Terapia política. Introspecção psicossocial. Análise simbólica.
14 agosto 2010
[1212] Civismo e cidadania no mundo: o exemplo finlandês
A IEA, International Association for the Evaluation of Educational Achievement - uma organização científica internacional sem fins lucrativos - tem conduzido vários estudos comparativos, o último dos quais, em 2009, o INTERNATIONAL CIVIC AND CITIZENSHIP EDUCATION STUDY (ICCS), o Estudo Internacional sobre Educação Cívica e da Cidadania, cuja população-alvo foi definida como sendo o aluno com oito anos de escolaridade, desde que com idade acima de 13,5 anos, ou com nove anos, se mais novo.
Segundo o Helsinki Times (edição de 5/11-8-2010, n.º 31, a pp. 4), os jovens finlandeses estão entre os mais conhecedores das questões sociais (na sequência dos excelentes resultados nos testes PISA: 1.º lugar mundial em 2006), mas também os menos interessados numa participação activa. Só os jovens sul-coreanos demonstram menos interesse geral nos partidos políticos (apenas 13%, contra 27% dos finlandeses e 48% da média internacional) e apenas os belgas e checos têm menos interesse em aderir a um partido político (12% dos finlandeses e 27% da média internacional).
No entanto, os finlandeses depositam uma elevada confiança nas suas instituições, como a polícia e as forças de defesa e segurança (90%, muito acima da média internacional), o governo (82%, contra 62% dos jovens dos outros países representados), a comunicação social (80%, face aos 60% da média internacional), os partidos políticos (61%, comparados com os 41% das restantes nacionalidades). As instituições que merecem menos confiança dos jovens finlandeses são o mercado e as comunidades religiosas.
A coordenadora finlandesa do estudo é da opinião que falta responsabilidade social aos jovens finlandeses e que essa cabe à escola estimular e desenvolver.
Portugal, embora seja membro institucional da IEA (representado pelo GAVE, do Ministério da Educação), não participou neste estudo.
13 agosto 2010
[1211] Na season, um momento nada silly
«Ao longo da carreira, encontrei vários tipos de adeptos (...). Mas (...) não encontrei nenhuns com a genuína paixão dos Benfiquistas. É quase inexplicável. Sente-se olhando fundo nos olhos das pessoas. Sente-se nas manifestações espontâneas nas ruas, nos restaurantes, no estádio. Sente-se nas cartas que recebemos (...).
Quem já passou pelas mesmas situações - em países diferentes, com clubes diferentes e adeptos diferentes - sabe distinguir claramente os sentimentos. Aqui é distinto. Garanto!
O Benfica é um clube muito especial. (...) foi-me conquistando e convencendo com factos. É daqueles clubes que te surpreende dia após dia. Quando conto isto a alguns colegas de outros clubes, eles estranham. Como é que alguém que passou pelo Real Madrid ou pelo Barcelona se pode surpreender? A explicação é simples. O Real ou o Barça são como teatros gigantescos e nós, os jogadores, somos os actores principais de uma grandiosa encenação. No Benfica é outra coisa, mais ligada ao sentimento, ao povo, à paixão. Vem das raízes, é genuíno.
(...) No meio das montanhas [durante o estágio na Suíça], num local que nem vem no mapa, havia centenas de Benfiquistas a apoiar-nos. Após o primeiro treino, liguei à minha mãe e disse:"Mãezita, este clube é impressionante!"».
(Javier Saviola, aqui)
12 agosto 2010
[1210] It's the culture, man!
Os computadores são hoje, para o ensino, uma espécie de "3 in 1": máquina de escrever, calculadora e atlas. E, já nesses tempos idos, quem tivesse essas três ferramentas nunca seria um bom aluno se soubesse apenas manuseá-las. Continuava a ser preciso que escrevesse bem, que soubesse história, filosofia, lógica, ciências e línguas.
[1209] Neoesclavagismo
Escraviza-se o trabalhador, fazendo-o penar até não ter nem força nem tempo para mais nada. Para ler, para viajar, para socializar. Para tratar dos netos. Já alguém avaliou a falta que os avós fazem no desenvolvimento das crianças? E no voluntariado social e cultural, muitas vezes assegurado por reformados?
Por outro lado, é inadequado fixar uma idade muito avançada para aposentação/reforma, sem considerar a alta taxa de desemprego dos jovens. Estamos a forçar o trabalho sénior sem proteger o trabalho júnior. E sem atender às diferenças significativas da esperança média de vida entre povos. Um trabalhador sueco ou espanhol que se aposente aos 65 anos tem ainda a esperança de viver mais 16 anos (a média de homens e mulheres); o português viverá apenas mais 13 anos.
Finalmente, um povo esgotado é um pouco apático, que não se ocupa das questões cívicas e democráticas. Mas deve ser isso mesmo que se pretende. Mais idosos, menos jovens. Mais conformismo, menos criticismo.
(Núncio / Portugal Real, comentário a "Alemanha quer passar idade de reforma para 70 anos", Expresso on line, 12-8-2010)
10 agosto 2010
[1208] Autónomo, mas pouco
A «autonomia externa de "mão estendida"» a que se refere, e bem, Maria José Morgado não é figura de retórica judiciária nem soundbite publicitário. É a mais realista e desconsolada descrição do Ministério Público português.
A guia de transporte ainda não foi emitida? Pede-se à funcionária da contabilidade. É preciso um telemóvel para um procurador? Telefona-se ao chefe de divisão. Falta um computador num gabinete? Contacta-se o director de serviços. A aplicação informática está muito pesada? Fala-se com o subdirector-geral. A sala de audiências é desajustada? Solicita-se a intervenção do director-geral. O novo regulamento não trouxe melhorias? Roga-se ao secretário de Estado. O subsídio de compensação está desactualizado? Tenta convencer-se o ministro.
O MP de mão estendida perante a Administração Pública. Cuja hierarquia é o Governo, chefiado pelo Primeiro-Ministro.
[1207] Humor estival: fruta ou chocolate?
Uma senhora entra numa confeitaria e pede uma torta "Negra Maluca" (uma especialidade da doçaria brasileira). O empregado, embaraçado, diz à cliente que, hoje em dia, pode ser mal interpretada, devido às novas normas penais, civis e administrativas ligadas ao comércio justo, à Ética do Consumidor e aos Direitos Humanos.
- Mas já a minha avó fazia a torta com esse nome. Então, como é que se chama agora?
- Torta da Afro-descendente com Distúrbio Neuro-psiquiátrico.
(enviada por e-mail: cortesia do leitor "papasierra")
31 julho 2010
[1206] Vox lectori
Terminada a consulta aos nossos leitores (sem garantia de representatividade, etc.) sobre o casamento entre pessoas do mesmo género, foram obtidas 34 opiniões, agrupadas do seguinte modo (os leitores podiam seleccionar mais do que uma opção):
- 35% defendem que é o fim da família tradicional;
- 35% acham que é o alargamento a todos do exercício de um direito individual;
- 17% declaram que é um retrocesso civilizacional;
- 14% julgam que é a imposição de um aspecto da vida privada (orientação sexual) a uma instituição pública (casamento);
- 11% apontam a vitória do indivíduo sobre o Estado; e
- 8% pensam que é um progresso civilizacional.
