Terapia política. Introspecção psicossocial. Análise simbólica.
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05 abril 2012

[1386] Janela indiscreta (16): Amor a Portugal

Se os ex-Presidentes da República são verdadeiros patriotas e têm amor sincero ao país que serviram por que não abdicam das regalias que a lei lhes concede?
A um general na reserva, um ex-primeiro-ministro e um advogado reformado não basta o seu próprio património?
(a propósito de "Soares: Estado não lhe paga as multas", Sol, 5-4-2012)

04 janeiro 2011

[1323] Ó gente da minha terra!

Tratar o Chefe de Estado, chame-se ele Aníbal, Mário ou António, por manhoso (y otras cositas más) diz tudo sobre a auto-estima e o patriotismo de parte deste povo à beira-mar plantado.
É toda uma razão pela qual esta nação quase milenar se deprime década após década, pedindo desculpa por existir e envergonhando-se dos seus.
Paradoxalmente, chegámos onde os nossos avós bem previram: lá virão os tempos, meu filho, em que os homens sérios serão enxovalhados pelos desonestos!
(Núncio, comentário a "O contra-ataque manhoso de Cavaco Silva", Água Lisa, 4-1-2011)
*
É meu e vosso este fado

Destino que nos amarra
Por mais que seja negado
Às cordas de uma guitarra

Sempre que se ouve o gemido
De uma guitarra a cantar
Fica-se logo perdido
Com vontade de chorar

Ó gente da minha terra
Agora é que eu percebi
Esta tristeza que trago
Foi de vós que recebi

E pareceria ternura
Se eu me deixasse embalar
Era maior a amargura
Menos triste o meu cantar

Ó gente da minha terra
Agora é que eu percebi
Esta tristeza que trago
Foi de vós que recebi

(Amália, Mariza)

02 dezembro 2010

[1284] Notas avulsas sobre o papel do PR e sobre deontologia jornalística

1. O PR, em Portugal, tem os poderes que a Constituição lhe confere. Se a maioria do povo, através dos seus representantes, quiser reforçar os poderes presidenciais ou até alterar o sistema de governo (para Presidencialista) pode fazê-lo e tem agora uma boa oportunidade, estando aberto o processo de revisão constitucional.
2. Não sei se o actual PR "dá palpites" ou se tem "ideias brilhantes". Sei (...) que o órgão executivo é o Governo, que depende da AR, e que se os eleitores portugueses (...) tivessem querido mudar de Governo, deveriam ter demonstrado essa intenção nas urnas, há apenas um ano!
3. Estou muito cansado de ouvir e ler que "o PR deve fazer isto e aquilo" por parte de pessoas que, como eleitores e contribuintes, não fazem sequer o que lhes compete!
4. O PR, este ou outro, não precisa de conspirar para derrubar um governo. Demite-o, simplesmente. A Constituição Portuguesa prevê, claro, a demissão do governo. (...) [Basta lembrarmo-nos] dos casos em que houve mudança de governo sem ter havido dissolução da AR.
«Artigo 133º (Competência quanto a outros órgãos)
Compete ao Presidente da República, relativamente a outros órgãos:
(...)
g) Demitir o Governo, nos termos do n.º 2 do artigo 195.º, e exonerar o Primeiro-Ministro, nos termos do n.º 4 do artigo 186.º; (...)».
5. Quanto à [requentada] matéria das escutas, a mim interessa-me a questão ética e deontológica, porque - quanto à questão política ou tecnológica - não posso, honestamente, pronunciar-me, pois não tenho informação privilegiada nem sou perito informático. E como me interessa a questão ética, sei que o que foi publicado sobre o assunto pelo DN é "abaixo dos mínimos" aceitáveis, para ser educado. Releia[-se], apenas para começo, o que sobre isso foi escrito pela ERC e pelo Sindicato dos Jornalistas.
6. Sou muito sensível a esse assunto (liberdades, sobretudo de opinião). Daí o interesse ético e deontológico no papel do DN e do Público, mais do que nas próprias escutas, pois aí seremos [muitos] a especular sem dados seguros: eu não posso afirmar (duvido que alguém possa, para além de um círculo muito restrito de pessoas) se houve ou não escutas ao Presidente. Posso apenas afirmar que o tratamento jornalístico dado ao assunto foi indigno e já avaliado pela ERC e pelo SJ.
7. Num jornal de referência, não se violam princípios e regras éticas e deontológicas a troco de nada, muito menos durante uma campanha eleitoral, período democraticamente sensível. Abandone[m-se os] pré-conceitos e veja[-se], objectivamente, quem beneficiou com a divulgação desses e-mails obtidos ilicitamente (sim, porque as comunicações electrónicas também são protegidas pelas regras da privacidade).
8. Não está prevista, não sei se por lapso ou por convicção do legislador, a demissão de Conselheiros de Estado, mas sim a renúncia, que é um acto pessoal. Daí que o PR tenha tido necessidade de aguardar a iniciativa de [Dias] Loureiro. Mas há um indício da posição (bastante crítica) do PR: durante o período em que aguardou essa renúncia, não convocou nenhum[a reunião do] Conselho de Estado. Não podemos imputar a um agente a responsabilidade pelo comportamento de terceiros.
9. A mim, como não sou juiz nem procurador, interessam-me mais os erros políticos, que (...) têm sido muitos. Para um juízo democrático, basta isso.
(Núncio, idem)

