Terapia política. Introspecção psicossocial. Análise simbólica.

14 março 2009

[815] Todos pobres, mas todos diferentes

«Não, não é tudo igual [na classe política]. Isso é o que querem fazer crer aqueles que preferem que tudo fique na mesma.
E que ninguém se esqueça! Numa eleição legislativa, avalia-se a qualidade da legislatura, do Parlamento e do Executivo. O poder nunca fica vazio.
Outra falácia é que "não há alternativa". Isso é na Coreia do Norte, em Cuba, na Líbia, na Birmânia. Em Portugal, por muito deprimente que seja a classe política, há sempre alternativa e nada seria pior do que não haver alternância por causa do medo. O medo corrói a alma.»
(Núncio / Portugal Real, comentário a «Crise: Ferreira Leite fala de Governo "incompetente e desnorteado"», Expresso on line, 14-3-2009)

11 março 2009

[814] Contas e contos

Investimento público? É de facto uma das soluções [para a crise].
Mas o que é investimento público? Investir é "aplicar fundos destinados à obtenção de um determinado rendimento ou de um lucro" (http://www.priberam.pt/). Logo, tem de haver:
i) fundos disponíveis (e Portugal está seriamente endividado) e
ii) rendimento estimado.
Qual a capacidade de investimento nacional em projectos caríssimos como o TGV? E qual o rendimento que esse "investimento" dará aos cofres do Estado?
Fala-se muito de generalidades feitas pela propaganda oficial, sem qualquer fundamentação. Portugal tornou-se num esquizofrénico jogo "Benfica-Sporting", em que muitos ralham e poucos têm razão.
(Núncio / Portugal Real, comentário a "A importância da cimeira", Ponto sem Nó, Expresso on line, 10-3-2009)

09 março 2009

[813] As palavras dos outros (39): nada tens, nada vales

«Na classificação dos valores, a moral, o belo, a verdade e a dignidade não estão à cabeça.»
(António Barreto, Público on line, 8-3-2009)

08 março 2009

[812] Portugal é mais do que futebol (33): correr pela glória

[811] Perplexidades de género no Dia Internacional da Mulher

Os panegíricos e os louvores não bastam para dignificar as mulheres que estão na política. As competentes e sérias, que também as há sem o serem, precisam de mais do que palavras. Precisam de actos.
Maria de Lurdes Pintassilgo (Presidência da República), Maria José Nogueira Pinto (presidência do CDS/PP) e, agora, Manuela Ferreira Leite (chefia do Governo) são exemplos de mulheres com valor, de famílias políticas diferentes, que foram (ou irão) a votos, em tempos e circunstâncias diversas, e não obtiveram (não têm obtido) o apoio democrático necessário.
Porque será?

07 março 2009

[810] Correcção ortográfica: o sofetuere paresse que não funsiona

Não consegue alcançar que isto ["software" dos computadores "Magalhães" repletos de erros de Português] não é uma questão tecnológica? O problema é a falta de competência de uma equipa governativa que quer fazer em quatro anos o que não se fez em 30 e que desenvolveu toda uma política com um pressuposto errado e perigoso: o da escola a tempo inteiro.
Anda a Europa e o Mundo a lutar, desde a revolução industrial, para a redução dos horários de trabalho, para a compatibilização da vida profissional com a vida social e pessoal, para o aumento da qualidade de vida e bem-estar e, em 2009 d. C., vem alguém defender "a escola a tempo inteiro"?! A escola é um depósito de putos ou um centro de aprendizagem e cultura? Os professores são docentes ou animadores sócio-culturais ou, pior, damas de companhia?
Ao contrário, a política tem de criar condições para libertar o pai e/ou mãe de horários profissionais tão sobrecarregados, para levar as creches, os refeitórios e a medicina do trabalho até aos locais de trabalho. E dar tempo de convívio à família, aos amigos, às pessoas!
(Núncio / Portugal Real, comentário a "A primeira página do Expresso", Expresso on line, 7-3-2009)

04 março 2009

03 março 2009

01 março 2009

[806] Late evening meditation: políticos profissionais?

"Amadores construíram a Arca de Noé e profissionais construíram o Titanic."
(autor desconhecido)

[805] As palavras dos outros (36): faz o que ele diz, não faças o que ele faz

«Quero recordar-lhe, Senhor Primeiro-Ministro, que nós somos o país da União Europeia, o segundo pior país da União Europeia em termos de confiança. Esta é que é a realidade da nossa economia... que nenhuma central de comunicação poderá disfarçar ou mascarar.
«Peço-lhe, Senhor Primeiro-Ministro, que resista à tentação do controle da comunicação social. Não vá por aí porque nós cá estaremos para evitar essas tentações.»
(José Sócrates, deputado do PS, dirigindo-se a Santana Lopes, primeiro-ministro, numa sessão plenária da A.R., em Setembro de 2004)

[804] Serviço público (18): uma praça digna da Europa?

28 fevereiro 2009

[803] Portugal é mais do que futebol (32)

[802] Portugal é mais do que futebol (31)

[801] Não sou eu que o digo...

«(...) é grande a responsabilidade dos chefes de Estado e de governo quando, no próximo domingo, se sentarem em Bruxelas na sessão extraordinária do Conselho Europeu convocada para responder aos efeitos da crise global. Uma eventual falta de acordo na sede própria acabaria por legitimar a lógica do "cada um por si" ou dos pequenos grupos sectoriais, enfraquecendo não apenas o papel político, mas também os efeito da acção conjunta dos Estados neste momento crítico da nossa vida colectiva.»
(António Vitorino, "Última oportunidade", DN, 27-2-2009)

27 fevereiro 2009

[800] A minha consagração é tudo!

Nenhuma cimeira de Chefes de Estado e de Governo da União Europeia deveria ser "irrelevante". Se o é, trata-se de má gestão política e financeira, porque as cimeiras têm custos de vária ordem. Se não é irrelevante, como se espera, a delegação portuguesa deve ser presidida pelo Chefe do Governo, uma vez que os assuntos de Estado primam sobre os assuntos partidários, naturalmente.
Aliás, acho intrigante que, ao fim de quatro anos de cimeiras com a presença de JS, seja logo a deste fim-de-semana que é considerada "irrelevante" (o que também não é nada abonatório para o MNE que, por jeitos, só tem capacidade para nos representar em cimeiras "irrelevantes").

26 fevereiro 2009

[799] Boas ideias, boas políticas

(...) é isso que quero deixar aqui para reflexão. As ideias não são boas ou más porque são da doutora x ou do engenheiro y. São boas ou más em si mesmas. Basta.
Por outro lado, temos de habituar-nos a discutir POLÍTICA. Larguem a bola e o sexo! Leiam ensaios políticos e filosóficos. Discutam, de preferência com quem tem ideias diferentes das vossas. Da antítese sai a síntese! Rejeitem o consenso, os preconceitos, a imagem.
(Núncio / Portugal Real, comentário a "Pequenas e médias empresas", Expresso on line, 24-2-2009)

25 fevereiro 2009

[798] Dê-me um martelo e eu faço justiça!

«Segundo dados publicados este mês pela Organização para a Cooperação e para o Desenvolvimento Económico (OCDE), Portugal era, em 2007, dos países da zona euro onde existiam mais processos de cobrança coerciva de impostos, ou seja, dos países onde menos contribuintes pagavam os seus impostos dentro dos prazos legais.
«Os números da OCDE mostravam mesmo que cada português registado fiscalmente tinha, em média, quase 38 processos de execução fiscal e que a dívida cobrada por esta via pelo fisco representava 37,6 por cento da sua cobrança normal. Apesar de a OCDE não ter obtido valores para países como Espanha, Grécia ou Itália, nos dados existentes, Portugal só é ultrapassado pela Eslovénia, em relação ao número de processos por contribuinte, e pela Eslováquia, no que se refere à percentagem de receitas fiscais obtidas através de cobrança coerciva.»
*
Se o cidadão "tuga", eleitor e contribuinte, se comporta assim como não haveria de votar nos "chicos-espertos" que o representam? Ataca quem o defende (juízes) e aplaude quem diminui a independência e a autoridade das magistraturas.
Cada povo tem os governantes que merece...