Ou seja, poder-se-á dizer que 52% são da opinião que se trata de um recuo marcado sobretudo pelo fim da instituição familiar e 43% são da opinião que constitui um avanço assinalado pelo exercício do direito ao casamento por qualquer cidadão.
29 julho 2010
[1205] Janela indiscreta (7): quando?
Dr.ª Cândida Almeida,
quando teremos uma investigação criminal autónoma, corajosa, forte? E quando teremos o primeiro titular de cargo político acusado pelos crimes que cometeu, sem preconceitos nem condicionamentos?
25 julho 2010
[1204] Late Sunday evening: cinco minutos de Português antes de adormecer
O que é tautologia? É o termo usado para definir um dos vícios da linguagem. Consiste na repetição de uma ideia, ou assunto, com palavras diferentes, mas com o mesmo sentido. O exemplo clássico é o famoso 'subir para cima' ou o 'descer para baixo'.
Mas há outros, como pode ver nesta lista exemplificativa (a itálico, o segmento tautológico):
- elo de ligação
Mas há outros, como pode ver nesta lista exemplificativa (a itálico, o segmento tautológico):
- elo de ligação
- acabamento final
- certeza absoluta
- nos dias 8, 9 e 10, inclusive
- expressamente proibido
- em duas metades iguais
- há anos atrás
- vereador da cidade
- outra alternativa
- detalhes minuciosos
- superávit positivo
- todos foram unânimes
- conviver junto
- facto real
- encarar de frente
- multidão de pessoas
- amanhecer o dia
- criação nova
- retornar de novo
- surpresa inesperada
- planear antecipadamente
- comparecer em pessoa
- gritar bem alto
- demasiadamente excessivo
- a seu critério pessoal
- exceder em muito.
Note que todas essas repetições são dispensáveis, embora impressivas nalguns casos.
(fonte: Wikipédia. Adaptado)
[1203] The check, please! My grandson will pay.
Não insista, Toni. Por muita militância que se tenha - a lealdade é uma virtude - ela não pode ser o instrumento da cegueira nem da demagogia.
Portugal vive em crise desde, seguramente, o virar de século, há portanto 10 anos (para ser benévolo). Começámos a endividar-nos e, com isso, a empobrecer (todos os dados estatísticos o referem). A governação política dos últimos 10 anos foi 70% da responsabilidade do PS (estando José Sócrates, quer como ministro, quer como primeiro-ministro, em todos o sete anos socialistas) e 30% da responsabilidade do PSD. Um cada vez menos socialista e o outro cada vez menos social-democrata, porque ambos cada vez mais neoliberais.
Lembra-se dos 10 estádios de futebol? Poderíamos ter feito a festa com seis. Mas o ministro do Desporto quis mais. Creio que sabe quem é. O optimista reinante. Hoje, já não são estádios. A "modernidade que honra Portugal" (o 'soundbite' preferido) reside agora em aeroportos, comboios supersónicos e auto-estradas virtuais.
Alguém há-de pagar... Não o doce e amigo Toni, que já cá não estará.
(Núncio / Portugal Real, comentário a "Sócrates está para a justiça social como a vuvuzela para a música clássica", Expresso on line, 24-7-2010)
[1202] Depois do ópio e do futebol, a nova religião
«Quase todos os dirigentes políticos, sejam da esquerda tradicional ou da direita, sejam do Norte ou do Sul, confessam uma verdadeira devoção pelo mercado e, em particular, pelos mercados financeiros. Na verdade, deveríamos dizer que eles criaram uma verdadeira religião do mercado. A cada dia, em todas as casas do mundo que tem televisão ou internet, celebra-se uma missa dedicada ao deus Mercado durante a divulgação da evolução das cotações da Bolsa e dos mercados financeiros.
O deus Mercado envia seus sinais através do comentarista financeiro da televisão ou da imprensa escrita. Isso não acontece não somente nos países mais industrializados, mas também na maior parte do planeta. Em Shangai ou em Dakar, no Rio de Janeiro ou em Tombuctu, qualquer um pode saber quais são os “sinais enviados pelos mercados”.»
O deus Mercado envia seus sinais através do comentarista financeiro da televisão ou da imprensa escrita. Isso não acontece não somente nos países mais industrializados, mas também na maior parte do planeta. Em Shangai ou em Dakar, no Rio de Janeiro ou em Tombuctu, qualquer um pode saber quais são os “sinais enviados pelos mercados”.»
(Eric Toussaint, presidente do CADTM Bélgica - Comité para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo, doutor em Ciências Políticas da Universidade de Liège, Bélgica, e da Universidade de Paris VIII, França. Este artigo foi publicado no portal Carta Maior: cortesia do leitor "réprobo".)
24 julho 2010
[1200] Office boys
Déjà vu. O mundo global está cheio de moços de recados dos interesses privados, de corporações, das sociedades secretas. Mais do mesmo. Até que venha alguém com força telúrica para refundar o poder.
(Núncio / Portugal Real, comentário a "Passos Coelho: o moço de recados", Aparelho de Estado, Expresso, 24-7-2010)
[1199] Triste fado
Este artigo (e muitos dos comentários que se lhe seguiram) são o exemplo da desonestidade intelectual que invadiu este pobre país. Ao menos que fôssemos só pobres, mas não estúpidos!
Confunde-se função pública com empresas e institutos públicos. Aqui há privilégios e ninguém, nem mesmo HR, parece querer reduzi-los. Ali os privilégios são o de ganhar um ordenado médio de 900 euros e o de ter um sistema de protecção social específico (CGA e ADSE) pago, em parte, pelos beneficiários e, noutra parte, pelos concidadãos que, se tivessem senso, estariam orgulhosos do trabalho de professores, médicos, enfermeiros, juristas, engenheiros, juízes, procuradores, informáticos e tantos outros que, com competência e zelo, tratam o melhor que podem e com os recursos que têm do bem-estar da comunidade.
HR e outros como ele que fizeram pela coisa pública, além de a vilipendiar e denegrir?
(Núncio / Portugal Real, comentário a "Os privilegiados da ADSE", A Tempo e a Desmodo, Expresso, 24-7-2010)
23 julho 2010
[1198] Late Friday night: matemática poética (para maiores)
Quem 60 ao teu lado
e 70 pelo teu corpo,
vai certamente rezar 1/3
para arranjar 1/2
de te levar para 1/4
e aí te dizer:
20 **der.
(autor desconhecido)
18 julho 2010
[1196] Serviço público (40): o tempo na terra
A hora certa e os fusos horários no mundo: aqui.