30 novembro 2010

[1283] "É preciso ter topete!" (versão 2)

Acho curioso, para ser diplomático, que hoje (quase) todos se virem para o Presidente da República a implorarem para que actue quando tiveram a oportunidade, há um ano, de escutar a líder da Oposição e de nela confiar. Mas 71%, a maioria absoluta, preferiu ignorá-la e 36% preferiu mesmo a continuidade.
Temos o Governo que a maioria (relativa) quis e vêm agora pedir ao Presidente que faça o trabalho que os eleitores não fizeram?!
(Núncio, comentário a «Cavaco: Serei "ativo e dinâmico" mas "prudente" num segundo mandato», Expresso on line, 29-11-2010)

05 setembro 2010

[1227] As palavras dos outros (87): vigie, sr. PR!

«(...) quanto maior é o grau de controlo sobre o governo, maior é a qualidade do governo. O governo sente-se vigiado, faz um esforço para melhorar.»

29 maio 2010

[1168] As palavras dos outros (83): convicção ou prudência?

«Há momentos na vida de um País em que a ética da responsabilidade tem de ser colocada acima das convicções pessoais de cada um.»
*
«(...) podemos definir a prudência como virtude, hábito ou disposição cognoscitiva-volitiva que permite ao homem perceber no real as exigências morais concretas e decidir em conformidade, isto é, razoavelmente, determinando o exacto meio de todas as acções virtuosas. A prudência não é uma manifestação de acanhamento e de falta de coragem. Nas situações-limite, aquelas em que, no fundo, se joga o cerne da ética, até é mais fácil optar pelas respostas extremadas. Diversamente, a prudência, refreando as respostas impetuosas e as posições extremadas, pode constituir um verdadeiro exercício de ousadia e de coragem. Podemos, pois, falar na ousadia da prudência.»
(Horta Fernandes, "A Ousadia da Prudência – Ética e Deontologia na Justiça", aqui)

20 abril 2010

[1142] Faltou um golpe de asa...

O Presidente da República estava em Praga, a 540 km de Cracóvia, onde iria ser sepultado o Presidente polaco, vítima de trágico acidente, ao serviço da sua pátria. Devido às péssimas condições atmosféricas que têm afectado o tráfego aéreo, muito poucos Chefes de Estado puderam estar presentes no funeral de Estado.
Preferiu fazer cerca de 1700 km, de Praga até Barcelona (via Estrasburgo), a caminho de casa. Para cumprir a agenda doméstica.

18 abril 2009

[849] Óbvio, mas não axiológico

“O envolvimento num caso como este [BPN] justificaria dizer: bom, este caso é grave, não nos apercebemos da situação. Somos inocentes, mas não queremos embaraçar nem o Conselho de Estado, nem o Sr. Presidente da República, nem as instituições.”

