Terapia política. Introspecção psicossocial. Análise simbólica.

23 dezembro 2011

12 dezembro 2011

[1379] Poupa tu que eu já dei para esse peditório...

Moral da história (se é que há alguma): o país precisa MUITO de poupar, mas “comigo não, violão”.
Há demasiadas freguesias? Reduzam as do município vizinho que as nossas existem há muito tempo.
O IVA precisa de aumentar? Nos meus produtos e serviços a taxa já é muito alta.
O Parlamento tem deputados e assessores a mais? A representatividade assim o exige.
A frota automóvel do Estado é exagerada? A dignidade das funções assim o exige.
Os administradores das empresas públicas ganham muito? Tem de ser, senão vão-se embora.
O Estado tem de retirar-se da economia? Não pode, caso contrário a maior parte das empresas não sobrevive.
And so on and on and on



31 outubro 2011

[1378] Vox lectori (5): diagnóstico dos principais problemas do Portugal contemporâneo

Fechada a consulta, que mantivemos aberta durante vários meses até ao dia do 101.º aniversário da República, quiseram participar 27 leitores, os quais podiam indicar os três problemas mais graves. Foram os seguintes os resultados (sem garantias de representatividade da população portuguesa):
1. Corrupção..........................................48%
2. Incompetência política...........................37%
3. Apatia social ......................................33%
4. Peso da maçonaria...............................25%
5. Impreparação dos gestores / empresários....25%
6. Fraca produtividade.............................25%
7. Baixas qualificações.............................25%
8. Retrocesso agrícola / industrial................18%
9. Sistema político desadequado..................11%
10. Burocracia.......................................11%

[1377] Confessionário (5): quando nasceu, ...

... o blogger foi o habitante n.º 3.564.918.208.
Saiba o seu n.º aqui.

25 outubro 2011

23 outubro 2011

[1375] E não se pode exterminá-los?

Muitos acham, agora, que o "problema" português é a despesa pública, que não há nada de errado com  o sector produtivo (privado), nem salários, nem produtividade, nem tributação.
Bem, podem extinguir a Administração Pública e, de seguida, a Presidência, o Governo, o Parlamento.
Cria-se um Estado anárquico, em auto-gestão, sob o lema "lei sem coacção". Cada um vive como quer e faz o que quer. Sem consequências.
Os pobres, os doentes e os idosos ficam entregues a si mesmos.
Tudo menos assumirmos, cidadãos, eleitores e contribuintes, as nossas responsabilidades... Cumprirmos escrupulosamente os nossos deveres cívicos, fiscais e sociais, vivermos regradamente, trabalharmos empenhadamente, respeitarmos a Natureza, entregarmos o  mundo melhor do que o recebemos.

14 outubro 2011

[1374] Portugal é mais do que futebol (70): mais vale tarde...

Parabéns atrasados, mas merecidos, a Hélder Rodrigues, campeão mundial de todo-o-terreno em motociclismo e às selecções nacionais de Portugal em futebol sub-20 (vice-campeões do mundo), hóquei em patins sub-20 (vice-campeões do mundo) e ténis de mesa masculino (medalha de bronze no Campeonato da Europa de 2011). 

[1373] Janela indiscreta (14): e não se apuram responsabilidades?

«Pode ser grande a origem externa das nossas dificuldades. Mas a verdade é que é isso mesmo o que se pede aos governantes: que prevejam dificuldades, que previnam problemas e que protejam os seus povos durante as tempestades".
«Tivemos exatamente o contrário: as autoridades acrescentaram às dificuldades, não só pelas suas decisões, como também pelo seu comportamento teimoso e abrasivo».

06 outubro 2011

[1372] Confessionário (4): Quem sou eu?


Na ficha de qualquer loja sou CLIENTE, no restaurante FREGUÊS, quando alugo uma casa sou INQUILINO, nos transportes públicos sou PASSAGEIRO, nos correios REMETENTE, nas lojas sou CONSUMIDOR e nos serviços sociais sou UTENTE.
Para o Estado sou CONTRIBUINTE, se vendo algo importado sou CONTRABANDISTA, se revendo sou VIGARISTA, se não pago impostos sou IMPOSTOR, se descubro uma maneira de receber um pouco mais sou CORRUPTO.
Para votar sou ELEITOR, para os sindicatos sou MASSA SALARIAL, nas viagens TURISTA, caminhando na rua PEDESTRE, se passeio sou TRANSEUNTE, se sou atropelado SINISTRADO e no hospital PACIENTE.
Nos jornais viro VÍTIMA, na biblioteca sou LEITOR, se ouço rádio OUVINTE, a ver um espectáculo sou ESPECTADOR, a ver televisão sou TELESPECTADOR, no campo de futebol sou ADEPTO e na Igreja sou IRMÃO.
Quando morrer... uns dirão que sou FINADO, outros DEFUNTO, para outros estou EXTINTO, para o povão só mais um que deixou de fumar! Em certos círculos espiritualistas serei DESENCARNADO, os evangélicos dirão que fui ARREBATADO...
E o pior de tudo é que, para os governantes, sou apenas um IMBECIL! E pensar que um dia quis ser EU. SIMPLESMENTE.
(Anónimo. Adaptado. Cortesia da leitora NA, por email)

27 setembro 2011

[1371] O passado mora mesmo lá atrás

Não sei se é verídica a cena relatada no post anterior, mas é um testemunho sociológico notável! Gostei especialmente da utilização das mães (ou dos pais) como taxistas dos filhos. Esquecemo-nos de como o consumo de gasolina é economica e ambientalmente nefasto para o futuro, no qual viverão justamente os nossos filhos, bem pior do que nós, que já vivemos pior do que os nossos pais.
Tornámo-nos egoístas e hedonistas. Só pensamos na nossa vidinha e na forma como a tornar (mais) confortável e prazerosa. Esquecemos tudo e todos que nos rodeiam. Não ensinamos nada a ninguém e raramente aceitamos ensinamentos de alguém.
A vida hoje é uma sequência de eventos, dentro de um automóvel: ir para o escritório ou para a escola, fazer (muitas) compras, ir pôr e buscar a mulher e os filhos, ir ao ginásio ou ao cabeleireiro.
Os governos, crentes da nova "religião" científico-tecnológica, também contribuem para este estado da arte de vida: não há transportes públicos suficientes, os colégios deixaram de ir pôr e buscar as crianças gratuitamente, as refeições nas cantinas e nos refeitórios são gordurosas e pouco higiénicas, não se subsidiam as famílias, mas sim os abortos, diminuem os espaços verdes e aumentam os centros comerciais, em nossa casa crescem os electrodomésticos e afins, mas diminuem os livros e os jogos didácticos, coleccionamos viagens e fotografias, mas sabemos cada vez menos de sociologia, história e arte.
Somos (mais) felizes e saudáveis? A resposta sabe-a o farmacêutico...