(cortesia do leitor "sonhador")
17 julho 2010
[1195] Portugal é mais do que futebol (57): nuestros hermanos se callan
ao ganhar a Espanha por 3-1 em Guadalajara
[1194] Portugueses pelo mundo
Série portuguesa, entre o documental, o cultural e o turístico. Os novos emigrantes portugueses revelam-se. Músicos, dançarinos, cientistas, mordomos, cozinheiros. Jovens e menos jovens. Competentes, arrojados. De Bruxelas a Nova Iorque. Aos sábados ao serão, na RTP 1.
Surpreendente. Bem feita, ágil, apelativa, irreverente. Despretenciosa, mas cuidada do ponto de vista da imagem e da escolha dos projectos dos emigrantes portugueses. Deixa-nos bem dispostos e, paradoxalmente, com vontade de emigrar.
16 julho 2010
[1193] Portugal é mais do que futebol (56): há 600 anos a velejar...
A dupla portuguesa João Villas-Boas/Tomás Camelo sagrou-se vice-campeã nos Mundiais da Juventude da ISAF, na classe 420.
[1192] Portugal é mais do que futebol (55): o quarto homem
O português Sérgio Paulinho (RadioShack) ganhou hoje ao “sprint” a 10.ª etapa da Volta a França de bicicleta 2010, depois dos feitos anteriores de Joaquim Agostinho, Paulo Ferreira e Acácio da Silva.
12 julho 2010
10 julho 2010
[1190] Salve-se quem puder... enquanto é tempo!
Trabalhadora recrutada para nadadora salva-vidas em piscina municipal do Alentejo.
Curriulum vitae: Idade - sexagenária. Requisito preferencial - não sabe nadar.
(notícia da imprensa diária; cortesia do leitor jfaria)
Curriulum vitae: Idade - sexagenária. Requisito preferencial - não sabe nadar.
(notícia da imprensa diária; cortesia do leitor jfaria)
05 julho 2010
[1189] Ao domingo, a palavra do Senhor
«Senhor, até os demónios nos obedeciam em teu nome».
Jesus respondeu-lhes: « (...), não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos antes porque os vossos nomes estão escritos nos Céus».
*
Em tempos de (aparente) obediência, em que (quase) todos se calam ou resignam em nome de inconfessadas lealdades ou inconfessáveis interesses, reler este trecho pode ser inspirador. Que ninguém se equivoque. Pouco importa se e quantos nos obedecem; o importante é saber se deixamos algum legado.
04 julho 2010
[1188] Janela indiscreta (6): perplexidades da militância
«Naturalmente, os mais avisados dentro do PSD sabem que ainda não é chegado o momento. Lá para Outubro ou Novembro de 2011, talvez. Antes é preciso obrigar o PS a acabar o trabalho sujo.»
(Eduardo Pitta, "Tour de force", Da Literatura, 28-6-2010)
*
Mas, afinal, se o Governo do PS está a fazer o trabalho sujo da Direita, qual o interesse, para os seus militantes e simpatizantes, de o manter em funções?
30 junho 2010
[1187] Os dias da bola
Eduardo e Coentrão. E a sexta maior goleada da história dos mundiais de futebol, a deixar a Coreia sem Norte. Pouco mais haverá para recordar...
28 junho 2010
27 junho 2010
26 junho 2010
[1184] Citações do mundo: o estado da arte económica e social
«É impossível levar o pobre à prosperidade através de leis que punem os ricos pela prosperidade. Por cada pessoa que recebe sem trabalhar outra pessoa deve trabalhar sem receber. Quando metade da população entende que não precisa de trabalhar, pois a outra metade irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale a pena trabalhar mais para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação.»
(Adrian Rogers, 1931)
[1183] As palavras dos outros (85): os filhos da Nação
(Ramalho Eanes, final do colóquio "O V Governo Constitucional", uma iniciativa do Instituto de História Contemporânea, da Universidade Nova de Lisboa, 25-6-2010)
24 junho 2010
19 junho 2010
[1179] As palavras dos outros (84): e a França aqui tão perto...
«Dominique de Villepin associa o Presidente da República [Sarkozy] à "descida de nível da política" e denuncia "o espírito de corte, tudo o que corrompe o espírito nacional e a própria ideia de interesse nacional".»
("Dominique de Villepin lança hoje o movimento República Solidária", 19-6-2010, aqui)
13 junho 2010
[1178] Janela indiscreta (4): pergunta inevitável
A quem convém que as eleições legislativas antecipadas não se realizem ainda este ano?
12 junho 2010
[1177] Dúvidas nada metódicas
O problema das sociedades secretas, das irmandades, dos grupos de interesses, das reuniões reservadas, dos clubes restritos não é de ordem legal nem estatutária (pelo menos, teoricamente). É de ordem democrática. Não têm mandato nem são objecto de escrutínio. Mas influenciam, condicionam, decidem. Em nome de quem e de quê?
Os eleitores designam membros do Bilderberg ou concidadãos seus? Os deputados são membros de partidos ou irmãos pedreiros? A lealdade impõe-se em Lisboa ou em Genebra?
[1176] Pode dar o exemplo, sff?
José Pacheco Pereira, embora estudioso e sério, cansa. Como cansam Marcelo Rebelo de Sousa, António Vitorino, Carlos Abreu Amorim e tantos outros. Portugal não precisa de mais comentadores. Precisa de exemplos. Precisa de coragem.
11 junho 2010
[1175] Janela indiscreta (3): perguntas pouco retóricas
E V. Ex.ª, Sr. Primeiro-Ministro, qual vai ser o sacrifício que, em nome da austeridade, vai impor a si mesmo? Redução do salário? Diminuição do n.º de assessores?
E que outras medidas de redução do peso do Estado vai propor? Emagrecimento do governo (ministérios, secretarias de Estado, gabinetes, unidades de missão, agências, etc.)? Deslocações em transportes públicos? Extinção e fusão de empresas públicas e institutos públicos? Eliminação de eventos, brochuras, publicidade, campanhas inúteis ou fúteis?
Todos anseiam pelo PEC III. Depois dos consumidores (IVA) e dos trabalhadores por conta de outrém pertencentes à classe média (IRS), que tal um conjunto de medidas para altos cargos políticos e alta administração do Estado?
09 junho 2010
03 junho 2010
[1172] Janela indiscreta (2): o irmão mensageiro
Quem encomendou o recado de D. José Policarpo a Cavaco Silva?
[1171] Janela indiscreta (1): as trevas da oposição
Onde está o governo sombra prometido por Passos Coelho?
[1170] Citações do mundo: a coragem de dizer NÃO
«A recusa sempre constituiu um gesto essencial. Dos santos, dos eremitas, mas também dos intelectuais. O pequeno número de homens que fizeram a História são os que disseram não, e nunca os cortesãos ou os mordomos dos cardeais».
(Pier Paolo Pasolini, cit. por António Pedro Vasconcelos, "Das Duas, Uma", SOL, 28-5-2010)
29 maio 2010
[1168] As palavras dos outros (83): convicção ou prudência?
«Há momentos na vida de um País em que a ética da responsabilidade tem de ser colocada acima das convicções pessoais de cada um.»
