Terapia política. Introspecção psicossocial. Análise simbólica.

30 dezembro 2005

[127] Late night: Ouviram?

"Solidariedade e competência são duas coisas que acho que dizem muito respeito a Cavaco Silva".
(Ramalho Eanes, 29-12-2005)

[126] O perigo do medo

«A penosa campanha eleitoral em curso, longa de mais, mostrará até ao fim esse tom de dramatização e de perseguição populista, de insinuação. Por detrás disso está o medo. Não o medo de Cavaco, mas o medo da própria democracia e do jogo claro que ela devia impor e tornar necessário. De dedinho espetado, indignado, esse medo é que é perigoso e reaccionário. E, além do mais, pretende fazer dos portugueses gente sem discernimento ou inteligência».
(Francisco José Viegas, JN, 29-12-2005)

29 dezembro 2005

[125] Late night: interrogações

«Portugal não precisa de um Presidente da República que apresenta como única razão da sua candidatura a experiência e cuja lógica seria transformar-se num presidente vitalício», afirmou (...) Manuel Alegre [, que] criticou Mário Soares por «fazer um discurso minimalista, como se o Presidente da República não tivesse outros poderes senão o da moderação».
«Então, se o Presidente da República não tem poderes nenhuns, porque é que ele [Mário Soares] já foi Presidente duas vezes e porque é que se candidata outra vez?», interrogou.

28 dezembro 2005

[124] Coerência

"Apoio o Prof. Cavaco Silva por razões, no essencial, idênticas às que estiveram na base do meu apoio público ao General Ramalho Eanes, em 1980, e do meu voto no Dr. Mário Soares, em 1986. Efectivamente, nas actuais circunstâncias, o Prof. Cavaco Silva, pelo seu profundo conhecimento da realidade nacional e internacional, pela sua grande experiência governativa, pela sua estatura moral e pela independência com que se apresenta, é o candidato em melhor posição para exercer o cargo de Presidente da República. (...) "
(José Casalta Nabais)

[123] Em tempo de eleições presidenciais, uma "causa" monárquica?

«[A propósito da recorrente discussão em muitos países (o último dos quais, o Brasil, em 2002) sobre os méritos da conservação ou (re)implantação da monarquia, fundamentada sobretudo na avaliação dos custos orçamentais com a Casa Real ou com a Presidência da República, hão-de reparar] bem nos modelos dos Estados mais civilizados/desenvolvidos (Noruega, Suécia, Canadá, Japão, Austrália, Nova Zelândia, Alemanha, EUA, Reino Unido, Holanda, Suíça, ...) [e constatar que] há um padrão comum de regime: o da monarquia constitucional.
Será por acaso?»
(Portugal Real/Núncio)

[122] It's the character, man!

«Há alguns anos (não muitos), lembro-me de ter lido um estudo de opinião que indicava que a maioria dos portugueses declarava-se politicamente como sendo de centro-esquerda, depois de centro-direita e depois de esquerda. Não quero ser impreciso, mas o centro-esquerda e a esquerda congregariam, a ser uma amostra representativa, cerca de 35% contra apenas 25%, talvez, de portugueses de direita e centro-direita.
Claro que, depois, há toda aquela "maioria silenciosa" e pouco ideológica [que, normalmente, fornece a abstenção].
Não tenho qualquer dúvida (e não creio que me vá enganar muito): Cavaco Silva vencerá com milhares e milhares de votos do centro-esquerda e da esquerda.
Porque será?»
(Portugal Real/Núncio)

27 dezembro 2005

[121] O Prémio Nobel

"Chegou ao desplante de afirmar que Cavaco era um razoável economista, mas não um Prémio Nobel, como se a história contasse com muitos Prémios Nobeis no lugar de Presidentes".
(Eduardo Prado Coelho, Público, 26-12-2005)

