Terapia política. Introspecção psicossocial. Análise simbólica.

25 outubro 2006

[378] A crise em Portugal, vista por Espanha

«A crise em Portugal foi tema de um documentário de 45 minutos transmitido ontem à noite no programa "En Portada", um dos principais espaços de grande reportagem do canal 2 da televisão espanhola, TVE. A descrição foi a de um país que "é o mais desigual da Europa, onde 20 por cento da população roça a pobreza" e no qual a população vive "com a auto-estima mais baixa da UE a 25", num clima de "depressão e desânimo".
Percorrendo Portugal de Norte a Sul e registando declarações de membros do Governo, especialistas, académicos, autarcas e cidadãos anónimos, o programa abordou alguns dos aspectos mais preocupantes da realidade social e económica portuguesa.
Temas como a desertificação, o isolamento do interior, o fecho de serviços de saúde e escolas devido ao despovoamento de várias regiões, a burocracia, os atrasos nas obras e as perdas de empregos na indústria marcaram a viagem da equipa de reportagem espanhola.
O documentário visitou, entre outras, povoações como Escalhão, próximo do Vale do Côa, onde um pastor dizia que "até as pedras levam", numa referência à venda de granito para Espanha.
A aldeia de Rabal, Bragança, a cidade de Mirandela, em Trás-os-Montes, as lotas de Peniche e de Lagos foram algumas das regiões percorridas. Ao longo dos 45 minutos, o documentário descreveu a situação que vivem povoações isoladas "onde o ciclo vicioso" do despovoamento levou os habitantes a sentirem-se isolados e esquecidos pelos centros de poder.
"A economia expandiu-se, com a adesão à Europa, mas não se modernizou", referia o documentário, notando, por exemplo, a falta de modernização de algumas fábricas têxteis ou as dificuldades da frota de pesca portuguesa que traz para terra apenas 25 por cento do que o país consome.
O documentário incluiu referências aos 60 milhões de euros acima do previsto que custaram os estádios do Euro 2004, aos atrasos na extensão do Metro e no Túnel do Marquês.
Difícil situação económica:
Com declarações de Victor Constâncio, sobre o défice das contas públicas, do ministro da Economia Manuel Pinho, sobre os objectivos do Governo de "ajustar as contas públicas e estimular empresas privadas", o documentário procurou apresentar um retrato da situação económica em Portugal.
Referiu, por exemplo, que "no meio da crise, o sector da banca registou um aumento de 30 por cento nos lucros" e que, "numa contradição evidente", Portugal tem "um dos espaços comerciais maiores da Europa". "Apesar de tudo, o consumo teima em não baixar", comentou o autor da reportagem.
Aludindo à governação de José Sócrates, o documentário referiu que o primeiro- ministro "não tem contestação no Governo", que as críticas da oposição "são débeis" e que, ao fim do mandato, "o sucesso ou o falhanço da agenda de governação dependerá exclusivamente do chefe do Governo".
Apesar da crise, o documentário dá conta dos esforços em várias áreas para ultrapassar a situação, modernizar a indústria, requalificar zonas turísticas no Algarve e reforçar o investimento em investigação e tecnologia.
Como exemplo, cita o sucesso de algumas fábricas de têxtil e calçado, o modelo adoptado na AutoEuropa e os avanços no sector da cortiça, visitando ainda o centro de formação de Famalicão.
Igualmente a merecer atenção a tentativa de várias zonas mais isoladas do interior português de apostarem em acções conjuntas transfronteiriças com vizinhas espanholas, no intuito de criar "euro-regiões" que possam beneficiar de mais apoios europeus.
"É um país sereno, educado, por vezes lento, que luta à sua maneira para sair da crise. Das várias crises", conclui o documentário.»
(21.10.2006 - 13h58, Lusa)

[377] Livre, ma non troppo...

«Não sendo subscritor, genericamente, das teses dos chamados "neo-con", não vejo qual o problema de haver imprensa dessa área... ou a liberdade de imprensa só existe se todos forem "neo-labour"?
Aliás, prefiro que todas essas correntes estejam claramente identificadas na imprensa e na política (através de declarações de interesses), de modo a que as escolhas se façam em consciência.
Pior é ter "neo-cons" travestidos de socialistas...»
(Núncio, em comentário deixado aqui, na sequência da reflexão feita no post "[370] Lendo os outros: auto-censura?", de 23-10-2006)

24 outubro 2006

[376] Serviço público: mapa de viagens

[375] A vida é bela! (5)

"Quando tiramos a vida aos homens, não sabemos nem o que lhes tiramos, nem o que lhes damos".
(Lord G. G. Byron, poeta inglês, 1788-1824)

[374] A vida é bela! (4)

"(...) sagro estes ossos que, póstumos,
recusam-se à própria sorte,
como a dizer-me nos olhos:
a vida é maior que a morte."
(Ivan Junqueira, poeta brasileiro, A Sagração dos Ossos, para Bruno Tolentino)

[373] A vida é bela! (3)

[372] A vida é bela! (2)

[371] A vida é bela!

«E receio bem a herança que vamos deixando aos nossos descendentes: um mundo em regressão civilizacional que vai cedendo paulatinamente ao relativismo individualista e ao novel moralismo hedonista.»
(João Távora, "Por causa do Não", Blogue do Não - Portugueses Livres, 23-10-2006)

23 outubro 2006

[370] Lendo os outros: auto-censura?

«(...) há uma razão muito simples, que ninguém quer admitir, e que tem a ver com a permanência nos valores mentais, nos hábitos da nossa democracia, dos quadros do Portugal de Salazar. Valores como o "respeitinho", a hipocrisia pública, a retórica antipolítica, a tentação de considerar que o suprapartidário é bom, a obsessão pelo "consenso", o medo da controvérsia, a cunha e a clientela, mesmo a corrupção pequena, a falta de espírito crítico desde as artes e letras até à imprensa e Igreja, tudo vem do quadro do salazarismo e reprodu-lo. O medo do conflito, essa tenebrosa herança de 48 anos de censura, permanece embrenhado na vida política da democracia e isso dá vida à nostalgia da pasmaceira vigiada de Salazar.
(...) O que me interessa é recensear que atitudes, nostalgias, hábitos, costumes, práticas, que ninguém associa a Salazar, mas vêm directamente dele e do Estado Novo, continuam vivos, adoecendo a nossa democracia. Isso sim, é importante.»
(J. Pacheco Pereira, Abrupto, "Porque razão a Democracia tem medo de Salazar, versão 2.0": o destaque é nosso)
*
Dificilmente haverá melhor exemplo desta vigilância provinciana e castradora do que aquela a que a "imprensa livre e democrática" se auto-submete, todos os dias, em todos os meios.
A liberdade e a democracia têm, quanto à imprensa nacional, um sentido meramente formal, senão mesmo caricatural.
Quase toda ela é administrada pela Sonae, pela Lusomundo e pelos grupos económico-financeiros afins (os quais, pela natureza das coisas, não podem ter uma visão desinteressada e distante dos factos e das notícias, como ainda recentemente se tornou embaraçosamente evidente a propósito das férias judiciais, da restruturação da Administração Pública e da greve dos professores).
A que não é detida por tais empresas privadas, é indirectamente controlada pela maior empresa privada do país, com sede ali na Gomes Teixeira (e isso o anteprojecto de proposta de lei sobre limites à concentração da titularidade nas empresas de comunicação social, em discussão pública até ao fim do mês, não vai resolver, nem pretende...)
Por outro lado, a maior parte dos editoriais (escritos por e para minorias influentes) e artigos de opinião (de forte pendor encomiástico) tem, sob a capa da isenção e objectividade, uma indisfarçável adesão a preconceitos político-partidários (contem-se os deputados, ex-ministros, autarcas e "agentes" culturais, entre outros, que engrossam as listas de comentadores e analistas, até de futebol!), o que seria aceitável se houvesse uma inequívoca declaração prévia de interesses... Onde está ela? Viram-na?
(continua oportunamente)

[369] Civilização ou destruição?

