Terapia política. Introspecção psicossocial. Análise simbólica.

18 maio 2008

[583] Luz pálida

Um indivíduo entra numa pastelaria e diz:
- Bom dia. Quero um café à Benfica !
O empregado, confuso, pergunta:
- À Benfica ??? Sei tirar uma italiana, um pingado, um cimbalino, mas agora um café à Benfica? Como é esse?
- É fraquinho, muito fraquinho...
(cortesia da leitora "Cachopa")

14 maio 2008

[582] Vai uma passa?

"Todos aqueles que, sistematicamente, tudo desvalorizam merecem ser tratados com igual desvalor. Se o cumprimento da lei por parte dos cidadãos, incluindo titulares de cargos públicos, é irrelevante para quê viver num Estado de Direito democrático?
Bem me lembro de um episódio protagonizado por outro socialista, Jorge Sampaio, que - num fim de semana privado - foi à Expo'98 com o filho e, para espanto de muitos, não quis ser tratado com nenhuma deferência e aguardou a sua vez na fila da bilheteira. Isto é Estadismo. Isto é cidadania.
São os cidadãos, os maus cidadãos, que têm permitido, com os comentários e as opiniões que aqui se lêem, que os políticos tenham comportamentos bem diferentes dos do ex-Presidente da República".
(Núncio, 14.05.2008, comentário deixado aqui)

11 maio 2008

[581] O virtuoso silêncio

"A maior desonestidade intelectual é achar que alguém com mais de 20 anos de exercício de cargos políticos (independentemente de subscrevermos ou não a sua forma de exercício) não tem uma ideia, um projecto, um programa…Meus caros, há pessoas que nem precisam de falar, a sua vida fala por elas e é por falarem pouco e trabalharem muito que criam um elo com os eleitores que é insuprível por qualquer imagem bonita: CONFIANÇA."
(Núncio, comentário a "Popularismo", aqui)

[580] A virtuosa autenticidade

"Por tudo isto, agradeço aqui ao realizador da entrevista da RTP que não sei quem é. Fez a melhor das propagandas, mais rara, a mais difícil de fazer, a que não se encomenda, a que não se coreografa, a que não se imita. Fez da fragilidade uma força imensa."
(Pacheco Pereira, "A face", aqui)

[579] A virtuosa paciência

"Tenho simpatia por PPC e pelo seu (novo) papel no vosso partido. É sereno, tem sido discreto, parece coerente. Se for paciente e tiver faro político (muito importante), a sua presente candidatura constituirá o anúncio prévio da chegada, em breve, da nova geração de dirigentes políticos.
Mas é preciso alguma consistência política e ideológica que, naturalmente, ainda não tem (também não a tiveram alguns que até já chegaram a primeiros-ministros!). Charme e serenidade não bastam.
Por isso, terá de resistir a este impulso, que o post deixa adivinhar, de "queimar etapas", contribuindo, ainda que involuntariamente, para denegrir e, assim, fragilizar a única candidatura que, NESTE momento, tem condições de resgatar o vosso partido do obscurantismo populista e berlusconiano."
(Núncio, comentário a "Os jornalistas são uns chatos", aqui)

[578] Amor a Portugal

Vanessa Fernandes,
pentacampeã europeia de triatlo (Lisboa, 10-5-2008)

[577] Parabéns!

Três grandes portugueses:
Vanessa Fernandes (triatlo), João Rodrigues (vela), Rui Costa (futebol).
Obrigado!

09 maio 2008

[576] Manel e Manela

Pela leitura dos comentários (remunerados ou gratuitos) que se vão fazendo à candidatura de MFL à presidência do PSD e, por inerência, a S. Bento, percebe-se o [quão] paradoxal é este país!
Apelam à [participação da]s mulheres, mas ridicularizam-nas; querem democracia, mas preferem a opinião das elites; são de Esquerda, mas votam num candidato de Direita...
Se a senhora é feia, insensível, velha e incompetente, porque andam (quase) todos tão aflitos? Com esses defeitos todos, até o Rato Mickey (como diria a Zezinha) lhe ganharia!
(Núncio, comentário deixado aqui)

26 abril 2008

[575] A Florida sempre metida nas decisões...

Segundo a "2008 Democratic Convention Watch", as eleições primárias do Partido Democrático dos EUA apresentam os seguintes resultados actuais.
*
A) Sem a Florida e o Michigan (1):
Barack Obama = 1725 (1491 delegados + 234 superdelegados);
Hillary Clinton = 1592 (1336 delegados + 256 superdelegados).
B) Com a Florida e o Michigan:
Barack Obama = 1797 (1558 delegados + 239 superdelegados);
Hillary Clinton = 1785 (1514 delegados + 271 superdelegados).
*
Como vêem, não é nada irrelevante incluir ou excluir estes dois Estados, sobretudo a Florida.
Vão os democratas ignorar este problema? Mais uma eleição suspeita na "melhor" democracia do mundo?
(1. Estados em disputa com a Direcção do partido por causa da anulação das suas primárias)

[574] Análise ao conteúdo presidencial: 2 anos de discursos

Portugal deve [ter] nova(s) política(s) e pode [ser um] país [com] melhor desenvolvimento, [deixando a marca] portuguesa na Europa.

[573] ALLparvos

pobres, mas sofisticados!
(Diário da República, 2.ª série — N.º 51 — 12 de Março de 2008, pp. 10670)

[572] Serviço público: contribuição audiovisual

From: DECO LISBOA <decolx@deco.pt>
Date: 2008/4/23
Subject: Re: Facturas EDP

Exmo(a) Senhor(a)

Acusamos a recepção do mail de V.Exa, cujo conteúdo mereceu a nossa melhor atenção.

Relativamente ao assunto exposto, cumpre-nos informar que a Lei 30/2003 de 22 de Agosto, alterada pelo D.L. 169-A/2005 de 3 de Outubro veio estabelecer as formas de financiamento do serviço público de radiodifusão e de televisão.

Tal financiamento é também assegurado pela receita da contribuição audiovisual, a qual deve respeitar os princípios de transparência e proporcionalidade, atendendo às necessidades globais do serviço público de rádio e de televisão.

A contribuição audiovisual constitui a contrapartida do serviço público de radiodifusão e televisão e incide sobre o fornecimento de energia eléctrica para uso doméstico, sendo devida mensalmente pelos consumidores.

O valor mensal é de 1,71 euros, actualizado à taxa de inflação, encontrando-se isentos os consumidores cujo consumo anual não exceda os 400 kWh.

Esta contribuição é liquidada, por substituição tributária, através das empresas distribuidoras de energia eléctrica e cobrada juntamente com o preço do fornecimento, devendo ser discriminado, de forma autónoma na respectiva factura.

As empresas distribuidoras de electricidade são compensadas pelos encargos de liquidação da contribuição através da retenção de um valor fixo por factura cobrada. O produto da contribuição é consignado à RTP, SGPS.

Mais informamos que a DECO se encontra, de momento, a analisar a lei e apresentará as respectivas conclusões aos Grupos Parlamentares e órgão do Governo responsável pela tutela da defesa do consumidor, envidando esforços para que se introduza na legislação outras situações passíveis de isenção que se afigurem mais justas e necessárias.

Não obstante, apelamos a todos os consumidores que verifiquem nas facturas de energia eléctrica o respectivo consumo anual, e caso concluam que tal não excede os 400 kWh anuais, agradecemos nos enviem fotocópias dessas mesmas facturas para que possamos actuar em conformidade, salvaguardando os seus interesses económicos.

Com os melhores cumprimentos,
O Departamento de Estudos e Apoio ao Consumidor
(cortesia de um leitor identificado)

[571] Um pouco de decência, se faz favor!