[120] "Ele" e nós

«“ele” foi talvez a expressão mais utilizada pelo Dr. Mário Soares no debate de hoje. E digo “ele” com letra pequena porque para o Dr. Soares “ele” deve ser apenas um indivíduo qualquer de uma terrinha perdida algures no Algarve chamada Boliqueime. Penso que, mesmo que assim fosse, talvez merecesse um pouco mais de respeito, mas enfim...
Por acaso, esse tal de “ele” a que o Dr. Soares se refere com algum desdém, nasceu, de facto, em Boliqueime, mas, apesar das dificuldades de uma vida que se tem que construir de baixo para cima, foi trabalhador-estudante, formou-se, doutorou-se na Universidade de York em Inglaterra (sem ser “honoris causa”), foi ministro das finanças, foi 1.º Ministro durante 10 anos, duas vezes eleito com maioria absoluta e, ainda que candidato derrotado na eleição presidencial de há 10 anos, conseguiu obter aproximadamente 46% dos votos dos portugueses.
Apesar de naturalmente ter deixado muita coisa por fazer num país que não tinha nada quando "ele" chegou; apesar de ter cometido erros (como qualquer ser humano), o balanço final dos seus mandatos foi, sem dúvida, muito positivo e Portugal conheceu um desenvolvimento muito relevante aos mais diversos níveis. Arrisco-me a dizer que “ele” foi o melhor 1.º Ministro dos nossos 31 anos de democracia.
Mas enfim... Para o Dr. Soares “ele” é uma espécie de iletrado que ainda por cima abre a boca para comer bolo-rei. A forma como o Dr. Soares se refere aos vários “eles” de Portugal leva-me a pensar que o ex-presidente da república acha que nós, meros cidadãos portugueses, a maior parte esforçados trabalhadores, honestos cumpridores dos nossos deveres, estamos vários furos abaixo da sua pessoa.
Provavelmente, é o facto de se considerar (ou, pelo menos, parecer) o “ELE” de Portugal que leva o Dr. Soares a querer regressar ao estatuto de 1ª figura da nação. Era desnecessário. Eu, como a generalidade dos portugueses, tinha-lhe e tenho-lhe muito respeito e admiração, pelo que, agradecíamos que não se esforçasse mais em fazer com que alguns de nós percamos essa impressão.
Quanto ao debate, sinteticamente, não há a menor dúvida que "ele" ganhou e "ELE" perdeu.
(Francisco Proença de Carvalho, O Sinédrio, 20-12-2005)

22 dezembro 2005

[119] "Somos diferentes até na linguagem!"

«Se porventura tivesse de destacar uma frase no debate que opôs Soares a Cavaco, seguramente que seria esta discreta mas fundamental afirmação de Cavaco Silva. Ela demonstra claramente o que tem distinguido estas duas pessoas: Cavaco Silva conseguiu manter a calma e o respeito mesmo sob os mais ferozes e soezes ataques; Mário Soares foi vulgar e ofensivo como só ele sabe. Registo que, para além das constantes interrupções a que se permite (e lhe permitem), não deve ter passado despercebido às pessoas que Soares se referia sempre a Cavaco Silva como "ele". "Ele" isto, "ele" aquilo, "ele" aqueloutro, numa arrogância pessoal enorme e inqualificável que, se fosse feita por qualquer outra pessoa (ou se fosse feita por Cavaco Silva a Soares), cairia o Carmo e a Trindade.
«O respeito entre candidatos presidenciais exige-se, a falta de respeito de Soares deve ser criticada e a ausência de resposta ao mesmo nível por parte de Cavaco Silva deve ser elogiada. Como deve ser elogiada a contenção de Cavaco Silva quando Soares veio socorrer-se das suas aulas na Universidade de Coimbra: violasse Cavaco Silva as regras do Marquês de Queensberry, como Soares se fartou de fazer durante o debate, e fizesse Cavaco a simples advertência de que existe um diferença abissal entre quem dá aulas por ser convidado e quem as dá por ter prestado provas académicas, e Soares seria arrasado.
«Realce-se que Soares não se bastou com a simpatia dos entrevistadores, que evitavam referir-se ao outro candidato como "Sr. Professor", como seria natural; Soares quis ser também, embora em biquinhos de pés, professor universitário. Pronto(s). Mas fica a dever a Cavaco uma, por este não o ter enxovalhado ali mesmo.
«Soares não se ficou por aqui. Para o lado, ainda se queixou de Cavaco Silva ler dossiers mas não ler livros - tecla que repisa ignobilmente sem aquilatar da sua veracidade -; pesporrente, acusou-o de lhe faltar cultura; deselegantemente, referiu-se a supostas conversas desagradáveis que os seus amis teriam tido consigo sobre Cavaco Silva; chegou ainda a fazer comparações com Marcello Caetano e isto tudo numa animosidade pessoal inconcebível e à qual, com uma contenção que não imaginei ser capaz, Cavaco Silva sempre se recusou responder. Fiquei a admirar Cavaco por isso porque eu não seria capaz.
«Da maneira como Soares colocou as coisas, aquilo a que assistimos hoje não foi um debate presidencial: parecia antes uma discussão monologuenta num botequim vulgar ou numa tasca infecta em que, já tarde da noite, uma pessoa decente que por acaso ali foi parar com dois convidados se vê abordada por um pobre desgraçado, tombado sobre a mesa e zangado com a vida, e tem de estar ali a aturar o rezingão, sem lhe responder nem lhe dar as duas valentes bengaladas que merecia, conversando com os outros enquanto o táxi chamado não chega.
«Mário Soares, numa atitude inqualificável, tem-se arrogado uma superioridade sócio-cultural sobre Cavaco Silva. Ficou hoje demonstrado (para quem não sabia) que foi Mário Soares quem não tomou chá em pequenino. Se eu tivesse algumas dúvidas, a diferença na linguagem dissipou-as por completo.»
(Vasco Lobo Xavier, O Mar Salgado, 21-12-2005)