"(...) acho que a defesa da vida, ainda que em forma potencial, é um valor civilizacional do mais avançado que existe, até porque se prende com o alargamento do conteúdo de um direito fundamental que é basilar para todas as civilizações: o direito à vida."
(comentário anónimo, às 1:59, a este post do João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos)

17 outubro 2006

[368] Inconfidências e incoerências

Todos têm direito à privacidade e intimidade (que não se confundem). Ninguém deve ser prejudicado (nem beneficiado), pessoal ou profissionalmente, por factos dessas duas esferas (desde que, obviamente, sejam lícitos ou legítimos). Incluindo namoradas de políticos.
Dito isto, que reconheço banal, direi o seguinte.
Quando se aceita o pedido de namoro de uma tal personalidade, deve ter-se consciência plena das consequências de tal relação. Sobretudo se se for jornalista/analista/comentadora. Em primeiro lugar (e longe de tentar escrever a "Bíblia" do jornalismo), nunca por nunca usar como fonte privilegiada/anónima o PM. Nenhum facto que chegou ao seu conhecimento por intermédio do PM deve ser revelado, comentado, trocado. Justamente por se tratar de uma relação do foro privado, o PM não pode ser fonte informativa nem musa inspiradora.
O que nos leva a um segundo cuidado especialíssimo: é de evitar a todo o custo comentar/analisar factos directamente relacionados com o desempenho do PM (ou do namorado politico). Se fossem censuras, soariam a falso (quiçá, injustamente); se fossem encómios, seriam completamente despropositados numa namorada.
Daqui à terceira reflexão vai um pequeníssimo salto: é que, tendo sido jornalista (brilhante ou opaca, pouco importa), não é pelo facto da relação ser do foro privado que ela se torna irrelevante para a carreira profissional. Pelo contrário, ser namorada do PM é muítissimo relevante, pelas razões já aduzidas e por uma mais e que está bem documentada neste post de JG e também na resposta da visada: a pessoa é una, não há dupla nem tripla personalidade (espera-se) nem se é uma cómoda onde se arrumam por gavetas os sentimentos, os valores, as convicções, os desejos, as dúvidas e as ideologias. E sendo una, é sempre a jornalista/namorada que está presente e isso requer, por se tratar de um "superestatuto", uma "superexigência".
(Núncio, comentário deixado aqui)

16 outubro 2006

[367] Certo, mas...

*
E não teríamos muito mais receitas com um sistema de tributação mais justo e mais eficiente? Ou já se esqueceram dos modelos sueco e finlandês?

[366] Cuidado!

Nesta época conturbada, é preciso estarmos alerta, como os jovens e esperançosos escoteiros...
Destruição de fronteiras, destruição do meio ambiente, destruição de valores, destruição da memória.
São tempos pré-totalitários, de que a doutrina do politicamente correcto é o seu principal mensageiro...

[365] Já há 27 anos...

"Magistratura que, caluniada e mal remunerada, assoberbada de trabalho e de recomendações de pressa e urgência e informações estatísticas, consciente ao mesmo tempo, por um lado, da sua posição na sociedade e das exigências dessa posição e, por outro, da falta clamorosa de meios de toda a ordem, continua heroicamente a desempenhar o seu mister, e não é, nem de longe, a maior culpada da progressiva degradação dos serviços judiciários." (1)
(1) Prof. J. Castro Mendes, em "Estudos Sobre a Constituição", coord. de Jorge Miranda, Lisboa, 1979, vol. III, pág. 659.
(cortesia de "pedro", via electrónica)

[364] Não há mais ninguém para lhes bater?

"(...) a que níveis gostaria que os funcionários públicos (FP) portugueses as melhorassem [a produtividade e qualidade do seu trabalho]? Aos níveis médios de produtividade e qualidade do sector privado (SP) nacional, por sinal dos mais baixos da União Europeia?
Porque hão-de dar os FP (cerca de 700 mil) aquilo que não dá o SP (cerca de 5 milhões)? Sempre julguei que a riqueza de um país fosse o resultado da produção das suas empresas, das suas indústrias, da sua agricultura, dos seus comerciantes, dos seus serviços e da receita cobrada a TODOS os trabalhadores..."
(Núncio, em comentário deixado a um leitor daqui)

[363] Pode repetir?

(Ana Catarina Mendes, vice-presidente do grupo parlamentar socialista)
*
Permito-me sugerir, com base no critério fixado por esta alta responsável parlamentar, os próximos temas referendários:
- "o que se pretende não é fazer um apelo ao contrabando, mas sim, sabendo que ele existe, promover a sua realização em condições dignas";
- "o que se pretende não é fazer um apelo à imigração, mas sim, sabendo que a imigração ilegal existe, promover a sua realização em condições dignas";
- "o que se pretende não é fazer um apelo ao doping, mas sim, sabendo que a dopagem ilegal existe, promover a sua realização em condições dignas";
- "o que se pretende não é fazer um apelo à estética da magreza, mas sim, sabendo que a anorexia existe, promover a sua realização em condições dignas";
- "o que se pretende não é fazer um apelo ao tráfico de órgãos, mas sim, sabendo que o seu comércio ilegal existe, promover a sua realização em condições dignas".

[362] Antes que seja tarde demais...

A propósito disto e disto:
"Embora de forma áspera e cruel, JAS (de cuja escrita e "doutrina" não sou particular adepto) diz o essencial sobre os nossos tempos, na Europa e em Portugal: (quase) toda a legislação, regulamentação e promoção é negativa, destruidora, asfixiante!
Não se vive em serenidade, mas em stress; não se apela à compaixão, mas à competitividade; não se procura o bem, mas o mal menor; não se educa, "instrói-se"; não se combate a pobreza nem a solidão, antes se desertifica e exclui-se; não se cria riqueza, [consome-se]; não se poupa, gasta-se; não se valoriza a vida, facilita-se a morte..."
(Núncio, em comentário deixado aqui)

11 outubro 2006

[361] Palavras antes do tempo

"O projecto MIT-Portugal começou por ser um grande projecto. Recentemente passou a ser um projecto pequeno e de reduzido impacto. Infelizmente, mais do que nunca, Portugal precisa de grandes projectos, projectos ambiciosos. Projectos capazes de envolver os cidadãos e os diversos sectores da sociedade. Um fenómeno sintomático de um país em vias de crise em quando se fala sobretudo sobre o que o país foi no passado. Nao quero dizer com isto que se perca a nossa identidade. De forma alguma. Contudo, quando as memórias excedem os sonhos, é porque a sociedade não acredita em si, não acredita no futuro. Se excluírmos a passagem da ditadura à democracia, Portugal já nao arrisca há cerca de 500 anos. No caso do MIT-Portugal voltou a não fazê-lo, apesar de ter como parceiro a melhor escola do mundo de engenharia e de tecnologia.

Que Portugal e os portugueses têm inegável potencial e valor, não restam dúvidas. No entanto, queremos continuar a sustentar esta postura autoritária, paternalista, obsoleta, vigente no programa MIT-Portugal, ou queremos seguir em frente e ser o que potencialmente podemos ser? O futuro o dirá. Mas uma coisa é certa: se não formos nós portugueses a fazê-lo, ninguém o fará
."

07 outubro 2006

[360] Me engana que eu gosto...

(Luís M. Jorge, O franco-atirador, 4-10-2006: destaque nosso)
*
"Nossos" impostos? De quem? Dos construtores civis? Dos advogados? Dos futebolistas? Dos empresários? Dos banqueiros? Dos jornalistas "free-lancers"? Dos arquitectos?
Não. Ironicamente, dos funcionários públicos... Ou seja, a percentagem dos impostos que se destina a pagar os salários daqueles que contribuem esmagadoramente para esses impostos não é mais pequena porque muitos não-funcionários públicos não pagam aquilo que deveriam pagar e que faria com que o bolo fosse bem maior e, assim, já os salários dos infelizes funcionários públicos poderiam apenas corresponder a 40% dos impostos!
É a evasão fiscal, stupid!

[359] As palavras que te direi...