[797] Serviço público (17): salvem a Fábrica Bordalo Pinheiro

[796] No primeiro dia da quaresma

Que testemunho comovente, sem ser lamechas ["Dos olhos e da alma"]!
Mais do que políticos, atletas, cientistas (muitas vezes brilhantes, mas sentados na sua confortável cadeira Philippe Starck ou calçados nos seus hipersónicos Nike Zoom Structure Triax), admiro imenso professores, assistentes sociais, voluntários, médicos, enfermeiros. Sobretudo estes. E sinto-me tão pequeno e ridículo quando comparo o que eles e eu fazemos pelo bem-estar do mundo...

24 fevereiro 2009

[795] Mesmo no Carnaval, é para levar a mal!

Se, em vez de distribuirem computadores para idiotas, distribuíssem enciclopédias, livros de arte, ensaios filosóficos, colecções de música clássica teriam muito mais resultados educativos... e sem martelar as estatísticas!
Curiosamente, Courbet [autor do quadro reproduzido na capa de um livro apreendido numa feira pela PSP de Braga] era anarquista. Também anda por aí uma pseudo-socióloga que diz que o é. Quelle diférence!
(Núncio / Portugal Real, comentário a «PSP apreende livros por considerar capas "pornográficas"», Expresso online, 23-2-2009)

[794] Pintura do mundo: homenagem a todos aqueles que não se vergam!


A origem do mundo (Gustave Courbet, 1819-1877), Museu d'Orsay

22 fevereiro 2009

[793] Fotografia do mundo: por detrás da paisagem bucólica...

(Alcochete, secas do bacalhau. Créditos: Daniel Rocha, arquivo do jornal Público)

[792] Portugal é mais do que futebol (30): demonstração em Hamburgo e Sevilha

*

[791] As palavras dos outros (35): o vazio da "modernidade"

«(...) E claro que há ainda o gritante oportunismo político destas opções pelo "liberalismo moral" como lhe chamou Medina Carreira no seu Dever da Verdade. São, como ele disse, a escapatória tradicional quando se constata o "fracasso político-económico" do regime. O regime que Sócrates e Almeida Santos protagonizam chegou a essa fase. Discutem a morte e a ausência da vida por serem incapazes de cuidar dos vivos.»
(Mário Crespo, O horror do vazio, Opinião, JN, 16-2-2009)

21 fevereiro 2009

[790] Comradery

"Gostamos de receber aqui quem trabalha e quem trabalha bem", disse, desejando ao primeiro-ministro que "não lhe falte a força e a diligência".
*
"Um dos nossos?" O visado não é autarca, não é da Beira Litoral, não é militante do PSD. Que terão em comum Ribau e Sócrates?
(Núncio / Portugal Real, idem)

[789] Tenho convicções... quando me dá jeito!

«Não tento "evangelizar" ninguém porque prezo a liberdade de opinião e expressão. Mas só há liberdade na responsabilidade. E só poderemos ser responsáveis pelos nossos actos e opiniões se formos esclarecidos, independentes.
Pessoas ou povos manipulados por demagogos ou populistas nunca poderão ser livres nem esclarecidos.»
*
«As convicções não têm oportunidade... são intemporais!»
(idem)

17 fevereiro 2009

[788] As palavras dos outros (34): Ditador, eu?!

«A segunda morte é institucional. Como já aqui escrevi várias vezes, Portugal não tem um regime político com freios e contrapesos. O partido da maioria, seja ele qual for, controla todas as instituições do regime; vivemos numa espécie de 'ditadura conjuntural' do partido da maioria. Por outro lado, Portugal é um Estado de direito falhado: a nossa Justiça é um embaraço confrangedor.»
(Henrique Raposo, O regime que morreu três vezes, Expresso on line, 17-2-2009)

15 fevereiro 2009

[787] Quem tem medo do Ministério Público?

«As pressões e intimidações que têm recaído sobre os magistrados titulares desses inquéritos [delicados em função das matérias ou dos visados], com o intuito de os atemorizar e diminuir na sua acção e capacidade de determinação na condução das investigações, e bem assim de condicionar os que com a Justiça querem colaborar, têm várias origens e envolvem poderosos meios de contra-informação só disponíveis, por norma, aos serviços de 'inteligence'.
«As fugas vêm muitas vezes donde menos se espera, donde não seria suposto, lançadas pelos visados, numa tentativa de controle e minimização dos danos próprios, por um lado, de desacreditação da investigação e da justiça, por outro, e, finalmente, de tentativa de desviar a atenção do essencial para o acessório.
«Que outros o façam, percebe-se. Que no seio do Ministério Público haja quem colabore, ainda que por inércia, já não é admissível.
«É igualmente urgente que se alerte a Procuradoria-Geral da República para as consequências negativas que as posições públicas podem assumir para o Ministério Publico e todos os seus magistrados, sobretudo quando elas são susceptíveis de revelarem protagonismos exacerbados, falta de isenção e de rigor, e importam, como já aconteceu, a desresponsabilização pública ou prognósticos quanto ao desfecho de processos e investigações ainda em curso.»
(excertos da moção apresentada pelos 50 delegados do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, na reunião de Tomar, 14-2-2009)

[786] Sondagem: O PS e o PSD deveriam fundir-se?

Damos por terminada hoje mais uma consulta, na qual participaram 61 leitores, a quem agradecemos. Embora se renovem os avisos habituais (não é uma sondagem fidedigna, por não se connhecer a representatividade da amostra, etc.), os resultados são muito claros. Dos 70 votos (os votantes poderiam escolher mais do que uma opção, pois elas não se anulavam):
- 45,7 % defendem que todo o sistema partidário deveria ser refundado;
- 17,1 % acham que as diferenças ainda são muitas para que PS e PSD se fundam;
- 15,7 % concordam com a fusão de PS e PSD e outros tantos com a de PSD e CDS/PP;
- 5,7 % acham que o PS deveria antes fundir-se com o BE.
Em suma, 82,8 % dos leitores participantes entendem que, com fusões ou refundações, o sistema partidário tem de ser revisto.

14 fevereiro 2009

[785] As notas dos candidatos (ficha técnica)

Avaliamos hoje a actuação dos líderes dos principais partidos (no caso de Garcia Pereira e de Manuel Monteiro, não tendo os partidos que chefiam assento parlamentar, entendemos que são, com pouca controvérsia, aqueles com mais relevo político e social), candidatos a primeiro-ministro (1).
A avaliação teve por base critérios e ponderações idênticos aos da avaliação dos ministros, com algumas nuances. São eles:
- (2) competência profissional (0-7 valores);
- (3) autoridade política e ética (0-6 val.);
- (4) discurso político (0-4 val.); e
- (5) poder comunicacional (0-3 val.).
Por competência profissional entende-se a capacidade revelada na sua área de actuação. A autoridade ética e política vê-se na conduta pessoal e política. Os outros dois critérios respeitam à consistência e densidade do discurso político e à capacidade de comunicação com os eleitores/cidadãos.
A pontuação total (6) corresponde à soma dos pontos obtidos nos quatro critérios, na escala habitual (0-20 valores).
Dadas as explicações, vejamos os resultados mais salientes:
- dos 7 líderes (3 à direita e 4 à esquerda), nenhum se destaca verdadeiramente, sendo MFL (direita) e FL (esquerda) os melhores;
- todos os outros resultados são sofríveis, até com uma negativa (MM);
- os pontos fortes: de MFL, a competência e autoridade; de FL, a competência e o discurso; de JoS, o poder comunicacional; de GP, a competência; de PP, o poder comunicacional; de JeS, a autoridade; e de MM, o poder de comunicação.