[118] Portugal desnudo

Um debate político não é um combate de boxe.
Sendo a Política a administração do bem comum, carece, desde logo, de administradores civilizados, sensatos, competentes e rigorosos. Baseia-se em princípios, segue regras, faz-se com programas e desenvolve-se com políticas.
Não ouvi MS invocar um único princípio (moral, ético, político ou de qualquer outra natureza), não me lembro de ter discorrido sobre o seu programa presidencial nem as políticas económicas, financeiras, sociais ou culturais (!) que advoga para o futuro de Portugal (embora saibamos que não cabe ao PR desenvolver políticas, alguma opinião houvera de ter um candidato que se diz sempre presente em todos os momentos difíceis... E nos fáceis também, esse é o problema!).
Pior, MS nem regras segue. Desde logo, as do debate televisivo que TODAS as candidaturas, incluindo a sua, acordaram e que nenhum dos moderadores teve o profissionalismo e isenção de lho recordar. Mais grave, muito mais grave, não cumpriu quaisquer regras de convivência social, urbanidade, respeito pelo próximo e pelas figuras do Estado. A ética republicana esvaiu-se e veio a nu o azedume, a arrogância, a soberba, a grosseria, o preconceito social e cultural, o sarcasmo, a boçalidade...
Ainda que, simbolicamente, se pudesse assemelhar o debate n.º 10 a um combate, convém não esquecer que o próprio boxe tem regras, tempos e pontuações. MS lutou muito, mas sozinho, contra o seu próprio passado e a sua "dupla personalidade (política)". Sem estratégia nem objectivos nem gestão do esforço nem respeito pelo adversário ("fair-play"). Nunca esteve quieto, deu murros e socos, mas sem direcção nem inteligência. Mera força bruta, enraivecida, cega. Atingiu um adversário fictício: o plebeu ignorante e brega que ousou querer conviver com Estadistas e Elites. Dado o descontrolo, o adversário poupou-lhe uma sova. De democraticidade. Por temor reverencial ou compaixão, resta saber...

[117] Late evening: introspecção

«“O diálogo não nasce de tácticas ou de interesses, mas é uma actividade que apresenta motivações, exigências, dignidade própria: é exigido pelo profundo respeito por tudo o que o Espírito, que sopra onde quer, operou em cada homem” [Encíclica Redemptoris Missio (1990), n.º 56].
«Esse respeito pela dignidade e identidade de cada pessoa manifesta-se em todos os campos da vida humana. Também no campo político, de que este momento é testemunho indesmentível.»
(Cavaco Silva, 22-12-2005)

[116] A caprichosa

"Nada me move pessoalmente contra Cavaco, que reputo pessoa decente e incorrupta, o que não é pouco".
(Clara Ferreira Alves)
Pelos vistos, é pouco. Prefere a indecência e a soberba.

