Terapia política. Introspecção psicossocial. Análise simbólica.

29 junho 2008

[620] Late Sunday morning: criatividade de bolso

Qual é a mais correcta definição de Globalização?
A morte da Princesa Diana.
Porquê?
Então, uma princesa inglesa com um namorado egípcio, tem um acidente num túnel francês, num carro alemão com motor holandês, conduzido por um belga, embriagado com whisky escocês, que era seguido por paparazzis italianos, em motas japonesas.
A princesa foi tratada por um médico americano, que usou medicamentos brasileiros.
Este email é enviado por um português, usando tecnologia americana (Microsoft) e, provavelmente, o leitor está num computador indistinto com chips feitos em Taiwan e um monitor coreano montado por trabalhadores do Bangladesh, numa fábrica de Singapura, transportado em camiões conduzidos por indianos, empacotados por mexicanos e, finalmente, vendido por judeus, através de um centro de distribuição espanhol.
(por email: cortesia do leitor Bruno Barata)

[619] O meu secretário-geral

«[Isto foi uma] brincadeira de mau gosto para estragar um evento com o nosso Secretário-Geral».
(Isilda Gomes, Governadora Civil de Faro, via leitor Nélson R. Faria, Expresso on line)
*
Nosso? De quem? Dos governadores civis? Das Isildas de Portugal? Dos algarvios? Das louras?
Mas não há ninguém lúcido neste país?

27 junho 2008

[618] As palavras dos outros (21): um país improvisado

"O lamentável episódio das agressões a magistrados no tribunal improvisado no quartel dos bombeiros da Feira dá uma imagem arrasadora deste país."
(Eduardo Dâmaso, Correio da Manhã, 27-6-2008)
*
Ironicamente, esse lamentável episódio ocorreu na Feira, que é naquilo que parece ter-se tornado este país...

[617] "Foste tu! Não, foste tu!"

«A chamada "3.ª República" já teve três ciclos políticos.
O 1.º, o da transição democrática, de 1974 até 1985 (com governos de quase todos os quadrantes, do PS ao CDS, incluindo PSD, PPM, PCP e independentes).
O 2.º, o da integração europeia, coincidente com o "Cavaquismo" (1985/1995).
O 3.º, o actual (que já vai em 13 anos), durante o qual o PS governou sozinho por dois períodos (1995/2002 e 2005/2008) e, no meio, uma coligação PSD/PP, por 3 anos.
Ou seja, tirando o período transitório e, por isso, instável, o PS governou durante cerca de 10 anos e o PSD durante aproximadamente 13 anos.
Daqui a ano e meio, PS e PSD terão governado quase durante o mesmo período, desde 1985.
Pode qualquer um, em consciência, culpar o outro do que quer que seja?»
(Núncio, comentário a "A dar-nos música", Rita Marques Guedes, Diário Económico on line)

25 junho 2008

[616] As palavras dos outros (20): meias-tintas

«Simultaneamente, [MFL] remete a avaliação de projectos políticos para categorias politicamente neutras como seja o carácter, o rigor ou a credibilidade.»
(Pedro Adão e Silva, "A estratégia de silêncio", Diário Económico on line)
*
Leio e não acredito! O carácter, o rigor e a credibilidade não só não são nada neutras como são categorias cada vez mais escassas... Neutras são a retórica, o dom da palavra, a imagem pessoal. Porque nada acrescentam ao político e às políticas a não ser "ruído" e ilusão.
(Núncio)

23 junho 2008

[615] Portugal é mais do que futebol (2)

Bravo, Nélson Évora!
Bravo, Francis Obikwelu!
Bravo, Edivaldo Monteiro!
Bravo, Rui Silva!
Bravo, Ricardo Ribas!
Bravo, Marco Fortes!
Bravo, Naide Gomes!
Bravo, Helena Tavares!
Bravo, Jéssica Augusto!
Bravo, Sara Moreira!
Bravo, Fernanda Ribeiro!
Bravo, Sílvia Cruz!
Bravo, Maria do Carmo Tavares!