[784] As notas dos candidatos

(1) Candidatos / (2) Compet. / (3) Autoridade / (4) Discurso / (5) Comunic. / (6) Total
Manuela Ferreira Leite / 5.0 / 4.5 / 2.5 / 1.0 / 13.0
Francisco Louçã / 5.0 / 3.5 / 3.0 / 1.5 / 13.0
*
José Sócrates / 4.0 / 3.0 / 1.5 / 3.0 / 11.5
Garcia Pereira / 4.5 / 3.5 / 2.0 / 1.0 / 11.0
Paulo Portas / 4.0 / 3.0 / 2.0 / 2.0 / 11.0
Jerónimo de Sousa / 3.0 / 5.0 / 1.0 / 2.0 / 11.0
*
Manuel Monteiro / 3.5 / 3.0 / 1.0 / 2.0 / 9.5

[783] E quem avalia os políticos?

Sabe o que quer dizer avaliar? Presumo que não, mas eu ajudo.
Avaliar é "determinar a valia ou o valor de; apreciar o merecimento de; aquilatar, reconhecer a força de, a grandeza de; estimar, prezar". Qualquer bom dicionário lhe apresentará esta ou outra definição sinónima.
Nada do que está a ser feito em Portugal, aos professores, aos juízes, aos funcionários dos ministérios é avaliar. Pelo contrário, o que se tem feito nos últimos anos é depreciar, apoucar, fragilizar, desmerecer, denegrir, humilhar. Quem disser o contrário é masoquista ou desonesto.
(Núncio/Portugal Real, comentário a "Coitada da Sô Dona Manuela", do leitor cjours do Expresso)

[782] A falsa moeda

De umas boas chicotadas parece gostar o "tuga". Deve ser difícil encontrar povo mais masoquista (tirando talvez o chinês). Gosta de apanhar e de ser enganado.
Infelizmente, a lei de Gresham foi aprendida ao contrário pelos portugueses. É a má moeda que está a expulsar a boa moeda da política e da comunidade. E a emigração a subir a um nível que já não se via há 30 anos... Porque será?
(Núncio/Portugal Real, comentário a "O PSD precisa de uma chicotada psicológica", do leitor Musoko do Expresso)

09 fevereiro 2009

[781] Portugal é mais do que futebol (29)

[780] Os pontos das pastas (ficha técnica)

No próximo dia 20, passam quatro anos após as últimas eleições legislativas (o que implicaria, não fosse uma alteração constitucional incompreensível, que fôssemos a votos ainda neste trimestre, sem necessidade de qualquer táctica de antecipação).
Na sequência do que fizemos aquando do 1.º ano da actual legislatura, e em jeito de balanço, avaliamos hoje a actuação dos ministros do XVII Governo Constitucional (1) com base nos mesmíssimos critérios e ponderações. São eles (entre parêntesis, e uma vez que não pondero os quatro critérios da mesma forma, indica-se a escala a ter em conta), a saber:
- (2) competência técnica (0-7 valores);
- (3) capacidade de execução (0-6 val.);
- (4) discurso político (0-4 val.); e
- (5) poder comunicacional (0-3 val.).
Por competência técnica entende-se o conhecimento que o ministro revela dos assuntos que tutela e a aptidão para analisá-los e discuti-los. A capacidade de execução aprecia o poder de concretização das políticas desenhadas e dos objectivos definidos. Os outros dois critérios respeitam a duas qualidades que se reputam essenciais num ministro: a consistência e profundidade do discurso político (releva a coerência entre a "cartilha" e a praxis e não a concordância ou discordância pessoais) e a capacidade de comunicação com os eleitores/cidadãos.
A pontuação total (6) corresponde à soma dos pontos obtidos nos quatro critérios, na escala habitual (0-20 valores).
Houve, entretanto, remodelação da composição governativa. O ponto de comparação (7) é, naturalmente, a avaliação do antecessor.
Dadas as explicações, vejamos os resultados mais salientes:
- dos 17 ministros que compõem o governo, só seis têm avaliação positiva e só dois melhoram a sua avaliação de 2006;
- há mesmo três descidas acentuadas, entre os três e os sete valores (Ambiente, Educação e Saúde);
- mantém-se a apreciação muito negativa dos titulares das pastas dos Assuntos Parlamentares, Justiça e Cultura (sendo que, neste caso, parece não ter trazido nenhum benefício a mudança de titular);
- finalmente, a situação particular do primeiro-ministro que, nestes três anos, perdeu claramente em competência e capacidade de execução.

08 fevereiro 2009

[779] Os pontos das pastas (II)

(1) Ministros / (2) Compet. / (3) Cap. execução / (4) Disc. / (5) Comun. / (6) Total / (7) Obs.
Mariago Gago / 6.0 / 4.0 / 2.5 / 1.0 / 13.5 / - 1.0
Teixeira dos Santos/ 5.0 / 3.0 / 2.0 / 2.0 / 12.0 / + 1.5
Vieira da Silva / 4.0 / 3.5 / 2.5 / 2.0 / 12.0 / 0.0
José Sócrates / 3.5 / 4.5 / 1.0 / 2.5 / 11.5 / - 2.0
Rui Pereira / 4.5 / 3.0 / 2.0 / 1.5 / 11.0 / - 0.5
Manuel Pinho / 3.5 / 3.0 / 2.0 / 2.0 / 10.5 / 0.0

*
Severiano Teixeira / 4.5 / 2.0 / 1.5 / 1.5 / 9.5 / 0.0
Mário Lino / 3.5 / 3.0 / 0.5 / 2.0 / 9.0 / + 0.5
Jaime Silva / 4.0 / 2.0 / 1.5 / 1.5 / 9.0 / 0.0
Nunes Correia / 4.0 / 3.0 / 1.5 / 0.5 / 9.0 / - 3.0
Alberto Costa / 2.0 / 5.0 / 0.5 / 0.5 / 8.0 / 0.0
Pedro Silva Pereira / 3.0 / 2.5 / 1.5 / 1.0 / 8.0 / - 1.0

*
Augusto Santos Silva/ 2.5 / 2.5 / 2.0 / 0.5 / 7.5 / - 1.0
Luís Amado / 3.0 / 2.0 / 1.0 / 1.0 / 7.0 / - 2.5
Mª Lurdes Rodrigues/ 2.5 / 3.5 / 0.5 / 0.5 / 7.0 / - 4.0
Ana Jorge / 3.0 / 1.5 / 1.0 / 1.5 / 7.0 / - 7.0
Pinto Ribeiro / 2.0 / 1.5 / 1.5 / 1.0 / 6.0 / - 0.5

[778] Late night whisper

Será que a inquietação dos Monteiro se deve a terem percebido que não lhes calhou nenhuma fatia do bolo de quatro milhões?

[777] 32 anos depois, ainda não entendeu...

"Portugal já tem idade
para entender o que é a Liberdade"
(Ary dos Santos/Fernando Tordo, Os Amigos, 1977)

[776] Poesia do mundo: liberdade, esse bem raro...

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
*
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
*
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
*
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
(Fernando Pessoa, "Liberdade", 1935)

07 fevereiro 2009

[775] Late Friday evening: lege artis

No tribunal.
Advogado: Senhor Doutor, antes de fazer a autópsia, verificou o pulso da vítima?
Perito: Não.
Advogado: E mediu a tensão arterial?
Perito: Não.
Advogado: Verificou a respiração?
Perito: Não.
Advogado: Então, é possível que a vítima ainda estivesse viva quando a autópsia começou?
Perito: Não.
Advogado: Como é que pode estar tão certo?
Perito: Porque o cérebro do paciente estava num jarro ao lado da mesa de autópsias.
Advogado: Mas ele poderia ainda estar vivo?
Perito: Sim, é possível que estivesse vivo, a estudar Direito na faculdade onde V. Ex.ª se formou!