(Cavaco Silva, Declaração do Presidente da República sobre o Diploma da Assembleia da República que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo, 17-5-2010)
*
«(...) podemos definir a prudência como virtude, hábito ou disposição cognoscitiva-volitiva que permite ao homem perceber no real as exigências morais concretas e decidir em conformidade, isto é, razoavelmente, determinando o exacto meio de todas as acções virtuosas. A prudência não é uma manifestação de acanhamento e de falta de coragem. Nas situações-limite, aquelas em que, no fundo, se joga o cerne da ética, até é mais fácil optar pelas respostas extremadas. Diversamente, a prudência, refreando as respostas impetuosas e as posições extremadas, pode constituir um verdadeiro exercício de ousadia e de coragem. Podemos, pois, falar na ousadia da prudência.»
(Horta Fernandes, "A Ousadia da Prudência – Ética e Deontologia na Justiça", aqui)
14 maio 2010
[1167] As palavras dos outros (82): na morte de Saldanha Sanches
«Partida de um Herói: Este senhor, é daqueles, dos tais, de que este desgraçado país tanto precisa. Cala-se para sempre uma voz brilhante e sonora, qual trombeta do Juízo Final, que tinha o condão de explicar claramente a todos e sempre com toda a elegância, os podres da nossa política.»
(anónimo, Lisboa, 11:33, comentário a "Morreu o fiscalista Saldanha Sanches", Público on line, 14-5-2010)
*
«Quando ouvi a notícia, chorei como se ele fosse um familiar muito amado. Não era, mas representava para mim, a memória dos sonhos que tivemos de um País melhor, com muitos HOMENS como ele, com as duas qualidades que o caracterizavam, cada vez mais raras e, por isso, preciosas: INTELIGÊNCIA e INTEGRIDADE. Estamos, de facto, a ficar cada vez mais pobres, até de capital humano.»
(Maria Rosa Gomes, Lisboa, 11:47, idem)
*
«Apesar de não ter tido o prazer de o conhecer pessoalmente, fica na memória uma pessoa íntegra e competente, frontal e verdadeira. Algo que, infelizmente, escasseia neste jardim à beira mar plantado. A sua falta vai certamente ser sentida.»
(ruibbb, 09:20, idem)
13 maio 2010
[1166] As palavras dos outros (81): só agora percebeste, pá?
«As escolhas que podiam ter [sido] feit[as] na campanha eleitoral [de Setembro de 2009] foram perturbadas por estas três grandes mentiras [impostos, privatizações e obras públicas].»
(Francisco Louçã, Lusa, via MSN Notícias, 13-5-2010: destaque nosso)
[1165] Serviço público (38): a vantagem dos transportes públicos
(*) Transporte sustentável, como parte de cidades sustentáveis e vidas sustentáveis
[1164] Toda a sofisticação expressa num nickname!
«Eu comparo o benfica aos produtos de marca branca: toda a gente os compra mas também toda a gente sabe que não valem nada! Para se ser do Sporting é preciso ter um gosto sofisticado e um conjunto de valores que não estão ao alcance de uma fatia significativa da população.»
(leitor pimba_nelas, comentário a "Isto é o Benfica", Miguel Góis, Record on line, 13-5-2010)
10 maio 2010
09 maio 2010
[1162] As palavras dos outros (80): o insulto da inutilidade
«É do conhecimento público que o senhor Miguel de Sousa Tavares considerou "os professores os inúteis mais bem pagos deste país". Espantar-me-ia uma afirmação tão generalista e imoral, não conhecesse já outras afirmações que não diferem muito desta, quer na forma, quer na índole. Não lhe parece que há inúteis, que fazem coisas inúteis e escrevem coisas inúteis, que são pagos a peso de ouro? Não lhe parece que deveria ter dirigido as suas aberrações a gente que, neste deprimente país, tem mais do que uma sinecura e assim enche os bolsos? Não será esse o seu caso? O que escreveu é um atentado à cultura portuguesa, à educação e aos seus intervenientes, alunos e professores. Alunos e professores de ontem e de hoje, porque eu já fui aluna, logo de 'inúteis', como o senhor também terá sido. Ou pensa hoje de forma diferente para estar de acordo com o sistema?
O senhor tem filhos? - a minha ignorância a este respeito deve-se ao facto de não ser muito dada a ler revistas cor-de-rosa. Se os tem, e se estudam, teve, por acaso, a frontalidade de encarar os seus professores e dizer-lhes que "são os inúteis mais bem pagos do país"? Não me parece... Estudam os seus filhos em escolas públicas ou privadas? É que a coisa muda de figura! Há escolas privadas onde se pagam substancialmente as notas dos alunos que os professores 'inúteis' são obrigados a atribuir. A alarvidade que escreveu, além de ser insultuosa, revela muita ignorância em relação à educação e ao ensino. E, quem é ignorante, não deve julgar sem conhecimento de causa. Sei que é escritor, porém nunca li qualquer livro seu, por isso não emito julgamentos sobre aquilo que desconheço. Entende ou quer que a professora explique de novo?
Sou professora de Português com imenso prazer. Oxalá nunca nenhuma das suas obras venha a integrar os programas da disciplina, pois acredito que nenhum dos 'inúteis' a que se referiu a leccionasse com prazer. Com prazer e paixão tenho leccionado, ao longo dos meus vinte e sete anos de serviço, a obra de sua mãe, Sophia de Mello Breyner Andersen, que reverencio. O senhor é a prova inequívoca que nem sempre uma sã e bela árvore dá são e belo fruto. Tenho dificuldade em interiorizar que tenha sido ela quem o ensinou a escrever. A sua ilustre mãe era uma humanista convicta. Que pena não ter interiorizado essa lição! A lição do humanismo que não julga sem provas! Já visitou, por acaso, alguma escola pública? Já se deu ao trabalho de ler, com atenção, o documento sobre a avaliação dos professores? Não, claro que não. É mais cómodo fazer afirmações bombásticas, que agitem, no mau sentido, a opinião pública, para assim se auto-publicitar.
Sei que, num jornal desportivo, escreve, de vez em quando, umas crónicas e que defende muito bem o seu clube. Alguma vez lhe ocorreu, quando o seu clube perde, com clubes da terceira divisão, escrever que "os jogadores de futebol são os inúteis mais bem pagos do país"? Alguma vez lhe ocorreu escrever que há dirigentes desportivos que 'são os inúteis' mais protegidos do país? Presumo que não, e não tenho qualquer dúvida de que deve entender mais de futebol do que de Educação. Alguma vez lhe ocorreu escrever que os advogados "são os inúteis mais bem pagos do país"? Ou os políticos? Não, acredito que não, embora também não tenha dúvidas de que deve estar mais familiarizado com essas áreas.
Não tenho nada contra os jogadores de futebol, nada contra os dirigentes desportivos, nada contra os advogados. Porque não são eles que me impedem de exercer, com dignidade, a minha profissão. Tenho sim contra os políticos arrogantes, prepotentes, desumanos e inúteis, que querem fazer da educação o caixote do (falso) sucesso para posterior envio para a Europa e para o mundo. Tenho contra pseudo-jornalistas, como o senhor, que são, juntamente com os políticos, "os inúteis mais bem pagos do país", que se arvoram em salvadores da pátria, quando o que lhes interessa é o seu próprio umbigo.
