Terapia política. Introspecção psicossocial. Análise simbólica.
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10 dezembro 2010

[1292] Diz-me o que procuras, dir-te-ei quem és

Desporto: 1.futebol; 2.benfica; 3.liga; 4.mundial; 5.sporting; 6.windguru; 7.fifa; 8.soccer; 9.decathlon; 10.abola.
Notícias mais procuradas: 1.portugal; 2.gnr; 3.polícia judiciária; 4.educação; 5.escola; 6.apito dourado; 7.justiça; 8.pedro passos coelho; 9.desemprego; 10.pec.

31 outubro 2010

[1264] A militância cega, surda e muda

«(...) o bruxo Medina Carreira tinha de andar mais 20 anos a dizer aquilo que não fez quando foi Ministro das Finanças.»
(Luís Novaes Tito, "Podia Portugal sobreviver sem esta gente?", A Barbearia do Senhor Luís, 29-10-2010)
*
A alfinetada em Medina Carreira é duplamente injusta.
Em primeiro lugar, ser ministro em 1975, saídos de um modelo político e económico totalmente diferente, não tem comparação possível com o ser ministro em 2005. E, além do mais, estamos a falar de 30 (!) anos. Só o factor tempo torna tudo incomparável.
Em segundo lugar, Medina Carreira, pela sua colocação histórica e ideológica, revela [nas] suas intervenções uma coragem que, hoje, poucos militantes ou adeptos socialistas assumem: é a de, para bem do partido a que pertencem e do amor a Portugal que deverão [sentir], correr com quem está a destruir a matriz desse partido e a causar danos profundos ao nosso país.
(Núncio, idem)

05 fevereiro 2010

[1090] Manel, o serventuário

Muito fácil de resolver: Manuel Salgado não concorria [em 2007] à vereação da Câmara onde tinha vários projectos pendentes de aprovação ou em execução!
O problema é esse mesmo: achamos que é normal, que podemos concorrer a tudo, ocupar vários lugares, defender todos os interesses, que nunca estamos impedidos, que as acumulações são aceitáveis, que ninguém está obrigado a explicar nada…
Tudo bons rapazes, afinal! “E o ruim sou eu!”
(Núncio, comentário a "Enfim, o legado", vida breve, 29-1-2010)

10 outubro 2009

[1033] Todos bons rapazes

Está a referir-se certamente a Itália, onde nem os primeiros-ministros donos de um império mediático escapam à Justiça…
Ou talvez ao Reino Unido, onde os ministros se demitem, sem ninguém lhes pedir, por os seus cônjuges terem incluído a compra de filmes pornográficos nas despesas de representação da mulher…
Ou aos EUA, onde os jornais pedem desculpa, em editorial, sempre que publicaram inverdades ou calúnias (para além de indemnizarem generosamente os visados).
Ou ao Brasil, onde todos sabem que o seu vizinho é pedreiro-livre (à porta está o compasso e o esquadro, brilhantes, a melhor das declarações de interesse do cidadão).
Em Portugal, não há declarações de interesse de políticos, jornalistas, sindicalistas, empresários, gestores públicos. Nenhum é da Maçonaria, do Opus Dei, do Bilderberg, dos Illuminati, da Carbonária, do LGBT. Nada. Todos livres e independentes. Todos bons rapazes…

23 agosto 2009

[949] Dúvidas existenciais

«Coligação para quê e para servir quem?»
(Jerónimo de Sousa, comício em Agualva/Cacém, 23-8-2009)
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«Um governo de coligação é benéfico, no sentido em que se cria uma maior dinâmica de diálogo e participação. Mas o importante é que tem de haver um acordo entre as principais forças políticas para que se tomem as medidas difíceis que têm de ser tomadas. Se não houver esse acordo, os partidos que estiverem no poder não tomam medidas duras com medo de se queimarem eleitoralmente. Se essas medidas forem tomadas por consensos, todos se responsabilizam.
(...) Não faz diferença se é Bloco Central ou aliança com os pequenos partidos. Quanto mais forças políticas participarem, mais se pode mobilizar o país para que um governo possa governar a sério.»
(D. Duarte de Bragança, "Corre-se o risco de uma ditadura tomar o poder", i, 22-8-2009)

29 janeiro 2009

[769] As palavras dos outros (32): não há intimidades grátis

"Desconfiem sempre de políticos demasiado íntimos de jornalistas, de promotores imobiliários demasiado íntimos de autarcas e de outros decisores, de agentes económicos demasiado íntimos dos respectivos reguladores. Todos frequentemente escondem um intento pessoal e pouco saudável. Todos, seguindo o princípio de Madoff, vivem onde menos se vê. No meio."
(Pedro Lomba, "A arte de enganar todos", DN, 29-1-2009)

23 outubro 2006

[370] Lendo os outros: auto-censura?

«(...) há uma razão muito simples, que ninguém quer admitir, e que tem a ver com a permanência nos valores mentais, nos hábitos da nossa democracia, dos quadros do Portugal de Salazar. Valores como o "respeitinho", a hipocrisia pública, a retórica antipolítica, a tentação de considerar que o suprapartidário é bom, a obsessão pelo "consenso", o medo da controvérsia, a cunha e a clientela, mesmo a corrupção pequena, a falta de espírito crítico desde as artes e letras até à imprensa e Igreja, tudo vem do quadro do salazarismo e reprodu-lo. O medo do conflito, essa tenebrosa herança de 48 anos de censura, permanece embrenhado na vida política da democracia e isso dá vida à nostalgia da pasmaceira vigiada de Salazar.
(...) O que me interessa é recensear que atitudes, nostalgias, hábitos, costumes, práticas, que ninguém associa a Salazar, mas vêm directamente dele e do Estado Novo, continuam vivos, adoecendo a nossa democracia. Isso sim, é importante.»
(J. Pacheco Pereira, Abrupto, "Porque razão a Democracia tem medo de Salazar, versão 2.0": o destaque é nosso)
*
Dificilmente haverá melhor exemplo desta vigilância provinciana e castradora do que aquela a que a "imprensa livre e democrática" se auto-submete, todos os dias, em todos os meios.
A liberdade e a democracia têm, quanto à imprensa nacional, um sentido meramente formal, senão mesmo caricatural.
Quase toda ela é administrada pela Sonae, pela Lusomundo e pelos grupos económico-financeiros afins (os quais, pela natureza das coisas, não podem ter uma visão desinteressada e distante dos factos e das notícias, como ainda recentemente se tornou embaraçosamente evidente a propósito das férias judiciais, da restruturação da Administração Pública e da greve dos professores).
A que não é detida por tais empresas privadas, é indirectamente controlada pela maior empresa privada do país, com sede ali na Gomes Teixeira (e isso o anteprojecto de proposta de lei sobre limites à concentração da titularidade nas empresas de comunicação social, em discussão pública até ao fim do mês, não vai resolver, nem pretende...)
Por outro lado, a maior parte dos editoriais (escritos por e para minorias influentes) e artigos de opinião (de forte pendor encomiástico) tem, sob a capa da isenção e objectividade, uma indisfarçável adesão a preconceitos político-partidários (contem-se os deputados, ex-ministros, autarcas e "agentes" culturais, entre outros, que engrossam as listas de comentadores e analistas, até de futebol!), o que seria aceitável se houvesse uma inequívoca declaração prévia de interesses... Onde está ela? Viram-na?
(continua oportunamente)

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