01 fevereiro 2009

[774] Ei, você aí, me dá um dinheiro aí!

Segundo o Diário da República (dos dias 6/6/2007, a pp. 15720, e de 18/10/2007, a pp. 30115), a Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP), dirigida por Albino Almeida, foi financiada pelo Gabinete da Ministra da Educação.
Conhecem alguma pessoa, singular ou colectiva, pública ou privada, que diga mal de quem a sustenta? É assim que se alimenta a independência, o espírito crítico, a liberdade de opinião e expressão? A notas de €uro?
(referência ao DR: cortesia do leitor jotadt)

[773] Portugal é mais do que futebol (28): correr, correr

[772] Portugal é mais do que futebol (27): remar, remar

[771] As palavras dos outros (33): um errozito aqui, um lapso ali...

«(...) os interesses ocultos instalados em cada Governo ou maioria política fazem do 'legislador' um mero executor de acertos cozinhados nos bastidores.»
(Eduardo Dâmaso, Correio da Manhã, 1-2-2009)

29 janeiro 2009

[770] Citações do mundo: diz-me que erros cometes, dir-te-ei quem és

«Ao examinarmos os erros de um homem, conhecemos o seu carácter.»
(Confúcio)

[769] As palavras dos outros (32): não há intimidades grátis

"Desconfiem sempre de políticos demasiado íntimos de jornalistas, de promotores imobiliários demasiado íntimos de autarcas e de outros decisores, de agentes económicos demasiado íntimos dos respectivos reguladores. Todos frequentemente escondem um intento pessoal e pouco saudável. Todos, seguindo o princípio de Madoff, vivem onde menos se vê. No meio."
(Pedro Lomba, "A arte de enganar todos", DN, 29-1-2009)

[768] Early morning thought: "Sim, sr. Ministro"

Por causa deste temor reverencial que nos caracteriza, não somos capazes de resolver nada que tenha a ver com políticos.

26 janeiro 2009

[766] Fotografia do mundo: troubled waters?


(créditos fotográficos: Ricardo Ferreira, leitor do Divã)

[765] O interesse público não é o somatório de vários interesses privados

(...) felizmente (senão seria etica e deontologicamente insuportável) as informações estão muitas vezes correctas e correspondem a factos ou documentos que foram analisados e lidos. O que acontece é que os visados conseguem (umas vezes dentro, outras fora da lei) desvalorizar esses factos e documentos ou, pelo menos, criar dúvida bastante ao seu peso processual ou material.
O exemplo que [a leitora] citou é oportuno. No processo Casa Pia (falo do que leio e ouço, não estou nem directa nem sequer indirectamente envolvido no mesmo), muitos factos poderão até ter ocorrido mesmo, mas dependerá a sua valoração das defesas dos visados que, como sabe, têm inúmeros recursos (legais, não ironizo) ao seu alcance.
*
Foram violadas normas comunitárias e nacionais para licenciar a referida obra. E em pleno governo de gestão que, diz o bom senso e o Direito, não deve tomar decisões de que decorram compromissos e responsabilidades deste calibre.
A violação, comprovada, foi depois objecto de correcção por legislação e regulamentação aprovadas pelo governo seguinte.
Ora, a defesa do interesse público, seja de natureza económica, empresarial, social, cultural ou ambiental, nunca pode ser feita na ilegalidade. O superior interesse público é que todos os órgãos do Estado actuem dentro da lei e do Direito.
(Núncio, comentário a «Freeport: Juiz suspeita de "celeridade invulgar" no processo», Expresso online, 25-1-2009)

25 janeiro 2009

[764] O ar que respiramos...

Só no ar da democracia estamos muito pior, está irrespirável!
Mas há quem goste assim... Infelizmente, o ar quando sopra é para todos, mesmo para aqueles a quem cheira mal!
(Núncio, comentário a "Surpresa! Portugal está hoje pior que em 2005!!!", Ideias e conversas, 24-1-2009)

24 janeiro 2009

[763] Portugal é mais do que futebol (26)

[762] Justiça, Ética e Política

A 2.ª [questão: "Sócrates tem outros colos, é homossexual"] é meramente do foro privado (por muito que uns tontos gritem aos quatro ventos o que fazem na cama, a sexualidade é aspecto da nossa intimidade mais reservada) e ser gay não deve tirar nem dar votos. É completamente irrelevante, do ponto de vista político, a menos que o exercício dessa sexualidade esteja ligada a comportamentos ilícitos ou censuráveis.
A 3.ª [questão: "Bacharelato – Licenciatura - Mestrado"] diz muito sobre o carácter de um político que, sendo deputado, secretário de Estado e ministro, não se importa de se formar numa Universidade de duvidosa credibilidade académica só para ter um canudo, alinhando em esquemas que, sendo da responsabilidade administrativa e pedagógica do estabelecimento de ensino, não deveriam ser aceites por um aluno médio, muito menos um aluno sob escrutínio democrático.
A 4.ª [questão: "Não é engenheiro, mas assina projectos de engenharia] é uma imposição legal e estatutária. Advogado é o licenciado em Direito que foi aceite na Ordem dos Advogados, Farmacêutico é o licenciado em Farmácia que foi aceite na Ordem dos Farmacêuticos, Engenheiro é o licenciado em Engenharia que foi aceite na Ordem dos Engenheiros.
A 1.ª e a 5.ª [questões: investidas "Freeport" (camp. eleitoral 2005 e 2009)] são do foro jurisdicional (suspeitas de corrupção) e político (independentemente do resultado do processo criminal, há uma actuação política censurável, que decorre do facto de um Conselho de Ministros ter aprovado legislação e regulamentação que viola normas comunitárias e nacionais, à pressa, no exercício de funções de mera gestão, 3 dias depois de um acto eleitoral que derrotou o partido que suportava esse governo).
(Núncio, comentário a "Sócrates garante que não conhece Charles Smith", Expresso online, 24-1-2009)

[761] Don't cry for me, Argentina!

«Nos últimos 10 anos, Portugal transformou-se num país altamente endividado ao exterior. A dívida é cerca de 90% do PIB, e todos os anos acrescentamos 8 a 9%. Se, de repente, os estrangeiros deixassem de nos emprestar este dinheiro, Portugal teria uma crise económica como nunca teve no último século.
(...) desde 1999, a diferença entre a taxa de juro que os portugueses e os alemães pagam nas suas dívidas tem sido quase zero.
Nos últimos meses, aconteceu uma coisa quase impensável: esta diferença, ou spread, trepou para os 1,1%! Este número diz que os mercados internacionais acham que é bem provável que Portugal deixe o euro ou declare falência nos próximos 10 anos. Os dois riscos não são independentes, pois se Portugal não pagar as dívidas, pode ser expulso do euro; basta lembrar que um dos maiores detentores da dívida portuguesa é o próprio BCE. Esta semana, mais uma má notícia, quando a S&P reviu para cima a sua avaliação, ou rating, do risco da dívida portuguesa.
A probabilidade desta catástrofe ainda é pequena. Mas, para quem acompanhou o que aconteceu na Argentina, só o facto de ela estar na mesa é suficiente para fazer perder o sono.»
(Ricardo Reis, "O verdadeiro pânico", Expresso online, 21-1-2009)

[760] Simplex moral

«Ser simples, acessível, seguro e legal não torna o aborto mais aceitável para as pessoas que o rejeitam. Ao contrário, torna-o ainda mais monstruoso ao juízo delas. Prova disso é o fato de que as discussões nos países onde a prática foi liberada nunca serenam - a cada dia elas são mais violentas (...)».
(Eurípedes Alcântara, Veja online, 23-1-2009)

22 janeiro 2009

[759] Tal como cá!