"Lula é um pouco um caudilho, com alguns traços mais do peronismo do que do chavismo." Para o ex-presidente, é justamente por ter esse perfil que o petista "não tem herdeiros" [políticos]. "Um caudilho acredita sempre que é único."
Falou também de Lula como um "símbolo", (...). "Lula é uma pessoa excepcional, que veio do nada. Mas é uma pena, porque está eliminando o simbolismo de sua figura. Lula nunca foi líder, mas sim um símbolo. É importante que um país tenha símbolos e inclusive mitos. Mas agora o Lula presidente está matando o Lula símbolo".
(Fernando Henrique Cardoso sobre Luís Inácio "Lula" da Silva, aqui)

30 setembro 2006

[358] Cidadania é isto!

Ex.mo Senhor Presidente da Câmara Municipal de Marco de Canaveses,

Joaquim Manuel Coutinho Ribeiro, eleitor n.º 6 da freguesia de Soalhães, vem expor e requerer a V. Ex.ª o seguinte:

1. Na reunião da Assembleia Municipal do passado dia 29, ouvi V. afirmar que, a partir desta semana, iria passar a dispor de um Audi A6.

2. E percebi, das suas palavras, que não se tratava de um acto de vaidade pessoal, mas uma forma de melhorar a imagem do município, pois que a viatura estaria ao serviço do município e não do seu presidente.

3. Reflectindo sobre o assunto, lembrei-me de que o Audi do município poderá
resolver-me um problema logístico que tenho em mãos.

4. No próximo dia 13, é o casamento da minha prima Ester (jovem médica) com o David (jovem médico).

5. Pediu-me a minha prima que a transportasse à Igreja, ao que eu anuí.

6. Lembrei-me, depois, que o meu carro só tem duas portas o que, convenhamos, não é muito operacional para o efeito, sobretudo para entradas e saídas, já que o vestido poderá ficar agarrado e eventualmente rasgar-se.

7. Foi desta forma que me lembrei que, sendo eu munícipe do Marco, e estando o Audi ao serviço do município, seria um acto da maior justiça que eu pudesse transportar a minha prima ao casamento no A6.

8. Ainda pensei que talvez pudesse requerer a utilização do jeep Toyota, mas temo que os convidados possam gozar a noiva por se deslocar em em tal veículo.

9. Opto, pois, pelo Audi, com a promessa de que o entregarei lavado e com o combustível reposto.

10. Dispenso o motorista.

Face ao exposto, requeiro a V. Ex.ª se digne emprestar o A6 para utilização deste modesto munícipe no próximo dia 13, durante todo o dia.

Pede deferimento,

Joaquim Manuel Coutinho Ribeiro
(recebido por correio electrónico)

24 setembro 2006

[357] Os sinais presidenciais

El País: Su regreso a la política pareció el de un salvador de la patria. ¿Añoraba el poder?
Cavaco Silva: No creo en salvadores. Las circunstancias mandan. Hoy estoy aquí sentado gracias a que antes estuve ahí [hace un vago gesto señalando su escritorio] como primer ministro, relacionándome con un presidente de la República que no era de mi partido [Soares]. Creo que eso fue enriquecedor para mí. Tenía una vida estupenda, nunca me hubiera presentado si no hubiera estado absolutamente convencido de que podía contribuir a situar a Portugal otra vez en la senda del crecimiento. Y sin querer volver a gobernar, ni a legislar, porque el presidente no gobierna ni legisla. Aunque, eso sí, tiene la fuerza que da haber sido elegido directamente por el pueblo.
(Aníbal Cavaco Silva, El País, 24-9-2006: sublinhado nosso)

23 setembro 2006

[356] Pintura do mundo: fully regret




Fully Regret I, II, e III (1990),
Roberto González-Fernández (n. Lugo - Espanha, 1948):

[355] Nostra culpa

João,
para qualquer Estado de Direito, ter tido Souto Moura como PGR teria sido um privilégio e uma garantia de isenção e seriedade. Em Portugal, foi um incómodo porque a malta gosta é dos majores, das fátimas pérons, do marocas e dos white-castles!
Francamente, nem sei como o PGR aguentou estoica e solitariamente o peso de tal missão até ao fim...
Entristece-me ver que, afinal, Portugal não tem elites porque, se as tivesse, não teriam permitido que o regime destruísse o PGR e, com ele, a possibilidade de regeneração da III República.
Assim, que venha o próximo, garante de que tudo voltará à mediocridade, perdão, normalidade...
(Núncio, comentário deixado aqui)

[354] As Cruzadas dos nossos tempos...

(Pacheco Pereira, O Abrupto, 22-9-2006)

17 setembro 2006

[353] Tudo bons rapazes...

Na sequência das transcrições de escutas telefónicas aos arguidos do processo judicial conhecido por "Apito Dourado" que alguma imprensa (DN, CM e Público) tem vindo, selectiva e estrategicamente, a divulgar, foi publicada uma, na sexta-feira 8/9/2006, que envolvia indirectamente João Ferreira, árbitro de futebol.
No dia seguinte, esse árbitro apitou o Boavista-Benfica e, ontem, o Sporting-Paços de Ferreira.
Estranhamente, foi indicado para apitar dois "Grandes" em jogos consecutivos, o que é raríssimo - e pode ser facilmente demonstrado.
Os dois jogos foram assinalados por ocorrências infelizes e anómalas (expulsões, golos irregulares, etc.)
Curiosamente, ambos os clubes lisboetas perderam...