Assim sendo, Sr. Miguel de Sousa Tavares, informe-se, que a informaçãozinha é bem necessária antes de 'escrevinhar' alarvices sobre quem dá a este país, além de grandes lições nas aulas, a alunos que são a razão de ser do professor, lições de democracia ao país. Mas o senhor não entende! Para si, democracia deve ser estar do lado de quem convém. Por isso, não posso deixar de lhe transmitir uma mensagem com que termina um texto da sua sábia mãe: "Perdoai-lhes, Senhor, porque eles sabem o que fazem".»
(Ana Maria Gomes, Escola Secundária de Barcelos: cortesia da leitora "cachopa")
[1161] Serviço público (37): a confiança no EURO / faith in the EUR
Outro inquérito muito importante no suporte digital daquele jornal, na edição europeia:
"Which currency do you have the most faith in? Dollar, pound, euro or yen?" ("Qual a moeda em que confia mais? Dólar, libra, euro ou iene?"). Não tenha dúvidas e vote: no EURO. Aqui.
[1160] Serviço público (36): o valor da CORTIÇA / the value of cork
O jornal "Wall Street Journal", na sua edição digital, propõe o seguinte inquérito:
"Plastic or real cork: Which is the better way to seal a wine bottle? Plastic, cork or they're equal?" ("Plástico ou cortiça: qual é a melhor maneira de enrolhar uma garrafa de vinho? Plástico, cortiça ou são iguais?").
Não tenha dúvidas e vote: CORTIÇA /CORK! Aqui.
[1159] Saturday night humour: coisas da fé
No dia 14, no Porto, a missa campal presidida pelo Santo Padre já não se realiza na Av. dos Aliados, mas sim no Estádio do Dragão, onde JESUS foi crucificado.
(cortesia do leitor jfaria)
[1157] As palavras dos outros (79): o porte não engana
«[D]aqui a 150 anos, "a história há-de assinalar aos que cá estiverem que aquele Presidente da República foi um dos maiores, senão o maior estadista português do seu tempo".»
(Joaquim Sousa, presidente do conselho de administração do Montepio Rainha D. Leonor, nas Caldas da Rainha, sobre Cavaco Silva: "Portugal precisa de mais exemplos de rigor na gestão e ponderação nas decisões")
(Joaquim Sousa, presidente do conselho de administração do Montepio Rainha D. Leonor, nas Caldas da Rainha, sobre Cavaco Silva: "Portugal precisa de mais exemplos de rigor na gestão e ponderação nas decisões")
06 maio 2010
[1156] Late Thursday afternoon: galos alegres, galinhas patetas
Galinha do campo: "Os robôs nunca substituirão os verdadeiros poetas!"Poeta-robô: "Deixa-me que te esclareça: és poeta. Achas mesmo que quero tirar-te o emprego?"
(via leitor Lalage)
05 maio 2010
02 maio 2010
01 maio 2010
[1153] Citações do mundo: o poder de quem não tem (quase) nada
No dia do trabalhador, em clima de crise mundial e quiçá de retrocesso civilizacional, por vezes a roçar a neoescravatura, uma homenagem através de alertas:
"Atenas domina toda a Grécia; eu domino Atenas; a minha mulher domina-me e o nosso filho recém-nascido domina a minha mulher!" (Temístocles).
"Há algo de único em ser Presidente: ninguém te pode dizer quando te deves sentar" (Eisenhower).
"O poder está na ponta da espingarda" (Mao Tse Tung).
"O que conta é montar o cavalo, não interessa a sua côr" (Deng Xiao Ping).
"Nunca reivindiques a liderança" (Deng Xiao Ping).
[1152] Early Saturday afternoon: o humor combate a ansiedade
Está o País todo R32ERVADO. Excepto a Avenida dos Aliados por[que] aí não aceitam reservas, só ENCOMENDAS.
(Red_South, comentário a «Adeptos "reservam" Funchal», Record, 1-5-2010)
[1151] A desigualdade de género (2)
E, dentro do género feminino, [Portugal] também precisa das negras, das feias, das pobres, das ciganas, das idosas, das deficientes, etc. É muito bonito andar a dissertar sobre igualdade de género quando essa igualdade só é promovida entre brancos, bonitos, ricos e saudáveis...
Perguntava uma feminista numa dessas palestras [sobre igualdade de género na Administração Pública]: "Já repararam que se vêem tão poucas mulheres no Parlamento?"
Alguém ripostou: "E a Sr.ª Dr.ª vê deputados negros? E invisuais? E ciganos? E sem licenciatura?"
(Núncio/Portugal Real, comentário a «Igualdade: Crise deve ser aproveitada para "mudança significativas"», Expresso on line, 30-4-2010)
[1150] As palavras dos outros (78): a Madame Bucket (lê-se Buquê)
Realmente, a democracia é um regime fantástico! Achata a pirâmide social, redistribuindo o acesso à cultura, às artes, ao desporto, ao ensino...
Pena que também massifique a boçalidade!
(Núncio, comentário a "Ao tio Filipe Nunes Vicente, le génie de la famille", Albergue Espanhol, 30-4-2010)
30 abril 2010
[1148] Sector público: novas ferramentas, velhos hábitos
[No sector público, a] dificuldade de desdobramento dos objectivos estratégicos (muitas vezes impostos politicamente) em objectivos operacionais (por serem alheios aos propósitos das unidades orgânicas) faz com que a sua concretização seja artificial e dela se retire pouco valor para o desempenho institucional.
É a prova de como a utilização de uma boa ferramenta pode tornar-se num exercício inútil, por não ser comparável a margem de decisão de um conselho de administração ou mesmo da gerência de uma empresa com a direcção superior de uma organismo público.
(Núncio, comentário a "Quais as causas das falhas na relação causa-efeito?", Monitorização da Performance, 27-4-2010)
29 abril 2010
[1147] O povo também se engana, lá na urna onde vota...
Insultada foi a nossa inteligência durante o ano de 2009, que culminou com a maior manipulação eleitoral desde 1974.
Tudo o que foi dito pela líder da Oposição, escarnecida e menosprezada durante dois anos, era a pura VERDADE. Estamos falidos, não podemos fazer TGV nem mais auto-estradas nem terceiras pontes…
E agora, paga a crise quem votou, teimosamente, na continuidade?
(Núncio, comentário a "Pela blogosfera", vida breve, 28-4-2010)
25 abril 2010
[1145] And the next President shoud be...
... outro que não um dos mais falados, incluindo o actual.
Encerrada a consulta aos nossos leitores sobre o melhor Presidente da República a ser eleito em Janeiro de 2011, 33 dos 107 que participaram (30%) elegeriam outro candidato, o que faz pensar que Fernando Nobre e outros cidadãos fora do circuito político-partidário começam a ter alguma força eleitoral...
