"Andebol - Benfica reclama contra árbitro que assume ser portista" (Sapo Desporto, 20-09-2013).
Não, senhor jornalista, o Benfica - de quem não sou advogado de defesa, muito menos da sua Direcção - reclamou de árbitro que assume ser anti-benfiquista e que se diverte com expressões desse sentimento numa rede social, pública por natureza.
Seria como um juiz do Tribunal Constitucional se divertisse a invectivar ou ridicularizar, nos seus tempos livres, membros do Governo ou do Parlamento (autores das leis que aprecia). Ou se um juiz titular do processo sobre o BPN se desse ao direito, fora dessas vestes, de exprimir juízos depreciativos sobre os administradores do Banco ou os depositantes lesados.
Não é assim tão claro? Custa tanto ser rigoroso e isento? A factualidade é uma palavra vã?
Terapia política. Introspecção psicossocial. Análise simbólica.
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21 setembro 2013
02 dezembro 2010
[1284] Notas avulsas sobre o papel do PR e sobre deontologia jornalística
1. O PR, em Portugal, tem os poderes que a Constituição lhe confere. Se a maioria do povo, através dos seus representantes, quiser reforçar os poderes presidenciais ou até alterar o sistema de governo (para Presidencialista) pode fazê-lo e tem agora uma boa oportunidade, estando aberto o processo de revisão constitucional.
2. Não sei se o actual PR "dá palpites" ou se tem "ideias brilhantes". Sei (...) que o órgão executivo é o Governo, que depende da AR, e que se os eleitores portugueses (...) tivessem querido mudar de Governo, deveriam ter demonstrado essa intenção nas urnas, há apenas um ano!
3. Estou muito cansado de ouvir e ler que "o PR deve fazer isto e aquilo" por parte de pessoas que, como eleitores e contribuintes, não fazem sequer o que lhes compete!
4. O PR, este ou outro, não precisa de conspirar para derrubar um governo. Demite-o, simplesmente. A Constituição Portuguesa prevê, claro, a demissão do governo. (...) [Basta lembrarmo-nos] dos casos em que houve mudança de governo sem ter havido dissolução da AR.
«Artigo 133º (Competência quanto a outros órgãos)
Compete ao Presidente da República, relativamente a outros órgãos:
(...)
(...)
g) Demitir o Governo, nos termos do n.º 2 do artigo 195.º, e exonerar o Primeiro-Ministro, nos termos do n.º 4 do artigo 186.º; (...)».
5. Quanto à [requentada] matéria das escutas, a mim interessa-me a questão ética e deontológica, porque - quanto à questão política ou tecnológica - não posso, honestamente, pronunciar-me, pois não tenho informação privilegiada nem sou perito informático. E como me interessa a questão ética, sei que o que foi publicado sobre o assunto pelo DN é "abaixo dos mínimos" aceitáveis, para ser educado. Releia[-se], apenas para começo, o que sobre isso foi escrito pela ERC e pelo Sindicato dos Jornalistas.
6. Sou muito sensível a esse assunto (liberdades, sobretudo de opinião). Daí o interesse ético e deontológico no papel do DN e do Público, mais do que nas próprias escutas, pois aí seremos [muitos] a especular sem dados seguros: eu não posso afirmar (duvido que alguém possa, para além de um círculo muito restrito de pessoas) se houve ou não escutas ao Presidente. Posso apenas afirmar que o tratamento jornalístico dado ao assunto foi indigno e já avaliado pela ERC e pelo SJ.
7. Num jornal de referência, não se violam princípios e regras éticas e deontológicas a troco de nada, muito menos durante uma campanha eleitoral, período democraticamente sensível. Abandone[m-se os] pré-conceitos e veja[-se], objectivamente, quem beneficiou com a divulgação desses e-mails obtidos ilicitamente (sim, porque as comunicações electrónicas também são protegidas pelas regras da privacidade).
