Terapia política. Introspecção psicossocial. Análise simbólica.

27 abril 2009

[858] A gestão do terror

Infelizmente, o terrorismo (não só de raiz fundamentalista) está a condicionar as políticas de defesa e segurança, mesmo a de governos ditos de Esquerda. Para lá do aceitável, do ponto de vista da dignidade humana e dos direitos civis e sociais fundamentais.
São gastos avultados recursos técnicos e financeiros nas consequências e não nas causas. A pobreza e a iliteracia avançam e não se combatem com tortura nem com armas. Aliás, nada se combate com tortura (os fins não justificam os meios). As tensões são muito mais económicas e sociais do que religiosas e étnicas.
No fundo, o homo politico é coerente e previsível. Assim como aproveita a "crise internacional" para adoptar políticas e tomar medidas eleitoralistas, também utiliza a "ameaça do terrorismo" para defender e executar planos securitários. É sempre uma questão de pretexto. Uma pena que gente de bem se deixe manipular por estes "iluminados" que (des)governam o mundo...
(Núncio, comentário a "Houve ontem quem louvasse o regresso da tortura a Portugal", O Valor das Ideias, 26-4-2009)

[857] Crónica de um desastre anunciado

Claro que "esta" crise é internacional (financeira, bancária, especulativa, como queiram). Mas é sobretudo uma crise moral e ética. Permitiu-se, durante anos a fio, que estas actividades agora falidas se desenvolvessem sem regulação e sem supervisão, desprovidas de deontologia e responsabilidade.
Mas o facto de o mundo estar em crise não nos deve fazer esquecer que, infelizmente, em crise está, e estava, Portugal há, pelo menos, nove anos!
(Núncio / Portugal Real, comentário a "Estamos perto do desastre da década de 1930", Expresso on line, 25-4-2009)

[856] As virtudes do centro?

Agora, em noite de clarificação, os resultados, de acordo com o relatório (na língua original), do teste "The Political Matrix" (em http://www.goldengiven.net/polimatrix/thetest.php):
Economic score: -2.71
Social score: -1.04
Your score: economically centre-leftist and socially centre-libertarian
Economic centre-leftists typically support above average controls on free trade, raising or maintaining the current tax levels, but still support free trade.
Social centre-libertarians generally have moderate social views, with a slight lean toward avoiding government intervention. However, they support government intervention in matters that they see as threats to society.

26 abril 2009

[855] O status moral

Eis os resultados do teste "Moral Matrix" (http://www.moral-politics.com/xPolitics.aspx?menu=Home), de acordo com o relatório (na língua original):
Your scored - Moral Order: -3; Moral Rules: 1.5
System: Socialism
Ideology: Social Democratism
President: Jimmy Carter
US 04' Election: David Cobb
US 08' Election: Barrack Obama
*
Portugal - Moral Order: -0.22; Moral Rules: 0.03 (13,067 respondents)
36.90% liked Socialism
6.79% liked Authoritarianism
14.42% liked Conservatism
21.96% liked Liberalism
19.94% straddled systems
System: Socialism
Variation: Moderate Socialism
Ideology: Social Democratism

[854] Portugal é mais do que futebol (38): Neuza & Michelle, L.da

25 abril 2009

[853] Flor da Liberdade

Sombra dos mortos, maldição dos vivos.
Também nós... Também nós... E o sol recua.
Apenas o teu rosto continua
A sorrir como dantes,
Liberdade!
Liberdade do homem sobre a terra,
Ou debaixo da terra.
Liberdade!
O não inconformado que se diz
A Deus, à tirania, à eternidade.

Sepultos, insepultos,
Vivos amortalhados,
Passados e presentes cidadãos:
Temos nas nossas mãos
O terrível poder de recusar!
E é essa flor que nunca desespera
No jardim da perpétua primavera.

(Miguel Torga, in "Orfeu Rebelde", 1958)

[852] Tão perto, tão longe...