Como a poderão atacar [Manuela Ferreira Leite] aqueles que, quando Jorge Sampaio quase suplicou ao PSD que a indicasse para suceder a Durão Barroso, preferiram embarcar numa aventura sem bilhete nem destino?
É que as escolhas têm consequências e o preço dessa viagem foi bem caro!
(Núncio, em comentário a este post)

21 abril 2008

[570] Amenidades: "mens sana in corpore sano"

Caros leitores,
na Escola Secundária Francisco Arruda, no Alto de Santo Amaro, em Lisboa, um mestre ("sensei") dá aulas de karaté, duas vezes por semana (terças e quintas-feiras, das 18h30 às 19h30), a todos os que queiram aprender ou evoluir naquela importante arte marcial.
O ambiente é descontraído e o preço é muitíssimo convidativo: apenas 7,50 euros por mês. As aulas são abertas a toda a gente, de todas as idades e de todos os níveis.
Para os que não saibam, os níveis vão sendo conquistados através da côr do cinto, sucessivamente o branco, amarelo, laranja, verde, azul, vermelho, 3 castanhos e 10 pretos.
Quem estiver interessado que deixe manifestação na caixa de comentários.

18 abril 2008

[568] Em busca da glória perdida...

Quer o SLB quer o PSD chegaram a um estado absolutamente lamentável.
Trata-se, mais do que uma crise de resultados (desportivos, político-eleitorais ou financeiros), de uma falta de qualidade que envergonha todos aqueles que ergueram e dignificaram aquelas instituições.
Falta a qualidade de recursos humanos e falta a qualidade da linguagem, do discurso, a clareza do pensamento, faltam os valores institucionais e desportivos/políticos.
Ambos cometeram, em momentos diferentes e por razões diversas, um mesmo erro que pagaram (e pagarão) muito caro: não souberam fazer as escolhas certas e, em ambos os casos, evidentes: em 1997, os benfiquistas preferiram o populista e aventureiro Vale e Azevedo ao honesto e ponderado Luís Tadeu; em 2004, os sociais-democratas preferiram o populista e impreparado Santana Lopes à consistente e séria Ferreira Leite. E as escolhas têm consequências...
Às vezes, os erros são tantos e tão grosseiros que chega a parecer que é tudo intencional. Ninguém pode ser tão incompetente!

12 abril 2008

[567] As palavras dos outros (16): Qual o espanto?

«(...) Só quem não tem entrado numa escola nestes últimos anos, só quem não contacta com gente desta idade, só quem não anda nas ruas nem nos transportes públicos, só quem nunca viu os "Morangos com açúcar", só quem tem andado completamente cego (e surdo) de todo é que pode ter ficado surpreendido.
«Há anos que as nossas crianças não são educadas por pessoas. Há anos que as nossas crianças são educadas por ecrãs. E o vidro não cria empatia. A empatia só se cria se, diante dos nossos olhos, tivermos outros olhos, se tivermos um rosto humano. E por isso as nossas crianças crescem sem emoções, crescem frias por dentro, sem um olhar para os outros que as rodeiam.
«Durante anos, foram criadas na ilusão de que tudo lhes era permitido. Durante anos, foram criadas na ilusão de que a vida era uma longa avenida de prazer, sem regras, sem leis, e que nada, absolutamente nada, dava trabalho. E durante anos os pais e os professores foram deixando que isto acontecesse.
«(...) A escola, hoje, serve para tudo menos para estudar. A casa, hoje, serve para tudo menos para dar (as mínimas) noções de comportamento. E eles vão continuando a viver, desumanizados, diante de um ecrã. E nós deixamos.»
(Alice Vieira, "A geração do ecran", JN, 30-3-2008)

08 abril 2008

[566] As variações da paternidade

Ver um filho crescer e tornar-se num adulto decente, neste mundo tão indecente, deve ser uma emoção muito forte!
A paternidade, mais ainda do que a maternidade, é de gestão difícil. Porque não sofres o desconforto da gravidez nem as dores físicas do parto, fazem-te sentir apenas um bocadinho progenitor, tens quase que pedir licença à mãe, aos sogros, à sociedade para exercer a paternidade plena.
Por culpa dos homens desajeitados, complexados e preconceituosos que nos antecederam durante muitos séculos. Mas também incentivados por mulheres que, por circunstâncias pessoais, históricas, sociais ou culturais, só se realizavam na maternidade... Aquele mundo era delas e só delas!
Felizmente, neste mundo indecente, há muitos pais e filhos decentes. Tu e o teu são dois deles. Isso é um grande orgulho para os homens do nosso tempo!
(Núncio, em comentário deixado aqui)

03 abril 2008

[565] As palavras dos outros (15): Direito de resposta de um professor ofendido

Exmo. Senhor Director do Jornal Diário Económico:

Vem esta resposta a propósito do editorial do dia 11 de Março, redigido pelo Senhor Director desse jornal, André Macedo.
Nas últimas semanas têm sido frequentes as palavras ressabiadas escritas por um sem número de escribas que pululam na nossa comunicação social. Que muitos deles fazem o jogo do poder político já todos nós sabemos; se essas opiniões são genuínas, então há muita coisa a dizer sobre o seu carácter moral e sobre o modo como se faz jornalismo em Portugal.
Diz o nosso visado editorialista que ouvidas as declarações que os professores fizeram ao longo do dia não podia senão chegar-se a uma triste conclusão: a pobreza dos argumentos da esmagadora maioria, a incapacidade para apontarem com objectividade e clareza o motivo que os leva a rejeitar o sistema de avaliação (...). E continua mais à frente, pareciam excursões de alunos em plena galhofa inconsequente e pré-escolar.
Antes de mais, como jornalista que é, sabe que quem decide o que aparece nas televisões é a realização do canal televisivo, não é o entrevistado. Posso dar-lhe como exemplo, uma entrevista alongada de um professor, responsável por um dos movimentos, na qual apenas uma frase dita por ele passou no canal de televisão que o entrevistou. Infelizmente, o que interessa à comunicação social não são os argumentos. Mas já que falou de argumentos, aqui vai a lição que, pelos vistos, não aprendeu na escola (talvez daí o ressentimento).
Primeira lição, tome nota: concluir que o sistema de ensino falhou porque os professores são desqualificados e que são desqualificados porque o sistema de ensino fracassou é a chamada falácia da circularidade, tomar por premissa o que quer demonstrar, é um argumento inválido; segunda lição, é a prova por contradição ou redução ao absurdo, concluir que o sistema de ensino não qualifica os seus profissionais qualificados é uma contradição nos termos; além do mais, alguém, supostamente qualificado pelo sistema de ensino desqualificado que o qualificou, transforma a sua qualificada opinião num absurdo; terceira lição, o seu argumentário limita-se a fazer generalizações precipitadas. Se quer fazer generalizações, tenha o devido cuidado de ter em conta a lição magistral de Karl Popper, que nos ensinou há já bastante tempo que devemos procurar sempre o contra-exemplo. Se não teve o cuidado de o procurar eu faço questão de lho fornecer. Se é razões que pretende? Muito bem, dou-lhe já de enxurrada quatro razões: uma de ordem profissional; uma de ordem deontológica, uma de ordem moral e outra de ordem legal:
Primeira razão, como qualquer gestor ou economista sabe, não se pode pedir a nenhum profissional que trabalhe e que produza mais dizendo-lhe que vai ganhar menos. O que o ministério pretende, com a publicação do novo Estatuto da Carreira Docente, é exactamente isso, exigir aos professores que dêem mais às escolas (muito bem!) dizendo-lhes simultaneamente que irão ganhar menos, muito menos, já que a fractura profissional em duas carreiras, para fazer exactamente a mesma coisa - dar aulas, implica que dois terços dos professores, digo dos professores, a despeito do discurso do mérito e da excelência, não terão oportunidade de verem recompensado esse mérito porque, atente bem, terão o acesso bloqueado ao topo da carreira. E não me venham outra vez com esse argumento empoeirado dos militares que não chegam todos a generais. Qualquer semelhança entre a carreira militar e a docente é pura coincidência. Toda a gente percebe que a carreira militar é altamente hierarquizada e por inerência exige responsabilidades e competências díspares. Ora, os professores dão aulas. Todos! Dizer que em outras profissões acontece o mesmo significa, voltando à teoria da argumentação, cometer a falácia naturalista. Do ser não se deduz nunca o dever ser.
Segunda razão, este modelo de avaliação fere profundamente a deontologia profissional. Exigir aos professores que se responsabilizem pelo abandono escolar e pelos resultados dos alunos é inverter a lógica do ensino e aprendizagem. O abandono escolar não depende obviamente da vontade do professor; os resultados dos alunos avaliam os alunos, não o professor. A agravante destes elementos de avaliação é a perversão a que, fatalmente se adivinha, irá conduzir. Pior, é a jogada politicamente indecente de quererem melhorar estatísticas na educação à custa da consciência profissional dos docentes e, mais grave ainda, induzir um falso sucesso educativo quando o fundamental está por fazer.
Terceira razão, se tivesse ouvido as palavras sábias de João Lobo Antunes ou do Cardeal Patriarca de Lisboa - D. José Policarpo, teria entendido aquilo que os governantes actuais nunca foram capazes de entender. O profissional que trabalha, e que trabalha seriamente, que sacrifica muitas vezes a família para garantir um futuro profissional, o mínimo que lhe é devido é respeito. Esta é uma razão ética elementar. Por este motivo, nem vale a pena perguntarem se os professores têm razão? Têm, pelo menos, cem mil razões!
Quarta razão, para além das providências cautelares que estão a ser apreciadas pelos tribunais, há uma questão legal que suscita, no mínimo, perplexidade. Sabendo que os professores vão ser avaliados pelos pares, sabendo que as ditas quotas para "excelente" e "muito bom" são as mesmas para avaliador e avaliado, quem garante a imparcialidade do avaliador? Leia o que diz o Artigo 44.º do Código de Procedimento Administrativo.
Uma última lição que lhe quero deixar, já não é de natureza argumentativa mas ética, ou mais prosaicamente, de honestidade intelectual. Quando o senhor diz que apenas ouviu "vacuidades desconexas", "banalidades e frases ocas", "galhofa inconsequente", "falta de substância de tudo o que disseram", lendo o seu artigo, fico com a nítida impressão de estar perante um fenómeno nítido de projecção. Os seus argumentos são falazes, as afirmações são grosseiras, gratuitas e insultuosas, e
a fortiori esbarram na evidência, também dos números, que qualquer pessoa inteligente, tenha ficado em casa ou não, qualificada ou não qualificada, reconhecerá. Além do mais, devo-lhe dizer que os professores estão fartos dessas opiniões desinformadas, de julgamentos nada edificantes, de proclamados jornalistas incapazes de fazer o trabalho de casa. E tem o senhor a pouca vergonha de falar em inteligência e qualificação?
Em jeito de conclusão digo-lhe aquilo que tinha a obrigação de ter, certamente, já compreendido: o que os professores fizeram não foi uma excursão, foi uma aula prática de democracia. E essa é uma lição para pessoas atentas e inteligentes. A lição, neste caso, é muito simples: há maneiras adequadas e inadequadas de se governar, como há maneiras adequadas e inadequadas de se julgar. E não se governa contra as pessoas, como não se julga sem informação. E caso não tenha gostado da lição ou tenha achado os argumentos insuficientes, faça aquilo que já deveria ter feito e dirija-se à Escola Secundária de Barcelos que terei todo o gosto de lhe providenciar a informação e os argumentos que reclama e não procurou.
(José Rui M. F. Rebelo, professor da Escola Secundária de Barcelos, por email)