7. Num jornal de referência, não se violam princípios e regras éticas e deontológicas a troco de nada, muito menos durante uma campanha eleitoral, período democraticamente sensível. Abandone[m-se os] pré-conceitos e veja[-se], objectivamente, quem beneficiou com a divulgação desses e-mails obtidos ilicitamente (sim, porque as comunicações electrónicas também são protegidas pelas regras da privacidade).
8. Não está prevista, não sei se por lapso ou por convicção do legislador, a demissão de Conselheiros de Estado, mas sim a renúncia, que é um acto pessoal. Daí que o PR tenha tido necessidade de aguardar a iniciativa de [Dias] Loureiro. Mas há um indício da posição (bastante crítica) do PR: durante o período em que aguardou essa renúncia, não convocou nenhum[a reunião do] Conselho de Estado. Não podemos imputar a um agente a responsabilidade pelo comportamento de terceiros.
9. A mim, como não sou juiz nem procurador, interessam-me mais os erros políticos, que (...) têm sido muitos. Para um juízo democrático, basta isso.
(Núncio, idem)
17 setembro 2010
[1232] As palavras dos outros (89): mau? Não, péssimo!
«A cobertura jornalística do caso Casa Pia é, desde a sua origem, paradigmática do pior que se faz em jornalismo».
(Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas, "Conselho Deontológico critica cobertura jornalística do caso Casa Pia", A Bola on line, 17-9-2010: sublinhado nosso)
06 fevereiro 2010
[1091] A coragem em fim de ciclo
«Acabo de ouvir Mário Bettencourt Resendes dizer na TSF que tem saudades daquele PS que lutava pela liberdade de imprensa em Portugal.»
*
Não é grande acto de coragem nem de perspicácia ou independência assinalar algo tão óbvio desde Março de 2005! MBR é jornalista, mas nos últimos cinco anos foi administrador da Lusomundo. Nunca o ouvi sobre os caminhos tortuosos que seguiu o "seu" DN.
Também tenho saudades daqueles que eram só jornalistas... Sem medo.
24 janeiro 2010
[1088] Prémio Miguel Sousa Tavares: a credibilidade do jornalismo
Criação de notícia falsa por António Tavares Teles sobre Deco, jogador do FCP, que é chantageado por Antero Henrique.
(telefonema entre Pinto da Costa e Tavares Teles, em 28-11-2003, segundo gravação tornada pública aqui)
10 outubro 2009
[1035] As palavras dos outros (60): contra a corrente
«Em alguns jornais perdeu-se o pudor.
(...) em períodos de campanha, os jornais evitavam dar à estampa pretensos escândalos de contornos duvidosos, recusando o papel de correias de transmissão de interesses partidários. Mas esse pudor desapareceu. (...)
Este lamentável episódio [das escutas] não colocou mal o Presidente da República – que, atacado em toda a parte com uma ferocidade e uma violência nunca vistas, soube manter a compostura e agir com dignidade. (...)
Cavaco – repito – mostrou-se sereno. A nossa intelligentsia, pelo contrário, deu uma triste imagem de si própria. Deixou-se manipular, instrumentalizar, mostrou falta de memória e de ponderação, inexplicável nervosismo, irresponsabilidade extrema. (...)
Não está na cara que, mesmo aqueles que não gostam de Cavaco, não têm a mínima vantagem numa fragilização do Presidente, que é o único garante de um certo pluralismo?
O certo é que, nestes tempos difíceis em que o sectarismo campeia, ninguém mais, além do Presidente da República, está em condições de só ter em vista o interesse comum.»
(José António Saraiva, "Está tudo doido em Portugal?", Política a Sério, Sol, 9-10-2009)
07 abril 2009
[840] A ecografia do poder (2)
A declaração de interesses de f. seria uma exigência ética e deontológica.
Já alguém leu artigos de Maria Cavaco Silva sobre os roteiros da Presidência do seu marido? Ou de João Cravinho sobre a política externa do seu filho? Ou de Dias Ferreira sobre as verdades da sua irmã?
(Núncio, comentário a "A ecografia de Fernanda Câncio", A Outra Varinha Mágica, 6-4-2009)
18 dezembro 2008
[728] Tem a certeza que é jornalista?
