ............... 2.5 ............. 2.0 ........... 0.5 ............. 10.0 (--)
Paula T. da Cruz ... 4.0 ............... 3.0 ............ 1.5 ..........- 0.5 ............. 09.0 (--)
J. Moreira da Silva.. 5.5 .............. 4.5 .............. 1.5 ........... 1.0 ............ 12.5 G
Miguel P. Maduro... 4.5 .............. 4.5 .............. 1.5 ........... 1.0 ............. 11.5
P. Passos Coelho ... 3.5 .............. 4.5 .............. 2.0 ........... 1.5 ............. 11.5 (+) G
Assunção Cristas ... 4.5 .............. 3.5 .............. 1.0 ........... 2.0 ............. 11.0 (+) G
Paulo Portas ........ 4.5 ............... 2.5 ............ 1.0 ............ 2.5 ............ 10.5 G
Pires de Lima....... 3.5 ............... 3.5 ............. 1.5 ........... 2.0 ............. 10.5 (-)
Nuno Crato ......... 5.0 ............... 2.5 ............. 2.0 ........... 0.5 ............. 10.0 (--)
Paula T. da Cruz ... 4.0 ............... 3.0 ............ 1.5 ..........- 0.5 ............. 09.0 (--)
Mota Soares ........ 3.5 ............... 3.0 ............. 1.0 ........... 1.5 ............ 09.0
Marques Guedes.... 3.5 .............. 3.0 ............. 0.5 ........... 1.0 .............. 08.0 G
Marques Guedes.... 3.5 .............. 3.0 ............. 0.5 ........... 1.0 .............. 08.0 G
Rui Machete......... 3.0 .............. 4.0 ............. 0.5 ........... 0.5 ............. 08.0 (-)
Anabela Rodrigues. 2.5 ...............1.5 ............. 0.5 ........... 0.5.............. 05.0 (--)
Anabela Rodrigues. 2.5 ...............1.5 ............. 0.5 ........... 0.5.............. 05.0 (--)
*
O campo das Observações (7) regista o balanço final: superou as (minhas) expectativas (+) ou defraudou-as (-). Se o próximo governo vier a ser composto pela actual coligação, a letra "G" significa que, a meu ver, aquele ministro tem hipóteses de continuar a fazer parte.
Em resumo, quatro avaliações bastante positivas, três medianas, três sofríveis e cinco negativas. Paulo Macedo e Aguiar Branco confirmam a avaliação segura que sempre tiveram e Maria Luís e Passos Coelho tiveram um final de legislatura claramente ascendente. As ministras da Justiça e da Administração Interna, esta com apenas uma avaliação, são, com Nuno Crato, as maiores decepções.
22 novembro 2014
[1434] O lado da verdade
«As detenções dos nossos inimigos são prova do bom funcionamento da Justiça. As dos nossos amigos são exageros de juízes justiceiros e só em caso de perigo de fuga deveriam ocorrer.
As provas contra os nossos amigos são sempre frágeis. As contra os nossos inimigos são muito fortes.
Os processos contra os nossos amigos devem permanecer sempre em segredo de justiça para preservação do seu bom nome e da presunção da sua inocência. Nos processos contra os nossos inimigos, o segredo de justiça é manifestamente exagerado e anti-democrático, até porque eles têm meios suficientes de defesa.
Os nossos amigos não cometem crimes, apenas cometem erros políticos. Os nossos inimigos são criminosos do pior. Os processos contra os nossos amigos não devem ter leituras políticas, porque à Justiça o que é da Justiça. Os processos contra os nossos inimigos justificam a demissão de ministros e até do Governo.»
(Portugal Real, "A diversidade da fauna e flora", em comentário a "Sócrates: a justiça a mudar ou a exagerar?", Expresso on line, 22-11-2014)
27 setembro 2014
[1432] Os pontos das pastas (VI): terceira (e última?) avaliação do Governo actual
Avançamos para a terceira avaliação do XIX Governo Constitucional (1), em funções há três anos (feitos em 20.06.2014). Os critérios e as ponderações são as de sempre: (2) competência técnica (de 0 a 7 val.), (3) capacidade de execução do programa (de 0 a 6), (4) densidade do discurso político (de 0 a 4) e (5) poder comunicacional (de 0 a 3).