30 março 2008

[564] Porque será?

«Não me lembro, embora não seja especialista em desporto (muito menos comparado), de um clube ganhar tanto, durante tantos anos, e ser tão pouco "amado".
É da condição humana associarmo-nos aos vencedores. Porque ninguém gosta de estar do lado dos perdedores.
É por isso que, quase sempre, o partido vencedor sobe, nas semanas seguintes a uma eleição, na sua popularidade, mesmo sem tem feito ainda nada para tal.
É, por isso, também que um clube ganhador se torna admirado, passa a ter mais adeptos e simpatizantes. Por exemplo, o Chelsea, um clube londrino de bairro que tem crescido imenso desde as vitórias recentes, curiosamente com a participação de um português.
O FCP é um "case study" e não vejo ninguém interessado nele.
Trata-de de um clube que tem tido importantes vitórias nacionais e internacionais desde há cerca de duas décadas (não curo aqui de saber a que preço), mas que - em vez de se tornar popular e agregador - se tornou "antipático", agressivo, populista, regionalista e continua com uma base de apoio social e geograficamente muito limitada.
Ninguém quer saber porquê?»
(Núncio, em comentário a "Uma não-existência", in Quarta República, 28-3-2008)

25 março 2008

[563] O blogue dos outros: com uma Oposição assim...

Vai desculpar-me [Miguel Frasquilho], mas não dá para acreditar é no nível do debate parlamentar (perto de zero), no sentido crítico das elites (que vai do bajulatório ao encomiástico) e na qualidade da Imprensa (rasteirinha).
Assim, nem é preciso fazer propaganda!
(Núncio, comentário a «Nem dá para acreditar», in Quarta República)

[562] Um a um...

Depois de Campos e Cunha (Finanças), Freitas do Amaral (Negócios Estrangeiros), António Costa (Administração Interna) e Correia de Campos (Saúde), resta quem?
Só Silva Pereira (Presidência). É pouco...

[561] Quem manda aqui sou eu, ó meu!

"Não podemos diabolizar uma aluna, uma professora, uma turma. Seria injusto para as pessoas que protagonizaram a cena que foi filmada".
(Ana Tomás de Almeida, docente do Instituto de Estudos da Criança da Universidade do Minho, Público online, 24-03-2008)
*
Entretanto, já vieram psicólogos, pedopsiquiatras e quejandos advertir para não se "diabolizar" a jovem angelical que, docemente, pediu: "Dá-me já o telemóvel!"
Tenho para mim, há muitos anos, que as chamadas ciências da educação vieram trazer mais problemas do que soluções...
(Núncio, comentário a «A "bagunça" no nosso "rico" ensino», in (A)variações)

23 março 2008

[560] Esta Terra Não é Para Decentes

Professores agredidos, políticos incultos, elites acríticas, polícias desrespeitados, deputados irrelevantes, magistrados ridicularizados...

19 fevereiro 2008

[554] Serviço público (9): preservação da memória; estimulação do gosto pela leitura, pintura e música

Biblioteca digital de uso livre, em língua portuguesa

[553] Portugal é lindo!

A seguir às Novas 7 Maravilhas, divulgadas em Lisboa aos 7-7-2007.
Vamos anunciar as maravilhas nacionais, que são, de momento, quatro:
- Parque Nacional Peneda/Gerês;
- Ria de Aveiro;
- Rio Douro;
- Ilhéus Selvagens.
Talvez ainda apareça a Lagoa das Sete Cidades, espero!
Votem e divulguem por todo o mundo!

13 fevereiro 2008

[552] S. Valentim

Porque até Freud e Maquiavel eram, à sua maneira e ao seu tempo, românticos, aqui ficam duas sugestões especiais para os nossos leitores:
- Livin' Kitchen (Rua de Gondarém, 493, R/C, 4150-556 Porto. Tlf: 226168338. Fax: 226168340);
- A Vida É Bela (www.avidaebela.com).

12 fevereiro 2008

[551] Violência e desemprego, aqui? Nããããão!

America's most miserable cities

[550] Cabala em Pessoa?

Inês Pedrosa à frente da Casa Fernando Pessoa.
Regresso à formula inicial da mulher de um poeta consagrado (depois de Nuno Júdice, Fernando Pinto do Amaral), mas duvido que a receita tenha o mesmo resultado. Pelo meio, a pluma caprichosa e o polivalente Viegas.
Que mais irá acontecer àquela casa?
Lisboa precisa de uma casa-museu do seu maior poeta do séc. XX arrojada e visionária, como o foi Pessoa.

07 fevereiro 2008

[548] Diga-me em quem vota, dir-lhe-ei quem é...

Responda às perguntas sobre o seu posicionamento político-ideológico e veja de qual dos candidatos norte-americanos está mais próximo.
Aqui, deu totalmente democrático, a meio entre Hillary, Richardson e Edwards.
(cortesia do Blasfémias)

[547] Estrelas amarelas em fundo azul... e vermelho!