[352] Memórias de uma professora titular

«O importante é chegar a professora titular.
Foi com este pensamento que tracei a rigor o meu destino, há tantos anos atrás. Filhos, tê-los-ei aos quarenta, antes nem pensar, pois quatro meses de licença de maternidade lançar-me-iam irremediavelmente no nível Regular, impedindo-me a tão desejada progressão na carreira.
E assim foi. Tudo me correu lindamente até ao décimo sétimo ano de leccionação. E ao longo desses anos aprendi a agradar a todos, aos alunos, aos pais e ao executivo da escola. Porque chegar a professora titular implicava uma escolha entre outros muitos candidatos, a quem tudo tinha corrido igualmente bem. Cheguei, inclusivamente, a ter alunos que passavam o fim-de-semana comigo e com a minha família. E eu até lhes passava as t-shirts a ferro e fazia trancinhas no cabelo das meninas. E um dia a televisão bateu-me à porta para fazer uma reportagem, assim inesperadamente. Era eu de avental a servir-lhes a sopinha, a dar-lhes conselhos e a fazer-lhes festinhas na cabeça. E o jornalista até me perguntou se também lhes cantava canções de embalar e eu disse-lhe logo que sim, que até lhes lia os "Versos de fazer ó-ó", do José Jorge Letria, e que, depois de adormecerem, aproveitava para lhes ir lendo o "Memorial do Convento". E expliquei-lhes que a leitura durante o sono era um método totalmente inovador em que tudo se apreende de forma suave e que assim não havia o trauma de o livro ser grande ou de os jovens não perceberem as palavras e terem de ir ao dicionário, que isso dá muito trabalho, coitadinhos!
Tudo me corria às mil maravilhas até ao dia em que uma apendicite aguda me levou à cirurgia. Oh, maldita apendicite! E voltei à escola ainda com os pontos fresquinhos, a pensar que só tinha dado cinco faltas. Mas enganara-me nas contas com a história da anestesia. Afinal eram seis as faltas, seis! E já não teria Bom na avaliação, somente um Regular. E já não passaria a professora titular. Foram mais seis anos de espera. Deixa, aos quarenta e seis ainda vou a tempo de ser mãe. É uma gravidez de risco mas isso que tem, se há já quem tenha os filhos aos cinquenta, aos sessenta e qualquer dia aos cem! Mas aos quarenta e cinco foi a hérnia discal. Oh, maldita hérnia discal!Ainda pensei em ir de cadeira de rodas ou se necessário fosse, de maca, mas o médico chamou-me louca e reteve-me dez longos dias no hospital.
E foi assim que somente aos cinquenta e dois cheguei a professora titular. Era tarde demais para ser mãe. Mas, meu Deus! Eu era professora titular! Fiquei tão radiante que até me lembrei de bordar em todos os lençóis de renda, em arabescos graciosos, "professora titular", "professora titular" em toalhas e em quadros de ponto cruz, "professora titular", " professora titular". E depois mandei gravar em todas as minhas canetas e no estojo dos lápis, "professora titular", "professora titular" e na porta do meu carro e no guarda-chuva e no guarda-sol porque, faça sol ou faça chuva, eu sou professora titular!
Agora que sou professora titular tenho, além das aulas, muitos e variados cargos que me dão tanto que fazer. Mas ainda vou arranjando um tempinho para ir aconselhando os novos e vou-lhes ensinando como se chega a titular e como é importante ir ao médico todas as semanas e levar todas as vacinas possíveis e imagináveis e como é totalmente recomendável andar com um triplo airbag no carro. E digo-lhes e repito-lhes: "professor prevenido vale por dois".
Mas, apesar de todos os meus conselhos e avisos, ainda há os que, desprezando-os, se vêem de repente em maus lençóis. Foi o caso de um brilhante ex-aluno meu, brilhante universitário, brilhante estagiário, brilhante professor que tendo passado com distinção o Exame de Estado e tendo obtido aprovação na entrevista, não conteve os seus impulsos mais genuínos e românticos durante o ano probatório, fruto da sua juventude e inexperiência, e não se cansou de defender o indefensável, a exigência, o rigor, a disciplina, criticando com excessivo entusiasmo o facilitismo reinante e não se cansou de duvidar e de contestar. E eu que lhe dizia: "Meu filho, tem tento na língua, como queres tu chegar a professor titular? Vá, aprende comigo e diz Ámen! Ámen!" Mas ele que não me ouviu. E deu-se o caso, vá lá saber-se porquê, de o jovem brilhante professor obter, no final do ano probatório, a infeliz classificação de 6,8 quando precisava apenas de 6,9 para integrar o quadro. E foi assim exonerado da profissão. E teve de arranjar logo umas tabuínhas para se ir juntar aos outros muitos professores, desempregados e exonerados, lá debaixo da ponte Vasco da Gama, porque ele me dizia que preferia a terra firme, senão tinha arranjado um botezinho como os outros fazem. E certa manhã ajudei-o a levar as tabuínhas e a construir a cabaninha debaixo da ponte. Era um dia brilhante, de cores perfeitas, em que o sol resplandecia sobre o rio azul e o sapal era verde marinho e gracioso, salpicado de aves pernaltas. Mas lá estavam as centenas de cabaninhas e os milhares de botes pacientemente amontoados. E ali tudo era cinzento e triste.
E foi nesse momento que caí em mim e vi a injustiça daquilo tudo. A minha luta para chegar a professora titular parecia-me agora absolutamente vazia e sem sentido. Eu deveria ter lutado sim, mas contra o "novo" estatuto da carreira docente de 2006! Por isso, como era urgente recuperar o atraso de trinta anos, transformei-me em gigante Adamastor e peguei nos milhares de professores e respectivas famílias que viviam nos botezinhos e nas cabaninhas e levei-os para o Ministério da Educação. Todo o edifício estremeceu à nossa chegada porque nós trazíamos uma tempestade de mil dias. Mas o "novo" estatuto depressa sucumbiu, de medo e de vergonha, porque muitas tinham sido as injustiças que criara. Adeus "novo" estatuto! Vai e não voltes nunca mais porque nós queremos mudança, mas não queremos injustiça!»
(Cristina Neves, professora de História, Faro: recebido por correio electrónico)

[351] Ironia dominical: a vida como ela é...

«À noite, a minha mulher e eu, sentados na sala, falávamos das coisas da vida. Abordávamos a temática de viver ou morrer "com dignidade". Na oportunidade, ocorreu-me dizer-lhe "nunca me deixes viver em estado vegetativo, dependendo de uma máquina e de uma garrafa de líquidos. Se me vires nesse estado, desliga as máquinas que me mantêm vivo"...
Ela levantou-se, desligou-me a televisão e despejou a cerveja fora.»
(recebido por correio electrónico, cortesia da leitora Cachopa)

14 setembro 2006

[350] Estadismo ou tacticismo?

«Nada disto teria acontecido se Sócrates tivesse uma visão estratégica das reformas que pretende fazer (ou de que só assumiu a necessidade depois de ter tomado posse como chefe do Governo) e não uma visão meramente táctica e instrumental da acção política que oscila em função das circunstâncias - e da qual já fez refém o seu próprio partido.
(...) era preciso que Sócrates tivesse a força de convicção e um genuíno sentido da necessidade de pactuar essas reformas para além de um horizonte de poder a curto/médio prazo, por considerá-las fundamentais para superar os bloqueios do País. Isso exigia, sobretudo, uma espessura de estadista com visão do futuro e não apenas empenhado em preservar, tão duradouramente quanto possível, a sua sobrevivência política.»
(Vicente Jorge Silva, DN, Opinião, 13-9-2006)

09 setembro 2006

[349] Pactos e factos

"Os diagnósticos estão feitos. O que os Portugueses esperam dos seus representantes, cada um com a sua própria responsabilidade, é acção, mais acção. (...)
Há seguramente domínios onde podem e devem ser procurados entendimentos alargados entre Governo e oposição e mesmo com organizações da nossa sociedade civil. É por tudo isto que me atrevo a deixar perante esta Câmara e perante os portugueses cinco grandes desafios (...).
(...)
O terceiro desafio é o da criação de condições para o reforço da credibilidade e eficiência do sistema de justiça.
(...)
A justiça constitui um valor superior da ordem jurídica, um fim irrenunciável do Estado e a primeira e última garantia dos direitos e liberdades das pessoas. Constitui responsabilidade inadiável das forças políticas, ouvindo os operadores judiciários, gerar os consensos indispensáveis para se poder assegurar o funcionamento de um sistema de justiça eficaz, caracterizado pela qualidade, pela certeza e pela responsabilidade das suas decisões.
É uma responsabilidade de todos contribuir activamente para que, em Portugal, tenhamos uma justiça que inspire a confiança dos cidadãos quanto à defesa dos seus direitos e interesses legalmente protegidos, que reprima as violações da legalidade e não seja obstáculo ao desenvolvimento equitativo do País.
O Presidente da República dará sempre o seu apoio às mudanças que se mostrem necessárias ao fortalecimento da legitimação democrática das instituições judiciárias, à garantia da sua independência, ao prestígio dos seus titulares e à eficácia da imprescindível função que a Constituição lhes atribui.
O quarto desafio diz respeito à sustentabilidade do sistema de segurança social. (...)"
*
O Presidente da República a cumprir, discreta e superiormente, a sua missão. Se dúvidas houvesse sobre a sua forte autoridade e "statesmanship"...
Segue-se a segurança social? Leia-se, a propósito, Paulo Gorjão.

20 agosto 2006

[347] Nota ético-jurídica: a fundamentação da decisão

A Escola Nacional de Magistratura do Brasil incluiu, na sexta-feira (30/6/2006), na sua base jurisprudencial, o despacho pouco comum do juiz Rafael Gonçalves de Paula, da 3.ª Vara Criminal da Comarca de Palmas, no Estado de Tocantins. O órgão considerou de bom senso a decisão do seu associado, mandando soltar Saul Rodrigues Rocha e Hagamenon Rodrigues Rocha, detidos sob a acusação de furtarem duas melancias.
DECISÃO
Trata-se de auto de prisão em flagrante de Saul Rodrigues Rocha e Hagamenon Rodrigues Rocha, que foram detidos em virtude do suposto furto de duas (2) melancias.
Instado a se manifestar, o Sr.Promotor de Justiça opinou pela manutenção dos indiciados na prisão.
Para conceder a liberdade aos indiciados, eu poderia invocar inúmeros fundamentos: os ensinamentos de Jesus Cristo, Buda e Ghandi, o Direito Natural, o princípio da insignificância ou bagatela, o princípio da intervenção mínima, os princípios do chamado direito alternativo, o furto famélico, a injustiça da prisão de um lavrador e de um auxiliar de serviços gerais em contraposição à liberdade dos engravatados e dos políticos do mensalão deste governo, que sonegam milhões dos cofres públicos, o risco de se colocar os indiciados na Universidade do Crime (o sistema penitenciário nacional)...
Poderia sustentar que duas melancias não enriquecem nem empobrecem ninguém.
Poderia aproveitar para fazer um discurso contra a situação econômica brasileira, que mantém 95% da população sobrevivendo com o mínimo necessário apesar da promessa deste presidente que muito fala, nada sabe e pouco faz.
Poderia brandir minha ira contra os neo-liberais, o consenso de Washington, a cartilha demagógica da esquerda, a utopia do socialismo, a colonização européia,....
Poderia dizer que George Bush joga bilhões de dólares em bombas na cabeça dos iraquianos, enquanto bilhões de seres humanos passam fome pela Terra - e aí, cadê a Justiça nesse mundo?
Poderia mesmo admitir minha mediocridade por não saber argumentar diante de tamanha obviedade.
Tantas são as possibilidades que ousarei agir em total desprezo às normas técnicas: não vou apontar nenhum desses fundamentos como razão de decidir.
Simplesmente mandarei soltar os indiciados.
Quem quiser que escolha o motivo.
Expeçam-se os alvarás. Intimem-se.