[1370] Verde plástico

Na fila do supermercado, o empregado diz a uma cliente idosa:
- A senhora deveria trazer os seus próprios sacos de compras, uma vez que os sacos de plástico não são amigos do meio ambiente.
A senhora, envergonhada, pediu desculpas e disse:
- Não havia essa onda verde no meu tempo. Sabe, eu já tenho 75 anos...
O empregado respondeu:
- Esse é exatamente o nosso problema, minha senhora. A sua geração não se preocupou o suficiente com o meio ambiente.
- Você está certo - responde a velha senhora. A nossa geração não se preocupou suficientemente com o meio ambiente. Na minha época, as garrafas de leite, refrigerante e cerveja eram entregues na loja para serem devolvidas à fábrica, onde eram lavadas, esterilizadas e reutilizadas.
Realmente não nos preocupámos com o meio ambiente no nosso tempo. Subíamos e descíamos as escadas, pois não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhávamos pelas ruas, ao invés de usar o nosso carro de 300 cavalos de cada vez que precisamos ir à mercearia a dois quarteirões.
Mas tem razão. Não nos preocupávamos com o meio ambiente. As fraldas dos bebés eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. As roupas secavam não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é que realmente secava as nossas roupas. Os meninos usavam as roupas que tinham sido dos irmãos mais velhos e não roupas sempre novas, compradas todos os anos.
Mas é verdade: não havia nenhuma preocupação com o meio ambiente. Naqueles dias só tínhamos uma TV ou um rádio em toda a casa e não um aparelho em cada divisão. E a TV tinha um ecran do tamanho de um lenço, não um do tamanho de um estádio, que depois será reciclado como?
Na cozinha, tínhamos de bater tudo com as mãos porque não havia máquinas eléctricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um pouco frágil para o correio, usávamos jornal amachucado para protecção, não envelopes de plástico que duram cinco séculos para começar a degradar. Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina para cortar relva, era utilizado um cortador que exigia músculos. O exercício era extraordinário e não precisávamos de ir ao ginásio andar em esteiras que gastam electricidade.
Mas tem razão, rapaz: não havia nenhuma preocupação com o meio ambiente. Bebíamos directamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos de plástico e embalagens tetrapack que agora enchem os oceanos. Recarregávamos as canetas com tinta vezes sem conta, ao invés de comprar uma todos os meses. Afiávamos as navalhas, e vez de deitar fora todos os aparelhos descartáveis e poluentes só porque a lámina ficou sem corte.
Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. As pessoas andavam de eléctrico ou autocarro e os meninos iam de bicicleta ou a pé para a escola, não usavam a mãe como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos só uma tomada em cada quarto e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nunca precisámos de um GPS que recebe sinais de satélites a milhas de distância no espaço só para encontrar a pizzaria mais próxima.
Então, rapaz, não é irónico que a sua geração fale tanto em meio ambiente, mas não quer abdicar de nada e viver um pouco como na minha época?
(autor desconhecido; cortesia do leitor Panfúcio)

13 junho 2011

[1364] Janela indiscreta (13): ficam na mesma como a lesma?

E que tal se militantes como Manuel Maria Carrilho, Ana Gomes, João Cravinho ou Henrique Neto se candidatassem ou patrocinassem uma candidatura a secretário-geral do PS?
É que há um tempo para avaliar e há outro para ser avaliado...

[1363] Um governo competente, coeso, estruturante e eclético

1. Finanças: Vítor Bento (Ind.)
2. Assuntos Institucionais (PCM/Parlamento): Assunção Esteves (PSD)
3. Negócios Estrangeiros: Paulo Portas (CDS)
4. Defesa e Protecção Civil: Aguiar Branco (PSD)
5. Justiça: Paula Teixeira Pinto (PSD)
6. Administração Interna: Fernando Negrão (PSD)
7. Assuntos Sociais (Saúde, Trabalho e Segurança Social): Bagão Félix (Ind.)
8. Economia e Obras Públicas: Lobo Xavier (CDS)
9. Educação e Ciência: Nuno Crato (Ind.)
10. Agricultura, Ambiente e Ordenamento do Território: Isabel Mota (PSD)

11 junho 2011

[1362] As palavras dos outros (109): membros do Governo e das Administrações Públicas, ouçam isto!

«(...) as pessoas não conseguem perceber que os subservientes nunca são bons conselheiros. Normalmente são perniciosos. Nunca me deixei rodear por subservientes, porque são perigosíssimos.»
(Maria de Belém, "Sócrates esquecia-se de ouvir", CM online, 11-6-2011)

04 junho 2011

[1361] A consagração do maniqueísmo

Ser democrata é respeitar, quer se concorde, quer não, os calendários dos actos eleitorais e as respectivas formalidades.
E ser democrata é respeitar os resultados, quaisquer que eles sejam, desde que apurados regularmente, do ponto de vista ético e legal.
A democracia anda na boca de tanta gente cujos actos não correspondem às suas palavras. Já dizia Confúcio "Actue antes de falar e, portanto, fale de acordo com os seus actos".
E a visão maniqueísta da vida torna-a tão pobre...
(Núncio, comentário a "Não faltes à festa da consagração!", Aspirina B, 4-6-2011)

23 maio 2011

[1360] Dez debates, duas palavras (+ Vox lectori 4)