O Parlamento Europeu vai receber, entre os próximos dias 12 e 14, uma exposição alusiva à história do Benfica, organizada pelos eurodeputados José Ribeiro e Castro e Manuel dos Santos.
Intitulada «Mais de 100 anos de lenda», a mostra inclui uma Bota de Ouro de Eusébio e um equipamento pertencente a Cosme Damião, fundador do clube, assim como vários troféus conquistados pelas «águias».
A exposição será inaugurada ao final da tarde da próxima terça-feira, com a presença do presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, de Eusébio e também da judoca Telma Monteiro.
(A Bola on line, 7-2-2008, 18h01: Benfica - Em exposição no Parlamento Europeu)

[546] À atenção de Alberto Costa: não se mexe no que funciona

«Férias individuais prejudicam advogado, juiz e cidadão
Mais uma vez, na tentativa resolver problemas complexos com simples canetadas, meteu-se os pés pelas mãos. O fim das férias coletivas no Judiciário brasileiro e a idéia de fazer da Justiça uma atividade ininterrupta não deu certo. É o que sustenta a maioria dos juízes. Três anos depois do fim do descanso coletivo — que só foi respeitado, de fato, em 2007 — há um consenso de que mudou para pior. Já há até uma Proposta de Emenda Constitucional para que as férias voltem a ser a um só tempo.
Logo que as férias coletivas acabaram, a advocacia se deu conta de que, se os prazos processuais continuassem a correr o ano inteiro, os advogados, consequentemente, teriam de trabalhar o ano inteiro — principalmente os pequenos, que trabalham sozinhos.
Em 2005, os tribunais ainda fizeram férias coletivas porque não se sabia se a regra precisava ou não de regulamentação. Decidiu-se, então, que a Emenda Constitucional 45, que determinou o funcionamento ininterrupto dos tribunais e fóruns, era de aplicação imediata. Em 2006, os tribunais lutaram no Supremo Tribunal Federal e no Conselho Nacional de Justiça para garantir o descanso coletivo. Não conseguiram e só em 2007, de fato, todos obedeceram e aboliram as férias coletivas. Aí perceberam como a emenda foi pior que o soneto.
O fim das férias coletivas se mostrou prejudicial tanto para o advogado como para o Judiciário”, considera Fernando Mattos, vice-presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe). E são vários os motivos para isso.
As férias coletivas valiam paras os tribunais estaduais e federais, onde as decisões são colegiadas. Quando os desembargadores saíam de férias juntos, os julgamentos ficavam paralisados por dois meses — janeiro e julho. Hoje, cada desembargador sai de férias quando programa e, consequentemente, as turmas de julgamento ficam desfalcadas.
Agora, as turmas trabalham durante os 12 meses do ano, mas, quase sempre, com um desembargador a menos. Para tapar o buraco, são convocados juízes. Em alguns tribunais estaduais — São Paulo, Paraná e Santa Catarina — há juízes de prontidão para cobrir férias de desembargadores. São os chamados juízes substitutos de segunda instância. Mas nos outros não há a figura dos substitutos e quem tem de cobrir são os juízes de primeira instância, que deixam suas varas.
Ou seja, de acordo com os relatos, o fim das férias coletivas na segunda instância está refletindo na produção da primeira. Os juízes deixam as suas varas e são substituídos por juízes substitutos. Esses não têm a agilidade do titular, acostumado a lidar com os processos na sua vara. Como toda situação provisória, os titulares cobrem desembargadores dentro do seu limite. Isso prejudica também o andamento dos processos na segunda instância.
Quando o relator sai de férias, os processos dele ficam parados. Se no mês seguinte o revisor sair de férias, mais 30 dias sem julgamento daquele caso”, explica o desembargador José Maurício, do Tribunal de Justiça do Paraná. No estado onde trabalha, desde 1995, existem os chamados juízes substitutos de segunda instância. Lá, pelo menos, os juízes não precisam deixar suas varas para cobrir férias.
Foi uma medida bem intencionada que, na prática, se mostrou prejudicial”, considera Fernando Gonçalves, juiz convocado para a Turma Suplementar do Tribunal Regional Federal da 3ª Região. “Os tribunais funcionam de forma colegiada. Proibir que tirem férias juntos não acelera nada. Só prejudica”, avalia.
Vai e vem da jurisprudência
A constante troca de julgadores de segunda instância (a cada desembargador que sai, um juiz é convocado) gera outro problema além da demora no julgamento dos processos. A turma dificilmente vai formar uma jurisprudência, já que cada novo julgador pode trazer seu novo entendimento. Basta pensar isso acontecendo em todos os tribunais no país para concluir quão grande pode ser a insegurança jurídica gerada.
O advogado apresenta um recurso e não sabe quem vai julgá-lo. O juiz de primeira instância também não consegue se orientar pelo entendimento do tribunal, que muda com mais freqüência. “A convocação de juízes impede a formação de uma jurisprudência”, admite Fernando Mattos da Ajufe.
Mattos chama atenção para outro problema, dessa vez, de ordem administrativa e financeira. Toda vez que um juiz é convocado para o tribunal, ele tem de receber salário de desembargador. Além disso, o que ele vai gastar para se transportar até a sede do tribunal — como passagens e diárias — também tem de ser bancado pelo Judiciário. Ou seja, mais custo.
Arrependimento formal
Isso tem que acabar. Vai ser melhor para todos, inclusive para o jurisdicionado, voltar como era antes”, diz José Maurício. O arrependimento que reina no Judiciário e na advocacia já refletiu no Legislativo.
No ano passado, o deputado federal José Santana de Vasconcellos (PR-MG) apresentou a PEC 3, que pretende tornar tudo como era antes. Ele propôs a volta das férias coletivas. “A esta altura, está claro que a eliminação das férias forenses nem beneficiou os advogados, nem contribuiu para a celeridade judicial”, reconhece.
A sua proposta foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, por unanimidade, no dia 5 de setembro. No dia 28 de novembro, foi criada Comissão Especial para analisar o projeto. Vale lembrar que o fim das férias coletivas fez parte da Reforma do Judiciário, que tramitou no Congresso Nacional durante mais de 10 anos, tempo suficiente para análises e estudos do que estava sendo proposto.»
(Aline Pinheiro, Revista Consultor Jurídico, 2 de Fevereiro de 2008: cortesia do leitor Panfúncio)

04 fevereiro 2008

[545] E agora falem!

Temos duas novas consultas, além da "coabitação à portuguesa".
Uma que, não sendo original, fica sempre bem, a respeito da figura nacional mais marcante no século passado.
A outra, mais conjuntural, que se tornou "incontornável" (como se diz agora), sobre os dados e as omissões curriculares do PM.
Portanto, é só carregar no botão!

02 fevereiro 2008

[544] É Carnaval, ninguém leva a mal...

«Portugal e os portugueses têm o que merecem e ainda é pouco!
Pena que, no meio desta mediocridade e apatia, reste meia dúzia de pessoas íntegras, decentes, superiores, que prestigiam os seus nobres antepassados, mas que estão claramente "fora de cena"...»
(Núncio, em comentário deixado aqui: «Sócrates acumulou subsídio de exclusividade como deputado com funções privadas», Público online, 2-2-2008)
*
«O entendimento que o PÚBLICO tem dos seus deveres jornalísticos é o mesmo que tem sido repetidamente adoptado em sentenças do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem: o controlo público das figuras públicas é central na vida política em liberdade. De resto foi também esse o entendimento do nosso Ministério Público quando decidiu arquivar a queixa que o primeiro-ministro fez contra o autor do blogue “Do Portugal Profundo” a propósito do que este publicara sobre as condições em que José Sócrates completou a sua licenciatura.
Escreveu a 10 de Dezembro de 2007 a procuradora-geral adjunta Cândida Almeida: “Quem desempenha funções de órgão de soberania sujeita-se a ver a sua actividade profissional eou institucional sindicada pelos cidadãos”. Poderíamos multiplicar os exemplos de políticos, e até de altos-funcionários, que noutras democracias tiveram de se explicar sobre factos ocorridos décadas antes.»
(José Manuel Fernandes, Editorial, Público, 2-2-2008)
*
E Cavaco onde anda? A brincar ao Carnaval, mascarado de Presidente da República?