Rafael Gonçalves de Paula,
Juiz de Direito
*
(recebido por correio electrónico)

14 agosto 2006

[345] Religar as actividades sociais

"São três as actividades sociais superiores – a política, a religião e a arte. Em cada um destes ramos da actividade social superior há o processo de captação e o processo de subjugação.
Na política há a democracia, que é a política de captação, e a ditadura, que é a política de subjugação. É democrático todo o sistema que vive de agradar e de captar – seja a captação oligárquica ou plutocrática da democracia moderna, que, no fundo, não capta senão certas minorias, que incluem ou excluem a maioria autêntica; seja a captação mística e representativa da monarquia medieval, único sistema portanto verdadeiramente democrático, pois só a monarquia, pelo seu carácter essencialmente místico, pode captar as maiorias e os conjuntos, organicamente místicos na sua profunda vida mental. É ditatorial todo o sistema político que vive de subordinar e de subjugar – seja o despotismo artificial do tirano de força física, inorgânico e irrepresentativo, como nos impérios decadentes e nas ditaduras políticas; seja o despotismo natural do tirano de força mental, orgânico e representativo, enviado oculto, na ocasião da sua hora, dos destinos subconscientes de um povo.
Na religião há a metafísica, que é a religião de captação, porque tenta insinuar-se pelo raciocínio, e explicar ou provar é querer captar; e há a religião propriamente dita, que é o sistema de subjugação, porque subjuga pelo dogma improvado e pelo ritual inexplicável, agindo assim directa e superiormente sobre a confusão das almas."
(Álvaro de Campos, "Apontamentos para uma Estética Não-Aristotética", in Athena, n. 3 e 4, Lisboa, Dezembro de 1924 e Janeiro de 1925: destaques nossos)
*
Percebem porque andam ditadura e religião (nas suas diversas roupagens, mesmo ou sobretudo a "não-religião") historica e inevitavelmente de mãos dadas?
Parafraseando Eduardo Pitta, "os clássicos são isto"...

[344] Citações do mundo: democracia

"[E]ducation as the true foundation of democracy."
(Winston Churchill, 'the American' - 1871/1947, "A Traveller In Wartime", aqui)

[343] As palavras dos outros (4): florestas (queimadas) de enganos...

"Nós não temos uma democracia: temos um regime de regras formais que permitem a democracia."
(Mário Pinto, PÚBLICO, 14-08-2006)
*
Como permitirão outro regime qualquer, porque a forma nunca prejudica a substância... E não andamos longe dessoutro, paradoxalmente tão desejado por muitos "tugas"! Perdeu-se, no código genético, a audácia e a mundividência dos avós renascentistas... Resta a bandeira à janela e o cravo na lapela!

[342] A queima da dignidade nacional

(Paulo Gorjão, Bloguítica, "Por circunscrever", 12-8-2006)
*
Não fora a "boa imprensa" de que goza, pelo menos desde que foi ministro da Justiça (no Governo de António Guterres), António Costa seria hoje um governante muito "chamuscado" pelo fracasso total da estratégia de combate aos incêndios, que - de forma chocante - se tornaram banais em todos os verões (e não só) portugueses. E ainda nos dizem que a área ardida vem diminuindo muito de ano para ano... Pudera! Mas ainda há mais alguma floresta para queimar?
E.T. "Os velhos tiques", Rui Costa Pinto, Mais Actual.

13 agosto 2006

[341] As palavras dos outros (3): em dia de 80.º aniversário

"Não é normal é que Fidel Castro continue a ser celebrado, apesar do legado trágico dos seus 47 anos no poder."
(José Manuel Fernandes, PÚBLICO, 13-08-2006: sublinhado nosso)
*
Esta tragédia é filha da desonestidade intelectual daqueles para quem continua a haver ditaduras "boas" e ditaduras más... e foi ela que permitiu tal celebração de um regime tão opressor, tão centralizador, tão empobrecedor, em nome de uma suposta simpatia caridosa pela resistência do povo cubano. Qual resistência?

05 agosto 2006

[338] "De Septem Orbis Miraculis" (Philon de Bizâncio) ou "Ta Hepta Thaemata" (Antípatro de Sídon)

A ver e aprender - os sete sites:
- http://www.new7wonders.com/index.php?id=315&L=0
- http://www.hillmanwonders.com/
- http://ce.eng.usf.edu/pharos/wonders/index.html
- http://www.asce.org/history/seven_wonders.cfm
- http://www.wonderclub.com/AllWorldWonders.html
- http://www.cnn.com/TRAVEL/DESTINATIONS/9711/natural.wonders/
- http://www.misteriosantigos.com/as7.htm

[337] As sete maravilhas do mundo, segundo o historiador, o engenheiro e o filósofo

Eis três listas possíveis, consoante a época histórica, o modelo de construção ou o paradigma estético que se adopte.
Lista A (Antiguidade Clássica):
1. As pirâmides do Egipto;
2. Os jardins suspensos da Babilónia;
3. A estátua de Zeus;
4. O farol de Alexandria;
5. O mausuléu de Halicarnasso;
6. O templo de Artémis;
7. O colosso de Rodes.
Lista B (Idade Média e Moderna/Contemporânea):
1. A muralha da China;
2. A Capela Sistina/Basílica de S. Pedro;
3. A Acrópole de Atenas;
4. O Coliseu de Roma;
5. O Taj Mahal;
6. O Empire State Building;
7. O canal do Panamá.
Lista C:
1. Ver;
2. Ouvir;
3. Cheirar;
4. Tocar;
5. Sentir;
6. Pensar;
7. Amar.
Qual escolheria? Que outra lista faria?

[336] As palavras dos outros (2): o silêncio é de lata

(Paulo Gorjão, Bloguítica, "Leituras blogosféricas", 3-8-2006)

[335] Do outro lado do Atlântico, sem amor...

Excerto da carta de um leitor publicada no jornal "Zero Hora" (Rio Grande do Sul, Brasil) sobre o concurso público municipal para serviços gerais:
"Não pude inscrever-me para o concurso público municipal de serviços gerais, pois não tinha segundo grau. Pergunto se é ENGRAÇADO ou DESGRAÇADO o país em que se exige segundo grau para um varredor de rua e não se exige primeiro grau para ser presidente."
(cortesia do leitor Pan/fúncio)

04 agosto 2006

[334] Férias no divã: laranjas a peso

Temos uma balança com dois pratos e nove laranjas. Sabemos que oito delas têm o mesmo peso e que a nona laranja tem um peso diferente das restantes.
Apenas com duas pesagens, como poderemos saber qual é a laranja que não pesa o mesmo que as outras?
(sugerido pelo leitor gcobarros)

30 julho 2006

[333] Pintura do mundo: Lisboa antiga


Abel Manta (1888-1992), "Largo de Camões", 1964

[332] Poesia ao cair do crepúsculo

Amor é privilégio de maduros
estendidos na mais estreita cama,
que se torna a mais larga e mais relvosa,
roçando, em cada poro, o céu do corpo.
É isto, amor: o ganho não previsto,
o prêmio subterrâneo e coruscante,
leitura de relâmpago cifrado,
que, decifrado, nada mais existe
valendo a pena e o preço terrestre,
salvo o minuto de ouro no relógio
minúsculo, vibrando no crepúsculo.
Amor é o que se aprende no limite,
depois de se arquivar toda a ciência
herdada, ouvida. Amor começa tarde.
(Amor e seu tempo, Carlos Drummond de Andrade)

[331] Hora da charada, em dia de preguiça (2)

Que têm em comum um nobre e um livro?