21 março 2009

[821] Três anos depois

1 - Prezo muito os direitos e as liberdades, sobretudo de opinião e expressão. Mas também advogo que todo o exercício das liberdades, necessariamente subjectivo, deve ser responsável e ético. O que implica seriedade intelectual.
2 - Cavaco é mais do que um homem sério, é dos poucos Estadistas que a III República gerou. Os sinais do seu Estadismo estão à vista de todos, dado que - desde 1980 - podem ser democraticamente escrutinados. Apenas deixo dois: sai sempre dos cargos da forma como entrou, livre e limpo; não se lhe conhece qualquer aproveitamento financeiro ou profissional dos seus cargos.
3 - O "sábio equilíbrio de poderes" exige que, às vezes, o PR faça de Provedor de Justiça, de Procurador-Geral da República e de Presidente do Tribunal de Contas.
4 - O veto do PR é um dos exemplos desse equilíbrio e não me impressionam nada as resoluções da AR votadas por unanimidade. O discurso do PR, deste e dos antecessores, tem de ser, muitas vezes, o do professor que ensina os discípulos a pensar. É o mais alto magistrado da Nação.
5 - Em matéria de generalidades e banalidades, convido-o a reler os discursos do PM (não só deste), dos ministros, dos reguladores. E olhe que expressar o senso comum já não é pouco, porque muitos nem sequer isso têm... Até pessoas insuspeitas como Vicente Jorge Silva e Vasco Pulido Valente já reconheceram a qualidade dos discursos do PR.
6 - A costela de executivo ainda está lá. Mas nós não temos só uma costela...
(Núncio / Portugal Real, comentário a "Na cabeça de Cavaco", Expresso on line, 21-3-2009)

29 dezembro 2008

[737] Frente fria com trovoada

O novo Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores, ao contrário do que António José Teixeira acaba de insinuar, na SIC Notícias, com aquele jeito singelo e (só aparentemente) equidistante, é matéria da maior importância que justifica duas (ou mais) comunicações ao país. Mal estaríamos se o Presidente da República deixasse as questões complexas, políticas e constitucionais, para a opacidade dos gabinetes e só trouxesse simplicidades e amenidades para as mensagens públicas.
Ricardo Costa, ao contrário, foi mais clarividente e imparcial na SIC. Curiosamente, a mesma estação; dois comentários concorrenciais e quase antagónicos.
Trovoada no continente provocada pelos ventos dos Açores. Haverá sismo político? E qual o epicentro?
*
Post scriptum:
Não se trata de matéria opinativa. A Assembleia da República não é um órgão consultivo, que dá opiniões ou pareceres. Ali se elaboram, ou deveriam elaborar, leis boas e justas. Conhece algum constitucionalista reputado que defenda que as duas normas em causa não ferem a CRP? Até Vital Moreira, do PS, já disse tudo sobre o assunto!
(Núncio, comentário a "A opinião dos outros", Homem ao Mar, 30-12-2008)

05 agosto 2008

[659] Silly opinion-making

Que o Verão seja a "silly season" é inevitável, olhando para o calendário e a necessidade de retemperar forças fisicas e intelectuais, já tão diminuídas por natureza nalguns casos.
Que a maior parte dos comentadores seja "silly" já não me parece tão natural, mas deve ser da poluição das praias... É que é absolutamente "silly" aproveitar a (desajeitada) forma para atacar uma comunicação da maior importância para o regime político-constitucional.
Se o PR tivesse vindo falar das últimas contratações do Glorioso teria tido certamente mais aplausos!
(Núncio, comentário a "Pois, mas isso acha toda a gente!", Câmara de Comuns)

28 janeiro 2007

[420] Citação dos outros: Raínha de Inglaterra, eu?!

(Ramalho Eanes, sobre a deteriorização das relações entre o Presidente da República e o Primeiro-Ministro de então)
*
Anos mais tarde, quando assumiu a Presidência da República, teve oportunidade, sobretudo no segundo mandato, de demonstrar que ser símbolo institucional e ter função protocolar é para os outros...