"Durante este período de emergência económica, as famílias estão a apertar os cintos e Washington devia fazer a mesma coisa", disse Obama ao dar as boas-vindas aos seus colaboradores da Casa Branca, um dia depois de ter tomado posse. "É por isso que vou decretar um congelamento dos salários aos meus colaboradores seniores da Casa Branca".

21 janeiro 2009

[758] Uma democracia doente

«Portugal deve ser o único país da Europa onde em vez de se avaliar constantemente o governo se avalia a oposição, incluindo o próprio governo, que passa o tempo a fazer o mesmo. Ou é tara ou é complexo.»
(Anónimo, Porto, 21.01.2009 - 14h18, em comentário a "Orçamento suplementar - Governo duvida que descida de impostos proposta pelo PSD seja reversível", Público online)
*
Não posso estar mais de acordo. É uma das maiores perversidades de uma democracia essa de escrutinar a Oposição com os critérios da Governação. Mas que ninguém se engane: a qualidade de uma democracia é dada pela qualidade dos eleitores!
(Núncio, idem)

18 janeiro 2009

[756] As palavras dos outros (30): quanto mais alto se está, maior é a responsabilidade

«Não é aceitável, por exemplo, que uma alta figura da Igreja recomende cautela aos matrimónios inter-religiosos, mas aceita-se que imãs possessos preguem diariamente a extinção dos infiéis. Não é aceitável a influência da Igreja na sociedade, mas simpatiza-se com diversos Estados estritamente submetidos ao Alcorão. Não é aceitável que a Igreja subalternize simbolicamente as mulheres e discrimine simbolicamente os homossexuais, mas ignora-se que a sharia reduza à animalidade as primeiras e execute os segundos. Não é aceitável que um responsável clerical revele eventuais indícios de xenofobia ou racismo, mas promovem-se insultos ao "estado hebraico" (sic) em manifestações e lamentos, implícitos ou explícitos, de que Hitler tivesse visto a sua obra interrompida. Não é aceitável impor limites à liberdade individual, mas impõe-se censura atenta aos críticos do "multiculturalismo", que sob o verniz ecuménico é um óbvio princípio totalitário e um monte de sarilhos que Alá sabe onde acabam.»
(Alberto Gonçalves, "Alá, o cardeal e os sarilhos", Dias Contados, DN, 18-1-2009: sublinhado nosso)

14 janeiro 2009

[755] As palavras dos outros (29): sorria, você está a ser anestesiado!

«As "Reflexões" não eliminam o sentido crucial dos problemas, mas também não indicam, ou sugerem, como seria natural, o combate ideológico contra a ideologia que intimida os governos e os intima a praticar regras unilaterais. Há, em tudo isto, uma perversão moral que condiciona o comportamento ético. O texto de Sampaio é omisso nestes aspectos, e percorre-se em generalidades. E talvez devesse ser, pelo estatuto e pelo passado do autor, nesta desordem e nesta perturbação, um aviso de que as abdicações não são o caminho para o resgate das servidões. A desmobilização cívica do País é uma das consequências da ausência da instância Estado, da falta de comparência de um ideal de libertação (sim, de libertação) que nos empolgue. E é, igualmente, a descaracterização ideológica dos partidos, essa base lógica que explica e justifica as grandes conquistas dos trabalhadores no imediato pós-guerra. Quando um estudo revela que os portugueses são o povo europeu que menos ri ou sorri, o caso pode animar solertes comentadores do óbvio - mas não deixa de ser significativamente pesaroso. Já ninguém vai "contra os canhões marchar, marchar". Estamos marcados pelo mais atroz niilismo e identificados com o mais absoluto indiferentismo.»
(Baptista Bastos, "As 'reflexões' de Sampaio", DN, 14-1-2009: sublinhado nosso)

13 janeiro 2009

[754] Por que será...

... que Eduardo Pitta (EP), que até tem um blogue relativamente interessante, mundividente e actualizado (que leio muito regularmente), quando toca em matérias mais "ideológicas" é decepcionantemente parcial e "biased"?
A ética ou a justiça têm côr?
*
Como EP bem sabe, não há tratamento de igualdade na injustiça ou na ilegalidade. Se é injusto ou ilegal, é-o e denuncia-se ou corrige-se. Seja quem for o beneficiário!

08 janeiro 2009

[753] 2009: radioso ou sombrio?


(créditos das fotografias: Ricardo Ferreira, leitor assíduo)

[752] Trocas e baldrocas

PML [Pedro Marques Lopes] pode ser de Direita ou de Esquerda, ateu ou crente, abstencionista ou militante. Mas seja!
Nunca vi (e justiça seja feita, não é o único) foi uma Direita tão empolgada com o líder de um partido de Esquerda (que, de facto, tem pouco de socialista) e a disfarçar tão mal, e até de forma desleal, o desapoio à líder do principal partido da sua área ideológica.
Por outro lado, nunca vi o PS, até recentemente, tão excitado com um PR de Direita...
(Núncio, comentário a "Será que o PM tem coragem?", 31 da Armada, 8-1-2009)

[751] Fique, por favor fique!

Um comentário pouco sério [o de Rodrigo Moita de Deus, aqui].
Cavaco Silva fartou-se tanto que ficou 10 anos (no que é, em democracia, o mandato mais longo) e agora é Presidente da República!
António Guterres, ainda assim, esteve seis anos e só saiu porque antecipou, inteligentemente, que o PS já não o queria (a começar pelo actual secretário-geral). Talvez regresse um dia e se instale em Belém... se o PS deixar!
Durão Barroso foi hipnotizado pela ambição e objecto de uma grande jogada ainda hoje pouco explicada pelos "media"... Ou acham que a coligação negativa e oportunista que não se opôs à sua nomeação se juntou por acaso?
O que o Rodrigo não disse, e deveria ter dito, é que, se fossem seguidos os mesmos critérios de Jorge Sampaio para a dissolução do Parlamento, a presente legislatura já teria terminado por idênticas ou outras "trapalhadas"...
(Núncio, comentário a "um homem feliz", 31 da Armada, 7-1-2009)

[750] Separados à nascença

05 janeiro 2009

[749] Actualização: do que se fala

O divã no twitter.

[748] As palavras dos outros (28): se aqueles têm porque é que eu não posso ter?

«Desde o plasma à Nespresso, a minha geração pouca noção tem da essencialidade dos bens e dos meios. A médio prazo isto será um problema gravíssimo, porque grave já é.»
(Jorge C., comentário a "Curto", Mar Salgado, 2-1-2009)

[747] As palavras dos outros (27): brincar com o fogo...

«O mais interessante é que Margarida Moreira, a mesma que agora vê uma brincadeira de mau gosto no que mais parece ser um delito, é a mesma que viu um delito no que mais parecia ser uma brincadeira de mau gosto. Trata-se da mesma directora que suspendeu o professor Fernando Charrua por, numa conversa privada, ele ter feito um comentário desagradável, ou até insultuoso, sobre o primeiro-ministro. Ora, eu não me dou com ninguém que tenha apontado uma arma de plástico a um professor, mas quase toda a gente que conheço já fez comentários desagradáveis, ou até insultuosos, sobre o primeiro-ministro. Se os primeiros são os brincalhões e os segundos os delinquentes, está claro que preciso de arranjar urgentemente novos amigos.»
(Ricardo Araújo Pereira, "Circunspecção de mau gosto", Boca do Inferno, Visão, 5-1-2009)
*
Uma brincadeira de mau gosto é a referida directora ainda exercer o cargo. Insultuosa é política educativa deste país.