Maior proximidade com as candidaturas apresentadas ao Parlamento Europeu (segundo o teste da "EU Profiler", em http://euprofiler.eu/):

1. Movimento Esperança Portugal 71,3%
2.
Partido da Terra 64,5%
3.
Partido Social Democrata 59,4%
4.
Partido Humanista 57,6%
5.
Partido Socialista 56,5%
6.
Centro Democrático Social - Partido Popular 53,8%
7.
Movimento Mérito e Sociedade 48,0%
8.
Bloco de Esquerda 46,3%
9.
Partido Popular Monárquico 38,3%
10.
Coligação Democrática Unitária 37,1%
11.
Partido Nacional Renovador 32,6%
12.
Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses 1,1%

19 abril 2009

18 abril 2009

[850] Eleições? Não, plebiscitos!

Esse argumento [perigo de governo de maioria relativa em tempo de crise] servirá para, agora e sempre, justificar governos de maioria absoluta monopartidária e, de preferência, do seu partido.
Para quê mudar? Que maçada!
Para quê governar em coligação? Que disparate!
Chávez disse (e fez) aquilo que, fingindo chocar as "virgens democráticas", muitos gostariam de dizer e, pior, fazer! Um homem providencial, qual Deus na Terra, a governar vitaliciamente.
É decepcionante chegar a 2009 e ver Portugal ansioso pelo 24 de Abril...
(Núncio / Portugal Real, comentário a "PS pondera manter nome de Jorge Miranda como provedor", Público on line, 17-4-2009)

[849] Óbvio, mas não axiológico

“O envolvimento num caso como este [BPN] justificaria dizer: bom, este caso é grave, não nos apercebemos da situação. Somos inocentes, mas não queremos embaraçar nem o Conselho de Estado, nem o Sr. Presidente da República, nem as instituições.”

17 abril 2009

[848] Quer bola? Vá ao banco!

"Filipe Soares Franco continua a ser o candidato desejado pela Banca (BES e BCP), mas o cenário pode mudar radicalmente caso o actual presidente do Sporting não consiga aprovar a reestruturação financeira em assembleia geral (prevista para dia 8 de Maio)."

[847] Divus Augustus

«A democracia faz-se nas "urnas" e não na rua».
Está enganado e esta sua declaração diz tudo sobre o seu pensamento político. A democracia faz-se todos os dias, em todo o lado: no nosso condomínio, na escola, no hospital, no local de trabalho, nas repartições públicas, nas empresas, nas agremiações, nos clubes...
Se Portugal tem défice é de iniciativa da sociedade civil, sempre paternalizada pelo Estado, herança da visão salazarista.
Acho curioso que o leitor nem sequer se aperceba que essa visão é a de actuais líderes, que tudo gostariam de decidir, do alto da sua cadeira, e que alimentam o culto da personalidade, algo bem pouco democrático.
(Núncio / Portugal Real, comentário a "Site de apoio a Sócrates cria rede social parecida com Facebook ou Hi5", Expresso on line, 12-4-2009)

15 abril 2009

[846] Ofendido, mas não resignado

Ofensivo é assacar responsabilidades pela crise financeira internacional a quem trabalha, diaria e duramente, sem especulação imoral nem investimentos suicidas.
Ofensivo é exigir que as classes média e baixa se resignem e assumam a factura da crise bancária, criada por gente desprovida de ética e de dignidade.
Ofensivo é achar que, coitados, os governantes fazem tudo o que podem e sabem, mas os trabalhadores não. Esses podem e devem dar ainda mais porque a crise está aí e os governantes, estes e outros, nada têm a ver com ela...
(Núncio / Portugal Real, comentário a «Site de apoio a Sócrates cria rede social parecida com Facebook ou Hi5», Expresso on line, 12-4-2009)

13 abril 2009

[844] Portugal é mais do que futebol (37): o céu de Lisboa

[843] Portugal é mais do que futebol (36)

[842] Paisagens do mundo: o pinheiro-do-Paraná

O pinheiro brasileiro (Araucaria angustifolia), em perigo crítico de extinção
(crédito fotográfico: leitor panfúcio)

[841] Portugal é mais do que futebol (35)

*

07 abril 2009

[840] A ecografia do poder (2)