20 junho 2008

[614] Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades...

«(...) um dos princípios mais importantes da democracia é o da alternância. Um titular de cargo político não deve permanecer mais do que o tempo razoável no lugar, porque a eficácia e a eficiência da acção política têm a ver também com isso.
O poder nunca fica vazio. Mesmo que nos pareça que a alternativa não é muito interessante, há momentos em que temos de mudar. O pior que pode acontecer, e tem acontecido um pouco por toda a Europa e está a matar o regime democrático, é a escolha "do mal menor". "Mal por mal, deixem ficar este."
(...) ao contrário de muitos comentadores e cidadãos, eu censuro os eleitores (e auto-censuro a minha pessoa) porque, no regime, eles têm um papel fundamental, quer durante os actos eleitorais, quer sobretudo entre eleições. É a diferença entre o conformismo e a exigência. E se nós temos tido governos fracos, não é só à qualidade da classe política que isso se deve, é também à qualidade (ou falta dela) dos eleitores e dos cidadãos...»

18 junho 2008

[613] As palavras dos outros (19): Estado vulnerável

«"(...) estão a protestar contra o Governo e o Estado, mas, também, contra os que, aparentando representá-los, de facto não o fazem."

Penso que é esta a frase-chave do presente artigo e da situação da sociedade política contemporânea, deveras preocupante. Os eleitos deixaram de representar os cidadãos eleitores, o interesse comum, e não são mais do que representantes de facções partidárias, grupos de pressão, seitas religiosas, empresas multinacionais, clubes de futebol, sindicatos, sociedades secretas, etc. A fragmentação do Estado começou nos parlamentos... »

(Núncio, em comentário a Pedro Adão e Silva, "A vulnerabilidade do Estado", Diário Económico on line, 17-6-2008)

15 junho 2008

[612] Só agora?

"[Os cidadãos da União Europeia] não gostam de alguns aspectos da política em Bruxelas porque estas não são suficientemente transparentes".
"Sou a favor de elegermos um dia o presidente do Conselho Europeu, essa futura personalidade dirigente, em eleições europeias".
"Claro que temos de levar a sério a votação dos irlandeses, mas não é possível que escassos milhões decidam por 495 milhões de europeus".
(Wolfgang Schaeuble, Ministro do Interior alemão, Público on line, 15-6-2008)
*
Duas notas breves:
1. É pena que os líderes políticos europeus não se lembrem dessa falta de transparência quando estão a redigir, nessas noites longas e escuras de Bruxelas, os tratados comunitários e só estremeçam quando "escassos milhões" lhes pregam um susto.
2. Em democracia, os cidadãos são iguais em direitos e deveres e, por isso, todos têm direito a um voto. Mas para que o direito de voto possa ser livre e conscientemente exercido é preciso haver consulta (seja eleitoral seja referendária). "Escassos milhões" decidiram por muitos porque, infelizmente, estes não puderam exercer o seu voto!
O caso mais inquietante é, certamente, o português. Vinte e dois anos depois da adesão, os portugueses nunca puderam dizer directamente o que pensam do projecto de integração europeia...

[611] Quem sou eu? (2)

Na sequência do 'Policómetro' da revista "Veja" (595), divulgamos o 'quiz' de identidade política (no "Ordem Livre", via "Câmara de Comuns" e "Aquela Opinião").

13 junho 2008

[610] As palavras dos outros (18): os inimigos do desporto

«Manuel Serrão: “O Benfica está a ter uma atitude antipatriótica”»
*
Ser "chico-esperto" é que é ser patriota, seus lampiões!

[609] Serviço público (11): portal de empregos

Empregos

[608] Adivinhem quem é o meu "running mate"?

Parece que a opinião pública quer as duplas mais votadas no campo republicano e democrático no mesmo "ticket". O que significaria que os dois nomeados dividem efectivamente os seus próprios eleitorados.
Os republicanos mais conservadores puxam por Romney para fazer par com o "atípico" McCain e os democratas menos liberais querem Hillary de olho em Obama.
Afinal, não é só em Portugal que o povo não gosta de meter as maçãs todas no mesmo cesto...