Terminada a pré-campanha e iniciada a campanha eleitoral oficial, faz-se aqui e agora um rápido balanço dos debates televisivos entre os cinco líderes dos partidos parlamentares. 
Valorizaram-se, de 1 a 5 pontos, os seguintes critérios (e que constituem uma ligeira afinação dos das eleições legislativas de 2009) - clareza da expressão, qualidade das propostas, capacidade argumentativa e preparação (técnica):
1. Paulo Portas ................... 4 / 2 / 4 / 3 (13 val.)
2. Passos Coelho ................. 3 / 4 / 3 / 3 (13 val.)
3. Francisco Louçã ............... 2 / 4 / 3 / 3 (12 val.)
4. José Sócrates .................. 3 / 2 / 4 / 2 (11 val.)
5. Jerónimo de Sousa ............ 3 / 3 / 2 / 2 (10 val.)
*
ADENDA (3-6-2011) - Vox lectori (4): 
Após os debates televisivos e a campanha eleitoral, apuraram-se os votos dos nossos 19 leitores que deixaram a sua opinião sobre a melhor solução governativa após 5-6-2011. Eis os resultados (sem base científica, dado que a amostragem não cumpre certamente os requisitos da representatividade):
1. Um governo de salvação nacional (26,3%)
2. Um governo do PSD com o PS e o CDS (21%)
3. Um governo do PSD com o CDS (15,7%)
4. Um governo do PS liderado por Sócrates (15,7%)
5. Um governo do PS com outro líder (10,5 %)
6. Um governo do PS com o PSD (5,2%)
7. Um governo do PS com a CDU e o BE (5,2%)
As restantes três alternativas (um governo do PSD liderado por Passos Coelho ou com outro líder e um governo do PSD com o PS não tiveram apoio). Em resumo, constata-se que apenas 26,2% dos nossos leitores prefere um governo de um só partido (com ou sem Sócrates) e que 36,7% deseja o PSD na coligação governativa. Um novo bloco central só recolhe 5,2% de preferências. 

[1359] Chorarei até que os olhos me doam

Ao ver estas imagens (não as tinha visto no noticiário televisivo e agradeço a cortesia do blogue), apeteceu-me chorar. De compaixão por todas essas pessoas carentes de um lanche. De profunda tristeza pelo estado de degradação moral a que Portugal está a chegar. De raiva pelo estado de impotência que parece ter tomado conta deste povo...
(Núncio, comentário a "Uma vergonha", Cachimbo de Magritte, 23-5-2011)

10 maio 2011

[1357] Mudar ou afundar?

«As escolhas do PSD são, sem margem para dúvidas, corajosas. Pedro Passos Coelho rompe com a tradicional regra de prometer mundos e fundos em campanha eleitoral para depois, quando o poder está ganho, tirar muito mais que esses mundos e fundos. Pedro Passos Coelho oferece aos eleitores a realidade sem disfarces e antecipa um futuro de dificuldades.
O contraste com José Sócrates é total. O primeiro-ministro não esperou pelo memorando de entendimento para apresentar o programa eleitoral do PS e nas entrelinhas desvaloriza tudo o que antecipe a mínima dificuldade para o país. José Sócrates não promete mas omite as dificuldades.»
(Helena Garrido, "PSD, verdade e consequência", Jornal de Negócios on line, 9-5-2011)

[1356] Isto é bom, mas não é para mim...

A gestão por objectivos está em execução na Administração Pública, nas carreiras gerais, desde 2004. Teve sempre os aplausos de muitos, porque era injusto que os funcionários públicos fossem promovidos automaticamente, quer fossem bons, quer fossem maus. Tinham de ser avaliados.
Anos depois, a guerra foi aberta com as carreiras especiais, como a dos professores.
Agora que parece chegar aos magistrados ("Provedor considera modelo de gestão por objectivos «muito complicado»") é que começam a levantar-se vozes como a do Provedor de Justiça, Juiz Conselheiro Alfredo José de Sousa.
Mas o modelo não era tão bom (para os outros)?!

07 maio 2011

[1354] LFV e JS: separados à nascença

O Benfica é como o Governo: gastador, mas ineficaz. Muita basófia, pouca humildade. Vivem ambos na sombra de um só homem. Não há equipa e não há organização. Nem o marketing os salva!

[1353] Late evening joke: futríssimo!

«O Futre, depois da derrota eleitoral, vendeu o projecto do Sporting ao Benfica. Em consequência, o clube encarnado já contratou os três melhores jogadores do campeonato chinês: Xauliga, Xaujamor e Xaudublin.»
(cortesia do leitor "jfaria")

03 maio 2011

[1351] Falta a seriedade das peixeiras no debate político

Sobre peixeiradas e lateralidades não vou pronunciar-me.
Apenas gostaria de contribuir para a discussão democrática (que se quer elevada) com três notas:
1. Surpreende-me que se confunda "programa eleitoral" com "programa de Governo", sobretudo tratando-se de uma especialista na matéria.
2. Confunde-me que se argumente que esta é a maior crise internacional depois de uma série de eventos, a gosto (da crise do petróleo de 1973, da 2.ª Guerra Mundial, da Grande Depressão de 1929, etc.) e não se explique por que é que, sendo tão severa, "só" três Estados tiveram necessidade de um resgaste financeiro, se estima que Portugal seja o único Estado da UE (e da OCDE) a ter crescimento negativo pelo menos em 2011/12 e seja também Portugal o Estado da UE que menos cresce (e mais divergiu da média europeia), desde há, seguramente 10 anos (muito antes, portanto, da crise do "subprime").
3. Choca-me que as vozes que agora pedem clemência na avaliação do Executivo por não ter atingido os objectivos do seu "programa de Governo" (agora sim) - dado que eram impossíveis de alcançar, não por erros políticos, económicos e financeiros próprios, mas em virtude da referida crise - tenham calado a falaciosa campanha eleitoral de Setembro de 2009, toda ela feita no pressuposto de que a grave crise não tinha chegado a Portugal (o que até tinha permitido um dos maiores aumentos dos vencimentos da Função Pública nos últimos 30 anos) e tenham colaborado na humilhação pública da única pessoa que anunciou, à época, que estávamos endividados.
Certamente não é por não estarmos endividados que estamos agora a ser financeiramente resgatados.
(Núncio, comentário a "Mais do mesmo, diz uma espécie de voto nulo", Aspirina B, 28-4-2011)