03 janeiro 2009

[744] As palavras dos outros (26): desacordo ortugraphico

«É oficial: entrou em vigor a nova ortografia. Quer dizer: mais ou menos em vigor.
É a única do mundo legislada.
(...) conseguiu fazer com que uns bons 250 milhões de pessoas escrevam de forma idêntica.
Quer dizer: mais ou menos idêntica. Primeiro, porque dessas 250 milhões de pessoas apenas uns 15% são vagamente alfabetizadas. Desses 15%, pelo menos 10% é de nacionalidade portuguesa.
Mas que 15%! É para elas que se legislou. Quer dizer: mais ou menos se legislou. Há dúvidas e indecisões em massa. Principalmente nos meios alfabetizados, por assim dizer. (...)»

01 janeiro 2009

[743] Em tempo de pausa festiva, as pausas nas escolas e nos tribunais

Não são os professores [que chamam «pausas lectivas» às férias], homem! É a terminologia criada pela legislação e regulamentação do ME. E férias escolares não são férias para os funcionários. Se todos se fossem embora nessas pausas lectivas (dois meses de Verão, etc.), quem faria os horários, quem daria notas, quem elaboraria as novas turmas, quem organizaria os programas, quem prepararia as eleições dos vários órgãos escolares?
As escolas não fecham! Como não fecham os tribunais, embora haja "férias judiciais", que também NÃO são férias dos funcionários. Nesses períodos correm os processos urgentes, arquivam-se os processos findos no ano anterior, fazem-se as contas atrasadas, recupera-se a pendência processual, organiza-se a secção...
Porque será que toda a demagogia é comprada neste país? Menos parcialidade, mais rigor!
(Núncio, comentário a "Novilingua", O País Relativo, 22-12-2008, via "Novilingua", Homem ao Mar, 22-12-2008)

31 dezembro 2008

[742] Feliz Ano Novo!


Felix sit annus novus! Feliz año nuevo! Feliz aninovo! Urte berri on! Bon any nou! Bonne année! Buon anno! Happy New Year! Frohes neues Jahr! Gelukkige nuwejaar! Asgwas amegas! عام سعيد (aam saiid)! שנה טובה (shana tova)! A gut yohr! Yeni yiliniz kutlu olsun! Sala we ya nû pîroz be! Nav varsh ki subhkamna! Kia hari te tau hou! Xin nian kuai le! Akemashite omedetô! С Новым Годом (S novim godom)! Shnorhavor nor tari! Tashi delek! Tinan foon di’ak! Felicxan novan jaron!

(créditos da imagem: Jorge Teixeira, designer e fotógrafo)

30 dezembro 2008

[741] E o melhor gestor de futebol é...

- só jogadores dos "três grandes" clubes fazem parte da lista;
- metade é portista;
- a inclusão de Quaresma, Lucho e Lisandro não surpreende;
- Postiga (suplente) e Hélton (guarda-redes) surpreendem, sobretudo o primeiro;
- a lista contém três jogadores do Sporting (Liedson, Polga e Moutinho) e apenas dois do SLB (Nuno Gomes e Katsouranis);
- Lisandro, o melhor marcador da Liga (24 golos), ganhou menos 754.735,88 euros do que Quaresma e menos 660.227,75 euros do que Nuno Gomes (13.º melhor marcador, com 7 golos);
- o SLB gastou mais 427.159,28 euros pela média dos dois mais bem pagos (1.683.951,73 euros, metade dos 3.367.903,46 auferidos pelos dois) do que o Sporting pela média dos seu três mais bem pagos (1.256.791,75, um terço dos 3.77o.375,24 auferidos pelos três), sendo que Liedson foi o 4.º melhor marcador (11 golos);
- o FCP foi campeão, o SCP foi vice-campeão, vencedor da Taça de Portugal e finalista vencido da Taça da Liga e o SLB ficou em 4.º lugar, não se classificando para a Liga dos Campeões.

[740] Não quero saber, resolva!

Um homem que se deslocava num balão de ar quente, a dada altura, compreendeu que se encontrava perdido. Decidiu então reduzir a altitude. Já próximo do solo avistou uma mulher e interpelou-a nestes termos:
- Peço desculpa de a importunar, mas será que a senhora poderia ajudar-me? Estou perdido. Prometi a um amigo que me encontraria com ele há uma hora atrás, mas a verdade é que não sei onde estou.
A mulher em baixo respondeu-lhe:
- O senhor encontra-se num balão de ar quente que paira no ar a cerca de 8 metros acima do solo. A sua posição situa-se entre os 40 e 41 graus de latitude Norte e entre os 59 e 60 graus de longitude Oeste.
- A senhora é, de certeza, funcionária pública - disse o balonista.
- De facto, sou! Como é que adivinhou? - perguntou a mulher, atónita.
- Bom - disse o balonista - tudo o que me disse é muito formal, burocrático e com pouco sentido prático. Até pode ser tecnicamente correcto, mas não resolve o meu problema. A verdade é que não sei o que fazer com a informação que me deu e continuo a não ter mínima ideia onde me encontro. Continuo perdido. Para ser franco, não me ajudou em nada. Só contribuiu para atrasar mais a minha viagem.
A mulher, irritada, respondeu:
- O senhor deve ser ministro.
- Na verdade, sou - disse o balonista, incomodado - mas como é que descobriu?
- Muito fácil - disse a mulher - o senhor não sabe onde está nem para onde vai. Atingiu a posição onde se encontra com uma grande dose de ar quente. Fez uma promessa e não tem a mínima ideia de como a vai cumprir. Espera e pretende que pessoas que estão abaixo de si resolvam o seu problema. A realidade é que está exactamente na mesma posição em que se achava antes de me encontrar, mas agora, vá-se lá saber porquê, isso é culpa minha!
(adaptado de uma anedota que corre na internet)

[739] Nótulas sobre uma crise constitucional

Tendo o PR a razão jurídica e constitucional do seu lado desde o início, surpreende que um homem experiente e prudente como Cavaco Silva seja tão ingénuo e quase amador na abordagem a esta questão. Em política não há amigos. Há órgãos, legitimidades, poderes, competências que se exercem no tempo e pela forma adequados.
Nunca seria o PR o derrotado. Como ele referiu, e bem, a questão não afecta o actual Presidente, mas os que se lhe seguirão. E mais do que pôr em causa o PR, ficam prejudicados os equilíbrios constitucionais. Não é por acaso que o sistema político não é o parlmentar...
Veremos nos próximos dias e meses a quem interessou esticar a corda!
(Núncio/Portugal Real, comentários a «Ricardo Costa: "Foi a mensagem mais violenta que um Presidente fez nos últimos anos"», Expresso online, 29-12-2008)
*
Post scriptum: mais uma vez Ramalho Eanes a mostrar de que é feito. Nem uma palavra se ouviu dos dois Presidentes que lhe sucederam. Numa questão desta natureza, não só era legítimo como da mais elementar solidariedade que todos os ex-PR se pronunciassem em favor da posição de Cavaco Silva, que é a da defesa do órgão.