A pontuação total (6) corresponde à soma dos pontos obtidos nos quatro critérios, na escala habitual (0-20 valores= 7+6+4+3).
*
(1) Ministros / (2) Compet. / (3) Execução / (4) Discurso / (5) Comun. / (6) Total / (7) Obs.
Paulo Macedo .......5.5 ............... 4.5 .............2.5 .......... 1.5 ......... 14.0
Aguiar Branco ...... 4.5 ............... 5.0 ............ 2.5 .......... 1.0 ......... 13.0
J. Moreira da Silva.. 4.5 ............. 3.5 ............ 2.0 .......... 1.5 .......... 11.5
Miguel P. Maduro... 4.0 .............. 3.0 ............ 3.0 .......... 1.5 .......... 11.5 (+)
Pires de Lima....... 4.0 ............... 3.5 ............ 2.0 .......... 1.5 ......... 11.0 (+)
Paulo Portas ........ 4.0 ............... 3.0 ............ 2.0 .......... 2.0 ........ 11.0
Miguel P. Maduro... 4.0 .............. 3.0 ............ 3.0 .......... 1.5 .......... 11.5 (+)
Pires de Lima....... 4.0 ............... 3.5 ............ 2.0 .......... 1.5 ......... 11.0 (+)
Paulo Portas ........ 4.0 ............... 3.0 ............ 2.0 .......... 2.0 ........ 11.0
Nuno Crato ......... 4.5 ............... 2.5 ............ 2.5 .......... 1.0 ......... 10.5 (-) (R)
Maria Luís A. ........ 4.0 ...............3.5 ............ 1.0 ...........2.0 ......... 10.5 (+)
Maria Luís A. ........ 4.0 ...............3.5 ............ 1.0 ...........2.0 ......... 10.5 (+)
P. Passos Coelho ... 3.5 .............. 3.5 ............ 1.5 .......... 1.5 ......... 10.0
Paula T. da Cruz ... 3.5 ............... 3.0 ........... 2.5 .......... 1.0 ......... 10.0 (-) (R)
Paula T. da Cruz ... 3.5 ............... 3.0 ........... 2.5 .......... 1.0 ......... 10.0 (-) (R)
Assunção Cristas ... 3.0 .............. 3.0 ............ 1.5 .......... 2.0 .......... 09.5
Marques Guedes.... 3.5 .............. 3.5 ............ 1.0 .......... 1.0 .......... 09.0
Rui Machete..........3.5 .............. 3.5 ............ 1.0 .......... 0.5 ......... 08.5
Miguel Macedo ..... 3.0 ...............3.0 ............ 1.5 .......... 1.0...........08.5
Mota Soares ........ 3.0 .............. 3.0 ............. 1.0 .......... 1.5 .........08.5
Rui Machete..........3.5 .............. 3.5 ............ 1.0 .......... 0.5 ......... 08.5
Miguel Macedo ..... 3.0 ...............3.0 ............ 1.5 .......... 1.0...........08.5
Mota Soares ........ 3.0 .............. 3.0 ............. 1.0 .......... 1.5 .........08.5
*
O campo das Observações (7) regista a perspectiva, positiva (+) ou negativa (-), para a próxima avaliação ("R" significa "remodelável"), se a houver (eleições na Primavera?).
Em resumo, quatro avaliações negativas, cinco sofríveis, Paulo Macedo e Aguiar Branco continuam na cabeça do pelotão e há duas estrelas ascendentes, Poiares Maduro e Maria Luís. Vítor Gaspar não resistiu mesmo à falta de "mundo real" e a Justiça e a Educação, pese embora tenham titulares reconhecidos, parecem não resistir à inabilidade política para reformas técnicas.
[1431] Janela indiscreta (21): a quem interessa uma cidadania por «castas»?
Alguns parecem esquecer que a verdadeira cidadania não distingue os seus membros entre políticos e não políticos. Isso era no tempo da polis, em que a "democracia ateniense" apenas acolhia homens adultos e livres, logo afastando mulheres, estrangeiros e escravos.