[1350] Uma resposta muito simples

Não sei por onde anda nem o que o está a fazer [Teixeira dos Santos]. Sei apenas que aguardo, e comigo certamente muitos cidadãos, eleitores e contribuintes, uma explicação sua. Sobre o pedido de resgate financeiro. Sobre as humilhações que tem sofrido nas últimas semanas. Sobre as razões por que permaneceu seis anos no governo, pondo em causa a sua reputação académica e a sua honorabilidade pessoal.
(Núncio, comentário a "Uma pergunta muito simples", Delito de Opinião, 3-5-2011)

[1349] Um quadro interactivo, um computador Magalhães e um futuro vazio...

«Senti-me culpado. Muito culpado por nunca ter reparado nesta situação dramática ["Ontem, uma mãe lavada em lágrimas veio ter comigo à porta da escola. Que não tinha um tostão em casa, ela e o marido estão desempregados e, até ao fim do mês, tem 2 litros de leite e meia dúzia de batatas para dar aos dois filhos."]. Mas com 8 turmas e quase 200 alunos, como podia ter reparado?
É este o Portugal de sucesso dos nossos governantes. É este o Portugal dos nossos filhos.»
(Arnaldo Antunes, "O Diário do Professor Arnaldo – A fome nas escolas", Aventar, 19-11-2010)

02 maio 2011

[1348] Lema do Governo português

«Nunca se explique. Os seus amigos não precisam e os seus inimigos não vão acreditar».
(Autor desconhecido: cortesia da leitora "mary r rib")

26 abril 2011

[1347] Intolerância de ponta

De facto, há demasiada desinformação quanto a "pontes" e tolerâncias de ponto na Administração Pública. Factos (facilmente verificáveis):
1. Tradicionalmente, só há duas tolerâncias de ponto concedidas anualmente: a tarde de quinta-feira santa e a véspera de Natal (ou o dia seguinte se aquela não for dia útil).
2. Essa tolerância de ponto não pode afectar serviços urgentes (tribunais, hospitais, etc.).
3. O Governo não facilita nem dificulta as (outras) "pontes", uma vez que - na esmagadora maioria dos casos - elas são feitas com os dias de férias a que têm direito os trabalhadores.
4. Alguns organismos têm a tradição, cuja memória se perde, de conceder uma dispensa anual que, como é lógico, é geralmente gozada numa "ponte", mas sempre será apenas um dia de dispensa e não é gozada no mesmo dia por todos, obviamente.
5. Quanto ao número de feriados, sendo a maior parte deles de natureza histórica (25/4, 10/6, 5/10 e 1/12) ou religiosa (Páscoa, Corpo de Deus, Santo António, Assunção, Todos os Santos, Conceição e Natal), aboli-los dependerá apenas de se entender que não é proveitoso celebrar o passado.
(Núncio, comentário a "Feriados e pontes", Desmitos, 24-4-2011)

25 abril 2011

[1346] Regenerar Portugal

Simbolicamente, a reunião excepcional dos quatro chefes de Estado da III República marca o fim de um ciclo. De uma forma mais ou menos subtil ou impressiva, todos os discursos dos antigos presidentes assinalaram o fecho de uma época, seja na sua dimensão histórico-popular (J. Sampaio), social e europeia (M. Soares) ou político-institucional (R. Eanes), cabendo ao actual titular, como é natural, o discurso de passagem.
Que saiba o povo entender o significado deste tempo e, com a sua forte participação, ajudar à regeneração, tão urgente quanto inevitável. 

24 abril 2011

[1345] "Se isto não for meu, não será de mais ninguém"

Na democracia não deve haver inimigos, mas adversários. Como no desporto.
É essa a estratégia de homens como Sócrates e Mourinho, que só sabem exercer funções em clima de guerra, incendiando tudo e ferindo todos.
Mas que ninguém se esqueça: a estratégia da terra queimada tem custos e muito altos, sobretudo para quem vier a seguir e deparar-se com a desolação da paisagem física e humana...
(Núncio, comentário a "O melhor vídeo de sempre de José Sócrates", Expresso on line, 24-4-2011)

23 abril 2011

[1344] O Director do INE ainda está em funções?

«Esta atualização [do Programa de Estabilidade e Crescimento] prevê uma redução progressiva do défice orçamental, de 7,3%, em 2010, para 1%, em 2014 (Quadro 1) [Fonte: INE e MFAP].»
*
 «INE prevê défice de 8,6% para 2010 e corrige défice de 2009 para 10%: (...) “O INE recebeu uma Visita Diálogo do Eurostat nos dias 17 e 18 de Janeiro deste ano. Esta notificação reflecte, em parte, os resultados deste diálogo. Esse diálogo, entre outros aspectos, teve em termos práticos três efeitos na compilação de alguns agregados das contas nacionais em especial na necessidade de financiamento das Administrações Públicas”.»
*
«O Instituto Nacional de Estatística (INE) reviu hoje em alta o défice de 2010 para 9,1% do Produto Interno Bruto (PIB), resultado do impacto de três contratos de parcerias públicas privadas (PPP).»
("INE revê défice de 2010 para 9,1% do PIB", Exame Expresso on line, 23-4-2011) 

[1343] Os pontos das pastas (III, JS)