24 setembro 2006

[357] Os sinais presidenciais

El País: Su regreso a la política pareció el de un salvador de la patria. ¿Añoraba el poder?
Cavaco Silva: No creo en salvadores. Las circunstancias mandan. Hoy estoy aquí sentado gracias a que antes estuve ahí [hace un vago gesto señalando su escritorio] como primer ministro, relacionándome con un presidente de la República que no era de mi partido [Soares]. Creo que eso fue enriquecedor para mí. Tenía una vida estupenda, nunca me hubiera presentado si no hubiera estado absolutamente convencido de que podía contribuir a situar a Portugal otra vez en la senda del crecimiento. Y sin querer volver a gobernar, ni a legislar, porque el presidente no gobierna ni legisla. Aunque, eso sí, tiene la fuerza que da haber sido elegido directamente por el pueblo.
(Aníbal Cavaco Silva, El País, 24-9-2006: sublinhado nosso)

09 setembro 2006

[349] Pactos e factos

"Os diagnósticos estão feitos. O que os Portugueses esperam dos seus representantes, cada um com a sua própria responsabilidade, é acção, mais acção. (...)
Há seguramente domínios onde podem e devem ser procurados entendimentos alargados entre Governo e oposição e mesmo com organizações da nossa sociedade civil. É por tudo isto que me atrevo a deixar perante esta Câmara e perante os portugueses cinco grandes desafios (...).
(...)
O terceiro desafio é o da criação de condições para o reforço da credibilidade e eficiência do sistema de justiça.
(...)
A justiça constitui um valor superior da ordem jurídica, um fim irrenunciável do Estado e a primeira e última garantia dos direitos e liberdades das pessoas. Constitui responsabilidade inadiável das forças políticas, ouvindo os operadores judiciários, gerar os consensos indispensáveis para se poder assegurar o funcionamento de um sistema de justiça eficaz, caracterizado pela qualidade, pela certeza e pela responsabilidade das suas decisões.
É uma responsabilidade de todos contribuir activamente para que, em Portugal, tenhamos uma justiça que inspire a confiança dos cidadãos quanto à defesa dos seus direitos e interesses legalmente protegidos, que reprima as violações da legalidade e não seja obstáculo ao desenvolvimento equitativo do País.
O Presidente da República dará sempre o seu apoio às mudanças que se mostrem necessárias ao fortalecimento da legitimação democrática das instituições judiciárias, à garantia da sua independência, ao prestígio dos seus titulares e à eficácia da imprescindível função que a Constituição lhes atribui.
O quarto desafio diz respeito à sustentabilidade do sistema de segurança social. (...)"
*
O Presidente da República a cumprir, discreta e superiormente, a sua missão. Se dúvidas houvesse sobre a sua forte autoridade e "statesmanship"...
Segue-se a segurança social? Leia-se, a propósito, Paulo Gorjão.

01 maio 2006

[263] Lince ibérico

«Mientras España lleva meses sacudida por los debates sobre los estatutos de autonomía o si el Estado se desmembra y se "rompe" como nación, el ministro de Obras Públicas, Transportes y Comunicaciones de Portugal se confesó ayer en Santiago profundamente "iberista", convencido de que España y Portugal tienen por delante un futuro en común porque su historia es también común y su lengua, similar. (...)
"Soy iberista confeso. Tenemos una historia común, una lengua común y una lengua común. Hay unidad histórica y cultural e Iberia es una realidad que persigue tanto el Gobierno español como el portugués (...)", comentó el ministro.
(edição online do "Faro de Vigo", diário galego, de 1-5-2006, relatando a participação de Mário Lino na conferência "El papel de las infraestructuras en el desarrollo del Noroeste Peninsular", em Santiago de Compostela)
*
Nem sequer vou dar-me ao trabalho de qualificar estas declarações de um ministro do governo de Portugal. Já outros merecidamente o fizeram (cfr., por todos, http://doportugalprofundo.blogspot.com/2006/05/contradies-espanholas-e-traio.html). Vou mais além e já me pergunto: em Belém, onde mora o guardião da Constituição da República Portuguesa, vai guardar-se silêncio sobre esta patética declaração?

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