[115] "Moderador e árbitro"?

«Ontem à noite caiu a máscara do "moderador e árbitro". Soares portou-se como um candidato radical, incontinente e, em muitos momentos, malcriado e raramente, ou quase nunca, como um ex-chefe de Estado e aspirante credível ao cargo. Apesar da "pose" arrogante e do olhar de permanente comiseração intelectual perante "o camponês de Boliqueime", Soares deu ao país um triste espectáculo acerca daquilo que verdadeiramente o move. Estava tão embrenhado nessa acrobacia puramente agressiva que, no minuto final, onde podia "brilhar", se perdeu ao ponto de acabar ao nível de um cartão de Boas Festas (...).
«Esta última aventura teria sido perfeitamente desnecessária não fosse a imensa vaidade do homem e a posição timorata do PS em relação às presidenciais onde teve, à vontade, uma boa meia dúzia de escolhas. Soares imaginou, a partir do Vau, que uma "onda" o esperava e que o país, comovido, ansiava pelo seu majestático regresso. Nem uma coisa nem a outra se verificaram. O eleitorado dito "moderado", que o salvou há 20 anos, ficou perfeitamente esclarecido com o debate contra Cavaco. Se já andava desconfiado, ontem fugiu-lhe de vez. Penso não andar longe da verdade ao dizer que Mário Soares entregou ontem à noite a vitória, de mão beijada e numa única "volta", a Cavaco Silva. Ninguém de boa-fé e no seu perfeito juízo reconheceu no Soares de ontem uma mísera sombra do "moderador e árbitro" que ele se imagina.
«Por mera caridade cristã, alguém amigo dele faça o favor de lho explicar.»
(João Gonçalves, O Pulo do Lobo, 21-12-2005)

[114] Soares e a Cultura

«Soares faz sempre questão de se mostrar como um homem culto e de apresentar Cavaco Silva como um mero contabilista. No entanto, as ideias de Soares dificilmente podem ser consideradas as ideias de um homem culto. Um homem culto deveria ser capaz de produzir um pensamento organizado e fundamentado a partir da informação dispersa de que dispõe. Ou pelo menos, deveria ser capaz de identificar as questões relevantes a partir da informação disponível evitando dizer demasiadas asneiras. Mas Soares não é capaz de fazer isso a propósito dos temas que lhe são mais queridos, sejam eles os Estado Unidos, os Oceanos ou a Globalização.
«Sobre os Estados Unidos, tem um pensamento que mais não é do que uma reacção pavloviana ao grande capital e ao imperialismo ianque típica da esquerda. Demonstra desconhecer as peculiaridades da política americana, caindo demasiadas vezes no lugar comum e no provincianismo. É totalmente incapaz de perceber o fenómeno das religiões protestantes nos Estados Unidos chegando mesmo a ser ofensivo quando mete tudo no saco do fundamentalismo religioso.
«Os Oceanos são para Soares uma bandeira política sem qualquer conteúdo substantivo. Soares não parece ter nenhum interesse pelos aspectos estratégicos, científicos, ambientais ou políticos dos Oceanos. Só mostra interesse pelos Oceanos enquanto bandeira politicamente correcta legitimadora da sua persona política. Preocupa-se com os oceanos como se poderia preocupar com a igualdade de género ou com o lince da Serra da Malcata. Os detalhes não interessam, o que interessa é que esteja na moda e fique bem.
«Sobre a Globalização, Soares não tem qualquer pensamento próprio. O que diz não resultou de qualquer esforço intelectual. O que diz é o que qualquer jovem inconsciente sem a experiência nem a biblioteca de Soares poderia dizer. Soares é incapaz de perceber que a Globalização é um processo que não é controlável por uma autoridade central e que por isso está para além da política. E também não percebe que a Globalização favorece precisamente aqueles que ele quer proteger da Globalização.
«Soares, como muito boa esquerda, usa a cultura como arma de arremesso político. Mas quem o faz não precisa de ser culto. Alguma falta de modéstia costuma ser suficiente. De resto, falta a Soares aquilo que falta a muitos que se auto-intitulam cultos. Falta-lhe cultura suficiente para perceber porque é que quem é verdadeiramente culto não precisa de se auto-intitular como tal.»
(João Miranda, A Blasfémia)

20 dezembro 2005

[113] Early evening: citação para um debate

"Um pessimista vê uma dificuldade em cada oportunidade; um optimista vê uma oportunidade em cada dificuldade."
(Winston Churchill)

[112] BOAS FESTAS!