Estando em gestão corrente, após a aceitação pelo Presidente da República da demissão do primeiro-ministro, é tempo de fazer a avaliação, na sequência do que fizemos há dois anos (cfr. aqui), da actuação dos ministros do XVIII Governo Constitucional (1) com base nos critérios e ponderações que sempre usamos. São eles (entre parêntesis, a sub-escala a ter em conta), a saber:
- (2) competência técnica (0-7 valores);
- (3) capacidade de execução (0-6 val.);
- (4) discurso político (0-4 val.); e
- (5) poder comunicacional (0-3 val.).
Por competência técnica entendemos o conhecimento que o ministro revelou ter da área tutelada e a aptidão para analisar e discutir os assuntos. A capacidade de execução aprecia o poder de concretização das políticas desenhadas e dos objectivos definidos. Os outros critérios respeitam a duas qualidades que se reputam essenciais num ministro: a densidade e consistência do discurso político (isto é, a coerência entre a "cartilha" e a praxis) e a capacidade de comunicação com os eleitores/cidadãos.
A pontuação total (6) corresponde à soma dos pontos obtidos nos quatro critérios, na escala habitual (0-20 valores).
*
(1) Ministros / (2) Compet. / (3) Execução / (4) Discurso / (5) Comun. / (6) Total / (7) Obs.
Luís Amado / 4.5 / 3.0 / 2.5 / 1.0 / 11.0 / + 4.0
Mariago Gago / 4.5 / 3.0 / 2.0 / 1.0 / 10.5 / - 3.0
Pedro Silva Pereira / 3.5 / 3.0 / 1.5 / 2.0 / 10.0 / + 2.0
*
António Serrano / 3.0 / 2.5 / 1.0 / 2.0 / 8.5 / - 0.5 #
Santos Silva / 4.0 / 2.0 / 1.5 / 1.0 / 8.5 / - 0.5 #
Helena André / 3.0 / 2.5 / 1.5 / 1.0 / 8.0 / - 4.0 #
Alberto Martins / 3.0 / 2.0 / 1.5 / 1.5 / 8.0 / 0.0 #
Teixeira dos Santos/ 3.5 / 1.5 / 1.0 / 1.5 / 7.5 / - 4.5


Rui Pereira / 2.5 / 2.0 / 2.0 / 1.0 / 7.5 / - 3.5
*
Ana Jorge / 2.5 / 1.5 / 1.0 / 2.0 / 7.0 / 0.0
Vieira da Silva / 3.0 / 2.0 / 1.0 / 1.0 / 7.0 / - 3.5 #
José Sócrates / 1.5 / 2.5 / 0.5 / 2.5 / 7.0 / - 4.5
Gabriela Canavilhas / 2.5 / 1.0 / 1.5 / 1.5 / 6.5 / + 0.5 #
António Mendonça / 2.5 / 2.0 / 0.5 / 1.0 / 6.0 / - 3.0 #
Jorge Lacão / 2.0 / 1.5 / 2.0 / 0.5 / 6.0 / - 1.5 #
Dulce Pássaro / 2.5 / 1.5 / 1.0 / 0.5 / 5.5 / - 3.5 #
Isabel Alçada / 1.0 / 2.0 / 1.0 / 1.5 / 5.5 / - 1.5 #
*
O campo das Observações (7) regista a diferença, positiva ou negativa, para a avaliação anterior (seja do antecessor, assinalado com #, seja do próprio, se ocupava a mesma pasta).
Em resumo, uma descida acentuada do actual gabinete governamental, face ao anterior, com apenas três avaliações positivas (note-se a subida de Luis Amado) e muitas avaliações abaixo de 8 valores. Quebras significativas do primeiro-ministro, de Teixeira dos Santos e de Helena André (neste caso, em relação a Vieira da Silva).

[1342] Radiografia da crise portuguesa. Sem taxa moderadora

1) Na última década, Portugal teve o pior crescimento económico dos últimos 90 anos.
2) A pior dívida pública (em % do PIB) dos últimos 160 anos. A dívida pública em 2011 vai rondar os 100% do PIB, mesmo excluindo a dívida das empresas públicas (mais 25% do PIB nacional).
3) Esta dívida pública sem precedentes não inclui os 60 mil milhões de euros das PPP (35% do PIB adicionais), que foram utilizadas pelos nosso governantes para fazer obra (auto-estradas, hospitais, etc.) enquanto se adiava o seu pagamento para os próximos governos e as gerações futuras. As escolas também foram construídas a crédito.
4) Temos a pior taxa de desemprego dos últimos 90 anos (desde que há registos). Em 2005, a taxa de desemprego era de 6,6%. Em 2011, a taxa de desemprego chegou aos 11,1% e continua a aumentar. São 620 mil desempregados, dos quais mais de 300 mil estão desempregados há mais de 12 meses.
5) Temos a maior dívida externa dos últimos 120 anos. A nossa dívida externa bruta em 1995 era inferior a 40% do PIB. Hoje é de 230% do PIB. A nossa dívida externa líquida em 1995 era de 10% do PIB. Hoje é de quase 110% do PIB e as dívidas das empresas são equivalente a 150% do PIB.
6) Estamos "no top 10" dos países mais endividados do mundo em praticamente todos os indicadores possíveis.
7) Temos a segunda maior vaga de emigração dos últimos 160 anos.
8) Temos a segunda maior fuga de cérebros de toda a OCDE.
9) Temos a pior taxa de poupança dos últimos 50 anos.
10) Há 1,6 milhões de casos pendentes nos tribunais civis. Em 1995, havia 630 mil. Portugal é ainda um dos países que mais gasta com os tribunais por habitante na Europa.
11) Temos a terceira pior taxa de abandono escolar de toda a OCDE (só melhor do que o México e a Turquia).
12) As entidades e organismos públicos contam-se aos milhares. Há 349 Institutos Públicos, 87 Direcções Regionais, 68 Direcções-Gerais, 25 Estruturas de Missão, 100 Estruturas Atípicas, 10 Entidades Administrativas Independentes, 2 Forças de Segurança, 8 entidades e sub-entidades das Forças Armadas, 3 Entidades Empresariais regionais, 6 Gabinetes, 1 Gabinete do Primeiro Ministro, 16 Gabinetes de Ministros, 38 Gabinetes de Secretários de Estado, 15 Gabinetes dos Secretários Regionais, 2 Gabinetes do Presidente Regional, 2 Gabinetes da Vice-Presidência dos Governos Regionais, 18 Governos Civis, 2 Áreas Metropolitanas, 9 Inspecções Regionais, 16 Inspecções-Gerais, 31 Órgãos Consultivos, 350 Órgãos Independentes (tribunais e afins), 17 Secretarias-Gerais, 17 Serviços de Apoio, 2 Gabinetes dos Representantes da República nas regiões autónomas, e ainda 308 Câmaras Municipais, 4260 Juntas de Freguesias. Há ainda as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, e as Comunidades Inter-Municipais.
(Álvaro Santos Pereira, "Os verdadeiros factos da campanha", Desmitos, 14-4-2011)

17 abril 2011

[1341] A "moderna" União Nacional

Que missão, que valores, que objectivos comuns poderão ter José Sócrates (ex-JSD), Basílio Horta (ex-CDS e anti-soarista), Helena André (do movimento sindical), Santos Silva (católico, ex-MES, anti-cavaquista), António Mendonça (ateu, ex-PCP), José Magalhães (ex-PCP), Manuel Pinho (ex-cavaquista) e Freitas do Amaral (ex-CDS) ?