Dos candidatos propostos, há três destacados: Alegre (19%), Sampaio (17%) e Cavaco (15%). Enquanto, à Direita, não há concorrência para o actual Presidente, à Esquerda, há os saudosos do ex-PR e os fieis alegristas.
Com as candidaturas do poeta e do ex-primeiro ministro mais do que confirmadas, resta saber para onde vão pender os votos atribuídos a Sampaio e a Gama (5%), Guterres (3%), Marcelo (3%), Santana (2%)... e ao outro!
21 abril 2010
[1144] Humor com bolinha vermelha no canto superior direito: desigualdade de género
Por que é que, quando uma mulher fica grávida, todas as amigas esfregam-lhe a barriga e dizem "Parabéns!" e nenhum amigo do homem lhe esfrega a pila e lhe diz "Bom trabalho!"?
(cortesia do leitor Barata)
20 abril 2010
[1143] Poesia do mundo: o golpe de asa
Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo ... e tudo errou...
De tudo houve um começo ... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...
Momentos de alma que desbaratei...
Momentos de alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...
Se me vagueio, encontro só indícios...
Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...
Num ímpeto difuso de quebranto,
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Listas de som avançam para mim a fustigar-me
Listas de som avançam para mim a fustigar-me
Em luz.
Todo a vibrar, quero fugir... Onde açoitar-me?...
Os braços duma cruz
Anseiam-se-me, e eu fujo também ao luar...
(Mário de Sá Carneiro, "Quase", 1913)
[1142] Faltou um golpe de asa...
O Presidente da República estava em Praga, a 540 km de Cracóvia, onde iria ser sepultado o Presidente polaco, vítima de trágico acidente, ao serviço da sua pátria. Devido às péssimas condições atmosféricas que têm afectado o tráfego aéreo, muito poucos Chefes de Estado puderam estar presentes no funeral de Estado.
Preferiu fazer cerca de 1700 km, de Praga até Barcelona (via Estrasburgo), a caminho de casa. Para cumprir a agenda doméstica.
17 abril 2010
[1141] Portugal a ferver (2)
«A função do discurso contra os supostos "direitos adquiridos" (que se deviam chamar "direitos conquistados") é simples: transportar o trabalhador de novo para o século XIX. Mas talvez quando voltarmos todos a trabalhar à jorna e nada nos segurar no desespero do desemprego voltemos a perceber quem são realmente os privilegiados.»
(Daniel Oliveira, "Dividir para reinar", Antes Pelo Contrário, Expresso on line, 12-4-2010)
[1140] Portugal a ferver...
«Au Portugal, plus de 18% des agents de l’Etat sont assimilés à des travailleurs indépendants. Licenciables à tout moment sans indemnités chômage ni congés payés.»
(Libération on line, "Obligation de service précaire", 14-4-2010: cortesia do leitor réprobo)
11 abril 2010
[1139] Os índios no divã: sabedoria secular
1. Levante-se com o Sol para orar. Ore sozinho. Ore com frequência. O Grande Espírito escutá-lo-á se você, ao menos, falar.
2. Seja tolerante com aqueles que estão perdidos no caminho. A ignorância, o convencimento, a raiva, o ciúme e a avareza advêm de uma alma perdida. Ore para que eles encontrem o caminho do Grande Espírito.
3. Procure conhecer-se por si mesmo. Não permita que outros façam o seu caminho. É a sua estrada e somente a sua. Os outros poderão andar ao seu lado, mas ninguém pode andar por você.
4. Trate os seus convidados com muita consideração. Sirva-lhes o melhor alimento, a melhor cama e trate-os com respeito e honra.
5. Não fique com o que não é seu. Seja de uma pessoa, da comunidade, da natureza ou da cultura. Se não lhe foi dado, não é seu.
6. Respeite todas as coisas que foram colocadas na Terra. Sejam elas pessoas, plantas ou animais.
7. Respeite os pensamentos, desejos e palavras das pessoas. Nunca interrompa os outros nem ridicularize nem imite. Permita a cada pessoa o direito da expressão pessoal.
8. Nunca fale dos outros de uma maneira má. A energia negativa que você exteriorizar no universo voltará multiplicada.
9. Todas as pessoas cometem erros. E todos os erros podem ser perdoados.
10. Pensamentos maus causam doenças da mente, do corpo e do espírito. Pratique o optimismo.
11. A natureza não é para nós, ela é uma parte de nós. Toda a natureza faz parte da nossa família terrena.
12. As crianças são as sementes do nosso futuro. Plante amor nos seus corações e regue com sabedoria e lições de vida. Quando forem crescidos, dê-lhes espaço para que cresçam.
13. Evite amachucar o coração das pessoas. O veneno da dor causada a outros regressará a si.
14. Seja sincero e verdadeiro em todas as situações. A honestidade é o grande teste para a nossa herança do universo.
15. Mantenha-se equilibrado. O seu corpo espiritual, mental, emocional e físico: todos necessitam ser fortes, puros e saudáveis. Trabalhe o seu corpo físico para fortalecer o seu corpo mental. Enriqueça o seu corpo espiritual para curar o seu corpo emocional.
16. Tome decisões consciente de como você é e como reagirá. Seja responsável pelas suas próprias acções.
17. Respeite a privacidade e o espaço pessoal dos outros. Não mexa na propriedade pessoal das outras pessoas, especialmente objectos religiosos e sagrados. Isto é proibido.
18. Comece sendo verdadeiro consigo mesmo. Se você não puder nutrir e ajudar-se a si mesmo, você não poderá nutrir e ajudar os outros.
19. Respeite as outras crenças religiosas. Não imponha as suas crenças aos outros.
20. Partilhe a sua boa fortuna com os outros. Seja caridoso.
[cortesia da leitora Jô: CÓDIGO DE ÉTICA DOS ÍNDIOS NORTE-AMERICANOS. Neste código participam as tribos Cherokee Blackfoot, Cherokee, Lumbee Tribe, Comanche, Mohawk, Willow Cree, Plains Cree, Tuscarora, Sicangu Lakota Sioux, Crow (Montana), Northern Cheyenne (Montana)]
2. Seja tolerante com aqueles que estão perdidos no caminho. A ignorância, o convencimento, a raiva, o ciúme e a avareza advêm de uma alma perdida. Ore para que eles encontrem o caminho do Grande Espírito.
3. Procure conhecer-se por si mesmo. Não permita que outros façam o seu caminho. É a sua estrada e somente a sua. Os outros poderão andar ao seu lado, mas ninguém pode andar por você.
4. Trate os seus convidados com muita consideração. Sirva-lhes o melhor alimento, a melhor cama e trate-os com respeito e honra.
5. Não fique com o que não é seu. Seja de uma pessoa, da comunidade, da natureza ou da cultura. Se não lhe foi dado, não é seu.
6. Respeite todas as coisas que foram colocadas na Terra. Sejam elas pessoas, plantas ou animais.
7. Respeite os pensamentos, desejos e palavras das pessoas. Nunca interrompa os outros nem ridicularize nem imite. Permita a cada pessoa o direito da expressão pessoal.
