Terapia política. Introspecção psicossocial. Análise simbólica.
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04 janeiro 2014

[1418] Confusão de pessoas por pessoas

Conta-nos uma revista que a família de Marlise Munoz, grávida de 14 meses e que está em morte cerebral, luta - incluindo o marido, pai do bebé em gestação - pela não aplicação de uma lei do Estado norte-americano do Texas que não permite desligar a máquina de suporte de vida quando a paciente está grávida. O fundamento seria o cumprimento da alegada vontade de Marlise, expresso várias vezes em vida, de nunca ser ligada a essas máquinas.
 
Parece haver aqui uma inexplicável confusão, ainda mais inexplicável no caso do marido e futuro pai. O que os médicos estão inequivocamente a fazer é, para além de tentar salvar a vida da mãe (mas que, quem admita a legitimidade da vontade expressa por Marlise, pode ser dispensada), manter o bebé vivo até ao seu nascimento. E sobre essa vida a família não pode expressar qualquer vontade de a interromper. Ou pode?

04 março 2010

[1118] Momento intimista

Que dia horrível!
Esta manhã soube que um amigo, alemão, tentou suicidar-se pelo mesmo meio do malogrado Enke. Está em situação clínica crítica e deixa a mulher e os dois filhos perplexos e confusos.
Acabo de ler esta notícia do menino transmontano, episódio que considero muito grave, intolerável. Como é possível permitirmos que se desestruture, à nossa frente, a família, esta sociedade, um povo? A crueldade do "bullying", a indiferença de pais e professores, o desprezo político pela escola, a relatividade da vida...
A desregulação dos costumes e, ao mesmo tempo, a hiper-regulação procedimental do quotidiano é um paradoxo marcado pelo desprezo do indivíduo. Nada importa a não ser uma certa ideia de progresso que mais não é do que um cemitério de valores e afectos...

27 outubro 2009

[1053] As palavras dos outros (62): morrer preso pela liberdade dos outros

"A morte de cada homem diminui-me, porque eu faço parte da humanidade. Eis porque nunca pergunto por quem dobram os sinos: é por mim [e por ti]."
[John Donne (1572–1631), cit. por antonio, comentário a "Façam o que diz Vítor Dias: apliquem a mesma armadilha às “bonecas” do PS e PSD (e, porque não?, obriguem as “Jugulares” a responder a estas questões: não sabem uma!)", Carlos Vidal, 5 dias, 24-10-2009]

08 abril 2007

[460] Easter Sunday evening: palavras soltas, mas firmes

"Não sou cristão e muito menos católico. Mas não deixa de ser triste a trivialidade em que se tornou a vida. A Páscoa, para algumas pessoas, dividia o ano. Agora é um pretexto para viajar."
(Vasco Pulido Valente, Público, 8-4-2007)
*
"Mata-se facilmente, põe-se, imprudentemente, a própria vida em perigo, a morte tornou-se um fenómeno clínico, a própria dor da morte se dilui em cerimónias fúnebres mais marcadas pelos hábitos culturais do que pela vivência da densidade da vida."
(D. José Policarpo, Cardeal-Patriarca, Público online, 8-4-2007)

17 setembro 2006

[351] Ironia dominical: a vida como ela é...

«À noite, a minha mulher e eu, sentados na sala, falávamos das coisas da vida. Abordávamos a temática de viver ou morrer "com dignidade". Na oportunidade, ocorreu-me dizer-lhe "nunca me deixes viver em estado vegetativo, dependendo de uma máquina e de uma garrafa de líquidos. Se me vires nesse estado, desliga as máquinas que me mantêm vivo"...
Ela levantou-se, desligou-me a televisão e despejou a cerveja fora.»
(recebido por correio electrónico, cortesia da leitora Cachopa)

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