[543] Le Roi est mort! Vive le Président!

Em tempo de centenário do regicídio e da exaltação (tão cínica quanto tardia) de D. Carlos I e do Príncipe Herdeiro, porque não se retomam as investigações, começando por descobrir onde pára o processo (que já tinha cinco volumes e uma imensão de documentos) que os 2 anos finais da Monarquia ainda conseguiu instruir e que, 2 anos depois da implantação da República, desapareceu nas mãos do novo Ministro da Justiça, Afonso Costa, maçon, anti-clerical e marxista, que tinha exigido ao juiz que instaurou o processo que lhe fosse entregue, em vez de ir para a Boa Hora?
(post inspirado pelo leitor Mário, o tal)

[542] Anime-se, homem!

Regular e obsessivamente, um visitante de IP identificado vem "deitar-se" no divã e, no final da visita, considera-a sempre "frustrante" (na consulta de opinião que mantemos aberta).
Durante algum tempo, manifestou-se de outra forma, enviando comentários que, embora nunca concordantes, tinham o mérito de exprimirem a sua opinião.
Se se sente tão frustrado, caro leitor, porque insiste em nos prestigiar com a sua visita?

[541] Big Joe in the Little Country...

Aos poucos, Joe Berardo vai-se afirmando. Até já nomeia ministros!
De qualquer forma, desde que ele fez a OPA do CCB que a Isabelita tinha os dias contados. Ao menos, essa OPA foi um sucesso, ao contrário da do Glorioso.
Além disso, a gratidão é uma virtude e o grande favor prestado ao governo, ajudando a desmantelar o BCP, tinha que ser pago...
Afastando a marxista e pondo lá um "berloquista", passo a passo, "a esquerda caviar" conquista posições para, em 2009, se tornar na terceira força parlamentar. E o Louçã, entretanto, vai eliminando a sua própria oposição...

28 janeiro 2008

[540] As palavras dos outros (14): o Ocidente numa encruzilhada

"O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons."
(Martin Luther King)

[539] A idade da inocência

"Mais do que o culto da juventude (quantas vezes a idade emocional desmente a idade cronológica!) e do que o medo da morte (sempre se morreu em qualquer idade, além de que os crentes na reencarnação não têm esse medo), o que ocorre nos nossos dias é a ditadura tecnológica que, essa sim, elimina os mais velhos.
É por causa dela que, aos 40, se é demasiado velho para trabalhar e demasiado novo para dormir..."
(Núncio, em comentário deixado aqui: "A idade", in (A)variações, 23-1-2008)

25 janeiro 2008

[538] E se os professores fossem políticos?

"Os professores são os profissionais em quem os portugueses mais confiam e também aqueles a quem confiariam mais poder no país, segundo uma sondagem mundial efectuada pela Gallup para o Fórum Económico Mundial (WEF).
Os professores merecem a confiança de 42 por cento dos portugueses, muito acima dos 24 por cento que confiam nos líderes militares e da polícia, dos 20 por cento que dão a sua confiança aos jornalistas e dos 18 por cento que acreditam nos líderes religiosos.
Os políticos são os que menos têm a confiança dos portugueses, com apenas sete por cento a dizerem que confiam nesta classe."
*
Curioso, quase maquiavélico!
42% dos profissionais em quem os portugueses supostamente mais confiam têm sido publica e persistentemente enxovalhados por aqueles que só têm a confiança de 7% do povo...
E estes estudos de opinião, sem prejuízo das margens de erro que sempre têm, são tanto mais importantes quanto traduzem a avaliação geral do grau de confiança numa classe profissional ao serviço da população (professores, médicos, polícias, militares, políticos, etc.) e não a competência (ou assiduidade, ou zelo ou integridade) que é uma avaliação personalizada num profissional em concreto... Embora sem integridade não se mereça fazer parte de nenhuma classe!

22 janeiro 2008

[536] A criatividade "tuga"

"Sr. Dr. Juiz,
Confirmo que vi na estrada a marca 70 em números negros inscritos num círculo vermelho, sem qualquer informação de unidades.
Ora, como sabe, a Lei de 4 de Julho de 1837 torna obrigatório em Portugal o Sistema Métrico, e o Decreto 65.501, de 3 de Maio de 1961, modificado de acordo com as directivas europeias, define, COMO UNIDADE DE BASE LEGAL, as unidades do Sistema Internacional, S.I. Poderá confirmar tudo isso no site do Governo.
Ora, no SI, a unidade de comprimento é o " metro", e a unidade de Tempo é o "segundo". Torna-se, portanto, evidente que a unidade de velocidade é o " metro por segundo". Não me passaria pela cabeça que o Ministério aplicasse uma unidade diferente.
Assim sendo, os 70 metros por segundo correspondem exactamente a 252 Km/h. Ora, a Polícia afirma que me cronometrou a 250 Km/h o que eu não contesto.
Circulava, portanto, 2 Km/h abaixo do limite permitido.
Esperando a aceitação dos meus argumentos,
de V. Exa.
a)"
(requerimento anónimo que circula na net)

20 janeiro 2008

[535] Pintura do mundo: o "nosso" Tiepolo


"Deposição de Cristo no túmulo",
Giovanni Battista Tiepolo (Veneza, 1696 - Madrid, 1770)

[534] Preto, eu?

"(...) Obama, que meio mundo afirma ser o primeiro preto com hipóteses de chegar a presidente dos EUA, (...) preto porquê? De facto, porquê? Obama é descendente de quenianos e de irlandeses, e se há milhões de análises à sua penetração eleitoral nos "african-american", não li sequer uma equivalente acerca dos "irish-american". Para efeitos de consumo, as raízes europeias foram amputadas à identidade do homem. Homem, vírgula: meio, que é caminho andado para não ser nenhum. A culpa não será dele, mas a verdade é que, entre o senso comum, Obama está reduzido a um símbolo e a uma cor, a cor que o paternalismo vigente não hesita em considerar prioritária."
(Alberto Gonçalves, A preto e preto, "Os dias contados", DN, 20-1-2008)

[533] Salto à vara

Será possível que, depois do triste espectáculo das últimas semanas, ainda haja tempo e despudor para a Caixa Geral de Depósitos (CGD) enviar aos seus clientes, muito deles funcionários públicos remediados ou modestos pensionistas, uma circular que informa que, para continuarem a usufruir da isenção da comissão de despesas de manutenção, terão de garantir, em cada trimestre, um saldo médio superior a 1000 euros, ter crédito de vencimento ou ter aplicações financeiras associadas à respectiva conta?

05 janeiro 2008

[532] Ano Novo, nova sondagem

Abrimos nova consulta popular, a propósito da "cooperação estratégica" (vulgo coabitação) que se instalou em Portugal desde Março de 2006.
Votem, por favor!
As opiniões sobre o Divã continuam disponíveis.

[531] Ano Novo, velhas esperanças...

A Rosa de Hiroshima,
de Vinícius de Moraes


Pensem nas crianças
Mudas, telepáticas,
Pensem nas meninas
Cegas, inexatas,
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas,
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas.

Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa, da rosa!

Da rosa de Hiroshima,
A rosa hereditária,
A rosa radioativa
Estúpida e inválida,
A rosa com cirrose,
A anti-rosa atômica.
Sem cor, sem perfume,
Sem rosa, sem nada.

02 janeiro 2008

[530] Votos do politicoterapeuta

2008 momentos de competência, solidariedade e transparência durante o Ano Novo, em Portugal.