8. Nunca fale dos outros de uma maneira má. A energia negativa que você exteriorizar no universo voltará multiplicada.
9. Todas as pessoas cometem erros. E todos os erros podem ser perdoados.
10. Pensamentos maus causam doenças da mente, do corpo e do espírito. Pratique o optimismo.
11. A natureza não é para nós, ela é uma parte de nós. Toda a natureza faz parte da nossa família terrena.
12. As crianças são as sementes do nosso futuro. Plante amor nos seus corações e regue com sabedoria e lições de vida. Quando forem crescidos, dê-lhes espaço para que cresçam.
13. Evite amachucar o coração das pessoas. O veneno da dor causada a outros regressará a si.
14. Seja sincero e verdadeiro em todas as situações. A honestidade é o grande teste para a nossa herança do universo.
15. Mantenha-se equilibrado. O seu corpo espiritual, mental, emocional e físico: todos necessitam ser fortes, puros e saudáveis. Trabalhe o seu corpo físico para fortalecer o seu corpo mental. Enriqueça o seu corpo espiritual para curar o seu corpo emocional.
16. Tome decisões consciente de como você é e como reagirá. Seja responsável pelas suas próprias acções.
17. Respeite a privacidade e o espaço pessoal dos outros. Não mexa na propriedade pessoal das outras pessoas, especialmente objectos religiosos e sagrados. Isto é proibido.
18. Comece sendo verdadeiro consigo mesmo. Se você não puder nutrir e ajudar-se a si mesmo, você não poderá nutrir e ajudar os outros.
19. Respeite as outras crenças religiosas. Não imponha as suas crenças aos outros.
20. Partilhe a sua boa fortuna com os outros. Seja caridoso.
[cortesia da leitora Jô: CÓDIGO DE ÉTICA DOS ÍNDIOS NORTE-AMERICANOS. Neste código participam as tribos Cherokee Blackfoot, Cherokee, Lumbee Tribe, Comanche, Mohawk, Willow Cree, Plains Cree, Tuscarora, Sicangu Lakota Sioux, Crow (Montana), Northern Cheyenne (Montana)]
01 abril 2010
[1137] Cadê os outros?!
Reduzir a pedofilia a um “vício de padrecos” é muito conveniente para todos aqueles que utilizam a sexualidade e as “causas fracturantes” para atacar e destruir a Igreja e para os outros que, com sentimento de culpa, se auto-justificam dessa forma.
(Núncio, comentário a "O horror", vida breve, 30-3-2010)
31 março 2010
[1136] Tanta falta de vergonha e tanta longevidade...
«Foi apenas uma decisão do C[onselho] de J[ustiça] que alterou uma decisão da C[omissão] D[isciplinar] e nós, ao longo destes quatro anos, já vamos em 470 processos disciplinares decididos e, portanto, este foi mais um recurso dos 66 apresentados no CJ. Durante estes quatro anos, já tivemos três CJ, quatro presidentes do CJ e em 85 por cento dos recursos tivemos ganho total. Só em três processos tivemos uma alteração, com uma revogação das decisões.»
«Neste campo das agressões dos jogadores, a desproporção era notória e a decisão do CJ veio demonstrá-la», assinalou Ricardo Costa, apontando a definição de “recinto desportivo” como fulcral para a decisão. Segundo o presidente da CD da Liga, «basta mudar de um artigo para o outro, de uma agressão contra assistente de recinto desportivo para uma agressão contra o público, para se passar de três e quatro meses para três e quatro jogos».
«Vou sair da CD com 37 anos e o futebol foi uma excelente escola de vida», sobretudo pela “falta de princípios e valores das pessoas.»
(Ricardo Costa, presidente da Comissão Disciplinar da Liga de Futebol, entrevista à SIC Notícias, 30-3-2010)
29 março 2010
27 março 2010
[1134] Late Saturday morning: depois da alegria eleitoral, o humor negro
Cinco cirurgiões descreviam os seu pacientes preferidos. Dizia o primeiro:
- Gosto de operar contabilistas porque, quando os abres, todos os órgãos estão numerados e ordenados.
O segundo retorquiu:
- Sim, mas melhor ainda são os electricistas porque todos os órgãos estão codificados por cores. Não há qualquer risco de te enganares.
Respondeu o terceiro:
-Qual quê! Os melhores são os bibliotecários. Dentro deles tudo está ordenado alfabeticamente.
O quarto cirurgião opinou:
- Rapazes, não há como os mecânicos. Eles até transportam uma reserva dos órgãos que têm de ser substituídos.
Finalmente, disse o quinto:
- Deixem-me discordar de todos vocês, meus caros companheiros, mas os nossos melhores pacientes são definitivamente os políticos. Não têm coração, não têm estômago nem tomates.
(cortesia do leitor jsilva: por e-mail)
26 março 2010
[1133] Líderes procuram-se
Na véspera das eleições de que resultará a escolha do novo presidente do PSD, fechamos a consulta que também auscultou a opinião de 46 leitores (que não asseguram uma amostra representativa) sobre qual deveria ser o sucessor de José Sócrates:
1. No PSD, Paulo Rangel foi o mais votado, por oito leitores (24%), embora treze outros (38%) preferissem um que não os quatro propostos. Aguiar Branco teve cinco votos (14%) e Marcelo e Passos Coelho quatro cada um (12%).
2. No PS, os nomes sugeridos também não agradaram à maioria. Catorze leitores (48%) preferiam outro, António Costa teve oito votos (28%), António José Seguro cinco (17%) e Jaime Gama e Silva Pereira um voto cada (3%).
1. No PSD, Paulo Rangel foi o mais votado, por oito leitores (24%), embora treze outros (38%) preferissem um que não os quatro propostos. Aguiar Branco teve cinco votos (14%) e Marcelo e Passos Coelho quatro cada um (12%).
2. No PS, os nomes sugeridos também não agradaram à maioria. Catorze leitores (48%) preferiam outro, António Costa teve oito votos (28%), António José Seguro cinco (17%) e Jaime Gama e Silva Pereira um voto cada (3%).
Pouco entusiasmo no segundo caso, muita dispersão no primeiro.
[1132] As palavras dos outros (77): onde estava em Setembro de 2009?
«Corremos o risco de viver tempos dramáticos.»
Teixeira dos Santos, ministro das Finanças desde Junho de 2005
Teixeira dos Santos, ministro das Finanças desde Junho de 2005
25 março 2010
[1131] O sumo das laranjas de Mafra
Avaliamos hoje, com base em quatro critérios que nos parecem os mais adequados para definir um político com pretensões a ocupar lugar-chave nos órgãos do Estado, os quatro candidatos à presidência do PSD. Os critérios são (1) capacidade política, (2) coerência discursiva, (3) integridade e (4) reconhecimento profissional. Cada critério é avaliado de 0 a 5 (a soma máxima é 20).