A declaração de interesses de f. seria uma exigência ética e deontológica.
Já alguém leu artigos de Maria Cavaco Silva sobre os roteiros da Presidência do seu marido? Ou de João Cravinho sobre a política externa do seu filho? Ou de Dias Ferreira sobre as verdades da sua irmã?
(Núncio, comentário a "A ecografia de Fernanda Câncio", A Outra Varinha Mágica, 6-4-2009)

[839] A ecografia do poder

O primeiro [erro] é focar a questão jurisdicional quando - porque não somos procuradores nem juízes, somos cidadãos eleitores - a questão relevante é a ético-política (Devem os governos de gestão praticar actos desta natureza? O licenciamento de espaços comerciais dentro ou contíguos a reservas naturais é mero acto burocrático? A intervenção de familiares, directa ou indirecta, é legítima? Os sinais exteriores de riqueza dos políticos são compatíveis com os vencimentos dos cargos que concretamente exercem? etc.).
O segundo é partir do pressuposto que, só por se estar inocente, não temos de prestar contas. A presunção de inocência, princípio FUNDAMENTAL do Estado de Direito, é do foro jurisdicional ou disciplinar e não afecta, naturalmente, o dever de prestar contas aos eleitores, próprio de um Estado democrático.
(Núncio / Portugal Real, comentário a «Freeport: Pior que pode acontecer a um PGR (...)», Expresso on line, 6-4-2009)

05 abril 2009

[838] As palavras dos outros (40): a hora da verdade?

«São pessoas [Obama, Sarkozy, Sócrates] que mantêm os piores vícios da década de 90 (a paixão pelo endividamento, a ilusão de que são capazes de resolver tudo a partir do Governo, a subordinação do conteúdo à imagem), num mundo que precisa do contrário (de maior poupança, de mais prudência, de mais verdade).»
(Bruno Alves, "Acabar com a farsa? Qual delas?", O Insurgente, 5-4-2009)
*
Infelizmente, enquanto a democracia não fizer um upgrade para uma fase 2.0 (talvez só possível na IV República), serão essas pessoas com esses vícios que, de vitória em vitória até à derrota final, nos sugarão os impostos e a dignidade.
(Núncio, comentário, idem)

04 abril 2009

[837] Os crimes que cometi e que nunca confessarei

Interessante essa sua observação "na pós-modernidade, mata-se logo o destinatário" [ao contrário da Antiguidade Clássica, em que se matava o mensageiro].
Sabe porque é que passámos a esse extremo da condenação popular? Porque em Portugal não há "white collar crimes". Como todos os arguidos são absolvidos ou despronunciados (ou até nem sequer constituídos arguidos), o cidadão vê nesse absurdo estatístico e sociológico uma forma de "branqueamento". Logo, torna-se radical: todos os suspeitos são culpados!
O pior que pode acontecer a um regime é "descriminalizar" uma certa franja social ou profissional ou financeira.
(Núncio / Portugal Real, comentário a "Freeport: Alberto Costa desmente pressões", Expresso on line, 4-4-2009)

03 abril 2009

[836] Este país não é para mim

Para se escrever sobre política internacional, ética republicana, fiscalidade, justiça, política cultural ou desportiva é preciso ter um pensamento sobre essas (ou outras) matérias. Quem é militante do pragmatismo e advoga o culto da personalidade não tem nada para dizer a não ser "l'état c'est moi".
(Núncio, comentário a "E por cá?", Paulo Gorjão, Vox Pop, 1-4-2009)

02 abril 2009

[835] A bit more of wisdom, please!


"Mocho", Brendan Flanagan, Toronto/Canadá, 2009

[834] Sondagem: qual a figura nacional de 2008?

Sondagem terminada. Reiteram-se os pontos de ordem habituais sobre a representatividade da amostra, etc.
Os 79 (e)leitores elegeram maioritariamente os atletas Cristiano Ronaldo (22%) e Nélson Évora (20%).
Depois, o cineasta Manuel de Oliveira e o político José Sócrates, ambos com 12%.
Isabel Jonet (Banco Alimentar) e Cavaco Silva tiveram 8% e 7% dos votos, respectivamente.
Os últimos são Passos Coelho e Lurdes Rodrigues (5%), a actriz Sandra Barata Belo (3%) e a cientista Elvira Fortunato (1%).

Arquivo do blogue

Seguidores