[529] As palavras dos outros (13): vox populi

«Depois de ler tantos artigos nesta notícia, venho acrescentar algo de mais. Em Fevereiro de 2006 emigrei para França e em 15 dias de estadia arranjei emprego como efectivo, depois de ter rescindido o meu contrato de trabalho em Portugal. O meu ordenado triplicou em relação ao que auferia em Portugal. Inscrevi-me na segurança social francesa e para minha supresa descobri que tinha direito ao abono de renda de casa (abono tipo jovem arrendamento no valor de 110 €, só com a diferença que já tenho 33 anos). Em Dezembro, tive o meu primeiro filho e a segurança social francesa deu-me 855 euros de prémio para efeitos de nascimento, e recebo ainda 172 euros mensais para fazer face às despesas do meu filho durante os próximos 3 anos.
Num país em se fala de futebol nos telejornais, de assaltos à mão armada e multibancos, onde se perdoam dívidas à banca de familiares de dirigentes de instituições bancárias e demais crimes isentos de punição tenho dúvidas de ir à embaixada de Portugal em Paris para apresentar a acta de nascimento do meu filho de maneira a este ser português. Não há problemas a mãe do meu filho ser polaca e eu tenho a dupla nacionalidade (francesa e portuguesa). Talvez mesmo é melhor dizer ao meu filho que Portugal é um país à beira mar plantado onde se gosta do bacalhau, de futebol e de ir a Fátima para rezar muito para tirar a escumalha que temos no governo e nas principais empresas privadas. Bela notícia que vi na RTPi , quando apresentaram todas as possibilidades de pontes de 2008, excelente incentivo para os tugas trabalharem, nada mais que 144 dias sem trabalhar.
Ao governo do pseudo ENG. SOCRATES desejo-lhe tudo de mal, e aconselho ao primeiro-ministro a obter um diploma como o meu numa universidade do estado. Já agora o Dr. Silva disse que houve progressos na justiça. Quais Sr. PR? Foi no caso Apito Dourado? Foi no caso Casa Pia? Foi no casa do desaparecimento da pobre criança inglesa do qual se acusa a mãe da Madeleine? Espero que não haja nehum novo aeroporto nem TGV. Para um bom 2008 desejo saúde e dedicação a todos que residem em Portugal menos para o governo e que possível que emigrem todos menos os sacanas dos deputados, assessores e demais bandidos. Feliz 2008, que Deus vos proteja e que a mim me ampare.»
(Filipe Bragança, Le Mans, França, no Público online, em comentário à notícia "Cavaco questiona rendimentos elevados de altos dirigentes de empresas", 2-1-2008)

27 dezembro 2007

[528] Moedas para que vos quero?

Afinal, não é só o português que é muito criativo.
Os turcos cunharam a nova lira turca, em circulação desde o início do ano.
"Por coincidência", a moeda de uma lira é quase idêntica à de dois euros. Valendo um quinto...

07 dezembro 2007

[525] Todos indiferentes, todos iguais

A propósito do filme "The Invasion" (EUA, 2007), de Oliver Hirschbiegel, com Nicole Kidman, Daniel Craig e Jeremy Northam (por sinal, remake dispensável do "The Invasion of the Body Snatchers", de Don Siegel, 1956), é de lembrar que, ao contrário do que a ficção científica gosta de projectar, não será preciso nenhum exército de extra-terrestres para vir domesticar-nos, tornando-nos covardes, manipuláveis, desumanos ou pelo menos indiferentes.
O PREC (Projecto de Racionalização Em Curso) do século XXI encarregar-se-á disso em pouco tempo: globalização, harmonização, integração, indiferenciação.

[524] Natal real

«Embora seja uma ideia inteligente e generosa, o bom mesmo seria substituir símbolos ("árvore de Natal") por atitudes.»
(Núncio, comentário a "Isto é ser empresário!", Tiago Carneiro, Democracia em Portugal, 6-12-2007)

06 dezembro 2007

[523] Normalization is stupid!

«(...) o argumento de que ele [Rodrigues dos Santos] não pica o ponto e trabalha pouco é ridículo. O segredo da gestão de pessoas não é tratar todas da mesma maneira – é procurar retirar de cada uma o que de melhor tem para dar. No caso de um bom pivô, o valor que representa para uma estação não são as horas que possa passar ou não passar na redacção – é o seu desempenho perante as câmaras. A exigência a todos do cumprimento dos mesmos horários (por vezes desadequados à função) leva à burocratização das redacções e à perda de criatividade e eficácia.
O segredo das grandes redacções não é a imposição de uma disciplina militar – essa é a lei dos medíocres; o segredo das grandes redacções é exigir trabalho de qualidade e bons desempenhos em todas as áreas. É esta a disciplina que hoje interessa. Num trabalho manual, a produtividade de um trabalhador está directamente relacionada com o número de horas que passa na fábrica; no jornalismo, a produtividade não tem nada que ver com o número de horas passadas na redacção. Um jornalista pode passar muito tempo na redacção e não produzir nada de jeito, e outro pode lá estar pouco tempo e ser um trunfo da estação. Para os telespectadores, o que interessa é o desempenho de Rodrigues dos Santos a apresentar o Telejornal – não são os seus horários. É essa a sua mais-valia para a televisão pública. Que estupidamente a RTP vai perder.»
*
Sou funcionário público vai para 14 anos. Já exerci funções técnicas e dirigentes. Toda a minha vida tem sido dedicada, modesta, mas empenhadamente, ao serviço público, afirmando a força das políticas públicas, rejeitando a excessiva procedimentalização, estimulando a autonomia, flexibilizando horários e relativizando "formatos".
Acho absolutamente estúpida a obsessão pelo "correcto" (política, social ou administrativamente), a redução de toda a actividade a regulamentos e manuais de procedimentos, o controlo do acessório (indumentária) e do quantitativo (tempo) em vez da apreciação do principal (honestidade) e do qualitativo (competência). Prejudica a diferença; afecta a complementaridade; institui a normalização de produtos, atitudes, pessoas; nivela à mediocridade, alimenta o tráfico de influências.
Quando vamos deixar de ser estúpidos?

01 dezembro 2007

[519] No dia da Independência: Portugal sempre!


[518] Um povo triste, uma governação sem alma

«(...) A solução final vem aí. Com a lei, as políticas, as polícias, os fiscais, os inspectores, a imprensa e a televisão. Niguém, deste velho mundo, sobrará. Quem não quer funcionar como uma empresa, quem não usa os computadores tão generosamente distribuídos pelo país, quem não aceita as receitas harmonizadas, quem recusa fornecer-se de produtos e matérias-primas industriais, quem não quer ser igual a toda a gente está condenado.
Estes exércitos da liquidação são poderosíssimos: têm estado-maior em Bruxelas (...) e agem através do pessoal da ASAE, a organização mais falada e odiada do país, mas certamente a mais amada pelas multinacionais da gordura, pelo cartel da ração e pelos impérios do açúcar. (...)
Tudo isto, como é evidente, para nosso bem. Para proteger a nossa saúde. Para modernizar a nossa economia. Para apostar no futuro. (...) E não tenhamos dúvidas: um dia destes, as brigadas vêm, com estas regras, fiscalizar e ordenar as nossas casas. Para nosso bem, pois claro.»
(António Barreto, Retrato da Semana, "Eles estão doidos", Público, 25-11-2007, p. 45)

[517] Também queremos saber onde e com quem se divertem os governantes!

(Público online, 1-12-2007)
*
Considero este tipo de operações um exagero total e anti-democrático, não respeitam a privacidade dos cidadãos, mais parece uma operação do tempo do Estado Novo = PIDE.
Eu vivo na Holanda-Amsterdam e nunca vi tal coisa, e isto numa cidade como Amsterdam, que como dizem tem muita criminalidade. Este tipo de operação nunca seria aceite pelos cidadãos dos países que aí em Portugal consideram desenvolvidos ao ponto de até quererem usar esses países, como a Holanda, como exemplo para o que se deve fazer em Portugal.
Cabe na cabeça de alguém cercarem/fecharem acessos, ainda mais numa zona central da cidade de Londres ou Amsterdam para identificarem (!?) quem são os cidadãos que frequentam certos bares, etc! Isto seria uma loucura nestes países! Em Portugal infelizmente ainda temos muitas características do tempo fascista e anti-democrático em que vivemos durante muito tempo. É um dos muitos atrasos culturais que temos e vamos continuar a ter, e um abuso do poder, etc!
(Paulo Machado, Amsterdão, Holanda, em comentário à notícia)

21 novembro 2007

[516] Eles falam, falam, mas não os vejo a fazer nada...