Parafraseando um amigo, com a sua cortesia, e "aproximando-se a festa do NASCIMENTO, saúdo todos aqueles que dão sentido à minha vida, que são a minha bússola, que me fazem renascer todos os dias, mais forte e mais humano..."

[111] O Rei-Presidente

« (...) a respublica continuou a rever-se na monarquia a cujo património político pertencia o reino; monarquia cuja autoridade única, de próprio movimento, certa ciência, livre vontade e poder absoluto provinha da concessão popular.
« É este o sentido de legalidade popular que enforma a acção do rei português de Tordesilhas, que tomará por divisa "Pola lei e pola grei" como expressão de uma consubstancialidade entre direitos reais e direitos de Estado, isto é, consubstancialidade entre Monarquia e Estado na pessoa de D. João II; uma monarquia activa na forma como aborda e pondera os termos da bula de Alexandre VI (bula Inter Coetera) de 3 e 4 de Maio de 1493, na sequência da primeira viagem de Colombo ao Novo Mundo; e activa ainda, no modo como preparou e conduziu a negociação do Tratado de Tordesilhas, logrando afirmar, em termos internacionais a definição de um domínio; de um império marítimo à escala mundial; reconhecido bilateralmente à luz de um momentâneo encontro; de um acerto de interesses no respeito pelo compromisso da palavra sobre o confronto bélico.»
(Fernando Amorim, "Tordesilhas: ponto de encontro, lugar de partida")

[110] Valores ou ideologias?

« (...) ao longo destas décadas, muitos portugueses puseram de lado as suas ideologias de direita e ajudaram a eleger candidatos de esquerda. Passou-se sempre assim. Não se pode por isso, em nome da Democracia, cair na mera indignação quando se prefigura a possibilidade de pessoas de esquerda, que o foram toda a vida, ajudarem a eleger o candidato da direita. A alternância democrática, que já se vira nas legislativas e nas autárquicas, pode ocorrer agora nas Presidenciais.
« (...) Hoje falta memória à esquerda. Provavelmente porque foram os próprios políticos de esquerda que confundiram e misturaram tudo numa amálgama ideológica.
« (...) Cavaco tem o condão de conseguir reunir numa qualquer mesa de jantar de apoio à sua candidatura Silva Graça, autor do livro "Lisboa–Cidade Abril", e Joaquim Veríssimo Serrão, saudoso do Estado Novo.»
(Luíz Carvalho, Cartas Digitais: "A esquerda e o candidato da direita", 13-12-2005)

[109] Late night: citações preciosas (5)

«Sócrates - É, então, preciso nunca cometer injustiça?
Críton - Certamente.
Sócrates - Nem pagar o mal com o mal, como diz a multidão, uma vez que há que não ser injusto de nenhuma maneira.
Críton – Parece que não.
Sócrates – Então, não devemos fazer o mal?
Críton – Com certeza que não, Sócrates.
Sócrates – E é justo ou injusto que aquele que sofre retribua o mal, como dizem as gentes?
Críton – É injusto.
Sócrates – Pois, fazendo o mal aos homens que são injustos, em nada diferimos deles.
Críton – Dizes a verdade.
Sócrates – É então preciso não pagar o mal com o mal, nem fazer mal a qualquer homem de quem nos venha mal. [...] Saindo nós daqui sem que a cidade o consinta, fazemos mal a alguém e, precisamente, a quem menos deveríamos fazer. Ou não será assim?
Críton – Não tenho resposta para o que perguntas, Sócrates, pois não sei.»
(Platão, Críton, 49b – 50a)

[108] Pode repetir?

“Eu nunca afirmei que, se Cavaco Silva ganhar as eleições, no dia seguinte havia um golpe de Estado!”
(Jerónimo de Sousa, debate Alegre/Jerónimo, TVI, 19-12-2005)

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