[330] "Bocas" em domingo (ainda) sem futebol

Depois do "penta" tripeiro e da taça grega, o que irá construir o senhor engenheiro no Glorioso?

[329] Hora da charada, em dia de preguiça

Qual é a palavra que tem quatro sílabas e vinte e três letras?

[328] Duvidosa pronúncia presidencial

*
É, devo dizê-lo, um comunicado surpreendente.
Cavaco Silva tem sido um homem, ao longo de mais de 20 anos de carreira política ou cívica, pouco dado a dúvidas ou estados de alma. De convicções fortes, determinado, solitário, estudioso, organizado e metódico. Sempre que decidiu, não teve medo de errar. Cavaco decidiu, está decidido. Goste-se ou não.
Nesta questão (e já noutra anterior em que também insinuou não estar convencido), não esteve bem, nada bem. Como, acintosamente, lhe assinalou o visado, se tinha dúvidas, não assinava.
Estranho este novo 'roteiro pelas dúvidas'...
Se as considerações feitas sobre a (não) adesão política, pela promulgação, aos actos do Governo são correctas e pedagógicas, é inquietante notar que o Presidente não retira conclusões da sua própria tese. Ora, se - ao promulgar - não está necessariamente a aderir, não promulgando não está forçosamente a praticar um acto de censura (sobre a substância). Pode apenas traduzir uma discordância (exigentemente sempre fundamentada) da forma, do tempo, do modo da medida.
Promulgando ou vetando, o Presidente da República deve sempre fazê-lo ponderada, mas convictamente. Como, no caso, sempre nos habituara...
Em resumo, "Dê-me o benefício das suas convicções, se as tiver, mas guarde para si as dúvidas. Bastam-me as que tenho." (Johann Wolfgang von Goethe, 1749-1832)

23 julho 2006

[327] Despiste político

"O que esta semana se passou com a ministra da Educação deve servir de exemplo a todo o Governo: mesmo políticas bem intencionadas e, de uma forma geral, dirigidas na direcção correcta, podem sofrer rudes golpes quando não se escutam as críticas públicas e se desvaloriza toda e qualquer iniciativa da oposição."
(José Manuel Fernandes, Público online, 23-7-2006)

[326] Palavras de domingo: não protelarás

"TODOS OS ANOS, NESTA HORA DE ORAÇÃO, EU OBSERVO VOSSOS ROSTOS E VEJO ALGO DE INDEFINÍVEL NAS VOSSAS EXPRESSÕES. SEI LÁ, UM MISTO DE ALEGRIA E TRISTEZA, NÃO SEI SE TRISTEZA É A PALAVRA CERTA, TALVEZ APREENSÃO. ANTIGAMENTE, NÃO ENTENDIA O PORQUÊ. HOJE, UM POUCO MAIS VELHO, UM POUCO MAIS MADURO, UM POUCO MAIS VIVIDO, UM POUCO MAIS SENSÍVEL, ACHO QUE CONSIGO COMPRENDER.
A MATEMÁTICA DA VIDA NÃO É SIMPLES. CADA SOMA É TAMBÉM UMA SUBTRAÇÃO. QUANDO SOMAMOS MAIS UM ANO ÀQUELES QUE JÁ VIVEMOS, SUBTRAIMOS UM ANO DAQUELES QUE NOS RESTAM PARA VIVER. ENTÃO, A FELICIDADE DE ESTARMOS AQUI HOJE VEM ACOMPANHADA DA MELANCÓLICA PERCEPÇÃO DE QUE O TEMPO VOA E A VIDA PASSA. NESSA HORA DE ORAÇÃO, TALVEZ MAIS DO QUE EM QUALQUER OUTRA, SENTIMOS A URGÊNCIA DE VIVER.
TEDDY KOLLEK, O DINÂMICO PREFEITO DE JERUSALÉM, PROPÕE EM SUA AUTOBIOGRAFIA UM 11.º MANDAMENTO: "NÃO SERÁS PACIENTE".
À PRIMEIRA VISTA, TAL CONSELHO PARECE IR CONTRA UMAS DAS QUALIDADES MAIS VALORIZADAS PELA HUMANIDADE: ­ A PACIÊNCIA É UMA VIRTUDE. NO ENTANTO, AO REFLETIRMOS SOBRE AS PALAVRAS DE KOLLEK, PERCEBEMOS QUE ELA CONTÉM UMA GRANDE SABEDORIA. A IMPACIÊNCIA É NECESSÁRIA PARA REMEDIAR NOSSA TENDÊNCIA TÃO HUMANA DE PROTELAR. POIS A VERDADE É QUE, EM MUITAS ÁREAS VITAIS DE NOSSA EXISTÊNCIA, SOMOS PACIENTES DEMAIS. ESPERAMOS DEMAIS PARA FAZER O QUE PRECISA SER FEITO, NUM MUNDO QUE SÓ NOS DÁ UM DIA DE CADA VEZ, SEM GARANTIA DO AMANHÃ.
ENQUANTO LAMENTAMOS QUE A VIDA É CURTA, AGIMOS COMO SE TIVÉSSEMOS À NOSSA DISPOSIÇÃO UM STOCK INESGOTÁVEL DE TEMPO. ESPERAMOS DEMAIS PARA DIZER PALAVRAS DE PERDÃO QUE DEVEM SER DITAS, PARA PÔR DE LADO RANCORES QUE DEVEM SER EXPULSOS, PARA EXPRESSAR GRATIDÃO, PARA DAR ÂNIMO, PARA OFERECER CONSOLO.
ESPERAMOS DEMAIS PARA SER PAIS DOS NOSSOS FILHOS PEQUENOS, ESQUECENDO QUÃO CURTO É O TEMPO EM QUE ELES SÃO PEQUENOS, QUÃO DEPRESSA A VIDA OS FAZ CRESCER E IR EMBORA. ESPERAMOS DEMAIS PARA LER OS LIVROS, OUVIR AS MÚSICAS, VER OS QUADROS QUE ESTÃO ESPERANDO PARA ALARGAR NOSSA MENTE, ENRIQUECER NOSSO ESPÍRITO E EXPANDIR NOSSA ALMA. ESPERAMOS DEMAIS PARA ENUNCIAR AS PRECES QUE ESTÃO ESPERANDO PARA ATRAVESSAR NOSSOS LÁBIOS, PARA EXECUTAR AS TAREFAS QUE ESTÃO ESPERANDO PARA SEREM CUMPRIDAS, PARA DEMONSTRAR O AMOR QUE TALVEZ NÃO SEJA MAIS NECESSÁRIO AMANHÃ. ESPERAMOS DEMAIS NOS BASTIDORES, QUANDO A VIDA TEM UM PAPEL PARA DESEMPENHARMOS NO PALCO.
DEUS TAMBÉM ESTÁ ESPERANDO. ESPERANDO QUE NÓS PAREMOS DE ESPERAR. ESPERANDO QUE NÓS COMECEMOS A FAZER TUDO AQUILO PARA O QUAL ESTE DIA E ESTA VIDA NOS FORAM DADOS.
MEUS AMIGOS, É HORA DE VIVER!"
(Henry Isaac Sobel, n. em Lisboa, a 9 de Janeiro de 1944, filho de pais belgas e que se formou em Nova Iorque, é o rabino presidente da Congregação Israelita Paulista.)

