Terapia política. Introspecção psicossocial. Análise simbólica.

22 novembro 2014

[1434] O lado da verdade


«As detenções dos nossos inimigos são prova do bom funcionamento da Justiça. As dos nossos amigos são exageros de juízes justiceiros e só em caso de perigo de fuga deveriam ocorrer. 
As provas contra os nossos amigos são sempre frágeis. As contra os nossos inimigos são muito fortes. 
Os processos contra os nossos amigos devem permanecer sempre em segredo de justiça para preservação do seu bom nome e da presunção da sua inocência. Nos processos contra os nossos inimigos, o segredo de justiça é manifestamente exagerado e anti-democrático, até porque eles têm meios suficientes de defesa. 
Os nossos amigos não cometem crimes, apenas cometem erros políticos. Os nossos inimigos são criminosos do pior. Os processos contra os nossos amigos não devem ter leituras políticas, porque à Justiça o que é da Justiça. Os processos contra os nossos inimigos justificam a demissão de ministros e até do Governo

(Portugal Real, "A diversidade da fauna e flora", em comentário a "Sócrates: a justiça a mudar ou a exagerar?", Expresso on line, 22-11-2014)

27 setembro 2014

[1432] Os pontos das pastas (VI): terceira (e última?) avaliação do Governo actual

Avançamos para a terceira avaliação do XIX Governo Constitucional (1), em funções há três anos (feitos em 20.06.2014). Os critérios e as ponderações são as de sempre: (2) competência técnica (de 0 a 7 val.), (3) capacidade de execução do programa (de 0 a 6), (4) densidade do discurso político (de 0 a 4) e (5) poder comunicacional (de 0 a 3).
A pontuação total (6) corresponde à soma dos pontos obtidos nos quatro critérios, na escala habitual (0-20 valores= 7+6+4+3).
*
(1) Ministros   / (2) Compet. / (3) Execução / (4) Discurso / (5) Comun. / (6) Total / (7) Obs.
Paulo Macedo .......5.5 ............... 4.5 .............2.5 .......... 1.5 ......... 14.0
Aguiar Branco ...... 4.5 ............... 5.0 ............ 2.5 .......... 1.0 ......... 13.0
J. Moreira da Silva.. 4.5 ............. 3.5 ............ 2.0 .......... 1.5 .......... 11.5
Miguel P. Maduro... 4.0 .............. 3.0 ............ 3.0 .......... 1.5 .......... 11.5      (+)
Pires de Lima....... 4.0 ............... 3.5 ............ 2.0 .......... 1.5 ......... 11.0       (+)
Paulo Portas ........ 4.0 ............... 3.0 ............ 2.0 .......... 2.0 ........  11.0        
Nuno Crato ......... 4.5 ............... 2.5 ............ 2.5 .......... 1.0 ......... 10.5       (-) (R)
Maria Luís A. ........ 4.0 ...............3.5 ............ 1.0 ...........2.0 ......... 10.5      (+)
P. Passos Coelho ... 3.5 .............. 3.5 ............ 1.5 .......... 1.5 ......... 10.0 
Paula T. da Cruz ... 3.5 ............... 3.0 ...........  2.5 .......... 1.0 ......... 10.0       (-) (R)
Assunção Cristas ... 3.0 .............. 3.0 ............ 1.5 .......... 2.0 .......... 09.5
Marques Guedes.... 3.5 .............. 3.5 ............ 1.0 .......... 1.0 .......... 09.0     
Rui Machete..........3.5 .............. 3.5 ............ 1.0 .......... 0.5 ......... 08.5
Miguel Macedo ..... 3.0 ...............3.0 ............ 1.5 .......... 1.0...........08.5
Mota Soares ........ 3.0 .............. 3.0 ............. 1.0 .......... 1.5  .........08.5       
       
*
O campo das Observações (7) regista a perspectiva, positiva (+) ou negativa (-), para a próxima avaliação ("R" significa "remodelável"), se a houver (eleições na Primavera?).
Em resumo, quatro avaliações negativas, cinco sofríveis, Paulo Macedo e Aguiar Branco continuam na cabeça do pelotão e há duas estrelas ascendentes, Poiares Maduro e Maria Luís.  Vítor Gaspar não resistiu mesmo à falta de "mundo real" e a Justiça e a Educação, pese embora tenham titulares reconhecidos, parecem não resistir à inabilidade política para reformas técnicas.

[1431] Janela indiscreta (21): a quem interessa uma cidadania por «castas»?