[607] Três vezes NÃO

França, Holanda e agora a Irlanda disseram NO(N) aos dois projectos de tratado constitucional/reformador que lhes submeteram as elites políticas europeias.
Será que isto não tem nenhum significado político?

11 junho 2008

[606] A liga dos espertos

Tal como dissemos aqui, Madaíl precipitou-se e, precipitando-se, julgou mal. Talvez pressionado por quem o tem patrocinado na FPF...
Ao vir notificar o VSC e o SLB, a UEFA confirmou que isto é uma questão desportiva de natureza clubística e não nacional. Não é Portugal nem a FPF que são parte principal ou acessória no processo de licenciação nas provas da UEFA da próxima época. É um clube. E da decisão há, ou pode haver, beneficiários. Que são outros clubes, chamados agora a intervir no processo, com interesses desportivos e financeiros próprios.
Portugal e a FPF deveriam ser parte principal noutro processo: o da celeridade da justiça desportiva e da boa execução das suas próprias decisões!
*
Madaíl, como membro do Comité Executivo da UEFA, tem especiais deveres de recato e isenção. Tem ainda, pessoal e institucionalmente, o dever de garantir o cumprimento das leis e dos regulamentos desportivos e de defender a justiça das provas nacionais e europeias.

[605] Que raça de gaffe!

Por estar associada ao anterior regime político, a expressão utilizada pelo PR pode ser equívoca e ferir a sensibilidade de alguns portugueses. Mas ainda mais equívoco pode ser o silêncio que se lhe seguiu.
Cavaco, para o bem e para o mal, fala pouco e sempre com um critério, embora coerente, muito pessoal. Mas haja algum assessor, ou a Maria, que lhe diga que, em determinadas situações (como esta), calar pode ser bem mais embaraçoso do que pedir desculpa ou esclarecer.
Fale, homem! Explique-se.
*
P.S. Conviria, já agora, desconstruir este conceito de democracia "palaciana" mais próprio do Iluminismo e que parece tão caro aos dois ocupantes dos Palácios de Belém e S. Bento.
Em regimes democráticos, livres e "modernos" (como gosta o segundo de dizer), os assuntos não se debatem atrás dos panos nem se remete toda a discussão para dentro de portas. Ou as matérias são reservadas (e esse elenco constitucional e legal está feito) ou não são. E não sendo, os cidadãos, contribuintes e eleitores, têm o direito não só de opinar sobre elas como de conhecer o pensamento dos titulares do poder político.
A menos que a escuridão dos gabinetes sirva para disfarçar a falta de opinião...

08 junho 2008

[604] Portugal é mais do que futebol

[603] Intervalo: você é marado!

Improv Everywhere Global (Lisboa)

[602] Tempos de incerteza: a religião no laboratório

«Religion cries out for a biological explanation. It is a ubiquitous phenomenon—arguably one of the species markers of Homo sapiens—but a puzzling one. It has none of the obvious benefits of that other marker of humanity, language. Nevertheless, it consumes huge amounts of resources. Moreover, unlike language, it is the subject of violent disagreements.
Science has, however, made significant progress in understanding the biology of language, from where it is processed in the brain to exactly how it communicates meaning. Time, therefore, to put religion under the microscope as well.»
("The science of religion - Where angels no longer fear to tread", The Economist, 19-3-2008: cortesia do leitor Repobro)

[601] Saturday night: o garoto-consciência

Tell me why it has to be like this? (Declan Galbraith)

07 junho 2008

[600] Porque é que a eleição de MFL pode ser uma esperança?