O corolário dessa isonomia é a igualdade de todos perante a Lei, o Direito e a Justiça. E essa igualdade leva-nos à questão dos deveres e dos direitos. Os cidadãos que, em representação dos seus pares, exercem cargos ou funções públicos, gozam das mesmas prerrogativas próprias de um Estado de Direito, como o direito ao bom nome, a presunção de inocência (da qual decorre a regras de que quem acusa é que tem de provar) ou o direito à reserva da sua privacidade.
Qualquer outra interpretação só seria legítima num Estado neocorporativo, oligárquico ou até oclocrático. Os políticos, que - pelo menos em República - exercem funções temporariamente, são do povo e governam pelo povo e para o povo. E eu não quero fazer parte de um povo "voyeurista", maniqueísta, alienado ou menorizado.
Parece que, muitas vezes, demasiadas vezes, nos esquecemos de que, num Estado de Direito democrático, não há "eles" e "nós" e de que, dada a mobilidade social, a plena capacidade eleitoral activa e passiva e a limitação de mandatos, (quase) todos podem vir, mais cedo ou mais tarde, a estar no lugar "deles", ou seja, hoje somos representados por pares nossos, amanhã poderemos vir a representá-los, com a plenitude dos nossos direitos e deveres cívicos.
Pressupor que um concidadão, por estar na política, é vigarista ou aldrabão é exactamente o mesmo que atribuir a outras classes de concidadãos (professores, diplomatas, comerciantes, magistrados, empresários e muitos outros) todos os vícios da humanidade. E coitados daqueles que tiverem mais do que uma actividade ou profissão...
25 junho 2013
[1411] Os pontos das pastas (V): 2.ª avaliação, dois anos depois
Avançamos para a segunda avaliação do XIX Governo Constitucional, em funções há mais tempo do que se antecipava na primeira avaliação [1399] e já com uma remodelação do elenco ministerial (1). Os critérios e as ponderações são as que sempre usamos:
- (2) competência técnica (0-7 valores);
- (3) capacidade de execução (0-6 val.);
- (4) discurso político (0-4 val.); e
- (5) poder comunicacional (0-3 val.).
Por competência técnica entendemos o conhecimento que o ministro revelou ter da área tutelada e a aptidão para analisar e discutir os assuntos. A capacidade de execução aprecia o poder de concretização das políticas desenhadas e dos objectivos definidos. Os outros critérios respeitam a duas qualidades que se reputam essenciais num ministro: a densidade e consistência do discurso político (isto é, a coerência entre a "cartilha" e a praxis) e a capacidade de comunicação com os eleitores/cidadãos.
A pontuação total (6) corresponde à soma dos pontos obtidos nos quatro critérios, na escala habitual (0-20 valores).
*
(1) Ministros / (2) Compet. / (3) Execução / (4) Discurso / (5) Comun. / (6) Total / (7) Obs.
Paulo Macedo .......5.5 ............... 5.0 .............2.5 .......... 1.0 ......... 14.0
Aguiar Branco ...... 4.0 ............... 4.5 ............ 2.5 .......... 2.0 ......... 13.0
Paulo Portas ........ 4.0 ............... 3.0 ............ 2.5 .......... 2.0 ........ 11.5
Nuno Crato ......... 5.0 ............... 3.0 ............ 2.0 .......... 1.0 ......... 11.0 (+)
Álvaro S. Pereira .. 4.0 ............... 3.5 ............ 1.5 .......... 1.5 ......... 10.5
Paula T. da Cruz ... 4.5 ............... 2.5 ........... 1.5 .......... 1.5 ......... 10.0 (-) (R)
Assunção Cristas ... 3.5 .............. 3.0 ............ 2.0 .......... 1.5 .......... 10.0
Miguel P. Maduro... 3.5 .............. 2.5 ............ 2.5 .......... 1.5 .......... 10.0 (+)
Miguel P. Maduro... 3.5 .............. 2.5 ............ 2.5 .......... 1.5 .......... 10.0 (+)
P. Passos Coelho ... 3.0 ............... 3.5 ............ 2.5 .......... 1.0 ......... 10.0
Mota Soares ........ 3.0 .............. 3.0 ............ 1.5 .......... 1.5 .......... 9.0 (-) (R)
Mota Soares ........ 3.0 .............. 3.0 ............ 1.5 .......... 1.5 .......... 9.0 (-) (R)
Marques Guedes..... 4.0 .............. 3.0 ............ 1.0 .......... 1.0 .......... 9.0
Vítor Gaspar ....... 4.0 ...............3.0 ............ 1.0 ........... 0.5 ......... 8.5 (R)
Miguel Macedo ..... 3.0 .............. .3.5 ............ 1.0 .......... 1.0........... 8.5 (R)
Vítor Gaspar ....... 4.0 ...............3.0 ............ 1.0 ........... 0.5 ......... 8.5 (R)
Miguel Macedo ..... 3.0 .............. .3.5 ............ 1.0 .......... 1.0........... 8.5 (R)
*
O campo das Observações (7) regista a perspectiva, positiva (+) ou negativa (-), para a próxima avaliação ("R" significa "remodelável").
