Terapia política. Introspecção psicossocial. Análise simbólica.

07 março 2006

[187] O direito a (não) ser muçulmano

"GV: Porque é que tantos muçulmanos que vivem na Europa parecem ter desprezo pela Europa?
A.H.A.: Na América, é-se americano desde que se lá entra. Na Europa, a maioria dos imigrantes quer sempre regressar à sua terra natal. Em consequência, são sempre acolhidos como meros «visitantes» nas suas novas sociedades. Se uma pessoa não se defende sozinha na América, se não ganha o seu dinheiro, está literalmente morto e fracassará. Na Europa, o estado social distribuiu dinheiro generosamente, deixando os imigrantes num estado de espírito passivo. O seu «modo de ser diferente» é encorajado pelos sacerdotes islâmicos importados, que lhes dizem que não têm nada de comum com os infiéis.
GV: Qual é o próximo passo depois do multiculturalismo?
A.H.A.: Chegou a altura de tratarmos os imigrantes como cidadãos genuínos. O governo tem de agir mais claramente, por vezes com maior dureza, e tem de exigir mais. Veja os crimes de honra contra as mulheres turcas, que são um problema aqui na Holanda. Não apenas o homicida tem de ser punido, mas também toda a família, até a mulher que serve o chá enquanto o conselho de família se reúne para preparar este acto sangrento. Precisamos de enviar um sinal: não é permitido fazer estas coisas. Nos casos de excisão do clítoris precisamos também de um sistema de controlo. Na Holanda, temos esse sistema, mas ainda funciona numa base de voluntariado. Contudo, já é um começo.
GV: Porque é que as nossas sociedades europeias não são capazes de actuar mais vigorosamente contra injustiças óbvias e a opressão da mulher muçulmana?
A.H.A.: Quando vamos às comunidades turcas e falamos sobre os valores e códigos de comportamento que são incompatíveis com a liberdade e a democracia, muitas vezes ouço o argumento de que, na Europa, os judeus foram mortos e que isto é também o que está destinado para os muçulmanos - eliminá-los culturalmente. Estes são argumentos assassinos que paralisam qualquer europeu. Pela minha parte, na minha qualidade de nova mulher europeia, digo-lhes: não se deixem enganar! O que essas pessoas estão a dizer é simplesmente, «deixem-nos em paz e deixem-nos continuar a oprimir as nossas mulheres». Nenhuma sociedade civil nem nenhum governo têm de aceitar isto.
"
(GV é Andrea Seibel, sub-chefe de redacção do «Die Welt», e AHA é Ayaan Hirsi Ali, a deputada holandesa-somali que trabalhou com Theo van Gogh num filme sobre as mulheres muçulmanas. É um excerto de uma entrevista republicada no «Expresso». Os sublinhados são do blogger.)
*
Humildemente, sugerimos que Freitas do Amaral (re)leia esta entrevista. Pode ser que, finalmente, entenda...

2 comentários:

Arion disse...

Também acho que toda e qualquer nação devem poder intervir sobre outra(s) desde que supram os direitos essenciais dos indivíduos!

Babalulife disse...

Todos subscrevem os direitos de isto e mais aquilo, mas afinal de nada serve e ao que parece assina-se e esquecem-se as promessas, honras e demais...
Abusos e mais abusos, pois realmente se não fosse este alerta, sobre o que se passa e nada se faz!
Enfim..., será mesmo que algum dia a sociedade deste lado a Ocidental fará alguma coisa?!

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