"Deputados vão gastar 18 mil euros por dia em deslocações:
Orçamento do Parlamento para 2008 atribui 6,6 milhões de euros só para transportes, deslocações e estadas dos deputados, que vão receber 13 milhões de euros em salários e 3,3 milhões em ajudas de custo."
(Destak, 13-11-2007)
*
Este não é o preço da democracia. O verdadeiro preço é o que temos, cidadãos eleitores, que pagar por uma representação cada vez menos digna e qualificada. Deputados anónimos, impreparados, servis e apolíticos. Um parlamento desprestigiado e desprestigiante!
Também não merecemos melhor, neste país anémico, a suplicar por uma cura "musculada"...

11 novembro 2007

[515] As palavras dos outros (12): vamos à igreja, mas não somos Igreja...

"Essa Igreja que não afronta nem confronta, que perdeu o sal e a sensibilidade, que se tornou asséptica e conluiada com a intocável plutocracia nacional, essa igreja volúvel do Dom Torgal, voltou as costas a Cristo.
"Já nem sei do que fala a Igreja, mas de Deus deixou de falar, de Jesus não se deixa impregnar. Ou foi calada ou calou-se rente à inexistência e ao relativo vácuo que tranversaliza tudo. (...)"
(comentário de Joshua a "De que fala a Igreja", em Portugal dos Pequeninos, 11-11-2007)

[514] Submetam os políticos ao grafólogo

Uma boa alternativa ao divã:
http://istoe.terra.com.br/istoedinamica/testes/grafologia/index.asp

10 novembro 2007

[513] Serviço público (5): consultas gratuitas de cirurgia oncológica e plástica da mama

Com vista a incentivar o diagnóstico precoce do cancro da mama e promover o seu tratamento atempado, a Clínica de Todos os Santos, em Lisboa, vai facultar consultas gratuitas de cirurgia oncológica e cirurgia plástica da mama durante o mês de Novembro. As consultas vão realizar-se na Unidade Oncoplástica da Mama e dirigem-se a todos os portugueses que queiram submeter-se a um rastreio, aguardem tratamento, queiram efectuar uma reconstrução pós-excisão do cancro ou que desejem ouvir uma segunda opinião médica.
Recorde-se que as doenças da glândula mamária são a patologia mais frequente da mulher, podendo aparecer também no homem, embora com menor prevalência. O cancro da mama é a principal causa de morte nas mulheres entre os 35 e os 59 anos, vitimando quatro portuguesas por dia.
A prevenção desta doença assenta na realização de rastreios e consultas de rotina e numa coordenação multidisciplinar entre vários especialistas, permitindo um diagnóstico e o início de tratamento o mais rapidamente possível.
As consultas gratuitas estão sujeitas à disponibilidade de agenda. Para mais informações, visite o site da
clínica.

[512] Iliteracia funcional

Durante a visita de uma comitiva de parlamentares a um hospital psiquiátrico, um dos deputados perguntou ao director:
"Qual é o critério pelo qual decidem quem precisa de ser internado?"
Resposta do director: "Enchemos uma banheira com água, oferecemos ao paciente uma colher, um copo e um balde e pedimos-lhe que a esvazie. De acordo com a forma pela qual ele decida realizar a missão, decidimos se o hospitalizamos ou não."
"Entendi", disse o visitante. "Uma pessoa normal usaria o balde, que é maior que o copo e a colher."
"Não", respondeu o director, "uma pessoa normal tiraria a tampa do ralo. O senhor prefere quarto particular ou enfermaria?"
(cortesia do leitor "Zeca")

30 outubro 2007

[511] Tudo normal, tudo absolutamente normal...

"O FC Porto é a única equipa da Europa que só ganha."
(José Antonio Camacho, A Bola, 30-10-2007)
*
Depois da (anunciada) anulação das escutas telefónicas feitas no âmbito do processo "Apito Dourado", as oito vitórias consecutivas do FCP (sem qualquer pingo de oposição dos adversários) prenunciam um regresso à normalidade dos últimos 20 anos... Até quando?

27 outubro 2007

[510] Santa ingenuidade!

(Público online, 27-10-2007)

[509] Imagine...

Emocionante.
www.liel.net/ Liel-ClintonVide o2.wmv

[508] Em época de reabilitação...

21 outubro 2007

[506] Exilados na nossa própria Pátria

"Quando a pátria que temos não a temos
Perdida por silêncio e por renúncia
Até a voz do mar se torna exílio
E a luz que nos rodeia é como grades"
(Exílio, Sophia de Mello Breyner Andresen)

[505] As palavras que sempre vos direi...

"O desastre de Lisboa ficará na história porque aqui se assinou um tratado que consagrou a não democracia como regime europeu e consolidou a burocracia e a Nomenclatura europeias."
(António Barreto, PÚBLICO, 21-10-2007)

06 outubro 2007

[504] Adesão e respeito

Não sufraguei, como eleitor e cidadão, a escolha de Pedro Santana Lopes para a sucessão de Durão Barroso.
Não me entusiasma a nomeação do actual Procurador-Geral da República nem do actual Ministro da Administração Interna.
Não tenho especial admiração por Luís Filipe Menezes.
Não acompanho o estilo de Valentim Loureiro, Alberto João Jardim, Narciso Miranda, Francisco Louçã nem Paulo Portas.
Mas vivo num Estado democrático de Direito (?) e respeito os titulares, enquanto tais, dos cargos públicos e, entre estes, políticos.
Merecem-me igual respeito (institucional, se quiserem) o Presidente do Governo da Região Autónoma da Madeira e o Primeiro-Ministro. E os ex-primeiros-ministros. E os futuros presidentes da República. O respeito devido aos políticos não decorre da sua côr política. Nenhum político tem que pedir autorização a Belmiro de Azevedo, a Joaquim de Oliveira ou a Pinto Balsemão para ser e dizer o que quiser.
O que aconteceu a PSL no agora famoso programa da SIC e o que está agora a acontecer com LFM nas revistas del corazón é inaceitável porque revela uma parcialidade e uma acrimónia jornalísticas absolutamente indignas. A comunicação social não tem que gostar destas personalidades. Elas não têm que ser bonitas, elegantes, sociáveis, cultas, telegénicas, influentes.
Em democracia, todos são potenciais representantes do povo e é isso que é fascinante neste sistema político. O exercício do poder democrático não tem (não deveria ter) a ver com glamour ou fortuna ou retórica.
Interromper um ex-primeiro-ministro ou diminuir o novo líder da Oposição é um risco terrível! É, além do mais, entrar no jogo dos detractores do sistema, fazendo-o resvalar para os populismos musculados que estão a ser (ironicamente) sufragados democraticamente por esse mundo fora, com a cumplicidade (quando não com o apoio explícito) da comunicação social e de quem a administra.
Não tem autoridade, por isso, a comunicação social ao reagir tão mal ao seu novo Estatuto (que não subscrevo, obviamente), porque ele é o resultado lógico e previsível da estratégia de "diabolizar" os oponentes, de que ela tem sido a voz. A voz do dono.

[503] Portugal sempre!

A Real Associação de Coimbra (RAC) assinalou ontem o 864.º aniversário de Portugal, reconhecido pelo Tratado de Zamora, com missa na Igreja de Santa Cruz e homenagem junto aos túmulos de D. Afonso Henriques e de D. Sancho I. O presidente da RAC, Joaquim Nora, disse que Portugal “deve ser o único País que não celebra oficialmente a data da sua independência (5 de Outubro de 1143)”, preferindo “comemorar as datas de acidentais alterações ao regime”.

08 julho 2007

[498] Ouçam o Vicente!