Em resumo, mais um ministro, outras quatro avaliações negativas, duas na continuidade (M. Soares e M. Macedo) e duas novas (inevitável Gaspar e o estreante M. Guedes). Paulo Macedo e Aguiar Branco a destacarem-se e a maioria do governo no sofrível (9 / 11). Confirmou-se a saída de Relvas, a revisão em baixa de M. Macedo e Portas e a revisão em alta do Álvaro. Gaspar resiste à falta de "mundo real" até quando? Justiça e Segurança Social remodeláveis.
23 fevereiro 2013
[1403] Janela indiscreta (17): o que está ali atrás daquela norma?
Tanto quanto saiba, o limite legal à renovação de mandatos (ou figuras afins, como a comissão de serviço) para exercício de um cargo público só tem estado previsto, em Portugal, no caso do Presidente da República. Não está previsto para presidente da Assembleia da República, primeiro-ministro, ministro, secretário de Estado, deputado, director-geral, presidente ou administrador de empresa pública, presidente ou vogal de instituto público, presidente de governo regional ou de junta metropolitana. E não está em nome de regras democráticas como a liberdade de candidatura e de ser eleito e o direito (genérico) ao exercício de funções públicas.
Está agora previsto também, sendo o segundo caso, para os presidentes de câmara e de junta de freguesia. Nem vou perder tempo com a discussão exegética sobre a lei, a sua letra e o seu espírito. Só me interessa o seguinte: deve a lei limitar aquela liberdade e impedir o exercício daquele direito no caso concreto dos autarcas, distinguindo-o de outros cargos? Que riscos maiores para a democracia e o Estado de direito acarreta a renovação sucessiva de mandatos autárquicos do que de mandatos regionais ou nacionais?
05 outubro 2012
[1397] Citações do mundo: pensamento republicano
«O preço a pagar pela tua não participação na política é seres governado por quem é inferior.»
(Platão, o filósofo, 428 – 347 a.C.)
19 setembro 2012
[1396] Confessionário (8): tem a certeza de que é democrata?
Ter actuação cívica e fazer Política não se pode confundir com ofensas a titulares de cargos políticos. A res publica é gerida pelos representantes do povo. Ofendê-los é apoucar o próprio povo. Falta cultura democrática e política para perceber isso. Receber um prémio das mãos de um titular de cargo político é como recebê-lo das mãos do povo, dos concidadãos e dos pares contribuintes. Assim sendo, verdadeira coerência seria rejeitar o prémio.
(Núncio, comentário a "Maria Teresa Horta recusa receber prémio literário das mãos de Passos Coelho", Público on line, 19-9-2012)
24 abril 2011
[1345] "Se isto não for meu, não será de mais ninguém"
Na democracia não deve haver inimigos, mas adversários. Como no desporto. É essa a estratégia de homens como Sócrates e Mourinho, que só sabem exercer funções em clima de guerra, incendiando tudo e ferindo todos. Mas que ninguém se esqueça: a estratégia da terra queimada tem custos e muito altos, sobretudo para quem vier a seguir e deparar-se com a desolação da paisagem física e humana... | |
26 dezembro 2010
[1308] As palavras dos outros (104): a mansidão do poder instalado
«Cavaco Silva também se habituou a que os católicos reagem de mansinho.»