[1340] Afinal, há esperança!

"200 países, 200 anos, 4 minutos": a animação do Prof. Hans Rosling.
(cortesia do leitor "panfúcio")

30 março 2011

[1339] O novo acordo ortográfico: o trema, as consoantes mudas e o resto

«Saio da língua para entrar na história».
(anónimo; cortesia do leitor "panfúncio")

[1338] Música do mundo: a crise portuguesa

Hello darkness, my old friend,

I've come to talk with you again,
Because a vision softly creeping,
Left its seeds while I was sleeping,
And the vision that was planted in my brain
Still remains
Within the sound of silence.

In restless dreams I walked alone
Narrow streets of cobblestone,
'neath the halo of a street lamp,
I turned my collar to the cold and damp
When my eyes were stabbed by the flash of a neon light
That split the night
And touched the sound of silence.


And in the naked light I saw
Ten thousand people, maybe more.
People talking without speaking,
People hearing without listening,
People writing songs that voices never share
And no one dare
Disturb the sound of silence.


"fools" said i, "you do not know
Silence like a cancer grows.
Hear my words that I might teach you,
Take my arms that I might reach you."
But my words like silent raindrops fell,
And echoed
In the wells of silence


And the people bowed and prayed
To the neon God they made.
And the sign flashed out its warning,
In the words that it was forming.
And the sign said, "the words of the prophets
Are written on the subway walls
And tenement halls."
And whisper'd in the sounds of silence.


(The Sound of Silence, Paul Simon&Art Garfunkel: destaques nossos)

15 março 2011

[1337] Portugal é uma empresa e nós somos os seus accionistas!

Aos leitores que ainda conseguem ter alguma compreensão pela situação governativa actual:
se os senhores forem os donos de uma empresa e delegarem numa equipa as funções de regulação, auditoria e supervisão, o que farão se e quando perceberem que os membros dessa equipa não estão à altura das responsabilidades e que incumpriram todos os objectivos fixados?
i) Delegam-lhes responsabilidades ainda maiores?
ii) Pedem-lhes que permaneçam e apresentem novo plano de trabalho?
iii) Fundem esta equipa com a melhor equipa da vossa empresa, a ver se a primeira melhora?
iv) Ou fazem cessar imediatamente as suas funções e substituem-nos por uma nova equipa mais competente e com mais qualidade?
(Núncio, comentário a "Socialistas criticam actuação do primeiro-ministro", Diário Económico on line, 15-3-2011: revisto) 

14 março 2011

[1336] As palavras dos outros (107): o silêncio dos inocentes ou dos cúmplices?

«O PROBLEMA é que todos os socialistas - os sérios e os não sérios - sabem que, no dia em que Sócrates se for embora, o PS cairá do poder.
Por isso os socialistas estão reféns de Sócrates e não têm outro remédio senão apoiá-lo.
Fecham os olhos às suas mentiras e aos seus excessos.
Além disso, todos eles - de Correia de Campos a Armando Vara - vão beneficiando da presença do PS no Governo: hoje é a administração de uma empresa pública ou de um banco, amanhã é um lugar numa fundação, mais tarde é um subsídio ou simplesmente facilidades num negócio.
O GOVERNO construiu um poder tentacular - o tal Polvo, de que o SOL um dia falou - que chega a todo o lado.
Ajuda uns e intimida outros.
As empresas públicas, as empresas privadas, os bancos, as direcções-gerais - toda a máquina do Estado e suas adjacências estão cheias de socratezinhos que servem de polícias e fazem tudo o que for preciso para agradar ao chefe.
(...) quer ele [Correia de Campos] quer os seus camaradas, seguem no barco em que Sócrates é capitão - e, no dia em que este deixar o lugar, vão todos ao fundo.
NÃO SE ESPEREM, portanto, divergências ou clivagens no PS.
De uma forma ou de outra, todos os socialistas são hoje cúmplices de José Sócrates.
No momento da verdade, unir-se-ão para aguentar este primeiro-ministro e atacar os seus supostos inimigos.»
(José António Saraiva, "Todos são cúmplices", Política a Sério, Sol online, 14-3-2011)
*
«A corrupção moral dentro do PS é tal que até os socialistas tidos como mais sérios se deixam contaminar por aquele vírus que os deixa aparvalhados até ao ridículo».
(leitora "provinciana", idem)

26 fevereiro 2011

[1333] Late Saturday morning: humor verde

Notícia de Última Hora: Reunião de emergência entre Sporting, Belenenses e Atlético.

Devido ao quase desaparecimento destes três simpáticos clubes lisboetas, as direcções resolveram fundi-los e criar um só clube que possa ter a força e a glória de outros tempos.
O nome para já permanece em segredo; no entanto, o logótipo já é conhecido: um leão a carregar a cruz de Cristo, a caminho do Calvário.
Aguardam-se com expectativa novos desenvolvimentos, designadamente sobre o campeonato a que pretendem candidatar-se (II Liga ou II Divisão B), visto que na I Liga não parecem ter, para já, lugar...
(remetido por e-mail: cortesia do leitor BB)
*
Para os que ficaram deprimidos com a notícia anterior fica um texto genial de um sportinguista com sentido de humor!