29 dezembro 2008

[738] Na quadra natalícia, a Bíblia revisitada

Por três vezes o Parlamento (e o partido maioritário) negou a evidência. Não cantou o galo, mas falou o Presidente da República. Tal como na cena bíblica (Mateus, 26:69-74), alguém traíu porque está com medo de ser (politicamente) morto.
*
E.T. (...) havia um tempo em que a palavra era a moeda de homens bons. E os homens bons de hoje (sim, ainda existem alguns...) não deixaram de acreditar, ingenuamente, na honestidade intelectual dos seus interlocutores, sobretudo se forem titulares de órgãos do Estado.
Mas como acreditar na palavra de gente que se forma em universidades de duvidosa reputação, titulares de diplomas emitidos ao domingo?
(Núncio, comentário a "Estatuto dos Açores", Homem ao Mar, 30-12-2008)

[737] Frente fria com trovoada

O novo Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores, ao contrário do que António José Teixeira acaba de insinuar, na SIC Notícias, com aquele jeito singelo e (só aparentemente) equidistante, é matéria da maior importância que justifica duas (ou mais) comunicações ao país. Mal estaríamos se o Presidente da República deixasse as questões complexas, políticas e constitucionais, para a opacidade dos gabinetes e só trouxesse simplicidades e amenidades para as mensagens públicas.
Ricardo Costa, ao contrário, foi mais clarividente e imparcial na SIC. Curiosamente, a mesma estação; dois comentários concorrenciais e quase antagónicos.
Trovoada no continente provocada pelos ventos dos Açores. Haverá sismo político? E qual o epicentro?
*
Post scriptum:
Não se trata de matéria opinativa. A Assembleia da República não é um órgão consultivo, que dá opiniões ou pareceres. Ali se elaboram, ou deveriam elaborar, leis boas e justas. Conhece algum constitucionalista reputado que defenda que as duas normas em causa não ferem a CRP? Até Vital Moreira, do PS, já disse tudo sobre o assunto!
(Núncio, comentário a "A opinião dos outros", Homem ao Mar, 30-12-2008)

[736] Charada de final de ano

P: Estás a participar numa corrida. Consegues ultrapassar o segundo concorrente. Em que lugar ficas?
P: E se ultrapassares o último, em que lugar estás ?
*
P: O pai da Maria tem cinco filhas:
a Naná, a Nené, a Nini, a Nonó. Qual é o nome da quinta filha?
*
Podem deixar os palpites na caixa dos comentários.

25 dezembro 2008

[735] A crise revisitada

«Afinal o mundo nada aprendeu com a crise de 1929, apenas vista hoje como mera curiosidade do passado.»
*
Concordo com o leitor. Não se aprendeu nada nem se aprende. Se repararmos, a segunda metade do séc. XX é uma época revivalista, com todas as teorias e doutrinadores "neo". Os neoliberais, os neocon, os pós-modernistas, o Bush Jr, o novos populistas, os renovadores comunistas... E sempre que se recauchuta uma tese ou um movimento, ele surge mais assanhado, mais violento!
O homem não é um ser racional, é um ser de hábitos.
(Núncio/Portugal Real, idem)

22 dezembro 2008

[734] Força, PM! Estamos consigo! Vá em frente!

Devemos ter (e é, muitas vezes, um acto cívico) convicções políticas. Podemos até ter (e a democracia vive disso) militância partidária ou participação associativa. Mas não podemos, de todo, ser intelectualmente desonestos. Muito menos um jornal chamado de referência!
MFL não será a líder mais entusiasmante do espectro partidário. Nem será sequer o candidato mais evidente a primeiro-ministro. Mas nada justifica a campanha destrutiva, de que esta secção é exemplo reiterado, que está em curso. Curiosamente alimentada, em parte, por muitos dos que defendiam que só a credibilidade e honestidade de MFL poderiam impedir a falência do PSD. Lembram-se?
Se repararem, MFL - que não governa - está sistematicamente em "baixa". Ora porque calou, ora porque falou. Para uma certa imprensa, nada do que diz ou faz é acertado. Nada! Como se de quem governa se pudesse dizer coisa muito diferente...
A ironia (pelos vistos, a imprensa nem sequer distingue uma figura de estilo) é que nenhum outro líder teria apreciação positiva, por isso nem vale a pena o PSD (ou outro partido da oposição) mudar. Para a imprensa, está tudo bem como está.
(Núncio/Portugal Real, "Basta": comentário a «Altos e baixos - de Mário Soares a Manuela Ferreira Leite», de João Garcia, Expresso online, 22-12-2008)
*
Adenda:
Não posso acreditar que o eleitorado, pelo menos o atento e esclarecido, se convença que alguém que foi consultora do Banco de Portugal, líder da bancada parlamentar, secretária de Estado do Tesouro, ministra da Educação, ministra das Finanças, deputada, conselheira de Estado e sei lá mais o quê só diga disparates e tonterias!
Note-se que diria o mesmo de figuras de outros partidos e movimentos e que, estranhamente ou não, também têm "baixa cotação" na imprensa. Por exemplo, não admiro particularmente Paulo Portas (CDS/PP), Manuel Maria Carrilho (PS), Boaventura Sousa Santos (BE) ou Vital Moreira (PS). Mas não cometo a injustiça de achar que são uns tontos ou que só dizem disparates. Pelo contrário, acho, sobretudo nos 2.º e 4.º exemplos, que são estudiosos e dedicados. Apenas não me convencem, nada mais...
(Núncio/Portugal Real, "Basta": resposta a comentário de leitor)

21 dezembro 2008

[733] Muito obrigado pela sua atenção

A contemporaneidade é marcada pela globalização e pela virtualidade. Uma e outra estão a reduzir o indivíduo a um número e a um "nickname".
Nas relações pessoais, as comunicações electrónicas tendem a substituir o telefone, que já havia substituído a carta.
Nas relações profissionais, o telex e o fax já eram. Com a possibilidade de digitalizar documentos e autenticar as assinaturas, quase tudo pode ser transmitido electronicamente. Quase tudo... menos os afectos e a simpatia.
Não responder a uma mensagem electrónica é como desligar o telefone a uma pessoa ou não retribuir o cumprimento de alguém na rua... O mundo virtual também é feito de pessoas, do outro lado está alguém de carne e osso que nos procurou, que veio conversar connosco, que precisa de nós.
Por isso, as regras de cortesia e boa educação são tão válidas na internet como lá fora.
(comentário do blogger inspirado em caso real: adaptado da resposta dada a um "silêncio")

20 dezembro 2008

[732] Eu estou aqui!

Paulo Portas sempre detestou Cavaco (basta reler o Independente). Apoiá-lo em 2006 foi uma inevitabilidade, porque apoiar (por acção ou omissão) Alegre ou Soares seria demais. Mas haveria de surgir a oportunidade de demarcar-se.
E surgiu: ontem, ao somar os seus 11 deputados aos do PS, PCP, BE e Verdes (e a dois do PSD), o CDS/PP lembrou ao PR que "o outro pequeno partido" que o apoiou não hesitará, sempre que quiser e puder, em fazer estragos à estratégia presidencial. Permitindo a maioria qualificada (dois terços) na (re)aprovação do projecto de Estatuto Político dos Açores, o sinal é evidente. E não é a favor da autonomia regional!
Convém posicionar-se para, se possível, voltar ao poder em Outubro de 2009...

[731] Popular mas não populista

«Nós somos o grande partido popular da esquerda democrática e moderna em Portugal»
(José Sócrates, "Polémica socialista - Sócrates responde a Alegre que Governo «honra história do PS»", Sol online, 17-12-2008)
*
«Populismo quer dizer demagogia infrene, exploração das emoções, primarismo ideológico, culto quase messiânico do líder, cumplicidade activa com a comunicação social tablóide, espectacularização da política, atenção exclusiva ao curto prazo, desprezo pelas regras institucionais.»
(Augusto Santos Silva, "Hoje é dia de recordar o que é o populismo", Fundação Respublica)
*
Post scritpum: «SÓCRATES. Explica confronto com Cavaco (no Estatuto dos Açores) pela necessidade de acalmar o PS. Fraco argumento. E muito fraco líder que o invoca.» (Marcelo Rebelo de Sousa, "Alçada, Pedro Leitão e Açores", 7-12-2008)

[730] Serviço público (15): não beba com a boca...

... beba com cabeça!

18 dezembro 2008

[729] Qué pasa, Quique?