(D. José Policarpo, cardeal patriarca, DN, 26-12-2010)
(D. José Policarpo, cardeal patriarca, DN, 26-12-2010)
*
E os católicos não se habituaram a que V. Ex.ª, Senhor Cardeal Patriarca, reaja muito mansamente aos ataques anti-religiosos do Governo? E à ocupação de lugares-chave por maçons, até mesmo dentro da hierarquia da Igreja?
23 setembro 2010
[1233] Podes falar, desde que fales bem de mim!
Embaixador honorário (ou seja, que não é de carreira) tem igual dignidade funcional e protocolar. E a sua comissão de serviço deve respeitar as regras de qualquer comissão de serviço público. Fazer cessar uma comissão de serviço dois dias após a publicação de uma entrevista não tem nada a ver com a rotatividade do serviço diplomático, que já estava definida dois meses antes. Mais parece a decisão de um processo disciplinar sem garantias de defesa!
(Núncio / Portugal Real, comentário a «Carrilho acusa Sócrates de responsabilidade na sua "demissão"», Expresso on line, 22-9-2010)
28 agosto 2010
[1221] A criatividade não tem limites
Outros furos jornalísticos (qualquer semelhança com a realidade nacional ou internacional é pura coincidência):
"De boxeur a ministro"
"De cocainómano a edil"
"De proxeneta a vice-presidente de clube de futebol"
"De actriz porno a deputada"
14 agosto 2010
[1212] Civismo e cidadania no mundo: o exemplo finlandês
A IEA, International Association for the Evaluation of Educational Achievement - uma organização científica internacional sem fins lucrativos - tem conduzido vários estudos comparativos, o último dos quais, em 2009, o INTERNATIONAL CIVIC AND CITIZENSHIP EDUCATION STUDY (ICCS), o Estudo Internacional sobre Educação Cívica e da Cidadania, cuja população-alvo foi definida como sendo o aluno com oito anos de escolaridade, desde que com idade acima de 13,5 anos, ou com nove anos, se mais novo.
Segundo o Helsinki Times (edição de 5/11-8-2010, n.º 31, a pp. 4), os jovens finlandeses estão entre os mais conhecedores das questões sociais (na sequência dos excelentes resultados nos testes PISA: 1.º lugar mundial em 2006), mas também os menos interessados numa participação activa. Só os jovens sul-coreanos demonstram menos interesse geral nos partidos políticos (apenas 13%, contra 27% dos finlandeses e 48% da média internacional) e apenas os belgas e checos têm menos interesse em aderir a um partido político (12% dos finlandeses e 27% da média internacional).
No entanto, os finlandeses depositam uma elevada confiança nas suas instituições, como a polícia e as forças de defesa e segurança (90%, muito acima da média internacional), o governo (82%, contra 62% dos jovens dos outros países representados), a comunicação social (80%, face aos 60% da média internacional), os partidos políticos (61%, comparados com os 41% das restantes nacionalidades). As instituições que merecem menos confiança dos jovens finlandeses são o mercado e as comunidades religiosas.
A coordenadora finlandesa do estudo é da opinião que falta responsabilidade social aos jovens finlandeses e que essa cabe à escola estimular e desenvolver.
Portugal, embora seja membro institucional da IEA (representado pelo GAVE, do Ministério da Educação), não participou neste estudo.
24 junho 2010
06 maio 2010
[1156] Late Thursday afternoon: galos alegres, galinhas patetas
Galinha do campo: "Os robôs nunca substituirão os verdadeiros poetas!"Poeta-robô: "Deixa-me que te esclareça: és poeta. Achas mesmo que quero tirar-te o emprego?"
(via leitor Lalage)
24 setembro 2009
[1016] As palavras dos outros (59): "Irreal social"
«A campanha termina como começou: num clima irrespirável onde os rumores e os ‘casos’ levaram a melhor sobre o debate político.»