09 fevereiro 2011

[1332] Late midweek evening: humor sem história

Portugal, nos últimos 100 anos, tem estado sujeito a dois lemas.
No Estado Novo (1926-1974), o lema era: "Deus, Pátria e Família". Mas, já em democracia, após a Revolução de 1974, por espantoso que possa parecer, o lema tem sido praticamente igual; aumentou uma letrinha apenas. De facto, o lema passou a ser: "Adeus, Pátria e Família!"
(cortesia do leitor "sonhador55"; autor desconhecido)

25 janeiro 2011

[1331] Citações do mundo: a coragem da amizade

"It takes great courage to stand up to your enemies but it takes even greater courage to step up to your friends."
(Dumbledore, aos alunos da Hogwarts School of Witchcraft and Wizardry, "Harry Potter e a Pedra Filosofal", 2001: cortesia do leitor cralosh)

21 janeiro 2011

[1329] Vox lectori (3): eleição presidencial de 2011

Termina hoje, como se impõe, a consulta sobre as opiniões relativas aos candidatos presidenciais. 
Quando se iniciou esta consulta, ainda estava a decorrer o prazo para apresentação de candidaturas e não era previsível a de José Manuel Coelho. Por outro lado, não se confirmaram a de Garcia Pereira (apoiante de última hora de Alegre) nem a de Pinto Coelho.
Responderam 34 leitores à pergunta "Qual o melhor candidato a Presidente da República?". Eis os resultados (sem garantias de representatividade), eliminados os quatro votos naqueles dois pré-candidatos não confirmados:
1. Cavaco Silva ................ 43,33 %
2. Fernando Nobre ............ 26,66
3. Manuel Alegre............... 20,00
4. Defensor de Moura .......... 6,66
5. Francisco Lopes.............. 3,33
No final de domingo, veremos quais os resultados apurados. Que se querem definitivos. 
Não cremos que Nobre chegue tão alto, embora mereça uma votação apreciável, pese embora alguma ingenuidade e inconstância, insuficientes para esconder as suas muitas qualidades pessoais e cívicas, que fazem falta aos agentes políticos portugueses. 
É crível que Francisco Lopes troque de lugar e de votação com Defensor de Moura, embora este nem 3% deva obter, dada a modéstia de meios e o indefinido objecto eleitoral (que não a finalidade, muito clara... ou muito suja, dependendo da perspectiva). Pode até ser ultrapassado pelo candidato madeirense, J. M. Coelho, sem embargo da natureza caricatural e depreciativa deste ex-comunista, agora anarquista.
Em resumo, só houve uma candidatura presidencial. Os portugueses dirão se é merecedora da votação maioritária.

18 janeiro 2011

[1328] Pai, afasta de mim essa nostalgia!

Alegre, ao juntar atrás de si socialistas, católicos progressistas, renovadores ex-marxistas, trotskistas, leninistas e agora até maoístas, empresta a esta campanha um tom nostálgico que, em vez de abrilhantar o acto, torna-o deprimente e quase miserabilista.
E, com isso, faz da eleição presidencial um acto, não de voluntária e convicta adesão a uma candidatura, mas de forte e veemente repulsa de outra.
(Núncio, comentário a "Esquizofrenia", O Cachimbo de Magritte, 18-1-2011)

[1327] O beijo da morte?

Garcia Pereira, intempestiva e surpreendentemente, veio declarar o apoio do PCTP/MRPP a Manuel Alegre.
Depois de maçons, socialistas, trotskistas e leninistas, só faltavam mesmo os maoístas para compor o alegre ramalhete.
Mas afinal qual é a base de apoio do poeta?

12 janeiro 2011

[1326] Ninguém toca em cadáveres!

("Saúde: Desempregados começam hoje a pagar taxas moderadoras", Expresso on line, 1-1-2011)
*
("Governo aumenta valor de atestados de 90 cêntimos para 50€", Esquerda.Net, jornal electrónico do BE, 12-1-2011)
*
«Se eu estiver na Presidência da República ninguém tocará no Serviço Nacional de Saúde, na escola pública, na segurança social, nos direitos laborais».
(Manuel Alegre, militante do PS, ex-deputado e conselheiro de Estado, candidato a PR apoiado pelo PS e BE, Expresso on line, 12-1-2011)

[1325] Preso por não ter dissolvido e preso por (talvez) vir a dissolver

«O candidato à Presidência da República [Manuel Alegre] defendeu hoje que se Cavaco Silva fosse "coerente", ao afirmar que a situação do país era "explosiva" e "insustentável", teria dissolvido a Assembleia da República.»
(Alegre critica Cavaco Silva: "Para ser coerente devia ter demitido o Governo", DN online, 7-12-2010)
*
«Alegre adverte que Cavaco pode estar a preparar a dissolução do Parlamento.»
(Lusa, Presidenciais 2011, Sapo,11-1-2011)

06 janeiro 2011

[1324] E agora, Manel?

Não suporto generalizações, muito menos em questões de carácter.
Um dos problemas de Portugal, talvez o principal, é esta mediocridade que impõe que todos tenhamos de ser mais ou menos. Não pode haver muito ricos, nem muito inteligentes, nem sérios, nem honrados, nem nobres, nada. Senão, desconfia-se.
Tem de ser tudo pobrezinho, desenrascadinho, mediozinho.
O que estão a tentar fazer ao PR diz bem do nível moral e ético de parte deste povo, que mede os outros pela sua imagem.
Não sei se CS governou muito bem, assim-assim ou mal. Sei que ganhou três eleições legislativas e que os seus governos já foram democraticamente julgados há duas décadas.
Não sei se CS ganhou dinheiro ilícito. Se o ganhou, não sei onde possa estar. Sei que ainda hoje vive na mesma casa de sempre, tem o estilo de vida de sempre, a família de sempre e não ostenta nada que a sua vida académica e política não possa justificar.
CS, siga-se ou não a sua cartilha ideológica ou partidária, é daqueles servidores públicos que dedicou a vida inteira ao país: seja na universidade, no Parlamento, no Governo, no Banco de Portugal ou na Presidência.
Não se lhe conhece comportamento censurável ou duvidoso, do ponto de vista ético.
Mesmo aquilo de que é, estranhamente agora (sete anos depois da venda), acusado não tem qualquer fundamento: um cidadão que compra e vende acções e obtém lucros com essa venda.
A inveja e a desonestidade intelectual são muito feias. E minam qualquer Estado de Direito democrático.
(Núncio, comentário a "Cavaco recusa novas respostas sobre acções do BPN", Expresso on line, 5-1-2011)

04 janeiro 2011

[1323] Ó gente da minha terra!