"Para mim, dizer o que penso nada tem de extravagante ou heróico. É um acto tão natural como respirar – e não concebo que pudesse ser de outra forma. Mas a verdade é que o preço da liberdade em Portugal se paga cada vez mais caro e o direito a exprimirmos as nossas opiniões próprias e muitas vezes solitárias – ou de tomarmos iniciativas à margem das fronteiras políticas e ideológicas oficiais, sejam do Governo, das oposições ou das corporações instituídas – enfrenta restrições crescentes.
Isso não acontece apenas por culpa de quem governa neste momento, embora um Executivo sustentado por uma maioria absoluta – e abúlica – no Parlamento tenha tentações irreprimíveis para domesticar as dissidências. É uma situação que se foi cristalizando ao longo do tempo devido à lógica de funcionamento do regime, porque não existem contrapoderes suficientemente fortes e autónomos na sociedade portuguesa. Num país com uma sociedade civil frágil e subsidiária do Estado, a independência de espírito ou de iniciativa vê-se condicionada por um calculismo permanente de interesses face aos poderes políticos estabelecidos."
(Vicente Jorge Silva, "O preço de dar a cara", 23-6-2007, www.sol.sapo.pt)

30 junho 2007

[497] Só agora percebeu?

"O PS, que os portugueses se habituaram a ver como o defensor da liberdade e da democracia, não passa hoje de um partido intolerante e persecutório, que age por denúncia e tem uma rede potencial de esbirros, pronta a punir e a liquidar qualquer português por puro delito de opinião."
(Vasco Pulido Valente, Público Online, 30-06-2007)

24 junho 2007

[496] Serviço público: Justiça independente

"Associação de Juízes pela Cidadania" (AJpC), "Movimento Justiça e Democracia", "Fórum Permanente Justiça Independente" (www.justicaindependente.net)

[495] A latitude da dignidade

"OAB-PR repudia juiz que proibiu trabalhador de chinelo em audiência:
A seccional do Paraná da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) repudiou a atitude do juiz da 3.ª Vara do Trabalho de Cascavel, Bento Luiz de Azambuja Moreira, que adiou uma audiência porque o trabalhador Joanir Pereira compareceu ao fórum calçado de chinelo de dedos. O juiz alegou que “o calçado era incompatível com a dignidade do Poder Judiciário”. “Num país tropical como o Brasil, uma decisão como essa no âmbito da Justiça é absurda. Um fato como esse deve entrar para os registros das aberrações jurídicas”, disse o presidente da OAB-PR, Alberto de Paula Machado.Para o advogado Marcelo Picoli, que alegou tentar argumentar com o juiz para não adiar a audiência, a atitude de Joanir impediu o acesso do cliente à Justiça. A audiência foi remarcada para 14 de agosto."
(Boletim Última Instância, Sexta-feira, 22 de junho de 2007: www.ultimainstancia.com.br. Cortesia do leitor Panfúcio)

[494] Serviço público (4): Hospital de D.ª Estefânia

13 junho 2007

[493] De novo, o fim da História

“O mundo é dirigido por organismos que não são democráticos, como o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio.”
“[É] altura de protestar, porque se nos deixamos levar pelos poderes que nos governam e não fazemos nada por contestá-los, pode dizer-se que merecemos o que temos”.
“Estamos a chegar ao fim de uma civilização e aproximam-se tempos de obscuridade, o fascismo pode regressar; já não há muito tempo para mudar o mundo”.
(José Saramago, cit. in 'Público', 13-6-2007)

07 junho 2007

[491] Late Sunday evening: Things You'd Love to Say at Work, but Can't...

1. I can see your point, but I still think you're full of shit.
2. I don't know what your problem is, but I'll bet it's hard to pronounce.
3. How about never? Is never good for you?
4. I see you've set aside this special time to humiliate yourself in public.
5. I'm really easy to get along with once you people learn to see it my way.
6. I'll try being nicer if you'll try being smarter.
7. I'm out of my mind, but feel free to leave a message...
8. I don't work here. I'm a consultant.
9. It sounds like English, but I can't understand a word you're saying.
10. Ahhh... I see the screw-up fairy has visited us again...
11. I like you. You remind me of when I was young and stupid.
12. You are validating my inherent mistrust of strangers.
13. I have plenty of talent and vision. I just don't give a damn.
14. I'm already visualizing the duct tape over your mouth.
15. I will always cherish the initial misconceptions I had about you.
16. Thank you. We're all refreshed and challenged by your unique point of view.
17. The fact that no one understands you doesn't mean you're an artist.
18. Any connection between your reality and mine is purely coincidental.
19. What am I? Flypaper for freaks!?
20. I'm not being rude. You're just insignificant.
21. It's a thankless job, but I've got a lot of Karma to burn off.
22. Yes, I am an agent of Satan, but my duties are largely ceremonial.
23. And your crybaby whiny-butt opinion would be...?
24. Do I look like a people person?
25. This isn't an office. It's Hell with fluorescent lighting.
26. I started out with nothing & still have most of it left.
27. Sarcasm is just one more service we offer.
28. If I throw a stick, will you leave?
29. Errors have been made. Others will be blamed.
30. Whatever kind of look you were going for, you missed.
31. I'm trying to imagine you with a personality.
32. A cubicle is just a padded cell without a door.
33. Can I trade this job for what's behind door #1?
34. Too many freaks, not enough circuses.
35. Nice perfume. Must you marinate in it?
36. Chaos, panic and disorder – my work here is done.
37. How do I set a laser printer to stun?
38. I thought I wanted a career, turns out I just wanted paychecks.
(cortesia do leitor "mreis")

01 junho 2007

[490] A nossa cruz

"Uso do símbolo não fere caráter laico do Estado, diz CNJ:
A maioria dos membros do Conselho Nacional de Justiça entende que o uso de símbolos religiosos em órgãos da Justiça não fere o princípio de laicidade do Estado. O entendimento ficou expresso no julgamento de quatro Pedidos de Providência que questionavam a presença de crucifixos em dependências de órgãos do Judiciário.
O relator dos processos, conselheiro Paulo Lobo, votou pela realização de consulta pública, via internet, pelo período de dois meses, com o objetivo de aprofundar o debate sobre o assunto. No entanto, o conselheiro Oscar Argollo abriu divergência, apreciando o mérito da questão, no sentido de permitir o uso de símbolos religiosos.
Argollo defende que o uso de tais símbolos constitui um traço cultural da sociedade brasileira e “em nada agridem a liberdade da sociedade, ao contrário, só a afirmam”. O conselheiro foi seguido por todos os conselheiros presentes, à exceção do relator.
O conselheiro Paulo Lobo se disse sem condições de julgar o mérito da questão. “Isto seria uma violação à minha consciência, porque ainda tenho muitas dúvidas”. Em razão disso, embora o entendimento sobre a questão tenha sido majoritário, os Pedidos de Providência não puderam ser concluídos, o que acontecerá em sessão próxima, com a proclamação do resultado da decisão, quando o relator apresentar seu voto.
Cruz da Justiça
Em outubro de 2005, em um congresso de juízes estaduais no Rio Grande do Sul, foi decidido que os crucifixos poderiam continuar adornando as paredes das salas de audiências gaúchas. A decisão foi apertada: 25 votos pela manutenção e 24 contra.
Na ocasião, os juízes entenderam que a ostentação do crucifixo “está em consonância com a fé da grande maioria da população brasileira” e que “não há registro de usuário da Justiça que tenha acusado constrangimento em razão da presença do símbolo religioso em uma sala de audiência”.
A proposta de retirar os crucifixos foi apresentada pelo juiz Roberto Arriada Lorea. Os defensores da idéia argumentaram que a presença do crucifixo causa constrangimento aos seguidores de outras religiões.
De maneira geral, juízes podem optar livremente pela permanência de crucifixos nas paredes de suas salas de audiência. No Supremo Tribunal Federal, dois ministros já se manifestaram contra a manutenção do crucifixo localizado no plenário: Celso de Mello e Marco Aurélio.
Embora manifestem respeito à Igreja Católica, os dois ministros entendem que, desde que Igreja e Estado se separaram, não faz sentido projetar a idéia de que um tribunal que se pretende neutro em relação aos movimentos e manifestações sociais do país projete a noção de que se subordina a algum deles."
[Pedidos de Providência 1.344, 1.345, 1.346 e 1.3629]
(Douglas Miura, repórter da revista Consultor Jurídico, 29-5-2007: cortesia do leitor Panfúncio)

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