Um mês depois, quando já se sabe que MFL usou, embora de forma inábil, uma ironia, a jornalista insiste e recorda-nos, eleitores desatentos ou manipuláveis, «que a 18 de Novembro Ferreira Leite perguntou se “não seria bom haver seis meses sem democracia” para “pôr tudo em ordem”».
Nem a estupidez nem a má-fé têm campo no jornalismo de qualidade, isento e ético.
(Núncio, comentário a «Mensagem de Natal - Ferreira Leite garante que “em democracia há sempre soluções para os problemas”», Público online, 18-12-2008)
14 abril 2007
[465] Perigos e equívocos
"Não sei se Sócrates sairá ou não mal deste caso, mas o chamado jornalismo 'de referência' não sai decerto melhor"
(Manuel António Pina, "Jornal de Notícias", 12-4-2007, via Público online, 13-4-2007)
(Manuel António Pina, "Jornal de Notícias", 12-4-2007, via Público online, 13-4-2007)
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Aqui temos a prova de que os senhores conselheiros do Supremo Tribunal de Justiça (que tiraram o acórdão que condenou o diário «Público» a uma indemnização de 75 mil euros ao Sporting Clube de Portugal, por - apesar de se ter confirmado a veracidade da notícia publicada - o STJ entender que dela resultou «uma afectação negativa do crédito e do bom nome» do Sporting) não estão, afinal, sozinhos.
Não importa se as notícias sobre a formação académica do Primeiro-Ministro são verdadeiras (e se, em consequência disso, José Sócrates pode sair-se mal deste caso). O que parece, para alguns, é que o dito "jornalismo de referência" deve ser manso e subserviente, não publicando notícias embaraçosas, ainda que verdadeiras.
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Embora com argumentário diverso (e menos parcial), também discordo de Tomás Vasques e Paulo Gorjão, dos mais interessantes bloggers da actualidade.
Deste, discordo frontalmente da redução do caso à legalidade e lealdade. Como sabemos, quantas vezes o respeito da legalidade é meramente formal?
Do primeiro, concordo com as conclusões; discordo dos fundamentos. De facto, e ao contrário do que pensava Santana Lopes, a eleição é sempre fonte de (re)legitimação. Mas as dúvidas sobre o grau académico do primeiro-ministro não são questões "acessórias" sobre "o seu estilo pessoal". A integridade e a coerência são questões de carácter e de credibilidade.
Dizer que "Não votei por ele ser engenheiro técnico civil, engenheiro ou licenciado em engenharia, como não votei por tal grau académico ter sido obtido na Universidade Clássica, na Católica ou na Moderna" é desconversar. Não é a qualidade da formação académica que está em causa. É a forma (censurável ou não) como ela foi obtida. Princípios como os da igualdade de oportunidades e da igualdade de tratamento para todos não são mero repositório teórico-académico das democracias. Ou são?
Como também é muito falacioso reduzir este triste episódio ao caso "Monica Levinsky's Blowjob". Nada os liga, a não ser os lugares exigentes e privilegiados que ambos os protagonistas ocupa(ra)m. No primeiro, tratava-se de aspectos da vida sexual, que é do foro mais íntimo do ser humano (logo, também, dos políticos) e, por isso, insusceptíveis de escrutínio público (a não ser em casos patológicos ou ilegais). Nessa medida, o ataque a José Sócrates durante a campanha eleitoral está próximo, esse sim, do referido ataque a Clinton.
Neste momento, atacar José Manuel Fernandes ou o Público e restringir o jornalismo de referência a matérias neutras, incolores, inodores, meramente técnicas, é que é afectar perigosamente as liberdades de expressão e de imprensa - fundamentais num Estado de Direito democrático - e afastar a discussão da ética política de Portugal. Os fins não justificam os meios!
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ADENDA: Mas já concordo inteiramente com o que se diz, em 15-4-2007, aqui, ainda no "Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos": "Citações".
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