Millôr Fernandes lançou um desafio aos leitores:
Qual a diferença entre o político e o ladrão?
Resposta mais original:
Caro Millôr, após longa pesquisa cheguei a esta conclusão: a diferença entre o político e o ladrão é que um eu escolho, o outro me escolhe... Estou certo? (Fábio Viltrakis, Santos -SP)
Eis a réplica do Millôr:
Poxa, Viltrakis, você é um gênio! Foi o único que conseguiu achar uma diferença! Parabéns!
(cortesia da leitora Cris: via email)

[599] "A minha pátria é a língua portuguesa"


[598] Saturday early afternoon: to smoke or not to smoke

(via email, autor desconhecido)

05 junho 2008

[597] Bola, mentiras e escutas

Como Portugal é bipolar, ora está eufórico, ora está deprimido, isso também se teria de fazer sentir no desporto. Ou se é benfiquista ou se é anti-benfiquista, não há meio-termo!
Por isso, quando se discutem as implicações de uma (eventual) suspensão da participação do FCP na próxima edição da Liga dos Campeões da UEFA, (quase) todos os comentários referem o SLB, mesmo não tendo este clube nada a ver (que se saiba) com os factos apurados, bem ou mal julgados.
A própria Federação Portuguesa de Futebol, quiçá hesitante entre o dever de informar a UEFA e o temor reverencial a PC, já veio declarar que está surpreendida com a punição e que tudo fará para que o clube português seja tratado "com equidade".
Três equívocos estão a contaminar o debate:
1. Primeiro, não há igualdade nem equidade na ilegalidade.
2. Em segundo lugar, a FPF não pode, internamente (através da Liga ou de outro seu órgão) apurar factos ilícitos e, até ver, propor condenações e, externamente, mostrar-se surpreendida com as (possíveis) consequências desses processos.
3. Finalmente, isto não é um processo em que o SLB seja parte ou interveniente ou sequer que, sendo hipoteticamente beneficário, seja o único ou o maior dos beneficiários.
Em bom rigor, não há um, nem dois, nem três, mas quatro (!) beneficiários de qualquer suspensão (que seja confirmada em instância superior). Mas a ciclotimia típica de jornalistas e agentes desportivos, como bons portugueses, faz com que Belenenses, Braga e Guimarães, o grande beneficiário da confirmação dessa suspensão, sejam completamente ignorados e o anti-benfiquismo provoque esta pobre dicotomia.
Senão, veja-se: o SLB não garante coisíssima nenhuma a não ser a possibilidade de fazer dois jogos de apuramento para a fase de grupos. O Guimarães, sim, adquire o direito de participar automaticamente nessa fase, fazendo pelo menos seis jogos na referida competição.
Por outro lado, o SLB já havia adquirido o direito (que, por enquanto, se mantém) de participar numa competição, a Taça UEFA. O Belenenses não iria participar em nenhuma e, assim sendo, será eligível para a Taça Intertoto, o que é bem diferente!
E por tudo o que vimos de dizer, a FPF tem de ter algum savoir faire e imparcialidade porque, neste caso concreto, há terceiros clubes seus associados potenciais beneficiários das decisões europeias.

04 junho 2008

[596] Verdade e consequência

No jargão futebolístico, costuma dizer-se que uma equipa joga aquilo que a outra a deixa jogar.
Foi o que aconteceu a Pinto da Costa.
Não venham indignar-se agora, 25 anos depois, aqueles que o foram deixando jogar livremente, sem defesa a marcá-lo nem árbitro a sancioná-lo.
Durante anos, jornalistas, empresários, juízes e deputados conviveram, louvaram, incentivaram e desculparam PC. Porque era charmoso, porque tinha o dom da palavra, porque declamava poesia, porque era um estratega ímpar, porque não tinha medo de nada nem de ninguém, porque dignificou o "Norte".
Os actos e as omissões têm consequências e há que viver com elas.

01 junho 2008

[594] Mãe, afasta de mim esse populista!

«Não querendo melindrar ninguém, muito menos o blogger, qualquer vitória que servisse para travar o populismo (ainda por cima superficial e impreparado) seria sempre uma vitória expressiva e moralizadora.
Por outro lado, já se esqueceram do candidato que ganhou o congresso por um voto e veio a ser o primeiro-ministro mais marcante desta república?»
(Núncio, em comentário a "Presunção e água benta...", O Andarilho, 31-5-2008)

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