16 julho 2006

[325] Falso carisma

" (...) se Marques Mendes tivesse um metro e oitenta e o olho azul toda a gente o acharia perfeito. Ainda há disto? Acreditem que sim, e em grandes doses. Quando se fala em "falta de carisma", não se fala no fundo de outra coisa".
(Vasco Pulido Valente, PÚBLICO, 16-7-2006)
*
Bill Clinton, Collor de Mello, Tony Blair, Dominique de Villepin, Pedro Santana Lopes e José Sócrates são apenas exemplos recentes, mas paradigmáticos, do que VPV nos relembra hoje. Não é por acaso que o voto feminino se tornou tão importante nas democracias ocidentais...
Teriam chegado onde chegaram sem esse "carisma"?

10 julho 2006

[324] Serviço público: o amor à cultura

«O "Portal Domínio Público", lançado em novembro de 2004 (com um acervo inicial de 500 obras), propõe o compartilhamento de conhecimentos de forma equânime, colocando à disposição de todos os usuários da rede mundial de computadores - Internet - uma biblioteca virtual que deverá se constituir em referência para professores, alunos, pesquisadores e para a população em geral.
Este portal constitui-se em um ambiente virtual que permite a coleta, a integração, a preservação e o compartilhamento de conhecimentos, sendo seu principal objetivo o de promover o amplo acesso às obras literárias, artísticas e científicas (na forma de textos, sons, imagens e vídeos), já em domínio público ou que tenham a sua divulgação devidamente autorizada, que constituem o patrimônio cultural brasileiro e universal.
Desta forma, também pretende contribuir para o desenvolvimento da educação e da cultura, assim como, possa aprimorar a construção da consciência social, da cidadania e da democracia no Brasil.
Adicionalmente, o "Portal Domínio Público", ao disponibilizar informações e conhecimentos de forma livre e gratuita, busca incentivar o aprendizado, a inovação e a cooperação entre os geradores de conteúdo e seus usuários, ao mesmo tempo em que também pretende induzir uma ampla discussão sobre as legislações relacionadas aos direitos autorais - de modo que a "preservação de certos direitos incentive outros usos" -, e haja uma adequação aos novos paradigmas de mudança tecnológica, da produção e do uso de conhecimentos.
TARSO GENRO, Ministro de Estado da Educação»
*
Excepcional exemplo de serviço público de cultura, com referências da língua portuguesa que extravazam o Brasil e até obras de outras línguas, em suporte variado: texto, imagem e som. A não perder e a divulgar abundantemente...
E.T. É devido um agradecimento ao leitor Reprobo pela indicação deste sítio.

09 julho 2006

[323] Citação dominical: saber viver

“Nothing shows up people so much as their attitude toward money.”, G. I. Gurdjieff ("Nada revela mais sobre as pessoas do que a sua atitude perante o dinheiro)
*
O pensador russo Gurdjieff (1877–1949), que, no início do século passado, já falava em auto-conhecimento e na importância de se saber viver, dizia: "Uma boa vida tem como base o sentido do que queremos para nós em cada momento e daquilo que realmente é o principal".
Assim, elaborou 20 regras de vida, mais tarde divulgadas pelo Instituto Francês de Ansiedade e Stress, em Paris. Quem consiga seguir 10 delas, aprendeu já a viver com qualidade interna.
1) Faça pausas de dez minutos a cada duas horas de trabalho, no máximo. Repita essas pausas na vida diária e pense em si, analisando as suas atitudes.
2) Aprenda a dizer não sem se sentir culpado ou achar que magoou alguém. Querer agradar a todos é um desgaste enorme.
3) Planeie o seu dia sim, mas deixe sempre espaço para o improviso, tendo consciência de que nem tudo depende de si.
4) Concentre-se apenas numa tarefa de cada vez. Por mais ágeis que sejam os seus quadros mentais, vai ficar extenuado.
5) Esqueça, de uma vez por todas, que é imprescindível. No trabalho, em casa, no grupo habitual. Por mais que isso lhe desagrade, tudo decorre sem a sua actuação, a não ser você mesmo.
6) Desista de ser o responsável pelo prazer de todos. Não é você a fonte de todos os desejos, o eterno mestre de cerimónias.
7) Peça ajuda sempre que necessário, tendo o bom senso de a pedir às pessoas certas.
8) Distinga problemas reais de problemas imaginários e elimine-os porque são pura perda de tempo e ocupam um espaço mental precioso para coisas mesmo importantes.
9) Tente descobrir o prazer de factos quotidianos como dormir, comer e tomar banho, sem também achar que é o máximo que vai conseguir na vida.
10) Evite envolver-se na ansiedade e tensão alheias enquanto fonte de ansiedade e tensão. Espere um pouco e depois retome o diálogo, a acção.
11) A família não é você, está junto de si, compõe o seu mundo, mas não é a sua identidade.
12) Entenda que princípios e convicções fechadas podem ser um grande peso, a trave do movimento e da busca.
13) É preciso ter sempre alguém em quem se possa confiar e com quem falar abertamente pelo menos num raio de cem quilómetros. De nada adiantará estar mais longe.
14) Saiba a hora exacta em que deve sair de cena, retirar-se do palco, deixar a roda. Nunca perca o sentido da importância subtil de uma saída discreta.
15) Não queira saber se falaram mal de si e nem se atormente com esse lixo mental; ouça apenas o que disseram de bem, com reserva analítica, sem qualquer convencimento.
16) Competir no lazer, no trabalho, na vida a dois, é óptimo ... para quem quiser ficar esgotado e perder o melhor!
17) A rigidez é boa na pedra, não no homem. A ele cabe-lhe firmeza, o que é muito diferente.
18) Uma hora de intenso prazer substitui com vantagem 3 horas de sono. O prazer recompõe mais que o sono. Logo, não perca nenhuma oportunidade de divertir-se.
19) Não abandone as suas 3 grandes e inabaláveis amigas: a intuição, a inocência e a fé!
20) E entenda de uma vez por todas, definitiva e conclusivamente: Você é o que fizer de si!

21 junho 2006

[320] Os blogues dos outros: estudos deste sítio

Para alguns, Portugal é mesmo só Lisboa. Desconhecia, até ler este texto, que o dia 13 de Junho era feriado nacional... Ou será que só há professores em Lisboa?
Por outro lado, presumir que os professores portugueses só aderirão a uma greve porque foi marcada para a véspera de um feriado (esse, sim, nacional) é, realmente, elogioso para todos aqueles que, todos os dias, cuidam da formação dos nossos filhos...
(Não, não sou professor!)
(comentário deixado pelo "blogger" Núncio aqui)

[319] Poesia do mundo: o chá arrefece e Portugal entardece...

(Nuno Júdice, "A Chávena de Chá", aqui)

19 junho 2006

[318] Notas e trocados

Leio aqui que o Prof. Marcelo, em época de exames, também andou a avaliar os ministros. E que JMF não terá gostado. Quanto ao da Agricultura, em concreto, porquê a admiração? Por sinal, 9 foi a nota que eu próprio, oh ousadia!, lhe dei aqui. Talvez a minha fundamentação seja melhorzita...

[317] A propósito do Simplex: legislar melhor

17 junho 2006

[316] Ser português e nascer e viver em Portugal

"O primeiro bebé de Elvas com parto marcado para Espanha nasceu hoje no Hospital da Universidade de Badajoz. É uma menina e nasceu depois do encerramento, na segunda-feira, do bloco de partos da cidade alentejana, informou a Junta da Estremadura espanhola. (...)
O Serviço da Extremadura de Saúde e a Rede de Assistência Sanitária do Alentejo assinaram acordos de cooperação para permitir às mulheres de Elvas terem os seus filhos em Badajoz, depois do encerramento da Maternidade Mariana Martins de Elvas."
(Público online, 17-6-2006, 13:37: sublinhado nosso)
*
"(...) ser Português é deixar de dizer mal da globalização, dos Alemães e dos Americanos e comprar produtos bons, repito bons e Nacionais. Sim, porque, se alimentarmos comerciantes mal-educados, e comprarmos produtos rascas, só estaremos a alimentar a mediocridade. Ser Português é elogiar o multibanco, o melhor clima do mundo que temos e proteger as magníficas árvores deste País. Ser Português é resolver problemas antes de procurar acusar alguém da sua irresponsabilidade. Ser Português é fazer Jogo do Pau em vez de Capoeira, ser Português é receber bem um cliente mesmo quando ele não compra nada e se não tivermos o produto que procura devemos indicar-lhe a concorrência com todo o entusiasmo. Ser Português é deixar de construir habitações em cima das dunas, ser Português é aprender com o Marquês de Pombal e organizar adequadamente o território. Ser Português é conhecer o hino Nacional, ser Português é votar em branco quando achamos que os políticos não dão resposta aos nossos problemas em vez de votar na oposição constantemente. Ser Português é pagar impostos, ser Português é dar um pouco de nós aos outros todos os dias. Ser Português é fazer algo que esteja ao nosso alcance para mudar aquilo que não está bem (ou seja, agir!)."
(Paulo Sena, comentário de 5-6-2006, a "Patriotismo", em Limiar, aos 29-5-2006)

03 junho 2006

[315] Late Saturday evening: porque fico em casa...