Alguns parecem esquecer que a verdadeira cidadania não distingue os seus membros entre políticos e não políticos. Isso era no tempo da polis, em que a "democracia ateniense" apenas acolhia homens adultos e livres, logo afastando mulheres, estrangeiros e escravos.
O corolário dessa isonomia é a igualdade de todos perante a Lei, o Direito e a Justiça. E essa igualdade leva-nos à questão dos deveres e dos direitos. Os cidadãos que, em representação dos seus pares, exercem cargos ou funções públicos, gozam das mesmas prerrogativas próprias de um Estado de Direito, como o direito ao bom nome, a presunção de inocência (da qual decorre a regras de que quem acusa é que tem de provar) ou o direito à reserva da sua privacidade. 
Qualquer outra interpretação só seria legítima num Estado neocorporativo, oligárquico ou até oclocrático. Os políticos, que - pelo menos em República - exercem funções temporariamente, são do povo e governam pelo povo e para o povo. E eu não quero fazer parte de um povo "voyeurista", maniqueísta, alienado ou menorizado.
Parece que, muitas vezes, demasiadas vezes, nos esquecemos de que, num Estado de Direito democrático, não há "eles" e "nós" e de que, dada a mobilidade social, a plena capacidade eleitoral activa e passiva e a limitação de mandatos, (quase) todos podem vir, mais cedo ou mais tarde, a estar no lugar "deles", ou seja, hoje somos representados por pares nossos, amanhã poderemos vir a representá-los, com a plenitude dos nossos direitos e deveres cívicos.
Pressupor que um concidadão, por estar na política, é vigarista ou aldrabão é exactamente o mesmo que atribuir a outras classes de concidadãos (professores, diplomatas, comerciantes, magistrados, empresários e muitos outros) todos os vícios da humanidade. E coitados daqueles que tiverem mais do que uma actividade ou profissão...

[1430] Portugal é mais do que futebol (72): e a pequena bola continua a saltar...

Portugal é já uma das quatro melhores selecções europeias de ténis de mesa, sem chineses. Parabéns, João Monteiro, Marco Freitas e Tiago Apolónia!

25 agosto 2014

[1429] As palavras dos outros (120): Serviços púbicos, sim! Lisboa, sempre!

Já não se suportam os discursos de que o país alimenta Lisboa ou de que o privado sustenta o público! Em vez de se valorizar o video que promove a capital deste país maravilhoso (ver [1428] Lisbon wow!), fazem-se comentários completamente laterais e populistas (aqui).
A região de Lisboa é a que mais contribui para a riqueza nacional (PIB) e a única verdadeiramente acima da média europeia. E o facto de termos uma grande capital em nada diminui ou desvaloriza o resto do país...
Quanto aos serviços públicos, eles são essenciais para a protecção dos menos favorecidos (solidariedade interclassista e intergeracional). As pessoas querem que o Estado social português (escola pública, saúde pública e segurança social pública) seja suportado por quem, pelos contribuintes alemães ou chineses? E querem que o número de funcionários/serviços públicos diminua ainda mais para depois acordarem um dia e perceberem que já não há centros de saúde, escolas primárias, pensões públicas, bolsas de estudo públicas, segurança pública, desporto escolar, etc.?
Perdoai-lhe, Pai, que eles não sabem o que dizem nem o que querem...

20 agosto 2014

[1428] Lisbon, wow!

Vejam o filme aqui e votem nele!
Watch this video here and vote for it!

[1427] As palavras dos outros (119): patriotismo não é futebol

«Só queria dar alegrias ao meu povo, que sofre tanto por tantas coisas. Infelizmente não conseguimos. Peço desculpa a todos os brasileiros. Queria ver o Brasil feliz por causa do futebol.» 
(David Luís, jogador da selecção de futebol do Brasil, após a derrota na Taça do Mundo de Futebol de 2014)

21 junho 2014

30 abril 2014

[1425] Vox lectori (6): "Portugal 40 anos"

Os leitores do Divã já podem votar num pequeno questionário sobre os 40 anos de regime democrático, o qual - se tudo funcionar como o SurveyMonkey prevê - se abrirá numa janela "pop up" sempre que visitarem o blogue.
Caso contrário, utilizem o seguinte link: https://pt.surveymonkey.com/s/KLFQKY9 
À vous la parole. Your vote.

