Terapia política. Introspecção psicossocial. Análise simbólica.
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09 agosto 2008

[661] O estado económico da Nação

«No seu cinquentenário (13 de Julho de 2008), nem todos se esqueceram da famosa Carta de D. António Ferreira Gomes a Salazar, que o bispo do Porto pagou com um exílio de dez anos. Nela, exigia-se a liberdade de pluralismo partidário e sindical e de greve. E lembrava-se "dois problemas fundamentais" em ordem à paz: 1. "Os frutos do trabalho comum devem ser divididos com equidade e justiça social entre os membros da comunidade"; 2. Os indivíduos e as classes "nunca estarão satisfeitos enquanto não experimentarem que são colaboradores efectivos, que têm a sua justa quota-parte na condução da vida colectiva, isto é, que são sujeito e não objecto da vida económica, social e política". O equilíbrio financeiro "é óptimo", mas "nunca deve deixar de estar ao serviço do Homem".»
(Pe. Anselmo Borges, "Apontamentos sobre religião e o estado da Nação", DN, 9-8-2008)

08 junho 2008

[602] Tempos de incerteza: a religião no laboratório

«Religion cries out for a biological explanation. It is a ubiquitous phenomenon—arguably one of the species markers of Homo sapiens—but a puzzling one. It has none of the obvious benefits of that other marker of humanity, language. Nevertheless, it consumes huge amounts of resources. Moreover, unlike language, it is the subject of violent disagreements.
Science has, however, made significant progress in understanding the biology of language, from where it is processed in the brain to exactly how it communicates meaning. Time, therefore, to put religion under the microscope as well.»
("The science of religion - Where angels no longer fear to tread", The Economist, 19-3-2008: cortesia do leitor Repobro)

08 abril 2007

[460] Easter Sunday evening: palavras soltas, mas firmes

"Não sou cristão e muito menos católico. Mas não deixa de ser triste a trivialidade em que se tornou a vida. A Páscoa, para algumas pessoas, dividia o ano. Agora é um pretexto para viajar."
(Vasco Pulido Valente, Público, 8-4-2007)
*
"Mata-se facilmente, põe-se, imprudentemente, a própria vida em perigo, a morte tornou-se um fenómeno clínico, a própria dor da morte se dilui em cerimónias fúnebres mais marcadas pelos hábitos culturais do que pela vivência da densidade da vida."
(D. José Policarpo, Cardeal-Patriarca, Público online, 8-4-2007)

14 agosto 2006

[345] Religar as actividades sociais

"São três as actividades sociais superiores – a política, a religião e a arte. Em cada um destes ramos da actividade social superior há o processo de captação e o processo de subjugação.
Na política há a democracia, que é a política de captação, e a ditadura, que é a política de subjugação. É democrático todo o sistema que vive de agradar e de captar – seja a captação oligárquica ou plutocrática da democracia moderna, que, no fundo, não capta senão certas minorias, que incluem ou excluem a maioria autêntica; seja a captação mística e representativa da monarquia medieval, único sistema portanto verdadeiramente democrático, pois só a monarquia, pelo seu carácter essencialmente místico, pode captar as maiorias e os conjuntos, organicamente místicos na sua profunda vida mental. É ditatorial todo o sistema político que vive de subordinar e de subjugar – seja o despotismo artificial do tirano de força física, inorgânico e irrepresentativo, como nos impérios decadentes e nas ditaduras políticas; seja o despotismo natural do tirano de força mental, orgânico e representativo, enviado oculto, na ocasião da sua hora, dos destinos subconscientes de um povo.
Na religião há a metafísica, que é a religião de captação, porque tenta insinuar-se pelo raciocínio, e explicar ou provar é querer captar; e há a religião propriamente dita, que é o sistema de subjugação, porque subjuga pelo dogma improvado e pelo ritual inexplicável, agindo assim directa e superiormente sobre a confusão das almas."
(Álvaro de Campos, "Apontamentos para uma Estética Não-Aristotética", in Athena, n. 3 e 4, Lisboa, Dezembro de 1924 e Janeiro de 1925: destaques nossos)
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Percebem porque andam ditadura e religião (nas suas diversas roupagens, mesmo ou sobretudo a "não-religião") historica e inevitavelmente de mãos dadas?
Parafraseando Eduardo Pitta, "os clássicos são isto"...

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