"Poderia começar-se pelo número de deputados. Belmiro de Azevedo defende uma estrutura em que Portugal teria um primeiro-ministro, dez ministros e cem deputados."
(DN, Tema, 3-6-2006)
*
Será que o tio Belmiro andou a ler o Divã (cfr. [7] "Small is beautiful", em 24-3-2005, e [204] "As limpezas da Primavera", de 26-3-2006)?

[314] Quanto menos importante, mais arrogante...

"3. Um pequenino apontamento pessoal: nas poucas vezes em que tentei ou tive de contactar um ministro português, na minha qualidade de cidadão relativamente anónimo, devo dizer que só após inúmeras tentativas é que -- em alguns casos -- consegui. Em Portugal um ministro é uma pessoa importante e -- por regra? -- não tem tempo para receber os plebeus.
Dito isto, embora não fosse australiano, não tive qualquer dificuldade em ser recebido por... Alexander Downer [Ministro dos Negócios Estrangeiros da Austrália], em Camberra, em finais de Novembro ou princípios de Dezembro 2002. Bastou um simples email a solicitar uma audiência, no âmbito da minha investigação, para conversarmos durante cerca de uma hora e meia sobre Timor-Leste."
(Paulo Gorjão, Bloguítica, 3-6-2006: sublinhado nosso)
*
Muito certeiro este "pequenino" (yet, most relevant) apontamento do Paulo Gorjão.
Enquanto cidadão (ainda) mais anónimo e, pior, indigno servidor do Estado, não só o subscrevo, como vos passo a relatar um episódio em que, involuntariamente, fui protagonista e que dá mais uma pincelada na história que o Paulo contou.
Aqui há uns anos, por dever profissional, tive que tratar pessoalmente de um assunto entre ministérios da Itália e de Portugal que o titular da pasta, por razões que não vêm ao caso, acompanhou particularmente. Fi-lo com o empenho e a discrição com que trataria de qualquer outro assunto, naturalmente, mas o problema, algo delicado, ficou resolvido.
Por uma daquelas curiosas coincidências, dias depois haveria de ser convidado para o Concerto de Reis que o dito Ministério organizou. Fui com uma amiga e, chegado ao adro da igreja (em cima da hora), deparei-me com a nata do sector, que - com honrosas excepções - me ignorou (o que, normalmente, até agradeço).
Educada e diligentemente, o Director-Geral chamou-me e apresentou-me ao titular da pasta, certamente com a intenção de que este conhecesse pessoalmente quem havia tratado do "assunto com Itália". Trocámos palavras de circunstância, embora amáveis, e preparámo-nos para entrar na igreja. Eis senão quando, para espanto meu, "tutti quanti" cercavam e bajulavam o Ministro decidem seguir o "exemplo" ministerial e vêm cumprimentar-me ou acenar-me, ordeira e delicadamente... sorrindo até para a pessoa que me acompanhava, que nada tinha a ver com o meio profissional em que eu estava/estou inserido.
O resto da noite correu muito bem, ao som do canto gregoriano...

31 maio 2006

[313] Silêncio e tanta gente...

«(..) "Por que permaneceste em silêncio, Senhor?", questiona Ratzinger. E o silêncio de Bento XVI, curvado perante o "terrível cortejo de sombras" de Auchwitz, significa meditar em como é possível continuar a crer depois "daquilo". Todavia, é ainda Ratzinger quem responde. "Sim, por detrás destas lápides encontra-se fechado o destino de um número incontável de seres humanos. Eles pertencem à nossa memória e estão no nosso coração. Não têm qualquer desejo que nos enchamos de ódio. Pelo contrário, eles revelam-nos o efeito terrível do ódio. Pretendem ajudar a nossa razão a encarar o mal enquanto tal e a rejeitá-lo. O seu desejo é que se instale em nós a coragem para fazer o bem e para resistir ao mal. Querem que vivamos os sentimentos expressos nas palavras que Sófocles colocou nos lábios de Antígona face ao horror que a cercava: "estou aqui não para que nos odiemos todos mas para que nos amemos". Nunca o silêncio falou tanto.»
(João Gonçalves, "Um silêncio que nos fala", in Portugal dos Pequeninos, 29-5-2006)
*
Nunca silencie, João. Estas palavras arrepiam o menos crente...

28 maio 2006

[312] Dúvidas filosóficas, perdão, científicas...

"LIBERALIZAÇÃO DAS FARMÁCIAS. O fim de um monopólio com décadas. Vai ser interessante observar a queda da procura dos cursos de Farmácia."
(Tiago Barbosa Ribeiro, Kontratempos, 27-5-2006)
*
O Neoliberalismo no seu melhor. Para que é que precisamos de farmacêuticos? E de juízes? E de médicos? E de professores? E de enfermeiros? E de ...
São todos uns maçadores, com reivindicações corporativas, que só complicam a actividade governativa, gastam dinheiro ao erário público, obrigam o Estado a criar cursos superiores, abrir concursos públicos de acesso à carreira...
E não se pode exterminá-los?

[311] As palavras dos outros: progressão ou nomeação?

"Jorge Miranda referiu ontem, no II Congresso dos Quadros da Administração Pública, que a politização dos seus quadros superiores, utilizada recorrentemente pelos Governos, tem prejudicado o bom funcionamento da administração pública. O constitucionalista criticou a possibilidade de serem os governos a escolher as pessoas para os cargos de topo, uma situação que devia acabar, devendo funcionar o princípio da carreira.
No congresso que versava sobre «Serviços Públicos - Reformar para Melhorar», Jorge Miranda também criticou a administração pública pelo facto desta também não cumprir muitas regras e normas constitucionais."
("Constitucionalista critica politização da função pública", in Expresso Online, 26-5-2006)

27 maio 2006

[310] Serviço público: cidadania apartidária

Um conjunto de cidadãos franceses, sem filiação partidária, juntaram-se num blogue para debater, de forma livre e ampla, as eleições presidenciais francesas que ocorrerão no próximo ano.
A ver, seguramente: http://www.levraidebat.com/

25 maio 2006

[309] Traços de cultura e de memória (II)

Decorreu nesta quinta-feira, dia 24, a sessão solene de entrega dos prémios relativos à 30.ª Edição do Prémio Nacional de Literatura Juvenil Ferreira de Castro, de que já havíamos dado conta anteriormente (v. [210] Late evening: traços de cultura e de memória, em 1-4-2006).
É devido um forte aplauso a todos aqueles, liderados pelo Prof. Vítor Amorim, que - com esforço, dedicação e amor à literatura, à cultura e à juventude - mantêm viçosos a APNLJFC e o PNLJFC.
As fotografias da cerimónia já podem ser apreciadas em http://www.prof2000.pt/users/lmop/apnljfc/home/home.html.

22 maio 2006

[308] Poesia à noite, para parecer dia: "o céu é aquela clareira"

"o céu é aquela clareira
onde deito os olhos com ténues
cambiantes de cor que quase
gasto nas mãos, e como. como
o céu e aguardo uma
digestão convulsa. enquanto
o aguaceiro seca na terra antes que o
possa beber e deus se
vinga de mim ditando
os versos que escondem
a água ao mundo. já as
fogueiras florindo em volta,
murchando o dia que me
persegue. uma intervenção
divina para me resistir"
(valter hugo mãe, "estou escondido na cor amarga do fim da tarde", 2000)

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