(Le Monde, 23-9-2009, via Sol, "Media franceses dão pouca atenção a «duelo» eleitoral em «país pobre»", 24-9-2009)
*
«Olhemos para a sociedade portuguesa, profundamente castigada e metastizada (...), no dever que é afastar o actual Primeiro-Ministro da governação, para que reconheça o peso da sua arrogância, a ausência de uma política sólida e o deficit democrático em que nos colocou a todos. A funcionalização da sociedade empobrece-a.»
(Paula Teixeira da Cruz, "O Voto", CM, 24-9-2009)
*
«A grande verdade é que a grande maioria das pessoas que estão na linha da frente dos partidos do poder são medíocres, longe vão os tempos em que se podia discordar da opção política dos agentes, mas a sua valia técnica, intelectual, política e de valores era inquestionável.
Hoje estamos condenados a escolher o melhor dos mais fracos.»
(Vítor Esteves, comentário a "MFL-PM (XIII)", Mar Salgado, 24-9-2009)
*
«Num país onde o exercício da política foi entregue a habilidosos vendedores de promessas, em que o sentido do serviço público se perdeu, em que preponderam os interesses pessoais, os estados de alma e os caprichos, alguém que é fiável e confiável, que vive habitualmente, que conhece o real e o quotidiano, que não quer nada para si, que vem quando é difícil, que se apresenta exactamente como é, que junta princípios e competência para fazer, torna-se facilmente numa ameaça. Porque rompe com o paradigma, porque desarma, porque pode dizer que o rei vai nu. (...)
A decisão que for tomada no dia 27 terá consequências decisivas para o que resta de Portugal e de todos nós. Um enorme risco ou uma derradeira oportunidade. É preciso escolher antes de votar.»
(Mª José Nogueira Pinto, "Eleger é escolher", DN, 24-9-2009)
17 setembro 2009
[1001] As palavras dos outros (56): a exigência de uma escolha
«[Os potenciais eleitores mantêm-se] numa posição passiva de meros espectadores, mais ou menos interessados, como se tudo se tratasse de uma espécie de concurso ou talk show televisivo, para apreciação das qualidades histriónicas dos segundos: o mais engraçado, o mais rápido, o mais astuto, o mais surpreendente... É a redução da política à sua expressão mais simples, um exercício abstracto sobre a realidade, sem antes nem depois.
«Quando se fala da qualidade da democracia, em última análise é disto mesmo que se fala: a qualidade dos representantes não pode dissociar-se do grau de exigência dos eleitores; uma exigência que, em fase de campanha, tem tudo a ver com a profundidade, objectividade e seriedade com que exigem ser esclarecidos.
«[Apesar de tudo, fica claro], felizmente, o bom senso do cidadão comum que consegue distinguir, apesar das encenações, dos gráficos e dos indicadores de duvidoso rigor, das frases descontextualizadas, das cartas na manga e dos coelhos na cartola, quem é ou não é de confiança, quem tem ou não carácter. Se ninguém pensa comprar um carro em segunda mão a quem não lhe merece confiança, como poderia entregar Portugal e o seu futuro?»
(M.ª José Nogueira Pinto, "O que se vê e o que não se percebe", DN, 17-9-2009)
[1000] Mil sessões no divã
«A ambição do homem é tão grande que, para satisfazer uma vontade presente, não pensa no mal que daí a algum tempo pode resultar dela.»
(Niccolo Maquiavel, "Discursos de Tito Lívio", via Citador)
13 setembro 2009
[993] As palavras dos outros (55): a política no feminino
«Mas será verdade que esta mulher se candidata a Primeira Ministra?»
(Ana Gomes, sobre Manuela Ferreira Leite, aqui: itálico meu)
*
Absolutamente inaceitável. Dito por uma deputada ao Parlamento Europeu, candidata a presidente de uma câmara, ex-diplomata (!), é ainda mais deplorável...
P.S. MFL não se candidata ao cargo de primeiro-ministro, pois este não está sujeito a escrutínio democrático. Nem nisto sabe?!
Subscrever:
Mensagens (Atom)