14 abril 2014

[1423] Futebol: um "play" cada vez menos "fair"

«Não sei se o Benfica faz rir alguém há mais de 100 anos, sei que quem não tem graça nenhuma é quem assina este comentário, vulgar e deselegante. Não ofende um clube centenário com milhares de conquistas em dezenas de modalidades, ofende adolescentes e jovens atletas, que procuram realizar sonhos e competir desportivamente. E ofende pais e amigos que, com esforço e dedicação, apoiam esses atletas a vingar no mundo do desporto e, através dele, na vida.»
[Núncio, comentário a "Levaram 3 secos ... mas que grande escola (de palhaços, a fazer rir há mais de 100 anos)"]
«Que cada um de nós goste ou pratique determinado desporto ou seja fã de determinado clube é saudável e tem a ver com as nossas histórias de vida, a nossa cultura, o nosso ambiente familiar e social. A diferença entre cada ser humano também se afere, para lá do género, da etnia, da idade, por esses gostos e preferências.
Agora que cada um celebre os golos e as vitórias de clubes adversários dos nossos rivais quase como se fossem nossos, que insulte e difame quem não é consócio ou "consimpatizante" já me parece pouco ou nada saudável e muito menos recomendável.»
(Núncio, comentário a "goooooooooolooooooooo [do Barcelona]")

Ambos os comentários aqui: Benfica sub19, 0 - Barcelona sub19, 3

12 abril 2014

[1422] Janela indiscreta (20): que núcleo domina a magistratura?

«Discordo frontalmente da metodologia utilizada pela comissão, que obteve acolhimento maioritário e consequentemente não me revejo, de modo algum, na generalidade das escolhas a que a mesma conduziu, manifestamente pré-preparadas, trabalhadas e condicionadas pela dita comissão, não deixando também de revelar feição marcadamente pessoal e de resquícios de acentuada proximidade com determinado núcleo, há muito dominante na magistratura e estruturas coadjuvantes. Além disso, relativamente aos dois casos em que ocorreu convite telefónico, tenho sérias dúvidas sobre a regularidade desse procedimento, o qual considero envolver um claro tratamento preferencial, para não dizer desigual, para outros candidatos, que em nada abona este órgão e contra o qual sempre me bati.»
(António Joaquim Piçarra, vice-presidente do Conselho Superior da Magistratura, em Expresso on line, 12.04.2014)

[1421] As palavras dos outros (117): que a águia não se atreva a perturbar a caminhada de "la vecchia signora"!

«Acabo de saber o resultado do sorteio. Gostaria de jogar em Espanha, mas jogaremos a final contra uma equipa espanhola.» (Llorente, jogador da Juventus)
«O que é que penso do Benfica? Bom, que para terem chegado até esta fase é porque têm sido realmente muito bons. Estão a fazer uma grande temporada e são uma equipa muito boa tecnicamente... E que lamento por eles» (Pirlo, jogador da Juventus)

12 janeiro 2014

[1420] Janela indiscreta (19): estranha forma de homenagear o Rei Eusébio

Leões de Porto Salvo, 3 - Benfica, 2 (futsal)
Oliveirense, 4 - Benfica, 3 (hóquei em patins)
Real, 2 - Benfica, 1 (futebol, juniores)
*
Cultura do conformismo ou fraqueza psicológica/emocional?

04 janeiro 2014

[1419] As palavra dos outros (116): de tecedor amador vem pano tentador

“Há pessoas tão pobres que só têm dinheiro.”
(Lili Caneças, aqui)

[1418] Confusão de pessoas por pessoas

Conta-nos uma revista que a família de Marlise Munoz, grávida de 14 meses e que está em morte cerebral, luta - incluindo o marido, pai do bebé em gestação - pela não aplicação de uma lei do Estado norte-americano do Texas que não permite desligar a máquina de suporte de vida quando a paciente está grávida. O fundamento seria o cumprimento da alegada vontade de Marlise, expresso várias vezes em vida, de nunca ser ligada a essas máquinas.
 
Parece haver aqui uma inexplicável confusão, ainda mais inexplicável no caso do marido e futuro pai. O que os médicos estão inequivocamente a fazer é, para além de tentar salvar a vida da mãe (mas que, quem admita a legitimidade da vontade expressa por Marlise, pode ser dispensada), manter o bebé vivo até ao seu nascimento. E sobre essa vida a família não pode expressar qualquer vontade de a interromper. Ou pode?

[1417] Votos de Ano Novo aos leitores

Cada ano que passa é um pequeno avanço, porque - apesar das dores físicas ou espirituais, umas mais intermitentes, outras mais frequentes - vamos fazendo o nosso caminho, cumprindo a nossa missão, qual ela seja. Bem cumprida, espera-se.
Olhar para trás só serve para errar menos, melhorar mais. O caminho é para a frente, pois é esse que ainda pode ser traçado.
Que o melhor de 2013 seja o pior de 2014.

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