Tratar o Chefe de Estado, chame-se ele Aníbal, Mário ou António, por manhoso (y otras cositas más) diz tudo sobre a auto-estima e o patriotismo de parte deste povo à beira-mar plantado.
É toda uma razão pela qual esta nação quase milenar se deprime década após década, pedindo desculpa por existir e envergonhando-se dos seus.
Paradoxalmente, chegámos onde os nossos avós bem previram: lá virão os tempos, meu filho, em que os homens sérios serão enxovalhados pelos desonestos!
(Núncio, comentário a "O contra-ataque manhoso de Cavaco Silva", Água Lisa, 4-1-2011)
*
É meu e vosso este fado

Destino que nos amarra
Por mais que seja negado
Às cordas de uma guitarra

Sempre que se ouve o gemido
De uma guitarra a cantar
Fica-se logo perdido
Com vontade de chorar

Ó gente da minha terra
Agora é que eu percebi
Esta tristeza que trago
Foi de vós que recebi

E pareceria ternura
Se eu me deixasse embalar
Era maior a amargura
Menos triste o meu cantar

Ó gente da minha terra
Agora é que eu percebi
Esta tristeza que trago
Foi de vós que recebi

(Amália, Mariza)

03 janeiro 2011

[1322] Uma campanha pouco alegre

(...) agora é tempo de reeleger o actual Presidente ou de eleger um novo. Abstermo-nos é um acto cívico incoerente e democraticamente inconsequente, porque alguém decidirá pelos abstencionistas.
Cada um de nós deve dizer, de entre o actual Presidente e os cinco opositores, qual está mais à altura do cargo. E sempre será um homem, com virtudes e fraquezas.
Tão simples quanto isto.Não votar é alhearmo-nos do regime democrático. É acharmos, no limite, que há outros regimes melhores (ou menos maus). A incoerência reside no desinteresse por um regime por que lutaram muitos.
Por outro lado, é uma manifestação inconsequente: não votamos nós, haverá quem vote e estará a decidir por ele e por quem não exerceu o seu direito de cidadania plena.
Não podemos repisar o discurso de que os candidatos são maus. São estes que apareceram e é um deles que temos de eleger. O poder não fica vazio e se não elegermos o melhor, alguém poderá eleger o pior...
E quem achar que é melhor que se chegue à frente e apresente uma candidatura!
(Núncio, comentário a "Cavaco inicia pré-campanha na Madeira", Expresso on line, 3-1-2011)

[1321] Pintura do mundo: Belchior, Gaspar e Baltazar, os antepassados remotos da Moody's, S&P e Fitch


(Vasco Fernandes, o Grão Vasco, "Adoração dos Reis Magos", 1501-1506)

02 janeiro 2011

[1320] Demites tu ou demito eu?

«Convenhamos que quem votou PS à conta de 5% de défice — numa altura em que Manuela Ferreira Leite já tinha explicado à saciedade qual a situação real do país — foi tolo voluntariamente em 2009 e, se ainda tem o desplante de se queixar disso agora, qual virgem ofendida, só procede a um upgrade da sua categoria de tolo.»
(Tolices, comentário a "A diferença entre poder e dever", Blasfémias, 2-1-2011)
*
A covardia talvez seja o pior dos defeitos do português, esse povo acolhedor e tradicional.
Isto de não reconhecer que se cometeu um erro em Setembro de 2009 e querer que seja o PR a fazer o que o povo não quis ou não soube é de uma falta de coragem intolerável!

[1319] Inscrevam esta citação nas paredes dos gabinetes ministeriais!

«(...) só existirá ensino de qualidade se o professor e a professora forem tratados como as verdadeiras autoridades da educação, com formação continuada, remuneração adequada e sólido compromisso com a educação das crianças e jovens.»
(Dilma Rousseff, discurso de tomada de posse como presidente do Brasil, Estadão on line, 1-1-2011: destaque nosso)

[1318] Poesia do mundo: começar de novo

A minha vida é hoje um sítio de silêncio

a própria dor se estreme é dor emudecida
que não me traga cá notícias nenhum núncio
porque o silêncio é o sinónimo da vida (...)

Daqueles traços fisionómicos de pedra
não quero já ouvir a voz que às vezes vem
na calma destacada por um cão que ladra
Não há ninguém perto de mim sinto-me bem

Cada casa que roço é escura como um poço
se sou alguma coisa sou-o sem saber
sossego solitário sem mistério isso
talvez tivesse sido o que sempre quis ser (...)

A noite quando ao fim descer decerto há-de
ser certa solução. Foi há muito a infância
Ao tempo o que tu tens tu bem o sabes cede
estendo as mãos talvez te fique a inocência

A vida é uma coisa a que me habituei
adeus susto e absurdo e sobressalto e espanto
A infância é uma insignificância eu sei
e apenas por a ter perdido a amamos tanto

Estou sozinho e então converso com a noite
das palavras que nos subjugam nos submetem
As coisas passam e em vez delas é aceite
o nosso sistema de signos onde as metem

Esta minha existência assim crepuscular
devida àquela que é rastos destroços restos
acusa hoje alguma intriga consular
de quem não tem cabeça a comandar os gestos (...)

E noite sou e sonho e dor e desespero
mero ser sórdido e ardido e encardido
mas já não tarda a abrir-se na manhã que espero
um arco com vitrais aos vendavais vedado

E embora a minha fome tenha o nome dela
e da água bebida na face passada
não peço nada à vida que a vida era ela
e que sei eu da vida sei menos que nada.


(Ruy Belo, "Despeço-me da Terra da Alegria", Todos os Poemas, Assírio & Alvim, 2000)

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