*
Aguiar-Branco........ (1) 2,5 (2) 3,0 (3) 4,0 (4) 4,0 (T) 13,5
Castanheira Barros. (1) 1,5 (2) 2,5 (3) 3,5 (4) 3,0 (T) 10,5
Passos Coelho....... (1) 3,5 (2) 3,0 (3) 3,0 (4) 2,0 (T) 11,5
Paulo Rangel......... (1) 4,0 (2) 3,5 (3) 3,0 (4) 4,0 (T) 14,5
24 março 2010
[1130] Late evening: Amor de perdição
Ao chegar a casa, no final da noite, diz o marido à mulher, já deitada:
- Querida, quero amá-la.
A mulher, meio ensonada, responde:
- A mala? Sei lá onde está! Use a mochila, ok? Está no guarda-roupa do quarto de visitas.
- Não é isso, querida. Hoje vou amar-te.
- Por mim, homem, podes ir a Marte, Júpiter ou até à p*** que te p****, desde que me deixes dormir em paz!
Moral da história: o homem deve chegar a casa e dizer simplesmente: Mulher, prepara-te que hoje vais ao castigo!
16 março 2010
[1129] Coragem travestida
*
Se são assim tão corajosas, porque não foram anunciadas em Setembro, a tempo de serem sufragadas pelos portugueses?
15 março 2010
[1128] Prémio Marcelo Rebelo de Sousa
«Não venci todas as vezes que lutei. Mas perdi todas as vezes que deixei de lutar.»
(autor desconhecido)
13 março 2010
[1127] A verdade não compensa
A actual crise financeira internacional começou em 2006 (com a chamada "crise do subprime": queda brusca dos preços de imóveis), continuou em 2007 (com a primeira falência de um banco britânico em 150 anos, o Northern Rock) e acentuou-se profundamente no Outono de 2008 (com a falência do Lehman Brothers).
Manuela Ferreira Leite, assim que tomou posse (em Maio desse ano), enfrentou corajosamente o problema, invocando a chamada "emergência social". Estupidamente ignorada, em Setembro de 2009 - no que considero uma autêntica fraude política e eleitoral -, disseram-nos que, afinal, teríamos um futuro brilhante.
Subitamente, na noite de 27/9, começou a crise portuguesa. O mundo já estava mergulhado nela há mais de três anos! E, nesses três anos, o que fizeram os nossos governantes que agora imploram por consensos no OE e no PEC? Mentiram, iludiram, insultaram, desgovernaram.
(Núncio, comentário a "Sair com razão, mas sem glória", Expresso on line, 13-3-2010)
[1126] Subitamente, numa noite de nevoeiro...
E sobre as causas da implementação dessa "política de austeridade que vai ser servida como menú aos Portugueses durante alguns anos" nem uma palavra... Não estávamos, em Setembro de 2009, no melhor dos mundos, com cinco linhas de TGV, com aeroporto, com três auto-estradas entre Lisboa e Porto, com recentes aumentos de 2,9% para trabalhadores públicos, com melhor resistência à crise do que a Alemanha e a França, com desemprego abaixo dos 9%, com défice público em torno dos 5%?
Afinal, a crise começou, inesperadamente, na noite de 27/9!
(Núncio, comentário a "Congresso dura dois dias", Expresso on line, 13-3-2010)
[1125] As palavras dos outros (76): e a doida era eu?!
«Nunca quiseram ouvir os nossos avisos e agora reclamam o nosso consenso.»
(Manuela Ferreira Leite, "Sabíamos que a história ia dar-nos razão", A Bola, 13-3-2010)
(Manuela Ferreira Leite, "Sabíamos que a história ia dar-nos razão", A Bola, 13-3-2010)
[1124] Serviço público (34): segurança pública
NÃO VÁ SOZINHO!
Se estiver com amigos ou familiares num lugar público (restaurante, bar, etc.) e, de repente, chegar alguém a perguntar de quem é o carro tal, côr tal, matrícula tal, estacionado ali na rua, pedindo ao dono que dê um pulo lá fora e o estacione melhor, não vá sozinho, ainda que seja de dia. O mais provável é, ao chegar ao carro, ser assaltado. Levam-lhe o veículo, os valores e tem sorte se não ficar maltratado!
(segundo conselho da PSP: recebido por e-mail)
[1123] And the loser is...
Aguiar Branco é polido, sensato, previsível.
Passos Coelho é suave, generalista, fotogénico.
Paulo Rangel é inteligente, corajoso, impulsivo.
O povo é que sabe de quem precisa...
Passos Coelho é suave, generalista, fotogénico.
Paulo Rangel é inteligente, corajoso, impulsivo.
O povo é que sabe de quem precisa...
(Núncio, comentário a "A antropologia do PSD: primeiras notas", Henrique Raposo, A Tempo e a Desmodo, Expresso on line, 13-3-2010)
12 março 2010
10 março 2010
[1121] As palavras dos outros (75): bom carácter, mau carácter
«Os cargos políticos são efémeros, mas o carácter dos homens é duradouro.»
(Cavaco Silva, Presidente da República, RTP, 10-3-2010)
07 março 2010
[1120] As palavras dos outros (74): Riscos? Quais riscos?
«Seria preferível que o governo reconhecesse a existência de riscos, em vez de atemorizar a população para aprovar leis que restringem as liberdades, o que é precisamente um dos objectivos do terrorismo: que vivamos atemorizados sob um estado policial.»
(Stella Rimington, directora-geral do MI5 de 1992 a 1996, em entrevista ao "La Vanguardia", transcrita no Daily Telegraph, em Fevereiro de 2009, citada em "O tsunami somos nós", José Esteves, TEK Opinião, 4-3-2010: destaque nosso)
05 março 2010
[1119] As palavras dos outros (73): só as minhas paixões são legítimas
«Todos nós temos paixões políticas e clubísticas e ideológicas, filosóficas e religiosas. Eles [os magistrados] também as têm.»
(Marinho Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados, "Poder judicial está empenhado em derrubar o primeiro-ministro", Jornal de Negócios on line, 5-3-2010)
*
E as suas paixões quais são, Sr. Bastonário? E serão confessáveis? Olhe que não, olhe que não...
04 março 2010
[1118] Momento intimista
Que dia horrível!
Esta manhã soube que um amigo, alemão, tentou suicidar-se pelo mesmo meio do malogrado Enke. Está em situação clínica crítica e deixa a mulher e os dois filhos perplexos e confusos.
Acabo de ler esta notícia do menino transmontano, episódio que considero muito grave, intolerável. Como é possível permitirmos que se desestruture, à nossa frente, a família, esta sociedade, um povo? A crueldade do "bullying", a indiferença de pais e professores, o desprezo político pela escola, a relatividade da vida...
A desregulação dos costumes e, ao mesmo tempo, a hiper-regulação procedimental do quotidiano é um paradoxo marcado pelo desprezo do indivíduo. Nada importa a não ser uma certa ideia de progresso que mais não é do que um cemitério de valores e afectos...
(Núncio, comentário a "Criança que se lançou ao rio Tua era há algum tempo agredida verbal e fisicamente", Público on line, 4-3-2010)
03 março 2010
01 março 2010
[1114] Early Monday evening: humor pré-primaveril
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