O "novo" Benfica de Joe Berardo, Rui Costa e Quique Flores arrisca-se a ficar velho depressa... Pelo menos, não conquistará mais troféus do que no passado recente, que se queria morto e enterrado.
Este ano, já foram duas competições à vida, uma delas (a que terminou hoje, prematuramente) após quatro jogos inexplicavelmente pobres.
É paradoxal a situação do clube: parece ter-se (re)estruturado, parece haver mais competência e organização (administrativa, financeira), mas não se vêem resultados nenhuns! Em várias modalidades desportivas (como o hóquei), o nível é mesmo preocupante...
Mas nem tudo é deprimente para os adeptos do SLB. A IFFHS (Federação Internacional da História e Estatísticas do Futebol) é responsável, desde 1-1-1991, por classificar todos os clubes das seis federações internacionais de futebol, com base nos seus resultados nas provas internas e internacionais.
Ora, a classificação actual (de 1-1-1991 a 31-12-2007) abrange justamente o período menos brilhante da história do Benfica (sobretudo de 1994 a 2004) e, ainda assim, o SLB ocupa um honroso 32.º lugar, entre 199 clubes, à frente do Marselha, do PSV, do Anderlecht, do Vélez Sarsfield, do Santos e... do Galatasaray e do Olympiakos. E muito à frente dos eternos rivais (96.º)!
*
Adenda: Sei que alguns desprezam o título de "maior clube do mundo", mas ele traduz mais do que uma mera certificação do número de sócios e adeptos, que até seria o menos relevante.
O Benfica é, talvez, a instituição que mais se confunde com o país e com a diáspora. Daí a sua força cá dentro e lá fora.Por isso, 10 anos de poucas conquistas e de muitas preocupações não beliscaram a sua grandeza. Porque o Benfica é Portugal!
(Núncio, comentário a "O sistema!...", 4R-Quarta República, 14-12-2008)

[728] Tem a certeza que é jornalista?

Um mês depois, quando já se sabe que MFL usou, embora de forma inábil, uma ironia, a jornalista insiste e recorda-nos, eleitores desatentos ou manipuláveis, «que a 18 de Novembro Ferreira Leite perguntou se “não seria bom haver seis meses sem democracia” para “pôr tudo em ordem”».
Nem a estupidez nem a má-fé têm campo no jornalismo de qualidade, isento e ético.

15 dezembro 2008

[727] Baixo, muito baixo

Nestes tempos de insuportável burocracia e tecnocracia, com as rajadas de vento neoliberal a empurrar os mais frágeis para a desresponsabilização individual e a desvaloração ética e política, admiro (cada vez mais) as pessoas de convicções fortes, que fazem uso da sua liberdade de expressão e opinião, que lutam por valores, ideias, projectos, que não se resignam e, sobretudo, que fogem à idolatria e ao culto da personalidade.
Infelizmente, não é o caso deste comentário a que agora respondo. Mesmo a lealdade decorrente de qualquer militância partidária (que faz falta ao regime) tem limites. Os da honestidade intelectual e da coerência.
(Núncio, comentário a "Disparate", do leitor Bandaranaik, em "Altos e baixos", Expresso online, 8-12-2008)

14 dezembro 2008

[726] Portugal é mais do que futebol (25)

[725] Dê-me um canudo, sff. O amarelo, se não se importa. Fica melhor na minha sala.

Qualificações sim, mas não necessariamente académicas. Dessas até há excesso (no primeiro nível de estudos superiores; faltam apenas mais mestres e doutores e nem sequer em todas as áreas científicas).
Portugal precisa URGENTEMENTE de qualificações profissionais, técnicas e administrativas. Já repararam que há ofícios a desaparecer completamente e os que restam estão muitas vezes entregues a amadores (quando não incompetentes)?
Por outro lado, sempre me admirei que qualquer pessoa possa abrir um café ou um restaurante, sem qualquer enquadramento profissional nem requisitos para além dos comerciais (alvarás, etc.). O atendimento do público, sobretudo na restauração, é das coisas mais exigentes na actividade económica. É preciso educação, urbanidade, fluência nalguma língua estrangeira (turismo oblige), higiene, etc.
Para quando mais técnicos e menos doutores?
(Núncio, em comentário a "Mais qualificações garantem mais emprego", Expresso online, 14-12-2008)

[724] Citações do mundo: ecopolítica

«Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão.»
(Eça de Queiroz)

13 dezembro 2008

[723] Jogo desigual

O mundo gira entre cimeiras caras e inúteis e reuniões secretas e luxuosas. Acima de nós, uma realidade virtual, financeira e especulativa. Debaixo de tudo isto, quase sub-humano, o dia-a-dia de silêncio e tanta gente. As contas bancárias das elites estão garantidas. Quem garante a dignidade dos outros 90%?
(Núncio, comentário a "Insegurança alimentar - mundo perde luta contra a fome", Expresso online, 13-12-2008)

[722] Isso não interessa nada, vê mas é o défice!

Discordo da sua resposta [do leitor Carlos Ferreira]. Considero-a até sintomática dos tempos que correm. É justamente por se desvalorizar ou relativizar a arbitrariedade, a injustiça, a arrogância que o Direito e a Ética estão com tão baixa cotação no mercado político e social.
É absolutamente irrelevante saber se há casos idênticos nesta ou noutras Administrações Públicas. Cada caso deve ser tratado com rigor, isenção e sentido de justiça. Nunca há igualdade na ilegalidade ou na inconstitucionalidade. Não é por haver outros (infelizes) casos semelhantes a este que vamos deixar de nos indignar e sancionar os seus autores. Ler os clássicos ajudaria muito a elevar a competência e civilidade deste povo. A justiça é a atribuição do justo concreto, daquilo que é de cada um. Não há justiça colectiva nem igualdade na injustiça!
(Núncio, comentário a «JSD acusa Câmara de "atentado à liberdade de expressão"», Expresso online, 12-12-2008)

10 dezembro 2008

[721] Citações do mundo: a propósito da crise financeira

«I believe that banking institutions are more dangerous to our liberties than standing armies. The issuing powers should be taken from the banks and restored to the people to whom it properly belongs.»
(Thomas Jefferson, 3.º Presidente dos EUA, 1801/09: citações históricas)

[720] URGENTE: acção de formação para deputados

Clareza e simplicidade da linguagem: http://www.plainlanguagenetwork.org/

[719] Sabedoria popular

"Esta crise é pior que um divórcio. Já perdi metade do meu património e a minha mulher ainda está em casa!"
(cortesia do leitor BB)

09 dezembro 2008

[718] Vêem-se gregos!

Primeiro na França. Agora na Grécia. A situação social é explosiva na Europa. Falta pão. Sobra deseperança.
E não digam que a União Europeia é o seguro de vida do regime. As seguradoras faliram...

[717] As palavras dos outros (25): três troncos podres

«Não avisada, nada sensata e pouco perspicaz, a equipa [ministerial] tomou todos os professores por foras-da-lei e toca a mover-lhes uma guerra sem quartel. Covardemente, aliciou os pais e o país contra o inimigo, mas, quando a batalha parecia ganha, eis que começam a surgir brechas nas forças de assalto. Quando percebem as ideias diabólicas dos generais, o melhor das forças, muda-se para o outro lado da barricada. O resto já se sabe.
Desgraçadamente, perdeu-se outra oportunidade de reformar o ensino público e teremos de trabalhar muito para reconstruir tudo o que uma equipa de celerados teimou em destruir.»
(Carlos Ponte, comentário a "Políticas educativas", in Jacarandá, de António Barreto, 25-11-2008)

08 dezembro 2008

[716] Fraternidade clara

Por razões de serviço, estive fora do país alguns dias. No hotel onde pernoitei, numa das salas de reuniões, decorria um encontro de maçons. Educados no trato, elegantes nos seus aventais lustrosos, iguais aos restantes hóspedes, livres para se apresentarem nos corredores e quartos de banho do hotel.
Eu, que tinha justamente chamado a atenção para a obscuridade da condição de maçon em Portugal ([710] A pedra da verdade), não poderia ter tido, dias depois, mais certeza no que dizia.
Não é a Maçonaria ou a Opus Dei ou o Bildenberg que são obscuros. É a portugalidade...

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